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Votos renovados com o mar- I

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Não estou mais no Avoante e nem morando a bordo, que foi um dos maiores aprendizados que tive na vida e aconselho a todo mundo passar por essa experiência, mas não saí do mar e nem o mar saiu de mim, porque temos uma relação de amor incondicional, um imã poderoso, que nos faz ligados mesmo quando estamos a milhas e milhas de distância um do outro. O mar é o bálsamo que acalma minha alma irrequieta, mantém vivo meus sonhos e me abre encantadores horizontes. O mar é vida. O mar tem alma. O mar não é dos valentes, mas sim dos sonhadores e dos que tem no coração a leveza de ser e a perseverança de seguir um pouquinho mais à frente. Mar, ser encantador e guardião das verdades! Mar, me permita amá-lo para o sempre!

Estava eu sob a sombra da humilde, refrescante e instigante varandinha de minha cabaninha de praia, quando escuto o toque do celular e não sei porque me veio a lembrança dos seres encantadores dos oceanos. Do outro da linha o comandante Flávio Alcides me convidava para uma velejada pelas águas do Senhor do Bonfim e sem nem piscar o olho e nem pensar, respondi sim. – Quando? – Começo de dezembro. – Estarei lá! Isso não é convite que se faça a um amante do mar, porque por mais que forças estranhas lutem contra, mais a vontade cresce e os contornos vão sendo moldados para acolher a razão. Lucia sempre diz que para velejar é preciso prioridade e tudo mais deve ser descartado, ou simplesmente adiado sumariamente. – É assim? – Claro que é!

O convite não foi apenas para mim, mas também para alguns amigos em comum, que deixaram a prioridade de lado e se apegaram com os descartes e as desculpas. Resultado: Sobrou espaço no confortável catamarã Tranquilidade, um BV 43 construído no estaleiro Bate Vento, lá nas terras maranhenses do Boi Bumba. A tripulação foi formada apenas com o comandante Flávio, a imediata Gerana, Lucia e esse navegante e praieiro escrevinhador. Velas ao vento e vamos lá!

A viagem teve início em Enxu Queimado, um povoado praia – ou seria uma praia povoado? –, localizado no litoral norte potiguar, onde me divirto olhando de minha rede na varanda a natureza que muda a cada milésimo de segundo. – E como muda! A estrada era longa até Salvador do Senhor do Bonfim, mas como prefiro o mar e as estradas para me locomover, acelerei meu Fiat bala e fomos em frente com a alegria estampada no rosto. – Qual estrada seguir? Tudo já estava na minha mente, pois fiz o trajeto de carro entre Natal/Salvador inúmeras vezes, porém, partindo de Enxu Queimado seria a primeira, e tomara, de muitas.

Reprogramei a rota na cachola e partimos em direção a cidade de João Câmara, onde outrora morei e tive um comércio de padaria, aliás, sem falsa modéstia, uma das melhores da cidade. De lá seguimos pelas estradas e cidades do sertão e agreste: Bento Fernandes, Riachuelo, São Paulo do Potengi, Senador Elói de Souza, Tangará, onde tem um pastel maravilhoso, São José de Campestre, Passa e Fica, todas no Rio Grande do Norte. Na Paraíba passamos por Belém, Bananeiras, lugar mais do que lindo, Solânea e desaguamos na famosa Campina Grande, do melhor forró do mundo. Paramos na entrada da cidade de Barra Santana/PB para se esbaldar numa pamonha de lascar meio mundo de boa, no restaurante Leitosa. De bucho cheio a viagem seguiu por Toritama/PE, cidade famosa por suas fabricas de roupas de marca, porém, incrivelmente desarrumada e mal cuidada, Caruaru, capital pernambucana do forró e da moda, e seguimos em frente até alcançar a bela e faceira sereia Maceió/AL, onde paramos na casa do casal Daniel e Ângela Cheloni, proprietários do restaurante Del Popollo, o melhor da capital das terras dos menestréis.

Após uma noite bem dormida e bem alimentada, com as delícias do Del Popollo, tiramos uma reta para a capital baiana, que fica pouco mais de 600 quilômetros de Maceió. – Você acha que a viagem foi longa e cansativa? – Pois digo que cansativa foi um pouco, mas foi arretada de boa e adoro cruzar as estradas que cortam o interior brasileiro. Me sinto mais eu, mas vivo e um tiquinho mais conhecedor das causas que nos atinge no dia a dia. Como bem disse o mestre-sala das letras Aldir Blanc: “…o Brasil não conhece o Brasil…”. – Atesto e dou fé! Temos um país maravilhoso, acolhedor, rico, fascinante, empobrecido pelos desmandos, alegre, festeiro, livre, dotado de uma geografia ímpar e habitado por um povo fantástico. – Duvida? – Saia do bem bom do sofá e vá ver!

Ufa! Depois das estradas da vida desembarcamos na marina Angra dos Veleiros, onde nos esperava o catamarã Tranquilidade e seu belo casal de comandantes, revimos e abraçamos os amigos que ali estavam, embarcamos e abrimos uma cerveja para comemorar a abertura de mais uma página da nossa história no mar da Bahia, que de tanto eu falar bem, de tanto me deleitar em sua maciez, de tanto respeito que tenho por seu Senhor maior, guardião que a tudo protege do alto da Colina Sagrada, de tanto pedir a benção ao poderoso séquito de Orixás que por lá navega, recebo de coração e um eterno agradecimento tudo aquilo que eles me reservam.

“…Glória a ti nessa altura sagrada/És o eterno farol, és o guia/És, senhor, sentinela avançada/És a guarda imortal da Bahia…”

Nelson Mattos Filho/Velejador

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Registros e lembranças de uma velejada

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VIAGEM NO VELEIRO COMPAGNA

DIÁRIO DE BORDO

No final de outubro de 2015 embarcamos no veleiro Compagna, um Delta 36, a convite do comandante Braz, para levá-lo de Salvador a Paraty. Foi uma viagem maravilhosa em que registrei dia a dia em um diário.

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1º dia – 24/10

Saída do Aratu Iate Clube às 8horas e 40 minutos no rumo de Camamu/BA. A bordo os proprietários Braz e Cris, eu e Lucia. Vento ESE e mar de almirante. Velejada tranquila, porém, Braz e Cris tiveram leve desconforto com o fatídico enjoo, mas nada que tirasse o sossego de nossa velejada. Afinal de contas era o primeiro contato deles com o mar aberto e era de se esperar que o enjoo desse o ar da graça. Um peixe se encantou com a isca artificial e teve que ser embarcado. Chegamos à barra de Camamu com maré de enchente e às 21h20minutos jogamos âncora em frente à casa da saudosa Dona Onília Ventura, na Ilha de Campinho.

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2º dia – 25/10

Acordamos cedo, tomamos café e desembarcamos para rever e abraçar Aurora, uma das pilastras da Ilha de Campinho e, para mim, a melhor referência da Baía de Camamu. Em seguida fomos de botinho até a Ilha de Goio, onde passamos bons momentos entre banhos de mar e bate papo com o proprietário do único restaurante da pequena ilha, mais conhecido como Sr. Goio, que é uma figura. Retornamos ao Compagna para almoçar uma moqueca, preparada por Lucia com o peixe que pescamos. No fim da tarde eu e Lucia desembarcamos para despedir de Aurora e retornamos ao Compagna para o sono dos justos. Continuar lendo

Diário de um corsário

PrintBanner do livro Prof. Francisco AntonioO professor e escritor potiguar Francisco Antonio Cavalcanti, lança em Natal/RN o livro “Diário de Bordo – O legado de Jacques Drouvot”, Chiado Editora, Lisboa, um romance histórico que cruza as rotas dos navios corsários que navegaram pela costa brasileira entre os séculos XVI e XVII. O lançamento será dia 03 de dezembro, a partir das 19 horas, na Pinacoteca do Estado, Praça 7 de setembro, s/n, Centro.

Um diário sem rotina

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“…Um dia frio/Um bom lugar para ler um livro… .” Lançado em 2013 o livro Diário do Avoante reune crônicas que traduzem o início da nossa vida a bordo do veleiro Avoante, que este ano completa 10 anos. A decisão, família, emoções, aprendizados, navegações, segredos, lugares, pessoas, tudo inserido dentro de um contexto que mescla o cotidiano da vida urbana com o mar. O Diário do Avoante está a venda na Moana Livros, na loja Equinautic, na Livraria Saraiva (Shopping Midway Mall, em Natal) ou diretamente com autor pelo email: avoante1@hotmail.com .

Regata do descobrimento 2000. Diário de bordo do navegador – III

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Chegamos ao terceiro e último capítulo da história contada pelo velejador baiano Sérgio Netto (Pinauna) sobre a Regata do Descobrimento, acontecida no ano 2000 em comemoração ao descobrimento do Brasil. Sérgio Pinauna participou como navegador a bordo do veleiro Arribasaia. A Regata do Descobrimento teve a participação de vários veleiros brasileiros. Mais uma vez agradeço ao amigo Pinauna por dividir com os leitores do Diário do Avoante suas aventuras náuticas. Para quem não acompanhou os capítulos anteriores, basta clicar nos link, Capítulo I e Capítulo II.

REGATA DO DESCOBRIMENTO 2000. DIÁRIO DE BORDO DO NAVEGADOR – III

Sérgio Netto

1º de abril. Pasei um dia de cão, com forte gripe, dor no corpo, dor de cabeça, lezeira. Pela manhã subimos o balão já consertado, e à tarde o vento rondou de NE para N e tivemos que dar jaibe. Ai deu confusão e descemos o balão. Não dei meu turno, Felipe e Nobbi administraram. Hoje é aniversário de casamento de Nobbi, e Rose resolveu abrir um vinho. Daí que passou a noite mal, enjoada. O Bahia cruzou o equador hoje, e prevê chegada em Salvador 6 a 8 de abril.

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Em Mindelo, 1. o Comandante e seus agregados; 2.cais de desembarque. 3. No doldrum, todas as gaiutas do Beneteau 41 abertas. 4. Costurando a esteira do balão no dia 31/3/00.

2 abril. Às 09:30 GMT trip 629 mi, Vmedia 5,16 Ψ=6°53’N λ=27°24”W, Rumo V193, vel.5kn, vento NNE 10-15 nos, P=1016mb T=27,5°C UR=79%. Esta segunda travessia está mostrando que o discurso previsivo da primeira é simplório. Provavelmente cada travessia é única e o que pode ser generalizado é pouca coisa. Liana tem razão de novo: este tipo de viagem é para exercitar a humildade. Durante o dia descansei e melhorei da gripe. Ao por do sol fumei o primeiro cigarro do dia. As partidas de gamão estão SN8x4FC. O balão desceu ao por do sol, e Rose vomitou na operação. Já é o quinto dia seguido de balão o dia todo, com todas as gaiutas abertas. Às 20 GMT Ψ=5°53’N λ=27°38”W, vento NNE 10-15 nos, P=1014T=29°C UR=74%, vento NNE 12 nós.

3 abril. Já estou bem melhor da gripe e acordei cedo, 6h, para subir o balão. Andamos bem nas ultimas 24 horas, 140 milhas. Às 09:00 GMT T=27,5°C P=1015îmb UR=77%, céu com cumulus, Ψ=4°41’N λ=27°55”W , trip odometro 766 mi rumo V193 vel. 7 nós, vento NE 10-15 kn. Acabou o primeiro bujão de gás desde Mindelo. Às 13:44 GMT, meio dia hora verdadeira local, o sol rondou pelo sul e passou no meridiano local @ 92°. Passou de SE para NW, muito rápido em menos de 30 segundos. O sol hoje passou sua declinação pela nossa latitude. Tomei banho na popa com água salgada, enxaguei com água doce, e aparei a barba. Às 17 hvl apareceu um trem de ondas secundário de ENE, interagindo com o trem principal de NNE.T=31°C P=1013x UR 72% Ψ=3°41’N λ=28°08”W, Vento NE 10 kn.. Continuar lendo

Regata do descobrimento 2000. Diário de bordo do navegador – I

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Essa é a tripulação do veleiro Arribasaia que vai ficar com a gente por três capítulos em mais uma história do velejador e índio Kiriri Sérgio Netto (Pinauna). Dessa vez o cacique Kiriri conta como foi a travessia do Arribasaia participante da flotilha da regata comemorativa os 500 anos do descobrimento do Brasil, acontecida em 2000. Mais uma vez Sérgio Netto nos presenteia com um relato maravilhoso, informativo e cheio de graça. Vamos ao mar!

 

REGATA DO DESCOBRIMENTO 2000. DIÁRIO DE BORDO DO NAVEGADOR

                  Sérgio Netto

Na virada do século, dentre as festividades governamentais para celebrar os 500 anos do ‘descobrimento do Brasil’ foi feita uma convocação aos velejadores para uma regata-passeio que recongraçasse a viagem de Cabral de Lisboa à Bahia. Meu amigo Felipão se propos a comprar um barco novo na Europa se eu topasse participar com ele da empreitada. E assim ficou combinado no final de 1998.

Dia 21 de fevereiro de 2000 embarquei com Felipe, Rose e Nobbi num voo para Lisboa. Na chegada Felipe alugou uma van Seat de 5 lugares e fomos direto ver o Arribasaia na marina em Cascais. Felipe então lembrou que havia esquecido o tabuleiro de gamão no avião. Retornamos nos ‘perdidos e esquecidos’ e após meia hora de burocracia recuperamos o tabuleiro. O Arriba estava com sujeira na linha d’água. Nos alojamos num apartamento que Felipão alugara em Cascais. Dia 22 saimos para velejar com vento de 30 nós, uma saidinha de 10 milhas da marina. Dia 23 Felipe foi cedo para trabalhar em Londres, Rose saiu com Alzirinha e eu fui com Nobbi subir o Arribasaia no trevel-lift para limpar e dar nova venenosa. Dia 24 fomos de carro a Lisboa para analisar a raia de largada no rio Tejo: deixa a pedra grande do forte por boreste e cruza o rio para margem esquerda, do sul. É fácil, entra navio. Fomos ao shopping onde comprei roupa de tempo, impermeável de goritex, pull over polartec que deixa transpirar e não esfria, e ceroulas de lã. Também fizemos mercado para preparar jantar em casa. À noitinha pegamos Felipe no aeroporto, Rose e Nobbi fizeram o jantar e Felipe e eu começamos o infindável torneio de gamão que durou toda a travessia.

clip_image002Dia 25 fomos à APORVELA, entidade orgnizadora da regata e conversamos com o Cmdte. Canelas Cardoso. Compramos furadeira, multiteste e conectores; também cartas náuticas e almanaque náutico. Dia 26 limpamos e arrumamos o barco, fazendo uma lista do material que faltava. Dia 27 saimos para velejar com Enio Silva, filho de Tia Zete, prima de pai. Fomos até a entrada do Tejo. À noite baixamos da internet um programa de previsão de maré. Continuar lendo

De Angra dos Reis até Ilhéus

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Essa é mais uma boa história de velejada enviada pelo amigo Danilo Fadul (Veleiro Farnangaio) para a nossa seção Conte Sua História. Faz tempo que Danilo mandou o texto, mas ele havia mergulhado na bacia das almas do meu computador e somente agora consegui resgatá-lo, espero que Danilo me perdoe. A história e bem educativa para quem pretende subir a Costa Leste do litoral brasileiro no verão e foi escrita em uma linguagem simples e prazerosa.

DE ANGRA DOS REIS ATÉ ILHÉUS

Danilo Fadul

Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2014.

Durante o dia, fiquei com o eletricista (Mike – “máique”) e o mecânico da Yanmar, Lao, fazendo alguns ajustes no alternador e correias que Fernando havia solicitado. Aproveitei para mergulhar e verificar o fundo do barco. Uma tartaruga “bôba” insistiu em ficar me observando.

Fernando chegou no começo da tarde e aproveitamos para fazer compras e abastecer o barco com óleo e água.

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21/02/2014 13h00 Vista da baia de Angra com o “Waterproof” no centro.

Barco: Lagoon 380 com 2 motores Yanmar 30 Hp.

Todos os equipamentos da Raymarine: Chartplotter GPS C80 integrado a radar Tridata;

Ecosonda, Speedômetro e Termômetro de água ST60;

Piloto automático ST6001; Pode seguir rumo ou direção do vento.

Wind ST60 também integrado.

Cartas náuticas de toda a rota incluídas no CHARTPLOTTER.

Tripulantes: Fernando, proprietário do barco e eu, Danilo.

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Saímos de Angra por volta das 17h00, 23° 0.895´S – 44° 18.029´O, como eu nunca havia velejado naquela região, Fernando aproveitou para dar uma entrada no Saco do Céu. Realmente é uma região belíssima (23° 6.453´S – 44° 12.646´O).

Ao escurecer, já estávamos no caminho da ponta da Restinga da Marambaia. As 20h00 passamos pela ponta e Fernando foi descansar. Combinamos turnos de 3 horas. A noite estava fria para os padrões da Bahia. Talvez 19°. Tive que colocar um agasalho. Cruzamos com alguns navios pequenos e rebocadores, mas nenhum na rota direta. Entreguei o timão às 23h00 e retomei às 2h00 do sábado.

Sábado, 22 de fevereiro de 2014.

Nesse ponto já tínhamos as Cagarras no través de bombordo e todo o Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca e Zona Sul. Esse trecho, até o amanhecer, foi mais carregado. Muitos navios e, pelo menos, duas plataformas ancoradas fora da baia de Guanabara. Passei há umas 9 milhas da costa, mas mesmo assim tive que fazer alguns ajustes na rota. Quando o dia clareou, o último navio já estava a sota de nosso rumo.

No través, a praia de Itacoatiara e as ilhas Mãe e Filha de Maricá. Coloquei as linhas n´água às 5h30 e as 7h00 começamos a ver muitas aves e logo depois muitos golfinhos cercando alguns peixes médios, de aproximadamente 1 kg. Talvez cavalas pequenas ou atuns tipo bonitos. Como nosso equipamento de pesca era leve, não tinha iscas para mar azul. Todo o tempo, desde a saída da baía de Angra, o vento permaneceu de leste, 100% contra nosso rumo. Motoramos e sempre mantínhamos a mestra armada dando bordos longos e mantendo o barco bem confortável.

Ao meio-dia o vento começou a apertar e chegou aos 17 nós reais, sempre “de cara”. Tinha a esperança do leste se manter depois da passagem por Cabo Frio e então podermos trabalhar o rumo numa orça não muito apertada. Depois do almoço fui descansar e quando acordei estávamos a 3 milhas da Ilha de Cabo Frio com vento real de 35 nós e aparente de até 47 nós. Sempre de cara. Nosso destino era o porto de Cabo Frio para abastecermos de óleo e água. A entrada do canal da Ilha foi espetacular (22° 59.894´S – 42° 0.770´O). Muitas anchovas saltando, alguns barquinhos pescando, muitos pescadores nas encostas de pedras e o mar fervendo de espuma branca devido ao vento canalizado. Continuar lendo