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Registros e lembranças de uma velejada

Outubro (80)

VIAGEM NO VELEIRO COMPAGNA

DIÁRIO DE BORDO

No final de outubro de 2015 embarcamos no veleiro Compagna, um Delta 36, a convite do comandante Braz, para levá-lo de Salvador a Paraty. Foi uma viagem maravilhosa em que registrei dia a dia em um diário.

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1º dia – 24/10

Saída do Aratu Iate Clube às 8horas e 40 minutos no rumo de Camamu/BA. A bordo os proprietários Braz e Cris, eu e Lucia. Vento ESE e mar de almirante. Velejada tranquila, porém, Braz e Cris tiveram leve desconforto com o fatídico enjoo, mas nada que tirasse o sossego de nossa velejada. Afinal de contas era o primeiro contato deles com o mar aberto e era de se esperar que o enjoo desse o ar da graça. Um peixe se encantou com a isca artificial e teve que ser embarcado. Chegamos à barra de Camamu com maré de enchente e às 21h20minutos jogamos âncora em frente à casa da saudosa Dona Onília Ventura, na Ilha de Campinho.

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2º dia – 25/10

Acordamos cedo, tomamos café e desembarcamos para rever e abraçar Aurora, uma das pilastras da Ilha de Campinho e, para mim, a melhor referência da Baía de Camamu. Em seguida fomos de botinho até a Ilha de Goio, onde passamos bons momentos entre banhos de mar e bate papo com o proprietário do único restaurante da pequena ilha, mais conhecido como Sr. Goio, que é uma figura. Retornamos ao Compagna para almoçar uma moqueca, preparada por Lucia com o peixe que pescamos. No fim da tarde eu e Lucia desembarcamos para despedir de Aurora e retornamos ao Compagna para o sono dos justos. Continuar lendo

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Notícias do mar – IV

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Nesses tempos de facebook, whatsapp e outras mídias sociais os furos de reportagens passaram a fazer parte de um passado distante e quando queremos relatar o nosso dia a dia, aí é que o cheiro de mofo sobe no ar. Mas tem nada não, vou seguir o rumo e dar um ponto final nessa série de Notícias do Mar. O Rio de Janeiro continua lindo!   

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Na última postagem dessa série estávamos com a proa do Compagna apontada para o Clube Naval Charitas, em Niterói, e foi lá que aportamos no finalzinho da tarde do dia 04/11. Os anúncios de ressaca no mar do Rio de Janeiro continuaram sendo divulgados, via VHF, o tempo vestiu uma roupagem cor de chumbo e durante a noite choveu muito bem obrigado, porém, o vento e o mar continuaram incrivelmente tranquilos. – E a ressaca do mar? Sei lá! Assim que o dia amanheceu, reabastecemos o Compagna e tomamos o beco para o mar de Paraty, onde atracamos na Marina do Engenho na manhã do dia 05. A navegada, alias, motorada, porque o vento insistiu em não dar o ar da graça, foi muito gostosa e sobre um mar que desmentiu todas as previsões. Ainda bem!

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A região de Paraty é mesmo dotada de muita beleza e a mistura de aromas do mar e da mata, espalha no ar um perfume de encantamentos e nos faz sonhar acordado.

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Na beleza de Paraty fomos recepcionados pelos amigos Carlão e Gisele, que vieram a bordo nos dar boas vindas e a noite organizaram um churrasco que teve a participação dos velejadores Maurício Rosa, Valmir e Dani. Foi uma noite de alegria, bons papos e degustada ao sabor de uma deliciosa Panceta.

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Bem, a viagem do translado do Compagna entre Salvador e Paraty foi maravilhosa e deixou saudades, mas a vida segue seu rumo e é chegada a hora de retorna ao nosso Avoante que ficou solitário nas águas da Bahia. Ainda terei muito a comentar sobre essa navegada e até escrevi um diário de bordo que em breve farei a publicação, porém, antes retornar resolvemos dar uma esticadinha até a marina Porto Bracuhy, para abraçar o casal Hélio Viana e Mara Blumer, veleiro Maracatu. Essa visita promete!  

 

Notícias do mar

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Hoje ancoramos em Ilhéus/BA depois de passar em Camamu – minha paixão. Estamos levando o veleiro Compagne, um Delta 36, de Salvador para Parati, numa viagem que tem sido, até aqui, um grande deleite. Amanhã tomaremos o rumo de Abrolhos e depois Vitória. Assim que der, contarei tudo dessa velejada. 

Carapeba – Mais um veleiro entregue

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Eita, faz tempo que não dou as caras por aqui, mas foi por uma boa causa. Estávamos fazendo o translado desse belo Delta 36 batizado de Carapeba, um peixe delicioso e quando servido frito e acompanhado de uma cerveja estupidamente gelada não tem quem resista. O Carapeba estava em Natal/RN, depois de participar da regata Recife/Fernando de Noronha, Refeno, e fomos convidados pelo comandante Fleury, proprietário da embarcação, para trazê-lo até Salvador/BA, numa navegada de pouco mais de 550 milhas náuticas. Aceitamos o convite de pronto e marcamos a data de 31 de Outubro para chegar a Natal e dai esperar uma das famosas janelas de vento que deixam o litoral potiguar acessível para quem pretende tomar o rumo Sul. Chegamos, tomamos pé da situação meteorológica e concluímos que os deuses estavam inteiramente a nosso favor, com vento Leste e mar de almirante de esquadra. Beleza! Porém, é difícil eu e Lucia chegarmos em Natal despercebidos pelos amigos. Assim que botamos os pés na Cidade do Sol os amigos começaram a ligar convidando para participar de um churrasco da tripulação do catamarã Tranquilidade, ainda festejando a Refeno 2014. Sobre esse churrasco escrevi um texto bem interessante e muito em breve publicarei aqui. A comemoração era no Iate Clube do Natal e como estávamos lá mesmo… . Marcamos nossa saída para o Domingo, 02 de Novembro, dia de todos os santos e dia de finados. Juro que não sou supersticioso, mas achei melhor adiar a partida para a Segunda-Feira, 03. O Domingo foi reservado para as compras e acertar últimos detalhes de bordo, que alias não eram tantos assim. Para essa viagem tivemos a companhia do casal baiano Luciano e Arlene, que convidamos para a primeira velejada deles em mar aberto, pois pretendem adquiri um veleiro muito em breve. Quando dissemos a alguns amigos que o casal nunca havia velejado e aquela seria a primeira, recebi muitos olhares de interrogação e indagações que eu estava louco. – Como é que é? Logo nesse mar entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba? Outros nem disseram nada, apenas sorriram. Confesso que fiquei com dor na consciência, mas também achei que era um excelente teste. E assim fomos ao mar!

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Onde estamos

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Eita, faz tempo que não apareço por aqui para dar notícias e em breve contarei um pouco do que estivemos fazendo por ai. Hoje passei para dizer que estamos em Natal/RN para levar o veleiro Carapeba, um Delta 36, até Salvador/BA. Quem desejar acompanhar a nossa navegada basta acessar no BLOGROLL o link SPOT DO CARAPEBA e ver a nossa posição, latitude e longitude, a cada duas horas.  

Com o barco no porto

carcará em casa (1)Bem, já estamos de volta ao nosso velho e bom Avoante, depois de mais de um mês fora de “casa” participando da XXV Refeno e da regata Fernando de Noronha/Natal a bordo do Carcará I, que nos acolheu com muito conforto e provou ser um barco muito acima da média. Posso até dizer que me surpreendi com o Delta 36, um projeto moderno, arrojado, rápido e facílimo de velejar. O Carcará I já está muito bem atracado ao píer do Aratu Iate Clube e a volta de Natal para Salvador foi numa velejada fantástica em que pegamos uma excelente janela de vento e tivemos a companhia do amigo Ricardo Maia. Agora temos a tradicional faxina de barco fechado, que felizmente está sem a presença de mofo, e em breve o Avoante voltará a navegar pelo mar da Bahia.

44ª Aratu/Maragogipe – Foi assim que eu vi

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Bem, vou aproveitar que a VIVO resolveu dar um refresco e tentar colocar o blog novamente em seguimento, por isso vou contar um pouco do que foi a 44ª Regata Aratu/Maragogipe, que, como mostra a imagem acima, é um verdadeiro festival da vela na Bahia levando Saveiros, Veleiros e Escunas a navegarem lado a lado pela beleza ímpar da Baía de Todos os Santos e o lendário Rio Paraguaçu.

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A festa teve inicio com a excelente palestra da velejadora Izabel Pimentel, contando como foi sua última velejada em solitário pelo Oceano Pacífico, atiçando o interesse de muitos competidores. Izabel falou com a desenvoltura, simplicidade e deixou muitos marmanjos intrigados com a força e coragem da velejadora, primeira, e única até agora, brasileira a cruzar sozinha o Oceano Atlântico a bordo de um veleiro.

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Depois da palestra e da abertura oficial, subiu ao palco uma maravilhosa banda comandada pelo velejador Leo, veleiro Estakanágua, que botou fogo na galera até quase uma da madrugada. Apesar da chuva que não deixou barato, não faltou uma gota de animação na turma.

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A festança de abertura deu o tom do que seria a regata na manhã do dia seguinte, apesar de uma boa parte dos tripulantes não estarem assim tão em ordem como deveriam. Porém as 10 horas, sem choro, nem vela, nem vento, largou a primeira turma. Não estávamos a bordo do Avoante, que ficou descansando no fundeadouro do Aratu Iate Clube, fazíamos parte da tripulação do veleiro Carcará I, um novíssimo Delta 36, a convite do comandante Arthur, proprietário do veleiro. Infelizmente não tenho fotos da largada, pois estava com minhas atenções todas voltadas para o comando do barco. Largamos bem e em meio a flotilha de nossa classe, apesar do Carcará I não estar equipado com velas adequadas para uma regata. O vento que amanheceu fraco se manteve durante a largada, com rajadas na média de 8 nós. Foi uma largada em passo de tartaruga. Eu não sou regateiro, mas tentei usar os meus poucos conhecimentos naquele canal, que já havia velejado tantas vezes, e consegui ultrapassar barcos tripulados por reconhecidos corredores de regata e assim seguimos comemorando. O pouco vento que soprava foi abandonando a prova e em pouco tempo não restava nem um soprinho sequer. No través da Ilha do Medo, novamente o vento surgiu e empurrou a flotilha para a entrada do Rio Paraguaçu. Nessa hora o Carcará I cravou a marca de 8 nós de velocidade. Porém, ao adentrar no poço de história que é o Paraguaçu, o vento saiu definitivamente do cenário e deixou todo mundo admirando a paisagem com cara de poucos amigos. Era um tal de veleiro navegar de lado, de ré, sem direção e com as velas tremulando mais do que bandeira da Argentina. O Carcará I, parou, seguiu, parou de novo, seguiu, deu quatro trezentos e sessenta ao longo do Paraguaçu, mas mesmo assim não abandonamos a disposição de continuar participando da prova. Não vou precisar o número, mas pelos comunicados pelo VHF, e pela quantidade de veleiros que passaram por a gente com o motor ligado, acho que mais da metade dos competidores abandonaram a prova. O prazo limite para cruzar a linha de chegada, em Maragogipe, era às 18 horas e assim fomos boiando com a força da correnteza em direção a ela. No través da Ilha do Frances entrou uma leve brisa e o Carcará I avançou à 2 nós, nos levando a vibrar de alegria com a esperança de chegar em cima da hora. Acho que foi o último suspiro de vento para aquele 24 de Agosto, pois do mesmo modo suspeito como ele chegou tratou de ir embora e assim, demos o nosso último trezentos e sessenta graus a deriva a poucos metros da linha de chegada e sem mais nenhuma chance de cruzá-la no tempo estimado. Chamamos no rádio a comissão de regata, confirmamos o encerramento da prova, ligamos o motor, em cima da linha, e rumamos para a ancoragem com o relógio marcando 18 horas e 10 minutos. Ufá! Foi bom? Com certeza! Curtimos muito a nossa primeira participação competindo na Aratu/Maragogipe e ficamos muito mais felizes porque, apesar da falta de vento, cumprimos todo o percurso na vela, coisa que muitos velejadores de regata não tiveram a paciência de fazer. E assim fiquei pensando em uma frase que ouvi certo dia: “Alguns adoram dizer que fazem sem fazer, outros preferem ficar calados e fazem”.