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Um Estado em letargia

portoareia_1O Rio Grande do Norte teria que se chamar “Rio Pequeno do Norte“, pois somente assim seus governantes e classe política ficariam felizes e de alma lavada. O Estado vive uma guerra eterna contra o desenvolvimento e o progresso, e não tem um filho do capeta que se proponha a levantar a bandeira da paz. O RN vive ao deus dará e assim vai indo, ou melhor, vai ficando. Terminal Salineiro de Areia Branca, conhecido como Porto-Ilha, inaugurado em março de 1974, localizado a 14 quilômetros da costa, nas coordenadas geográficas 5º 46’ 24” S / 35º 12’ 20” O, projetado para escoar o sal produzido no Estado, produção que tem como principal destino, além do mercado nacional, o mercado internacional. O RN é o maior produtor de sal do país, avalie se não fosse! Pois bem, o Porto-Ilha de Areia Branca, esse gigante exportador, é a mais nova vítima da “guerra” e nessa quinta-feira, 12, foi interditado pelo IBAMA por crime ambiental e má conservação da estrutura. Ora, se o RN trata com desleixo suas fontes de recursos o que dizer de outras? Reclamar que o IBAMA foi duro? Talvez! Mas a interdição não teria acontecido se não existisse o descaso, a malversação e a desfaçatez. A Companhia Docas do Rio Grande do Norte, CODERN, administradora do empreendimento, diz que vai apresentar um plano de ação para recuperar o Terminal. – Agora, cara pálida? Enquanto isso, o RN fica mais uma vez no prejuízo e sua classe política brinca de fazer promessas em cima de palanque.              

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O turismos náutico e seus entraves

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Vi uma postagem no blog do jornalista potiguar Flávio Marinho, sobre a atracação de um navio no Porto de Natal na quinta-feira, 17/11, vindo das águas do Caribe. O navio Seabour Quest, com 400 passageiros e 100 tripulantes, foi festejado pela Companhia Docas do Rio Grande do Norte (CODERN) que avalia um incremento de mais de R$ 300 mil na economia de Natal/RN apenas com os gastos dos passageiros nas dez horas que permaneceu na capital potiguar. O navio atracou às 7 horas da manhã e desatracou às 17 horas com destino a capital do frevo. Pelas estimativas de cálculos, cada passageiro gastou mais de U$ 200 dólares em suas andanças por Natal. Lendo a matéria lembrei de um estudo que tomei conhecimento em 2005 sobre veleiros de cruzeiro que ancoravam em Salvador/BA e Rio de Janeiro/RJ. O estudo tinha como objetivo levantar subsídios para a Lei 4644/04, que regulamenta a permanência de embarcações de turismo no Brasil e que tem como função alavancar o turismo náutico no país. Segundo o estudo de onze anos atrás, a média de gasto de cada veleiro visitante que atracava na Bahia e Rio de Janeiro era de U$ 450,00 dólares por dia, considerando despesas dos  tripulantes e serviços de marina. Como cada estado envolvido na pesquisa recebia em média 100 embarcações por mês, dava uma arrecadação mensal por estado em torno de U$ 1.350.000,00 dólares. Mesmo que se retire todos os exageros embutidos na pesquisa, ainda seria uma boa fonte de recursos. O turismo náutico em veleiros de cruzeiro é uma realidade mundial e o Brasil, dono de um litoral extraordinário, infelizmente ainda não despertou para esse nicho de mercado. – Basta culpar os governos pela cegueira? – Claro que não, porque o problema também está dentro dos clubes náuticos. Tem clube que recebe o visitante apenas como obrigação e de tanto fazer cara feia, o visitante levanta âncora e os dirigentes e associados ainda festejam. Natal, que aplaudiu o Seabour Quest, tem tudo para receber inúmeros veleiros de cruzeiro devido a sua localização geográfica, mas dispõe apenas de um iate clube, dotado de pequena infraestrutura, e hoje perde feio para a vizinha Paraíba, que conta com pelo menos quatro marinas e todas elas praticamente sem vagas disponíveis. Em algum dia do futuro aparecerá um governante ou gestor de clube náutico que olhe para o mar e veja que ali tem uma porta de entrada.

Uma declaração surpreendente de um secretário estadual de turismo

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Uma declaração do secretário estadual de Turismo do Rio Grande do Norte durante um encontro na Companhia Docas do RN para incluir Natal em uma rota de navios de cruzeiro entre Portos do nordeste, traduz um pouco da linguagem existente entre nossas autoridades e que faz o universo náutico brasileiro ser tão sem importância, discriminado e com horizontes nebulosos. O secretário que é empresário do ramo hoteleiro e presidente da Associação Brasileira da Industria de Hotéis, foi um dos debatedores do encontro proposto pela Associação Brasileira das Empresas de Cruzeiros Marítimos (Abremar), e quando chegou sua vez de falar partiu para logo para o ataque numa declaração surpreendente: “Eu acho que é uma concorrência desleal com a rede hoteleira. Hotel paga ISS e ICMS e gera 350 empregos, no meu caso, e mais de 10 mil empregos em Natal. Navio não paga ISS, só ICMS e não gera nenhum emprego”. Na entrevista apos o encontro a assessora de imprensa da Abremar lembrou que o navios de cruzeiro geraram 15 mil empregos em 2014. O secretário respondeu que em Natal não havia gerado nenhum e foi quando a assessora perguntou se ele estava ali na condição de presidente de hotel ou com secretário de Estado. Resposta: – Como secretário também. E como secretário, sou contra esse projeto porque dá prejuízo de R$ 300 milhões. Assessora de imprensa: – Prejuízo na sua conta ou na do Estado? Resposta: – Na do Estado. Li a matéria assinada pelo jornalista Dinarte Assunção, publicada no site Portal no Ar, abismado, e fiquei matutando com meus botões: Se um secretário estadual de Turismo diz uma coisa dessas e se posiciona contrário a um setor que movimenta milhões de dólares e que recentemente recebeu fortunas em investimentos governamentais somente nos modernosos terminais de passageiros, imagino o que ele diria se alguém fosse lhe pedir incentivo para projetos de instalação de marinas públicas para apoiar a vela de cruzeiro.