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Defesa na Copa – Aviso aos navegantes

Segurança e defesa cibernética Para quem acha que a postagem anterior, Atuação da Marinha do Brasil durante a Copa do Mundo, é mais uma das muitas lendas que pulalam em torno da Copa 2014 para trazer incertezas e mal estar, publico abaixo o comunicado que a Capitania dos Portos de Pernambuco fez circular entre os Clubes Náuticos, Agências Marítimas e Colônias de Pesca. Faço uma observação para as interdições assinaladas no item 2 do Comunicado, que se referem as manobras do navio de passageiro MSC Divina, um gigante de 333 metros de comprimento e quase 68 metros de altura, que foi motivo da crônica, A Copa e a Ponte, postado aqui em 14 de Abril. O navio que trará torcedores mexicanos para assistir os jogos em Natal/RN, onde jogará a seleção deles, pretendia atracar no Porto da capital potiguar, mas pelo bem da segurança da navegação e conforto aos passageiros o rumo foi alterado para a capital do Frevo, causando ciumeira, falatório e discursos inflamados entre autoridades norteriograndeses.    

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Atuação da Marinha do Brasil durante a Copa do Mundo

eixos-03-defesa-maritima-fluvial-int Em um bate papo descontraído de palhoção um velejador levantou a bola de como seria a atuação da Marinha do Brasil durante a Copa do Mundo, pois ele havia escutado um apito que iria existir abordagens severas da Inspeção Naval e que as entradas e saídas de embarcações nas Barras somente seriam possíveis com autorização expressa das Capitanias dos Portos. Aquele papo me deixou intrigado em saber como seria mesmo que a coisa irá acontecer, pois o desenrolar da conversa foi um samba do crioulo doido. Com toda essa onda de disse me disse, acusações, promessas veladas de quebra quebra, picaretagem e mais um monte de coisa por debaixo dos panos, vamos torcer para que tudo não passe de mais uma lenda urbana. Bem, para matar minha curiosidade fui navegar no site da Marinha do Brasil e lá está escrito tudo tim tim por tim tim de como será a operação de guerra para a Defesa na Copa. Na parte que cabe a Marinha está escrito assim:      

Defesa marítima e fluvial

Ações de patrulha e inspeção naval, entre outras medidas de segurança, serão adotadas pela Marinha do Brasil contra ameaças vindas do mar e o uso indevido das vias fluviais, como a circulação de embarcações suspeitas.

Mergulhadores de combate e fuzileiros navais estarão de prontidão para atuar, caso necessário, em ações de retomada e resgate com foco na desativação de artefatos explosivos e em operações de interdição marítima. Plataformas de petróleo e terminais petrolíferos também serão resguardados.

UM MAR MUITO AGITADO

                                                                       Natal é uma cidade praieira, com um litoral fantástico, varrida por ventos alísios e localizada na esquina do continente sul americano. Aqui o vento faz, literalmente, a curva. Sua localização, de tão privilegiada, já foi palco de grandes arsenais de guerra. E segundo grandes estrategistas militares e historiadores, por aqui passou a bomba que mudou a humanidade. Se passou eu não sei, mas essa história de bombas, guerras e bases estrangeiras, parece que até hoje mexe com o imaginário e atiça a desconfiança dos nossos governantes.

                                   Estamos a quatro anos de um grande evento esportivo e até agora ninguém tem a certeza se ele vai chegar por aqui. Tem gente que anda tão desnorteada com o ano de 2014 que parece que ele já vai ser na próxima segunda-feira. Fala-se na Copa do Mundo de 2014 num modo tão íntimo que estamos à beira da Copa de 2010 e parece que nossos futebolistas e torcedores nem se deram conta. A onda é demolir, demolir e demolir. Já tem até autoridade clamando o povo para uma tal marcha da demolição. No mínimo vai todo mundo armado de martelos e picaretas, sem trocadilho, acompanhado por uma banda de forró e com um cantor incitando a multidão: Cadê o gritinho da Galera?

                                   Mas, como não sou tão fanático por futebol assim, a ponto de fechar os olhos para a beleza poética de um Estádio que já foi considerado um dos mais belos do Brasil. E que agora, para suprir algumas necessidades financeiras de grandes espertalhões, vai ser demolido sem apelação, apenas para que Natal receba dois jogos de uma Copa do Mundo. Vou ficando do lado dos querem construir uma boa infra-estrutura social ao invés de demolir o que está pronto.

                                   Em outras oportunidades já falei sobre Natal ser um grande destino turístico náutico. Já não somos considerados um porto de chegada, estamos relegados a porto de passagem, aonde veleiros de outras partes do mundo e do Brasil, vem aqui apenas em último caso. Simplesmente não temos a menor infra-estrutura náutica. Perdemos espaço para a vizinha Paraíba e sua pequena praia do Jacaré, com várias marinas construídas e outras em vias de ficarem prontas.

                                   Pelo que eu entendo de Copa do Mundo, olhando pela visão náutica, o mar é uma grande via de acesso de torcedores e visitantes interessados no evento. Ter um bom local para fundeio e acolhida desse povo que usa o mar como estrada é o básico. E olhe que não são poucos barcos. Estamos falando em centenas de veleiros e iates, sem falar nos navios de passageiros que terão o Brasil pela proa.

                                    A Paraíba de mulher macho sim senhor, já vislumbra o poder de uma Copa do Mundo no Estado vizinho é investe pesado no turismo náutico. Aqui, ficamos no oba-oba e numa briga feroz para derrubar tudo. Um simples píer flutuante para acolher umas poucas embarcações vira motivo de ira santa de descontentes e pitaqueiros de plantão.

                                   No Rio Grande do Norte, rico em praias e com um litoral de mais de 400 quilômetros de extensão, aprovar um píer ou uma marina é uma das coisas mais complicadas do mundo. Uns não sabem por que estão proibindo e outros não sabem por que foram proibidos.

                                   O projeto da Marina de Natal, que se olhado por quem tem olhos no futuro traria mais benefício e melhorias para Natal do que um novo estádio de futebol, encalhou em meio à burocracia deslavada e sem nenhuma perspectiva de sair de lá. A marina abriria as portas de Natal para os grandes eventos náuticos que hoje movimentam bilhões de dólares ao redor do mundo. Sem falar que toda a estrutura seria montada com dinheiro de investidores privados, o que não é o caso do Estádio da Copa que vai torrar o Real que poderia ser destinados a saúde, segurança, educação e transparências das Leis.

                                   Na esteira da Marina de Natal viriam outras marinas, mais empregos e uma nova cara para o turismo do Rio Grande do Norte, como acontece com os nossos vizinhos paraibanos. 

                                   Que venha a Copa de 2014, mas em primeiro lugar o desenvolvimento de nosso Estado.

Nelson Mattos Filho

Velejador

NAVEGANDO RUMO A COPA

Nesse artigo publicado no Jornal Tribuna do Norte, coluna DIÁRIO DO AVOANTE, a quase 1 ano atrás, comentei sobre a Copa do Mundo de 2014, que terá Natal como uma de suas sedes. De lá até aqui não vi muita coisa além do já tradicional falatório oficial. 

VIDA A BORDO – 22/06/2009

NAVEGANDO RUMO A COPA

                                   Por tudo o que já foi falado, lido, escrito e debatido sobre a Copa 2014 e suas bilionárias somas. Com a demolição, sem apelo, do Machadão, com o Centro Administrativo indo de contra peso. Acho que ainda não estamos nem engatinhando nesse assunto de Copa do Mundo. Muita bola ainda vai passar por baixo da rede e muitas faltas ainda serão cobradas de dentro da grande área. Se forem escalados juízes que não se intimidem com a torcida, acho que teremos grandes jogadas.

                                   Mas, como meu conhecimento é sobre o mundo náutico e como Natal é uma bela cidade litorânea e com forte potencial ao turismo vindo do mar, acho que devo entrar nos jogos de 2014, se possível assistindo das águas do Rio Potengí.

                                   Tenho escutado muito foguetório, muita promessa, muito delírio, muita utopia. Tenho lido até que, Natal em peso, vai falar, escrever e ler em vários idiomas.

                                   O trânsito louco que hoje se arrasta por nossas ruas, em breve vai passar por uma verdadeira transformação de competência digno das melhores cidades do mundo.

                                   Taxistas falando dois idiomas e dirigindo grandes modelos luxuosos. Motoristas de ônibus super educados, dirigindo sem solavancos, parando em todas as paradas com um sorriso estampado no rosto e pisando no acelerador com muita suavidade.

                                   Já da para ver a eficiência com que seremos atendidos nos Postos de Saúde e nos Hospitais Públicos. Médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde, atendendo pacientes com o melhor dos equipamentos, com os melhores remédios, sem as eternas macas de corredores e com uma eficiência de fazer inveja. Cada paciente em um quarto e cada quarto com leitos dignos do mais alto padrão tecnológico.

                                   Mas, voltemos ao mundo náutico! Natal como cidade litorânea e com sua excelente localização geográfica, precisa voltar seus olhos de Copa do Mundo para as águas do Potengí e para o horizonte deste imenso Atlântico sem fim.

                                   Seremos invadidos, novamente, por barcos oriundos dos mais longínquos portos do mundo. Dessa vez não serão apenas holandeses, espanhóis e franceses. Nossa Fortaleza, localizada na Foz do Potengí, está inoperante para defender e rechaçar os felizes invasores. Se não sinalizarmos com investimentos, dessa vez, os navegantes serão expulsos pela falta de infra-estrutura.

                                   A marina, propagada e festejada, que poderia receber o velejador-torcedor, parece que foi torpedeada nos lemes e hoje navega sem rumo por gabinetes oficiais.

                                   Nosso Iate Clube, que apesar da boa infra-estrutura social e das confortáveis instalações, não tem fundeadouro para mais de 20 embarcações. Nem conta com píer para atender barcos de fora.

                                   O Iate Clube do Natal, precisa começar a pensar na Natal da Copa. Precisamos ter um bom planejamento das ações que possa colocar nosso clube na recepção do evento.

                                   Precisamos levar essa única porta de entrada de veleiros em Natal, para as pranchetas oficiais dos projetos da Copa 2014.

                                   Já ouvi vários comentários sobre o novo aeroporto e até sobre o aeroporto Augusto Severo, mas não vi uma vírgula sequer sobre o Porto de Natal, nem de um terminal de passageiros para navios transatlânticos.

                                   Uma Copa do Mundo envolve uma cidade muito mais do que pensam os patrocinadores de oba-oba oficiais, regados a floreios e bajulações. Não podemos focar apenas no caos que a Arena das Dunas, possa trazer para o já complicado trânsito da cidade. A falta de uma boa marina e de locais de ancoragem, também trarão dores de cabeça para os organizadores e pessoas envolvidas.

                                   Se pretendermos manter nossa já conhecida e festejada fama de bons anfitriões, deveremos fazer um bem elaborado dever de casa, acabando com as infindáveis reuniões a portas fechadas e sair dos gabinetes para conferir como anda nossos pórticos de entradas.

                                   Natal é uma bela e inesquecível cidade litorânea e pelo mar, deveremos receber um numero grande de turistas e torcedores.

                                    Que venha a Copa de 2014! Vamos esperar.

 Nelson Mattos Filho

Velejador