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Coisas do mar

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Porém, o que mais se ouve é: “O que estou fazendo aqui”

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É assim

03 - março (59)

“No mar, em um barco a vela, aprendemos que por mais que os ventos sejam contrários, sempre existe um modo para regular as velas e assim, o barco continua navegando. Basta sensibilidade para sentir o vento”

Nelson Mattos Filho

Tradições Navais

Flâmula de Comando

A Flâmula de Comando

“No topo do mastro dos navios da Marinha do Brasil existe uma flâmula com 21 estrelas. Ela indica que o navio é comandado por um oficial de Marinha. Se alguma autoridade a quem o Comandante esteja subordinado, organicamente (dentro de sua cadeia de comando) estiver a bordo, a flâmula é arriada e substituída pelo pavilhão-símbolo daquela autoridade. A flâmula é trocada nas passagens de comando e em nenhum outro caso é arriada.” fonte: marinha.mil.br

E aí?

Outubro (182)

Corda ou cabo? Eis a questão.

1º Congresso on-line sobre a arte de velejar – Palestra

Quem é do mar deve saber que o site Velejando pelo Mundo está apresentando desde o dia 26/09 um inédito e bem festejado 1º Congresso On-Line Sobre a Arte de Velejar, um evento arrojado e maravilhosamente bem vindo ao mundo náutico e também para quem sonha em um dia se fazer a mar. Se você ainda não sabe, basta acessar o Velejando pelo Mundo e fazer sua inscrição 0800. Ontem, 28/09, foi minha vez de palestrar com os participantes e falar um pouco do sonho de morar a bordo. Veja o vídeo e confira! Mas antes que alguém pergunte qual o livro que me levou a enveredar pelo mundo da vela, que terminei não falando no vídeo, foi o primeiro livro da Família Schurmann, Dez Anos no Mar

O enjoo

sup0040Quando me perguntam sobre o que fazer para evitar o enjoo no mar, costumo responder que Lucia tem PHD na causa e por isso acho melhor a pergunta ser feita diretamente a ela, porque nos cinco primeiros anos de nossa vida a bordo do Avoante ela enfrentou o problema corajosamente e apesar de enjoar horrores, nunca desistiu de velejar. Nas nossas primeiras navegadas até a ilha de Fernando de Noronha, participando da Refeno, Lucia só enjoava duas vezes: Uma para ir, outra para voltar. O problema foi sendo contornado, porém, nunca exterminado, e assim vivemos 11 anos e 5 meses a bordo. – E se eu também enjoo? – Claro que sim! Pois bem, tempos atrás li um artigo no site Popa.com.br, assinado pela Dra. Claudia Barth, que até hoje vejo como o mais completo e realista sobre o tema. Sem pedir licença ao Danilo Chagas Ribeiro, copiei e colei aqui. Tomará ser perdoado!

Enjoo não tem cura. Previna-se!

Claudia Barth*

07 Jul 2005
O enjoo marítimo, também conhecido como cinetose, doença do movimento ou náusea do mar é uma situação muito frequente a bordo e acomete até os mais experientes navegadores. É um fenômeno fisiológico, uma reação natural do organismo às variações rápidas e constantes de posição. Caracteriza-se por sintomas como sudorese, palidez, salivação, náuseas, tonturas, cefaleia (dor de cabeça), fadiga e vômitos. Até o momento, não existe tratamento definitivo para este problema.

Causas do Enjoo Marítimo
As variações de posição do corpo, quando navegando, estimulam receptores sensoriais localizados no labirinto vestibular (localiza-se no ouvido interno e dá a noção de movimento linear e angular e de orientação no espaço), nas retinas dos olhos e nos músculos e articulações (sensibilidade proprioceptiva). Estes dados sensoriais misturados são enviados ao cerebelo, tronco cerebral e cérebro, que tentam coordená-los. Estas estruturas procuram fazer os ajustamentos posturais e provocam a sensação de vertigem.

A conexão destes impulsos nervosos com o nervo vago é a responsável pelos sintomas característicos do enjoo marítimo: palidez, sudorese, salivação, náuseas e vômitos.
Descobriu-se que o medo ou a ansiedade podem baixar o limiar para o desenvolvimento destes sintomas. Este limiar também pode aumentar, como, por exemplo, nas situações em que há poucos tripulantes a bordo. Nestes casos, não há tempo para enjoar, mesmo com mar agitado, o que reforça o componente psicológico. Entretanto, alguns indivíduos parecem ser predispostos ao enjoo desde a infância.

Classificação
Podemos classificar os indivíduos que sofrem de enjoo marítimo de acordo com o limiar de sensibilidade:

-Indivíduos altamente suscetíveis ao problema: são os “mareados”. O mareado pede para morrer, fica jogado no chão e, se alguém pisar em cima, ele nem reclama.
Certa vez, numa travessia de Rio Grande a Florianópolis, um tripulante do veleiro Orion II ficou mareado por dois dias consecutivos, sem alívio dos sintomas por um só momento. O infeliz não aguentava mais aquela tortura, pedia para morrer, queria se jogar no mar. O Comandante Egon, vendo a gravidade da situação, não teve dúvidas. Mandou a tripulação amarrá-lo no mastro da mezena, já que ele era grande e forte. Ficou ali por um bom tempo, até se acalmar.

-Indivíduos que apresentam sintomas em condições especiais: são os “nauseados” ou “enjoados”. O nauseado continua trabalhando e em pouco tempo está bom.

-Indivíduos que apresentam sintomas somente em situações extremas: são os “resistentes”.

O Comandante Ferrugem conta uma situação tragicômica em que um tripulante mareado levou um balde para o beliche, para o caso de alguma emergência. Não deu outra, teve de usar o balde. O detalhe é que esse balde não tinha fundo. Era o balde de passar balão, utilizado como se fosse um cano, para colocar os atilhos que prendem o balão.

Como Prevenir o Enjoo:
A prevenção deve ser feita na véspera do passeio:
-Tentar dormir as horas de sono de que o organismo necessita.
-Não fazer uso de bebidas alcoólicas.
-Evitar gorduras, cafeína e excessos alimentares.
-Nunca embarcar de estômago vazio.

O enjoo deve ser prevenido antes do aparecimento dos primeiros sintomas. Quando eles aparecem, pouco pode ser feito. Estes podem ser atenuados com as seguintes “dicas”:
-Evitar o interior do barco (cabine). Permanecer no convés, em local arejado.
-Não deixar a cabeça acompanhar o movimento do barco. Tentar mantê-la fixa, olhando o horizonte ou outro ponto de referência que esteja fixo (objeto na costa, outro barco ao longe, etc.).
-Manter-se preferencialmente na popa do barco e longe do cheiro de combustível. Numa embarcação maior, procurar uma área de menor movimento, geralmente no meio do barco e permanecer no nível mais baixo possível.
-Evitar esforçar-se exageradamente quando estiver navegando. Procurar ocupar-se com atividades leves e conversas de bordo.
-Evitar ler as cartas náuticas ou olhar o GPS.
-Evitar o fumo e manter-se longe de quem está fumando.
-Respirar fundo e lentamente.
-Evitar sentir frio.
-Comer bolachas de água e sal e beber água ou coca-cola.
-Aplicar compressas geladas sobre os olhos e no pescoço.

Medicação Contra Enjoo
A principal ação das drogas usadas na profilaxia e tratamento do enjoo marítimo é, basicamente, a sedação. Elas diminuem a atividade do sistema nervoso central (SNC), agindo diretamente sobre ele, ou diminuindo os impulsos nervosos que chegam até ele.

As drogas de escolha são os anti-histamínicos, sendo o Dramin o mais usado, na forma de comprimidos ou injetável. Normalmente é receitado meia a uma hora antes de entrar no barco e repetido uma hora depois do início da viagem. Seus efeitos colaterais são sonolência, boca seca, e, em alguns casos, alterações visuais (visão turva, diplopia), dentre outros. Seus efeitos variam de indivíduo para indivíduo e duram de seis a oito horas. A sonolência em certos casos pode ser benéfica. Em outros, pode provocar acidentes, pois prejudica a atividade do paciente, tornando sua mente embotada e diminuindo a atividade reflexa.

Atualmente, está sendo comercializada livremente na Europa, Estados Unidos, Canadá e Austrália a meclizina (Meclin), um anti-histamínico que promove menor grau de sonolência porque atua mais especificamente no labirinto, diminuindo sua irritabilidade. Seu efeito dura vinte e quatro horas e tem sido a droga de escolha das grandes companhias de cruzeiros marítimos internacionais.

Outros medicamentos usados contra o enjoo são os anticolinérgicos (escopolamina), a metoclopramida (Plasil) e a ondansetrona (Setronax, Nausedron, Zofran). O uso da escopolamina é pouco frequente atualmente, já a metoclopramida é bastante utilizada. Além de agir diretamente no SNC, ela relaxa o piloro, acelerando o esvaziamento gástrico. Sua dose é de 10 mg de seis em seis horas. A ondansetrona diminui a atividade vagal e também atua a nível de SNC, sendo mais usada no controle dos enjoos provocados pela quimioterapia e pós-operatório. A dose usual é de 4 a 8mg de oito em oito horas. A metoclopramida e a ondansetrona também são usadas na forma injetável.

IMPORTANTE: Todo medicamento possui efeitos colaterais. As informações contidas nas bulas dos medicamentos devem ser lidas com atenção antes da sua administração. Consulte seu médico sobre os medicamentos aqui citados.

Curiosidade:
-Tapar um dos olhos pode ser útil. Antigamente, os piratas usavam este recurso, não por falta de um dos olhos, mas sim para evitar o enjoo.

Conclusão:
Andar de barco, na maioria das vezes, é um grande prazer, mas não para quem enjoa. Apesar de todos os progressos da ciência, ainda não foi encontrado um tratamento verdadeiramente eficaz contra este mal. Prevenir é ainda o melhor remédio. Para quem é altamente suscetível ao problema, aqui vai o conselho do Mestre Geraldo Knippling: “Existe um remédio infalível e 100% eficaz: basta sentar-se embaixo de uma árvore”.

Agradecimentos:
Meus agradecimentos aos Doutores Remo Farina Júnior (Cirurgião Plástico e Professor de Anatomia da Faculdade de Medicina da PUCRS) e José Antônio Trindade (Anestesista) e aos Comandantes Geraldo Knippling, Eduardo Hofmeister “Ferrugem” e Danilo Chagas Ribeiro, que, com suas contribuições, ajudaram na elaboração deste trabalho.
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(*) A Dra. Claudia Barth, cirurgiã plástica, é Capitã Amadora. De família com tradição marinheira, é associada ao Veleiros do Sul, Porto Alegre.

O tubarão híbrido

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Quanto mais nós humanos usamos nossa incrível capacidade destruidora, mais a natureza demonstra seu poder descomunal e regente de se recriar. A notícia que deu o mote para essas mal traçadas linhas é, para esses tempos internéticos e ligeiros, antiga, porque data do ano cristão enumerado de 2012. A prosa vem das páginas virtuais da revista Veja e trata de uma das mais inclementes, talvez a maior, fera dos sete mares, o Tubarão. O monstro marinho que faz tremer até o mais corajoso dos homens – e não me venha com onda de valente dizendo que não tem medo desse bichano de dentadura mais afiada do que navalha de malandro – tem se apresentado a cada dia mais cabuloso e ameaçador. O litoral brasileiro é bem habitado por tubarões, mas em alguns lugares, como o litoral pernambucano, eles são os donos do pedaço. Até em Fernando de Noronha, onde os tubas são atrações festejadas por agências de turismos e visitantes, e que se afirmava até dias desses serem “domesticados”, a fera já provou que está pronta para qualquer parada. Pois bem: Em 2012 cientistas australianos anunciaram a descoberta dos primeiros tubarões híbridos da espécie ponta-negra e segundo os estudos, a descoberta tem implicação direta na vida marinha dos oceanos. O ponta-negra australiano vive nas águas tropicais e os híbridos se adaptam bem em águas mais frias. Os tubarões híbridos já representam 20% da população dos tubarões-de-ponta-negra, mas o que chama atenção é que a população da espécie original não diminuiu. O assunto dos tubarões australianos me chamou atenção porque ao ler o livro Mar Morto, que comentei em uma postagem recente, notei em várias passagens o autor, Jorge Amado, fazer alusão aos tubarões que atacavam náufragos e aterrorizavam saveiristas dentro da Baía de Todos os Santos, mas em minhas andanças pelas águas dos Orixás não vi esse temor. Recentemente ocorreu um ataque de tubarão em uma praia próximo ao bairro da Calçada, na capital baiana, e alguns tubarões foram capturados em Madre de Deus e nada mais. Será que os tubarões de Mar Morto eram também personagens fictícios da escrita privilegiada de Amado? Será que os tubarões brasileiros já se tornaram híbridos? E em como anda a população de tubarões nesses tempos difíceis? Será que tem tubarão híbrido no Brasil? Dizem que a Polícia Federal tem pescado alguns bem nutridos. Em Pernambuco os tubarões parece que deram uma trégua. Será por causa da crise? E antes que alguém pergunte vou responder: – Nunca dei de cara com a fera em minhas velejadas.