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Mais dois cruzeiristas prontos para o mar

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Em meados de Março, enquanto o verão se esforçava para dar seus últimos suspiros, mesmo com um Sol de rachar moleira dos mais desavisados, recebemos mais dois alunos para o Curso de Vela de Cruzeiro. Os amigos Edson Bonfim e Mário Hilsenrath embarcaram no Avoante para sentir na pele como vivem aqueles que optam em morar a bordo de um veleiro de oceano. Foram quatro dias navegando pela Baía de Todos os Santos, ancorando a cada noite em fundeadouros diferentes, se aprofundando nos assuntos de navegação e curtindo a vida, pois essa é a melhor parte.

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Fazia tempo que Edson queria embarcar no Avoante, mas os astros teimavam em não alinhar. Dia desses ele apareceu na marina Angra dos Veleiro, onde estávamos, e teve a sorte de chegar justamente no dia em que reuníamos um grupo de velejadores e afins em torno de uma churrasqueira. Ele saiu dali animado e prometeu antecipar a decisão. Em conversa com seu amigo Mário, que também tem o sonho de sair pelo mundo durante dois anos, de barco ou não, combinaram vir fazer o curso. No Avoante eles viram que nem tudo são flores, mas que também nem sempre as teorias se encaixam com a realidade. Cartas Náuticas, meteorologia, planejamento, arrumação, ventos, velas, condições do mar, GPS, rotas, ancoragem e tudo o mais que gira em torno do povo do mar foi motivo de bate papo, regado a café da manhã, pastéis fritos na hora – pois é, no Avoante tem fritura sim – bolo quente e mais um rosário de delícias do cardápio de Lucia.

O Avoante em Salinas da Margarida      

O nosso Curso de Vela de Cruzeiro tem o objetivo de mostrar a vida em um veleiro sem segredos, sem mistérios, sem medos e com a simplicidade que ela requer. E foi isso que apresentamos aos novos velejadores cruzeiristas Edson e Mário, aos quais desejamos bons ventos e mares tranquilos.     

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Dois alunos de futuro

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Mais um casal desembarcou do Avoante com um sorriso estampado no rosto e aproando o sonho de um dia poder viver a bordo de um veleiro pelos mares do mundo. Eduardo e Flávia que chegaram com muitas dúvidas na cabeça, a começar pela escolha do veleiro ideal, saíram, espero eu, com o pensamento muito mais firme em busca de uma vida em que a rotina é apenas uma palavra sem muito sentido lógico e não interessa em que modelo de veleiro.

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Foram quatro dias em que recebemos a bordo amigos que também apostaram no mar as mais valiosas fichas e com eles dividiram um pouco do que é a alegria de realizar um sonho. Sei que não tenho o poder de mudar a vida das pessoas, mas tenho sim, a pretensão de mostrar que podemos seguir caminhando pelo mundo em uma estrada em que o norte muda de acordo com a nossa proa e ela de acordo com nossa vontade.

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Poderíamos muito bem ter baseado o Curso apenas na Ilha de Itaparica e com isso ter mostrado fielmente o que a vida de um velejador de cruzeiro, que define seus horários ao sabor dos ventos e das correntes e por isso, na maioria das vezes, o tempo passa sem que se perceba. Esta bom aqui? Então vamos ficando e nada de pressa.

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Mas tínhamos que seguir um roteiro e nele faz parte ancoragens em locais maravilhosos e algumas velejadas para se tirar a prova dos nove, em que Flávia tirou nota máxima na prática e Eduardo ficou na maciota do piloto automático. E eu ainda fui acusado de fazer corporativismo.

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Eduardo e Flávia desembarcaram, deixaram saudades e prometeram retornar um dia, não para outro curso, mas sim para curtir um pouco mais dessa vida sem rotina e que encanta.  

A tribo dos pés-descalços

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O texto abaixo, que muito me emocionou, foi escrito a quatro mãos por Maria Alice e Ricardo Descardeci, que estiveram a bordo do Avoante, no mês de Outubro, para o Curso de Vela de Cruzeiro. Não é preciso dizer mais nada, porque o texto já diz tudo.

A tribo dos pés-descalços

Por Maria Alice e Ricardo Descardeci

Futuros donos de uma oca flutuante

 

Um dia desses conheci um povo: a tribo dos pés-descalços. Logo me identifiquei com eles. Também gosto dos meus pés descalços, sentindo a rugosidade do solo, ou sua maciez; seu calor ou frio. Pessoas muito interessantes!

São nômades e vivem em ocas esparramadas pelo mundo inteiro, cada qual com seu cacique, e uma bandeirinha a flamejar. Se a vizinhança não está boa, alinham a oca em outra direção e partem! Caso contrário, vivem por ali até que suas almas inquietas lhes indiquem a hora de ir, e para onde.

Compõem grupos familiares pequenos, em sua maioria apenas o casal, não sendo raros os casos de caciques solitários. Conhecidos pela solidariedade, de tudo fazem um pouco, ajudam hoje e provavelmente serão ajudados amanhã. Trocam dicas, peças, cartas, juntam panelas.

Eu diria que são minimalistas: pequenas ocas, espaços limitados, pouco pra juntar, mas muito a contar. Ah! Isso sim! Conversam bastante! Suas histórias parecem não ter fim, e uma puxa a outra, entre os goles de alguma bebida e um tira-gosto. Acho que por motivo do isolamento a que se colocam sempre que desejam, falam pelos cotovelos!

Considero seriamente me juntar a essa tribo. Vida simples, natureza, emoção, adrenalina e paz. E, pra ajudar, também gosto de ficar descalço. Meus pés doem quando estão calçados. Apesar de superprotegidos pelo sapato, gostam de ar. De brisa mesmo! Talvez porque Deus me deu um joanete, ou talvez porque gosto de me arriscar a pisar em pedras, não canso de admirar estes “índios” de ocas flutuantes.

Conhecer este povo me deixou intrigado: como é que conseguem se sustentar? Ocas flutuantes devem quebrar muito. A contar pelo capricho e amor que demonstram pelas suas, devem gastar um montão de dinheiro nelas… Não sei. Não parecem índios ricos. Afinal, têm os pés descalços!

Outra coisa também me intriga: passam despercebidos e praticamente não são notados pela nossa sociedade. Nosso governo praticamente não investe em portos seguros para ocas desta tribo. Apesar de falarem pelos cotovelos e serem muito solidários, pouco reivindicam. É, que tribo interessante esta dos pés-descalços!

Quero me juntar a eles! Mas não será fácil me desvencilhar de meu modo de vida. Conseguir resolver isto é para poucos… Posso começar tirando os sapatos. Mas o piso quente do asfalto vai me machucar. Posso doar, vender, emprestar… Por que juntei tantas coisas? Pelo que vejo, precisa ser tudo ao mesmo tempo: desnudar os pés e pisar logo no mar!

O lado fácil é que não preciso ser rico. Basta vender meu sítio, ou minha casa, e comprar uma oca. Tenho que aprender a dirigi-la. Acho que isto eu consigo. Vou precisar afinar meu contato com os deuses: como vou dominar os ventos, caro deus Éolo? Como enfrentar os mares, meu já conhecido Netuno? Minha estratégia será me aproximar deles e com muito respeito. Pedir, de cara, suas permissões e bênçãos. E com elas, me lançar na aventura de um sonho que agora será o meu! Possam estes amigos honestos e destemidos de pés descalços continuar a me dar o exemplo de vida e liberdade que praticam.

Tribo legal, esta dos pés-descalços!

Mais um casal no rumo do mar

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Mais um casal embarcou no Avoante para sentir como é a vida a bordo de um veleiro de oceano. Dessa vez foi Ricardo e Alice, que partiram da cidade de Palmas/TO e pegaram a estrada em direção ao mar com o objetivo de dar seguimento ao sonho de cruzar os oceanos do mundo a bordo de um veleiro. Ricardo e Alice, que são respectivamente cunhado e irmã do velejador Rubens Andrade que navega hoje pelo Caribe a bordo do veleiro Doris, na companhia da esposa Rita, gostaram do que viram e desembarcaram com os planos em plena evolução.

IMG_0087IMG_0084IMG_0095Foram quatro dias em que navegamos e ancoramos em um dos mais belos recantos da Baía de Todos os Santos, o portinho da ilha de Bom Jesus dos Passos, repassando teorias e tirando a prova dos nove in loco.  No portinho recebemos a visita dos amigos Gerson Silva, veleiro Tô Indo, Davi e Vera, veleiro Guma, que dividiam a ancoragem com a gente, e contribuíram com seus conhecimentos e experiências náuticas para a mais breve realização do sonho do casal. E assim vai crescendo a flotilha de cruzeiristas!

 

Mais um desbravador dos mares

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Passamos alguns dias sem notícias no blog, mas foi por boa causa. Estávamos recebendo mais um aluno do Curso de Vela de Cruzeiro e demonstrando como é o cotidiano de quem vive a bordo de um veleiro, porque esse é o fundamento do nosso Curso e por isso mesmo não mudamos em nada nossa rotina. Queremos que as pessoas vejam que a vida a bordo não é um bicho de sete cabeças e nem a aventura que muitos dizem ser.

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Agora foi a vez do amigo Maurício Rosa, que largou por uns dias a correria desenfreada da mega-metrópole paulista para começar a dar seguimento ao sonho de um dia morar a bordo de um veleiro. Pelas palavras e sorriso de alegria, concluímos que muito em breve teremos mais um companheiro para dividir alguma ancoragem no mundão de águas dos oceanos. Maurício já pegou o caminho de volta para casa, levando na bagagem a certeza de um dia desbravar novos horizontes em um mundo que, até então, era apenas um sonho muito distante, e nós ganhamos mais um amigo.   

Mais um cruzeirista pronto para navegar

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Quando criamos o nosso Curso de Vela de Cruzeiro foi pensando naqueles que sonham um dia conhecer o mundo a bordo de um veleiro de oceano, mas não sabem por onde começar. Queríamos mostrar que ter um veleiro não é um bicho de sete cabeças e sair navegando por ai despreocupadamente e mais do que possível. Tínhamos em mente desfazer a ideia de que um veleiro monocasco para navegar bem é necessário que ele esteja adernado e a tripulação toda pendurada em um dos bordos, como se toda velejada fosse uma competição. Queríamos levar as pessoas a sentir o prazer de jogar âncora em um lugar paradisíaco e simplesmente aproveitar o que a natureza tem a oferecer. Mostrar a alegria de encontrar os amigos e a convivência descontraída entre velejadores. Aliado a tudo isso, queríamos levar a consciência do bom planejamento e da seriedade com que devemos traçar nossas rotas para que um delicioso passeio não termine em uma grande dor de cabeça. Podemos dizer que estamos no rumo planejado e que já incutimos essa ideia em um bom número de “alunos” e todos se tornaram grandes amigos. Dia 12 de Setembro, depois de quatro dias a bordo do Avoante, navegando pelas águas da Baía de Todos os Santos, tivemos a alegria de concluir o Curso com o potiguar Edivan Oliveira, tendo a certeza que muito em breve teremos mais um velejador cruzeirista ancorado ao nosso lado em meio a uma bela paisagem litorânea. 

Onde está o Avoante?

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Mais uma vez venho com minhas desculpas esfarrapadas por deixar o blog tanto tempo abandonado a própria sorte. Mas também nove dias não é tanto assim, pois navegando pelas páginas digitais mais antigas o leitor encontra muita coisa interessante, basta direcionar o cursor e dar um click. Um amigo certa vez falou que eu não precisava usar todo o meu cabedal de desculpas, pois essa vida de blogueiro é assim mesmo cheia de altos e baixos. Mas me sinto nessa obrigação e não sei pensar diferente.

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Bem, quem acompanha o SPOT, através do link ONDE ESTÁ O AVOANTE, deve saber que estamos navegando e muito pela Baía de Todos os Santos, na companhia do casal potiguar Chiquinho e Lucienne, que veio passar sete dias a bordo do Avoante para conhecer o mar por onde navegamos. O passeio tem sido uma alegria só e eles tem aproveitado o máximo, num roteiro que enche os olhos de qualquer mortal. Vamos em frente que ainda temos muito para aproveitar e assim que internet permitir trarei notícias.