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Navegue com segurança

3 Março (377)

Seu barco está em dia com os equipamentos e materias de salvatagem? Confira na tabela abaixo, mas vale salientar que: Independente da dotação de materiais mínimos estabelecidos pela NORMAN 03, é responsabilidade do comandante dotar sua embarcação com o material de navegação, segurança e de salvatagem compatível com a singradura que irá empreender e com o número de pessoas a bordo.

NAVEGAÇÃO COSTEIRA

 

Discriminação

Embarcações de Médio Porte

Iates

Agulha magnética

Obrigatório

Obrigatório (Compensada ou curva de desvio, válido por 2 anos)

Âncora (com no mínimo 20 m de cabo ou amarra)

Obrigatório

Obrigatório

Apito

Obrigatório

Obrigatório

Artefatos pirotécnicos

Obrigatório (02 foguetes manuais estrela vermelha c/pára-quedas; 02 fachos manuais luz vermelha; 02 sinais fumígeno flutuante laranja)

Obrigatório (02 foguetes manuais estrela vermelha c/pára-quedas; 02 fachos manuais luz vermelha; 02 sinais fumígeno flutuante laranja)

Balsa salva-vidas

Dispensado

Dispensado

Bandeira nacional

Obrigatório

Obrigatório

Bilhete de Seguro Obrigatório – DPEM

Obrigatório

Obrigatório

Bóia salva-vidas (circular ou ferradura)

Obrigatório (Emb. menor de 12m. 01 unidade. Emb. >12m. 02 unidades. Pelo menos uma c/ retinida flutuante Todas c/dispositivo de iluminação automático)

Obrigatório (02 unidades. Pelo menos uma c/ retinida flutuante. Todas c/ dispositivo de Iluminação automático)

Bomba de esgoto (Veja detalhes inclusive vazão mínima no item 0429)

Obrigatório (Emb. menor de 12m, 01 unidade; Emb. > 12m. 01 manual e 02 elétricas ou acoplada n/motor)

Obrigatório (03 unidades, uma delas com acionamento não manual)

Certificado ou notas de arqueação

Dispensado

Obrigatório

Coletes salva-vidas

Obrigatório (classe II)

Obrigatório (classe II)

EPIRB 406 MHz

Dispensado

Obrigatório

Extintores de incêndio

Obrigatório (ver referência e item 0438)

Obrigatório (ver referência e item 0438)

GPS

Recomendado

Obrigatório (01 unidade)

Habilitação (mínima)

Mestre Amador

Mestre Amador

Materiais e medicamentos de primeiros socorros

Obrigatório (a partir de 15 ou mais pessoas a bordo)

Obrigatório (a partir de 15 ou mais pessoas a bordo)

Quadros

Obrigatório (ver referência)

Obrigatório (ver referência)

Refletor radar

Obrigatório

Obrigatório

Rádio HF SSB

Dispensado

Obrigatório

Rádio VHF

Obrigatório (fixo)

Obrigatório (fixo)

Rádio transmissor Radar (transponder)

Dispensado

Obrigatório

Sino ou buzina manual

Obrigatório

Obrigatório

Termo de responsabilidade

Obrigatório

Obrigatório

Título de inscrição

Obrigatório

Obrigatório (emb. AB igual ou maior de 100, deverão possuir PRPM)

Vistoria inicial

Obrigatório (isenta caso cumpra disposto item 0333)

Obrigatório (isenta caso cumpra disposto item 0333)

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Em nome da segurança no mar

4 Abril (96)

Toda embarcação deverá estar dotada com os equipamentos de salvatagem e segurança para a área a qual esteja navegando, pretenda navegar ou esteja apta a navegar. Para isso existe uma convenção internacional e que no Brasil é regulamentada pelas Normas da Autoridade Marítima, as famosas Norman’s. No caso das embarcações de esporte e recreio a Normam 03 é a Lei.

Por incrível que pareça, muitos comandantes ainda se fazem de desentendidos perante os agentes da inspeção naval e tentam aplicar o jeitinho brasileiro sobre as regras, mas os homens da Lei não se fazem de rogados e o que mais se ouve por ai são reclamações infundadas.

Tem até quem se ache invadindo na privacidade quando são abordados por um barco da Capitania dos Portos, fazem cara feia e discorrem discursos ensandecidos diante da plateia formada pelos seus tripulantes, colocando-os contra os inspetores que nada querem, além de confirmar se todos a bordo estão em segurança. Na verdade, se todos cumprissem o que dizem as normas de segurança no mar não teríamos tantos acidentes causados pela falta de prudência.

Ter os equipamentos a bordo, em bom estado de conservação e pronto para serem usados, é o mínimo que um bom comandante deve fazer para proteção dele e de seus tripulantes.

Já escutei dono de barco abrir a boca para dizer a asneira que não sabe o porquê de ter a bordo equipamentos de salvatagem. Nem me dei o trabalho de responder, quanto mais tentar explicar.

Não me canso de observar a movimentação das embarcações, enquanto estou com o Avoante ancorado em algum recantinho do litoral, e sempre fico surpreso com a falta de zelo dos comandantes para com suas tripulações. Tripulações na grande maioria formada por familiares, amigos e afins e por isso mesmo mereciam atenção redobrada.

Dia desses, na Ilha de Itaparica, uma lancha cruzou o fundeadouro em alta velocidade com três crianças sentadas displicentemente no espelho de popa sem nenhuma proteção. A velocidade já denunciava a infração grave. O condutor, que me pareceu ser o pai, pilotava a embarcação enquanto tomava bons goles de cerveja e se distraia num risonho bate papo com um amigo postado ao seu lado. Na minha visão de segurança, bastava uma diminuição brusca da aceleração ou mesmo um desvio mais rápido para que aquelas crianças caíssem no mar e assim à tragédia estivesse formada. Descaso não. Irresponsabilidade!

Já vi comandantes, inclusive amigos, tentando mascarar a exigência dos equipamentos utilizando o recurso de pedir emprestado apenas para o momento da inspeção naval, como se isso fosse à coisa mais normal do mundo. E o pior é que é mesmo e é o que mais se vê por ai.

Outro erro gravíssimo é o comandante ter todos os equipamentos obrigatórios e não saber como utilizá-los. Alguns nem sabem como usar um colete, que muitas vezes ficam guardados em porões de difícil acesso.

Nos parrachos e bancos de areia que fazem a festança do verão nas praias badaladas ao longo do litoral, a situação beira o extremo da insegurança. Pessoas nadam em meio a embarcações em movimento ou com motores em funcionamento. Embarcações fazem aproximação em alta velocidade. Crianças ficam sozinhas próximas aos comandos. Todos pulam na água sem deixar ninguém a bordo para observar e no retorno a praia, alguns ainda caem na água antes que os motores estejam parados ou que a embarcação esteja ancorada. É preciso lembrar que homem ao mar é um momento de terrível apreensão a bordo e poucos têm a experiência do resgate em tempo hábil.

É comum, em dias de festa, principalmente noites de ano novo, o uso de foguetes de sinalização. Foguete de sinalização, no jargão náutico denominado de pirotécnico, somente deve ser utilizado em caso de acidente para chamar atenção das equipes de resgate ou de embarcações que estejam nas proximidades. A utilização fora dessas condições deve ser condenável e é passível de multa, pois coloca em risco a segurança de todos e principalmente de quem realmente esteja em apuros.

Pirotécnicos demoram a apagar e queimam até mesmo dentro da água. O uso indiscriminado e sem o conhecimento necessário representa alto risco de perigo até mesmo para quem esteja em terra, porque é difícil saber onde o bicho vai parar, pois ele sofre influencia direta do vento. Se cair em cima de outro barco na ancoragem é acidente na certa.

A utilização de um barco em dias de verão é um momento de alegria, mas em nenhum instante deve-se abdicar da seriedade que a segurança necessita para a alegria ser completa. O mar exige respeito, atenção e parcimônia. Por isso comandante: Respeite os limites de segurança.

Nelson Mattos Filho/Velejador