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Litoral, energia limpa, paisagem e a ilusão do progresso

10 Outubro (39)

O site Mar Sem Fim, do jornalista João Lara Mesquita, na matéria Litoral, energia eólica e paisagem: Você precisa saber, de dezembro de 2015, alertou para o gigantesco crime ambiental que estava sendo cometido para implantação dos parques eólicos no Brasil e o incrível descaso das autoridades. Em agosto de 2016, na postagem Energia Limpa?, cutuquei a mesma ferida. A paisagem do litoral nordestino mudou, dunas praticamente foram dizimadas e a caatinga, mata nativa do sertão brasileiro, está virando uma triste e cruel lembrança. Muito em breve, se já não foi, até o estonteante parque dos Lençóis Maranhense será cravejado de torres. Dizem que será um parque de grandes dimensões. Georges Braque, pintor e escultor francês: “As aspirações de cada época são limitadas: daí a ilusão do progresso”

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Governo faz acordo para recuperar o Rio Doce

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No futebol quando um time perde uma partida decisiva, durante as entrevistas, os jogadores dizem assim: Agora vamos batalhar, levantar a cabeça, ouvir os conselho do professor, que se Deus quiser, a equipe reverte esse resultado negativo e a torcida tem que compreender a nossa luta. Apois tá certo! Foi assim que fez o Governo Federal e a mineradora Samarco diante dos escombros, da lama, da destruição e dos mortos de uma das maiores tragédias ambientais do Brasil. Nesta quarta-feira, 02/03, o governo assinou um acordo com a mineradora para criação de um fundo que varre para debaixo do tapete todos os resquícios causados pelo desastre ambiental que chocou o país e o mundo. No acordo, a Samarco assumirá os prejuízos iniciais calculados em R$ 4,4 bilhões, durante os próximos três anos, para diminuir as consequências causadas pelo rompimento da barragem. Os recursos serão investidos em 39 projetos de recuperação ambiental e socioeconômica dos municípios atingidos, como também indenização e assistência à população. Esse montante será apenas para dar início as ações de recuperação que tem previsão de encerrar em 2026. A proposta é que o aporte financeiro chegue a R$ 20 bilhões. A ONG Justiça Global já se pronunciou contraria ao acordo e promete apresentar denuncias a Organização das Nações Unidas e Organização dos Estados Americanos, porque segundo a Justiça Global, o acordo extingue a ação civil pública impetrada pelo governo federal, pelos governos dos estados atingidos e pelo Ministério Público, gerando uma ameaça aos direitos humanos.  “O Poder Público e seus órgãos de fiscalização ambiental, como o Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis], serão signatários do acordo. Judicialmente, eles estão aceitando o fim do processo que moviam em troca desse acerto entre as partes. Reduz o poder de fiscalização e coerção porque não há mais recurso cabível. E mesmo se forem constatadas novas violações decorrentes do rompimento da barragem de Mariana, a empresa poderá alegar à Justiça que a compensação de todos os prejuízos já está abarcada pelo acordo”, diz a advogada da ONG, Alexandra Montgomery. Partindo desse princípio, as pessoas, instituições e municípios que se sentirem lesados, terão que ingressar com ações individuais, o que os tornaria fracos. O governo aposta que o acordo acelera a recuperação da bacia e que a conciliação é melhor maneira de solucionar conflitos. Eh, o pau só quebra no lombo do mais fraco. Fonte: agenciabrasil

A lama

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Lama quando não é limpa no devido tempo se transforma em porcaria e quando as pessoas se acostumam com o mau cheiro vira piada e nada mais. A lama produzida pela ingerência gananciosa de uma mineradora e, volto a repetir, com as devidas assinaturas oficiais, continua espalhando seu fedor e levando milacrias a lugares que nem de longe tinham haver com a desgraça. Alias, fazia dias que a mídia não produzia uma linha sequer, nem comentário, sobre a sujeira, mas ela continuou sua viagem com tintas marrons pelo oceano Atlântico. Quanto aos mortos, desaparecidos e a destruição que ficou para trás pelas cidades e rios, restou apenas promessas vãs. Até promessa ministerial garantindo o impossível foi ouvida, como se a lama e a natureza agredida obedecesse a sanha demagógica dos discursos politiqueiros. Apostou-se no mar para limpar a sujeira, mas ele se recusa a servir de lixeira e o lamaçal navega serelepe ao sabor dos ventos e correntes marinhas. Será que haverá algum decreto governamental para dar uma chave de rodas nos elementos e determinar que o mar acabe com a picuinha de não dar fim a bagaceira? Duvido não! A lama está resistente e agora o Ibama diz que ela chegou ao paraíso de Abrolhos, um berçário da natureza na costa da Bahia. Agora deve surgir novos desmentidos, novas promessas, novos estudos e nem me espanto se aparecer alguém afirmando que é intriga.

Bomba! A matança continua

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Isso não é uma denúncia, até porque, mesmo que fosse não iria dar em nada como sempre. Mas as águas da Bahia e principalmente da Baía de Todos os Santos continuam sendo sacudidas pelas bombas de criminosos ambientais que se acham no direito e, o que é pior, na certeza de que nada ira acontecer com eles. O resultado do crime é o que mostram as imagens acima: Milhares de peixes mortos e apodrecidos sendo levados para cima e para baixo pelas marés e tentando serem vistos pelas autoridades que não estão nem ai para o problema. Foi assim durante todo o dia do último Sábado, 26/10 e desse Domingo, 27/10. As propagandas oficiais insistem em mostrar uma polícia bem equipada com lanchas e jet-skis e sempre pronta a coibir a ação dos criminosos travestidos de pescadores, mas tudo não passa, como diz o ditado, de: “Coisa para inglês ver”. E não pensem que as imagens é em algum ponto isolado das águas que banham a capital baiana, elas foram feitas em plena orla do Bairro da Ribeira, que todos os dias é sacudida pelas bombas. No mês de Julho publicamos aqui a postagem Um Crime Recorrente e Sem Controle, denunciando essa prática criminosa descrita na Lei inafiançável número 9.605/98, porém, tudo continua como sempre foi na terra da felicidade.