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Viva! Atingimos 250 mil acessos.

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Quando fui instigado pelo amigo Afonso Melo a criar o blog do Avoante, esquivei-me o que pude. Não me sentia preparado e nem me achava com tempo suficiente disponível para me dedicar a um blog, coisa que realmente é muito trabalhoso. O objetivo proposto pelo Afonso era mais um canal para publicar os textos que assino todos os Domingos pelo Jornal Tribuna do Norte, na coluna Diário do Avoante. Numa tarde de bate papo nas varandas do Iate Clube do Natal, ele me pegou pelo braço e disse: “Hoje vamos criar o blog do Avoante”. E assim foi feito! O objetivo inicial se multiplicou e logo de cara vi que fazer a atualização apenas uma vez por semana e apenas com os meus textos do jornal, não corresponderia aos meus anseios e muito menos dos leitores. Sempre achei que um site, um blog ou seja lá o que for, tem que ter atualizações diárias para ser interessante, mas isso requer tempo, vontade, ética, ideias, notícias, pesquisa, tato apurado com o mundo das letras e principalmente acesso a internet 24 horas, coisa que até aquele momento eu não tinha a bordo do Avoante. No primeiro mês, Janeiro de 2010, fiz trinta e uma postagens, gerando uma média de 23 acessos diários. Pode ser que muitos achem isso um fiasco e que nem merece comemoração, mas saibam que para mim e Lucia isso foi uma grande vitória. No mês seguinte a média subiu 14 pontos e assim o Diário do Avoante foi sendo lapidado e tomando a forma que eu sempre imaginei. Certa vez, após noticiar uma mudança que iria acontecer no canal de acesso ao Porto de Natal e que por isso foi criado uma grande celeuma, coisa que nem de longe eu havia imaginado, mas os fatos e as decisões até hoje ainda me dão razão e crédito, um certo senhor, depois de ser informado da notícia, disparou na mesa em que eu estava sem nem olhar nos meus olhos: “Essa notícia não tem nenhum crédito e nenhuma repercussão. Deve ter sido publicado por algum bloguesinho de fofocas sem nenhum leitor e sem nenhum futuro”. Olhei para ele e respondi: “Fui eu que publiquei”. Ele sem pestanejar treplicou: “Pois é!”. Naquele dia confesso que quase não consegui dormir com o eco daquelas palavras, pois o Diário do Avoante não era um blog de fofocas e sim um blog verdadeiro de coisas verdadeiras e eu e Lucia sempre agimos com honestidade. Mas o dia amanheceu e a vida continuou bela como ela é. Hoje três anos e oito meses depois do primeiro post tenho a grande alegria de anunciar e festejar o número de 250 mil acessos, sem nenhuma fofoca, muita informação e a cada dia fazendo novos amigos. Se é muito ou se é pouco isso não faz a menor diferença, pois o que importa para mim e Lucia é saber que estamos levando a cada dia até vocês um pouco de nossa atenção, carinho e tentando mostrar que a vida tem outros modos de ser vivido. Muito obrigado é o mínimo que temos a dizer.   

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Parabéns meu amor!

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Hoje, 13/12, é mais um dia de festa no Avoante, como se em outros dias a coisa diferente, mas hoje é um dia mais do que especial. Hoje é aniversário da grande comandante e do grande amor de minha vida. Parabéns Amor e que sua energia e alegria irradie para todo o sempre. Um grande beijo!

Navegando em desatinos

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Gosto de sentar no cockpit do Avoante e observar o mundo que se transforma a passos cada vez mais largos e rápidos. Tenho a sensação que estamos vivendo num mundo meio amalucado, onde nada parece ter sentido e o modismo transloucado ferve numa grande panela de pressão.

Até as nossas Leis parecem saídas das pranchetas de alegres designs. Elaboradas para atender a ânsia de algum malfeitor do momento e livrá-lo de alguma enrascada futura. Passado o aperto inicial da ilegalidade, que não dura mais do que uma manchete de jornal, a etapa seguinte é a alegria do abraço e a certeza que algum famoso vai chegar para se solidarizar. Quando não, basta o elemento malfeitor se lançar candidato em alguma eleição e dizer que está sendo vítima de ataques oposicionistas. A Lei sai de moda instantaneamente e os designs voltam às pranchetas para atualizar os traços.

Uma marola passa sob o Avoante e meus pensamentos vagueiam nos embates das cidades. Penso nas crianças destruídas pelas ruas e adotadas pelas drogas, com os sinais insistentemente fechados para elas. Fazem parte de um mundo que os homens apelidam de estatística. Um mundo floreado com explicações desencontradas e cheio de permissidade. Um mundo que os homens não sabem gerenciar e, por isso, se acham no direito de tapar os olhos com receitas psicológicas que nem eles acreditam no resultado. Um mundo que começa baseado na legalidade e termina na encruzilhada sem saída de muros de pedras.

Os homens, sem conhecer a verdade, e sem querer sujar as mãos com o sangue da destruição, criaram um mote e deram vida a um estatuto colorido, esquecido, permanentemente triturado e com um nome que azeita a cabeça de intelectuais engravatados e de pessoas com os romantismos das flores e de antigos festivais.

O tal estatuto funciona claramente para liberar os pais da tarefa de educar e se fazer obedecer, e libera as crianças para cair nas armadilhas do mundo e aprender com os amigos, que também são desassistidos e, por isso também, presas fáceis das armadilhas urbanas. Não sei em que mundo chegaremos, mas vamos caminhando para ver ao vivo cenas daqueles filmes que falam do futuro da humanidade.

O Avoante não para um instante de se movimentar e eu observo um mundo diferente a cada grau indicado pela bussola. O vento sopra sussurros de incerteza sobre um mundo de monstruosos titãs. Dessa vez me assusto com o que escuto, e com alegria estampada em rostos cada vez mais endividados.

Os titãs vomitam teorias e teoremas de um mundo maravilhoso. Um mundo de um progresso torto e corroído pelo falso moralismo de gravatas engomadas. Um mundo em que o tudo pode e onde o lucrar cada vez e justificado pela corrupção consumada em felizes amizades.

Os titãs têm sede exagerada e fome cada vez mais voraz, nada consegue deter a fúria desenfreada desses deuses impunes e cheios de truques mirabolantes. São empregadores apaixonados da própria família, dos amigos e dos pretensos amigos. São eternos, mutantes e cada vez mais se multiplicam. São os senhores da verdade. Para ser um titã não é tão fácil quanto parece ser. É preciso dominar a técnica do ilusionismo, desconversar a verdade, desacreditar os crédulos, prometer o inalcançável e receber os aplausos acalorados de uma platéia bem ouvida.

Olhando para o alto vejo países se desmanchando na sanha destruidora de um capitalismo torto e cada vez mais incerto. Mundos que antes eram verdadeiras rochas e hoje não passam de poeira no vento. Mundos que acostumamos a chamar de primeiro, mas que agora não sabem fazer o dever de casa dos últimos colocados. Mundos focados nos desejos dos homens, mas que agora tentam destrinchar o segredo da palavra não. Dizem que eles estão desatinados e que o nosso próprio desatino está indicando crescimento, mas qualquer marolinha pode desmanchar nosso castelo. Então tá! Vamos espalhar mais migalhas.

Acho que hoje o cockpit está muito carregado ou então é o mundo que navega em meio a um temporal. É melhor eu entrar e dormir um pouco.

Nelson Mattos Filho – Velejador

Hoje não tem mar!

Imagens 037Para quem esperava encontrar hoje nesse Diário a continuação do texto: Entre Chuvas e Relâmpagos, vou pedir perdão. Hoje é dia das mães e nada mais justo do que homenagear todas aquelas que: perdem o sono, enchem-se de preocupações, rezam, oram, agarram-se com todos os Santos, procuram respostas nos astros e vivem antenadas nas previsões de tempo em volta do mundo. Tudo isso para tentar proteger o rebento que se debandou para os lados do mar e vivem a vida enchendo a vida delas de tormentos.

Iracemas, ceminhas, lindalvas, marias, cecílias, isoldas, auroras, lucias, o nome é apenas um substantivo para um sentido maior e muito mais abrangente: Mãe, berço da vida e um oceano de amor, por onde navegam pequenos seres encantados que nunca deixaram os limites dominantes do coração, por mais distante que estejam.

Para elas não interessa a força descomunal de um Netuno temperamental, cheio de ira, impiedoso e às vezes carinhoso que nem uma Mãe. Netuno diante da força protetora dessas deusas do amor e do carinho se transveste de outros seres, somente para não encarar pedidos cheios de amor e razão e por mais que ele se esforce, sua força muitas vezes é abrandada diante dos pedidos trazidos pelos ventos.

Hoje é o dia das Mães e por elas todos os rumos foram alterados, sonhos foram adormecidos, velas estão recolhidas e em cada pedacinho de água onde existir um veleirinho elas serão lembradas e eternamente amadas.

Hoje, olhares ansiosos vasculharão o horizonte, nos dois sentidos, em busca de algum sinal ou resposta, como sempre fizeram todos os navegantes e suas mães ao longo da história do mundo. As estrelas brilharão ainda mais fortes indicando o rumo de casa e enviando mensagens que somente uma Mãe sabe decifrar. Dificilmente elas se enganam e quando isso acontece, o coração dispara. Mãe é proteção! O mar é um ser indecifrável, mágico e ameaçador, riscado por valentes navegantes meio transloucados, mas simples crianças em coração de Mãe.

Poderia hoje estar falando apenas de minha Ceminha, meu eterno poço de carinho, amor e atenção, e, através dela, homenagear todas as outras Mães, mas isso eu já faço todos os dias de minha vida. Falar em Ceminha é tão fácil que poderia encher várias páginas desse Diário. O difícil é falar da Mãe dos outros e transferir todos os sentimentos que tenho por Ela.

Poderia estar falando também de minha Lucia, grande capitã do Avoante e uma Mãe, como todas, absorvedora dos transtornos que a vida causa as suas crianças. Sua presença no Avoante, nos momentos de apreensão diante da força da natureza e seus elementos revolucionários, é de tal grandeza e serenidade que inibe os exércitos das tormentas. Os deuses sabem que ali tem uma Mãe, e como Mãe, ela sabe decifrar e visualizar todos os perigos. Apaixona-me a sua posição firme olhando para o mar e encarando as tempestades, com uma tranquilidade aparente e protetora que somente uma Mãe sabe se portar, mesmo que o mundo esteja se desmoronando a sua volta.

Poderia estar falando de minha sogra Dona Lindalva, mais preocupada e chorosa do que todas as outras, mas que, por mais que a saúde já lhe embarace os sentidos, nunca perdeu o rumo indicado pela bussola do coração. O seu radar ultrapassa fronteiras.

Poderia apenas encher esse texto com tudo o que uma Mãe representa de bom na vida de um filho, garanto que ainda faltaria páginas e mais páginas até que o final apontasse no horizonte. Mãe tem um significado tão grande que se juntarmos todos os oceanos do mundo, mesmo assim, faltaria espaço.

Poderia até homenagear todas as Mães que já se foram, mas que continuam como um farol vivo e brilhante a orientar navegantes errantes e desnorteados diante das maldades do mundo.

Poderia homenagear todas aquelas que embarcam no Avoante, pelas páginas desse Diário, e por serem Mães, se juntam em elos formando a grande corrente de proteção que sempre nos acompanha no mar.

Ser Mãe pode até não ser tão fácil, mas homenageá-las, é tão simples como qualquer sentimento de criança. E criança não mente!

Hoje não é dia de mar. Hoje é dia das Mães!

Nelson Mattos Filho

Velejador

Um Cruzeiro pelo Nordeste – 1ª Parte

A partir de hoje postarei os textos sobre o  Cruzeiro Costa Nordeste, que escrevo para a Coluna Diário do Avoante, publicada aos Domingos no Jornal Tribuna do Norte. Serão cinco textos e espero que vocês gostem.

Imagens 050 Você já deve ter ouvido falar muitas vezes de cruzeiros marítimos em grandes navios luxuosos e cercados de muitas mordomias. Aonde tudo funciona na mais perfeita ordem e a vida é levada ao sabor das ondas, tomando banhos de piscinas e participando de grandes jantares festivos com os comandantes.

Mas, nem todo cruzeiro marítimo é realizado a bordo desses grandes e belos transatlânticos. Existem várias formas de cruzeirar pelos oceanos, e de maneira nada convencional. Uma delas é a bordo de pequenos barcos a vela, acompanhado de amigos, ou cercado pelo carinho e atenção da família. Continuar lendo

Você acredita em Papai Noel?

Esse texto foi publicado na Coluna Diário do Avoante, Jornal Tribuna do Norte, dia 26/12/2010. O Natal já passou e o Papai Noel, talvez ainda continue passando em alguns lares. Porém, quero presentear vocês com esse texto reflexivo 

 Papai NoelDo meu cantinho no cockpit do Avoante, onde costumo observar o cotidiano das cidades, às vezes me pego sonhando acordado e perdido em devaneios. Sons de sirenes, buzinas, motores e tiros são trazidos pelos ventos carregados da cidade. Cidade que vira as costas para seus problemas.

Luzes coloridas piscam ao longe, dando vida e cores a mais um Natal que se aproxima. Nas esquinas e na penumbra das ruas, crianças lutam contra o novo bicho-papão em forma de pedra. A cidade não reconhece a fera e a vida vai assim sendo desmentida. Papai Noel não existe! Bicho-Papão não existe!

O Avoante balança suavemente na ancoragem e me desperta para ver que no mundo de hoje, nem criança acredita em Papai Noel.

E você, acredita em Papai Noel? O velhinho bondoso e bonachão, com sua roupa vermelha, gorro dependurado, transportado num trenó e puxado por renas voadoras.

Você não acredita em Papai Noel? Que pena!

Como seria bom se todos acreditassem em Papai Noel. Não na figura mercadológica, mas no bom velhinho. Personagem encantado e carismático, com sua risada gostosa, que não precisa falar, sua risada já diz tudo.

Quantos Natais dependeram de sua presença alegre para ser Natal? Quantas noites mal dormidas a espera dos presentes desejados? Quantas vezes ficamos a olhar o céu na esperança de ver seu trenó passar com os sinos a tilintar? Quantas vezes desejamos ter uma chaminé no telhado para o velhinho entrar com os presentes? Quantos sonhos? Quantos pedidos? Quantos presentes? Quanta fantasia?

Quem inventou o Papai Noel? Alguns falam nos americanos. Outros juram que foi a Coca-Cola. Muitos afirmam que foram os empresários. Os cépticos apostam tudo no capitalismo, mas estes como sempre, duvidando. Não precisamos saber quem criou o Papai Noel, só precisamos reconhecer que foi uma pessoa iluminada e que queria trazer alegria e paz ao mundo e as crianças, pelo menos em um dia do ano. Assim vai Papai Noel em seu passeio pelos ares, carregado de presentes e apoiado em seu cetro grandioso.

Muitos adultos já não acreditam em Papai Noel e, por incrível que pareça, muitas crianças também não. O adulto tem suas razões para a descrença, mas a criança não. Elas foram orientadas pelos pais de que tudo não passa de fantasia, de uma grande mentira, de uma farsa diabólica e maldosa. Criança não gosta de maldade. Criança não gosta de coisas diabólicas. Criança não mente e nem gosta de mentira, mas criança adora fantasia.

Por que reprimir a fantasia do Papai Noel da cabeça da criança? Por que desmerecer o papel do Papai Noel? Por que apagar a esperança por coisas boas e lembranças felizes de brinquedos e brincadeiras? Por que retirar esse sonho das cabeçinhas inocentes das crianças? Por que tomar o doce da alegria e do desejo de suas bocas? Por que não permitir que a criança seja criança? Por quê? Do que temos medo?

O mundo vive na banalização da violência, na concorrência desenfreada e desumana, na eterna briga pelo poder, na falta de vergonha, na extinção da ética, na corrupção desenfreada, na falta de pudor, na fúria das drogas, na desagregação dos povos, na cegueira da justiça, na palhaçada oficial, na guerra pelo petróleo, na intolerância religiosa, no choque entre culturas, no terror desumano, na expectativa do confronto e na guerra, eternamente na guerra. Por que não pedir ao Papai Noel um mundo melhor para nossas crianças?

Por que ter medo do Papai Noel? Por que não deixar que a criança acredite no Papai Noel? Como éramos inocentes e felizes quando acreditávamos em Papai Noel! Por que não deixar que as crianças peçam paz, amor, esperança e presentes ao Papai Noel? Criança é criança e adulto é adulto.

O Papai Noel não traz somente presentes, ele traz sonhos, fantasias, esperança, risadas, encantamento, paz, compreensão e alegria, tudo que a criança precisa, tudo que a criança deseja, tudo que a criança merece e tudo que o adulto necessita para deixar um mundo melhor para as crianças.

Por que desfazer o sonho? Por que acabar a fantasia? Por que o medo?

Eu acredito em Papai Noel, tanto acredito que todo Natal peço alegria, compreensão, tolerância e paz para o mundo. Ainda não fui atendido, talvez Papai Noel esteja ocupado em atender aos pedidos de crianças que pedem alegria, compreensão, tolerância e paz para seus lares.

Viva, Papai Noel! Viva sempre!

Nelson Mattos Filho

Velejador