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Aviso aos navegantes e um alerta a DHN

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A Carta Náutica é a representação real do trecho de mar em que navegamos ou que pretendemos navegar. Nela está contida toda informação pertinente a navegação e são confeccionadas em escalas convenientes com a precisão que o navegador necessita. Com o advento do GPS e suas cartas digitais, a carta náutica de papel deixou de ser uma ferramenta de uso por uma grande parcela dos comandantes e muitos nem sabem como utilizá-las, porém, vale salientar que ela é item de segurança obrigatório a bordo. No Brasil as cartas náuticas são produzidas pela Diretória de Hidrografia e Navegação da Marinha do Brasil – DHN, que sempre primou pela precisão nas informações e muito raramente nos deparamos com surpresas desagradáveis que comprometam a segurança da navegação. Mas tem um detalhe, as cartas náuticas de papel são produzidas especificamente para a navegação comercial e militar, por isso o navegante amador se recente de informações detalhadas em rotas que passam ao largo da navegação comercial e por isso mesmo o sucesso das cartas digitais, em especial a CCD Gold que para mim é a mais perfeita. Mas nem por isso deixo de traçar minhas rotas nas cartas de papel e estudar com afinco minhas velejadas. Notem que grifei: “muito raramente”.

Carta Náutica 1110 (4)A imagem que abre essa postagem é da Carta 1110, a carta mestre da Baía de Todos os Santos, e que recentemente fui tomado pela surpresa ao me ver perdido em um mar de interrogações ao marcar um waypoint na longitude 38º, entre os paralelos 39′ e 40’, devido um erro de impressão na medida de distância existente no exemplar que atualmente está sendo comercializado.

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Na carta adquirida recentemente por aluno do nosso Curso de Vela de Cruzeiro, onde ensinamos os fundamentos de uma carta e a traçar rotas para um melhor planejamento de viagens oceânicas, a medida de distância na longitude 38º, entre os paralelos 39′ e 40’ está acrescida de meia milha náutica no gráfico. As linhas das longitudes estão corretos, mas a impressão fora do padrão induz o navegante a um erro, que se não for percebido a tempo, pode provocar acidentes com sérias consequências. Na imagem acima assinalei o problema com um círculo na Carta adquirida recentemente e com atualizações que indicam 2012. A Carta assinalada com um retângulo é mais antiga e não existe o erro. Portanto fica o alerta aos navegantes e a indicação para que o erro seja o mais breve possível corrigido. 

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Mais dois cruzeiristas prontos para o mar

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Em meados de Março, enquanto o verão se esforçava para dar seus últimos suspiros, mesmo com um Sol de rachar moleira dos mais desavisados, recebemos mais dois alunos para o Curso de Vela de Cruzeiro. Os amigos Edson Bonfim e Mário Hilsenrath embarcaram no Avoante para sentir na pele como vivem aqueles que optam em morar a bordo de um veleiro de oceano. Foram quatro dias navegando pela Baía de Todos os Santos, ancorando a cada noite em fundeadouros diferentes, se aprofundando nos assuntos de navegação e curtindo a vida, pois essa é a melhor parte.

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Fazia tempo que Edson queria embarcar no Avoante, mas os astros teimavam em não alinhar. Dia desses ele apareceu na marina Angra dos Veleiro, onde estávamos, e teve a sorte de chegar justamente no dia em que reuníamos um grupo de velejadores e afins em torno de uma churrasqueira. Ele saiu dali animado e prometeu antecipar a decisão. Em conversa com seu amigo Mário, que também tem o sonho de sair pelo mundo durante dois anos, de barco ou não, combinaram vir fazer o curso. No Avoante eles viram que nem tudo são flores, mas que também nem sempre as teorias se encaixam com a realidade. Cartas Náuticas, meteorologia, planejamento, arrumação, ventos, velas, condições do mar, GPS, rotas, ancoragem e tudo o mais que gira em torno do povo do mar foi motivo de bate papo, regado a café da manhã, pastéis fritos na hora – pois é, no Avoante tem fritura sim – bolo quente e mais um rosário de delícias do cardápio de Lucia.

O Avoante em Salinas da Margarida      

O nosso Curso de Vela de Cruzeiro tem o objetivo de mostrar a vida em um veleiro sem segredos, sem mistérios, sem medos e com a simplicidade que ela requer. E foi isso que apresentamos aos novos velejadores cruzeiristas Edson e Mário, aos quais desejamos bons ventos e mares tranquilos.     

Olha eu aqui novamente!

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Após dez dias ausente das páginas virtuais desse diário volto para bater o ponto, mas ainda não será agora que contarei tudo o que andei fazendo por esses dias. Foram dias maravilhosos e super movimentados na companhia do casal Elson Mucuripe e Fabiane, navegando entre Salvador/Morro de São Paulo e Baía de Todos os Santos. Assim que o casal desembarcou, subiram a bordo os amigos Mario e Edson, um paulista e um sergipano, para um curso de vela de cruzeiro e ainda estamos na labuta. Prometo o mais o breve possível contar o que vi e vivi nesses dias que anunciam o fim do verão 2015.

Os números do Diário do Avoante de 2014

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog e só temos a agradecer a todos vocês que fizeram esses números serem tão significativos. Cento e dez mil tripulantes somente em 2014 é uma responsabilidade muito grande para quem comanda um veleirinho de 33 pés de tamanho e com um coração tão imenso quanto todos os oceanos do mundo. Desejamos ter todos vocês com a gente em 2015 e adicionar outros 110 mil novos tripulantes, para assim ampliar essa comunidade tão amiga do Avoante. Um grande beijo Nelson e Lucia  

Aqui está um resumo:

O Museu do Louvre, em Paris, é visitado todos os anos por 8.5 milhões de pessoas. Este blog foi visitado cerca de 110.000 vezes em 2014. Se fosse o Louvre, eram precisos 5 dias para todas essas pessoas o visitarem.

Clique aqui para ver o relatório completo

Dois alunos de futuro

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Mais um casal desembarcou do Avoante com um sorriso estampado no rosto e aproando o sonho de um dia poder viver a bordo de um veleiro pelos mares do mundo. Eduardo e Flávia que chegaram com muitas dúvidas na cabeça, a começar pela escolha do veleiro ideal, saíram, espero eu, com o pensamento muito mais firme em busca de uma vida em que a rotina é apenas uma palavra sem muito sentido lógico e não interessa em que modelo de veleiro.

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Foram quatro dias em que recebemos a bordo amigos que também apostaram no mar as mais valiosas fichas e com eles dividiram um pouco do que é a alegria de realizar um sonho. Sei que não tenho o poder de mudar a vida das pessoas, mas tenho sim, a pretensão de mostrar que podemos seguir caminhando pelo mundo em uma estrada em que o norte muda de acordo com a nossa proa e ela de acordo com nossa vontade.

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Poderíamos muito bem ter baseado o Curso apenas na Ilha de Itaparica e com isso ter mostrado fielmente o que a vida de um velejador de cruzeiro, que define seus horários ao sabor dos ventos e das correntes e por isso, na maioria das vezes, o tempo passa sem que se perceba. Esta bom aqui? Então vamos ficando e nada de pressa.

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Mas tínhamos que seguir um roteiro e nele faz parte ancoragens em locais maravilhosos e algumas velejadas para se tirar a prova dos nove, em que Flávia tirou nota máxima na prática e Eduardo ficou na maciota do piloto automático. E eu ainda fui acusado de fazer corporativismo.

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Eduardo e Flávia desembarcaram, deixaram saudades e prometeram retornar um dia, não para outro curso, mas sim para curtir um pouco mais dessa vida sem rotina e que encanta.  

A tribo dos pés-descalços

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O texto abaixo, que muito me emocionou, foi escrito a quatro mãos por Maria Alice e Ricardo Descardeci, que estiveram a bordo do Avoante, no mês de Outubro, para o Curso de Vela de Cruzeiro. Não é preciso dizer mais nada, porque o texto já diz tudo.

A tribo dos pés-descalços

Por Maria Alice e Ricardo Descardeci

Futuros donos de uma oca flutuante

 

Um dia desses conheci um povo: a tribo dos pés-descalços. Logo me identifiquei com eles. Também gosto dos meus pés descalços, sentindo a rugosidade do solo, ou sua maciez; seu calor ou frio. Pessoas muito interessantes!

São nômades e vivem em ocas esparramadas pelo mundo inteiro, cada qual com seu cacique, e uma bandeirinha a flamejar. Se a vizinhança não está boa, alinham a oca em outra direção e partem! Caso contrário, vivem por ali até que suas almas inquietas lhes indiquem a hora de ir, e para onde.

Compõem grupos familiares pequenos, em sua maioria apenas o casal, não sendo raros os casos de caciques solitários. Conhecidos pela solidariedade, de tudo fazem um pouco, ajudam hoje e provavelmente serão ajudados amanhã. Trocam dicas, peças, cartas, juntam panelas.

Eu diria que são minimalistas: pequenas ocas, espaços limitados, pouco pra juntar, mas muito a contar. Ah! Isso sim! Conversam bastante! Suas histórias parecem não ter fim, e uma puxa a outra, entre os goles de alguma bebida e um tira-gosto. Acho que por motivo do isolamento a que se colocam sempre que desejam, falam pelos cotovelos!

Considero seriamente me juntar a essa tribo. Vida simples, natureza, emoção, adrenalina e paz. E, pra ajudar, também gosto de ficar descalço. Meus pés doem quando estão calçados. Apesar de superprotegidos pelo sapato, gostam de ar. De brisa mesmo! Talvez porque Deus me deu um joanete, ou talvez porque gosto de me arriscar a pisar em pedras, não canso de admirar estes “índios” de ocas flutuantes.

Conhecer este povo me deixou intrigado: como é que conseguem se sustentar? Ocas flutuantes devem quebrar muito. A contar pelo capricho e amor que demonstram pelas suas, devem gastar um montão de dinheiro nelas… Não sei. Não parecem índios ricos. Afinal, têm os pés descalços!

Outra coisa também me intriga: passam despercebidos e praticamente não são notados pela nossa sociedade. Nosso governo praticamente não investe em portos seguros para ocas desta tribo. Apesar de falarem pelos cotovelos e serem muito solidários, pouco reivindicam. É, que tribo interessante esta dos pés-descalços!

Quero me juntar a eles! Mas não será fácil me desvencilhar de meu modo de vida. Conseguir resolver isto é para poucos… Posso começar tirando os sapatos. Mas o piso quente do asfalto vai me machucar. Posso doar, vender, emprestar… Por que juntei tantas coisas? Pelo que vejo, precisa ser tudo ao mesmo tempo: desnudar os pés e pisar logo no mar!

O lado fácil é que não preciso ser rico. Basta vender meu sítio, ou minha casa, e comprar uma oca. Tenho que aprender a dirigi-la. Acho que isto eu consigo. Vou precisar afinar meu contato com os deuses: como vou dominar os ventos, caro deus Éolo? Como enfrentar os mares, meu já conhecido Netuno? Minha estratégia será me aproximar deles e com muito respeito. Pedir, de cara, suas permissões e bênçãos. E com elas, me lançar na aventura de um sonho que agora será o meu! Possam estes amigos honestos e destemidos de pés descalços continuar a me dar o exemplo de vida e liberdade que praticam.

Tribo legal, esta dos pés-descalços!

Mais um casal no rumo do mar

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Mais um casal embarcou no Avoante para sentir como é a vida a bordo de um veleiro de oceano. Dessa vez foi Ricardo e Alice, que partiram da cidade de Palmas/TO e pegaram a estrada em direção ao mar com o objetivo de dar seguimento ao sonho de cruzar os oceanos do mundo a bordo de um veleiro. Ricardo e Alice, que são respectivamente cunhado e irmã do velejador Rubens Andrade que navega hoje pelo Caribe a bordo do veleiro Doris, na companhia da esposa Rita, gostaram do que viram e desembarcaram com os planos em plena evolução.

IMG_0087IMG_0084IMG_0095Foram quatro dias em que navegamos e ancoramos em um dos mais belos recantos da Baía de Todos os Santos, o portinho da ilha de Bom Jesus dos Passos, repassando teorias e tirando a prova dos nove in loco.  No portinho recebemos a visita dos amigos Gerson Silva, veleiro Tô Indo, Davi e Vera, veleiro Guma, que dividiam a ancoragem com a gente, e contribuíram com seus conhecimentos e experiências náuticas para a mais breve realização do sonho do casal. E assim vai crescendo a flotilha de cruzeiristas!