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Sobre tempestades

mapservO brasileiro que se vangloriava de morar em um país livre das catástrofes da natureza, ultimamente vem tendo que atualizar suas convicções mais otimistas e até revendo a velha máxima de que o Criador é brazuca de coração, porque os elementos, principalmente vento e mar, tem se mostrado com cara de poucos amigos nesse século XXI. Já não bastasse a seca desgraçada que nos últimos cinco anos assola o sertão nordestino, o mapa do Brasil parece que entrou de vez no circuito das tempestades endiabradas e até já foi lambido de raspão dias atrás pelo rabo de um furacão assustador que entrou pelo norte e saiu matando e destruindo tudo que encontrava pela frente, Caribe acima, até encontrar as terras do Tio Sam do mestre Obama. Essa semana o Sul e Sudeste brasileiro está sendo castigado por uma tempestade tropical batizada de Dani, que se danou tanto que fez soprar ventos a mais de 90 km/h sobre o Rio de Janeiro. Aliás, o Rio começou a semana em clima de tempestade política, com dois ex-governadores, mais santos do que os santos do mundo, olhando para o Cristo Redentor por uma janelinha quadriculada. Pois é, o clima no Brasil está mudando, e mudando tão rápido que está pegando muita gente com as calças na mão e deixando outros macambúzios.      

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A parada agora é com La Niña

mapservFazer previsões meteorológicas nos dias de hoje é talvez um dos maiores embates que vivem os estudiosos do clima, porque a natureza está num acelerado processo de reciclagem que nem as lentes dos mais poderosos satélites estão conseguindo decifrar o que acontecerá vinte e quatro horas mais a frente. Basta ver a destruição que causou a passagem do furação Matthew, pelo Caribe, deixando atônitos os homens do tempo. Olhando os fortes ventos que castigam o litoral norte do Rio Grande do Norte, e que já deveriam ter amansado o sopro, escutei um velho pescador dizer assim: “…Se me dissesse que estava soprando esse vento todo por essa época do ano, eu diria que era conversa de pescador”. Apenas balancei a cabeça e sorri. Ontem, 19/10, em Brasília, a chuva e o vento castigaram a cidade e nas águas do lago Paranoá a bagaceira deixou prejuízos incalculáveis para a turma da náutica. Em Santa Catarina um tal de tsunami meteorológico, que eu nunca havia escutado falar, deu o que falar e arrastou carros e pessoas para o mar e as previsões para o restante da semana não são muito diferentes do que estamos vendo. Os meteorologistas afirmam que já é efeito da La Niña, a irmão feiticeira e oposicionista do bruxo El Niño, mas, timidamente, acrescentam que a Niña não vem com essa bola toda e que seu efeito será moderado. Tá certo!

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As mídias sociais já azeitaram a engrenagem da boataria e tem notícias para todo gosto, de seca dos infernos a cheia monumental e tem até quem afirme que o sertão vai virar mar. Porém, o chefe do setor de meteorologia da Emparn – Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN, Gilmar Bristot, já se apressou a desmentir a boataria e disse que o inverno será normal, podendo ser até acima da média para o semiárido, o que interromperia os cinco anos de seca que vive a região nordeste. Segundo ele, La Niña já está agindo sim no clima do planeta e com forte atuação. Deus te ouça professor! Agora vamos ver o que diz a turma do Cptec/Inpe para essa quinta-feira e para a sexta-feira, 21: 

PREVISÃO

Nesta quinta-feira (20/10), o escoamento difluente em altos níveis combinado com a presença do Jato de Baixos Níveis (JBN), calor e umidade, além da frente fria que avançará até o sul de SC, deixará o tempo com condições de instabilidades sobre a Região Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Além da chuva, ocorrerão muitas descargas elétricas, ventos localmente fortes e, de forma mais isolada, queda de granizo. Também choverá de forma ampla e com elevado risco para temporais em SC e no PR. O aquecimento em superfície combinado com a umidade favorecerão convecção em pontos do Sudeste, especialmente em GO, Triangulo Mineiro no sul de MG, Centro-Oeste, Sudeste e faixa oeste e sul do Norte do Brasil. No litoral sul da BA, choverá de forma muito fraca e isolada. Na sexta-feira (21/10) o sistema frontal avançará até entre o PR e o sul de SP, causando condição para chuva entre SC e SP. No próximos dias, os modelos estão colocando chuva generalizada entre o Norte, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, devido ao calor, difluência em altos níveis e aos cavados vindos de oeste. Também a presença de um Vórtice Ciclônico em Altos Níveis (VCAN) auxiliará para chuvas no interior do Nordeste do Brasil.

Fonte: Tribuna do norte e Cptec/Inpe

Temperatura alta bate recorde em 2016

mapservO clima tem andado meio arredio nos últimos anos, talvez por culpa de nós mesmos, habitantes descuidados desse planetinha perdido no espaço, mas quem sabe por capricho da própria natureza e sua incrível capacidade de renovação. Talvez nunca saibamos os verdadeiros motivos, até porque, a Terra, esse planeta meio único, meio lenda, meio inteligente e até meio complacente com seus habitantes, jamais fale sobre os segredos de sua eterna juventude. Dizem até que ele é um velho bobo que caminha rodopiando pelas estrelas em uma linha tão igual que nem damos conta, pois o rastro é profundo para ser descaminhado. Diante de sua idade avançada, os homens dos estudos afirmam que ele não suportará por muito tempo nossos costumes cada dia mais estranhos, mas se me perguntarem o que acho, eu direi que nosso planetinha azul está meio diferente sim, tão diferente que até abaixo da linha do equador das terras brasilis, vez por outra assistimos a passagem de fenômenos climáticos  que apenas víamos através dos noticiários internacionais. Recentemente, e não foi o primeiro e nem será o último, um ciclone extratropical saiu plagas argentinas e caminhou serelepe pelas praias do sul e sudeste brasileiro. O bicho só não foi mais feio, porque se escafedeu pelos horizontes oceânicos, deixando apenas uns amuos de uma forte ressaca e vendavais de grosso calibre. Mas que ameaçou, ameaçou! Agora vejo nas ondas internéticas que cientistas apostam que 2016 será o ano mais quente da história e que a partir de agora essa será a norma a ser seguida. Os estudiosos afirmam que agosto bateu todos os recordes de temperatura elevada já registradas, tanto na superfície terrestre, quanto nos oceanos. O clima está tão quente que já tem galinha botando ovo cozido!     

La Niña e seus amuos

mapservQue ventania louca é essa Senhor?” Essa é a pergunta diariamente feita por minha Mãe nos últimos dias, mas ela mesmo trata de responder, pois sendo moradora de Natal/RN desde criancinha, sabe que agosto é mês de ventos fortes e acelerados. Porém, nos tratados dos estudiosos das ciências do tempo, esses ventos que sacodem a poeira de agosto são mais do que natural, contudo, a potência da força depende das estripulias da Menina e nesse 2016 ela acordou cheia de pirraça e, segundo o climatologista Luiz Carlos Molion, no site Notícias Agrícolas,  dessa vez ela só sossegará o facho em 2019. Molion diz ainda que “La Niña deve seguir o padrão próximo ao ocorrido entre os anos 1999 a 2001 quando o fenômeno se estabeleceu após um forte El Niño de 1997 a 1998”. Vamos nessa! – Mas quem é a Menina? – É a irmã do El Niño, que os pescadores que vivem nos pés das cordilheiras andinas chamam de La Niña. – Então se é irmã apronta as mesmas artes? – Não, pois os sexos são opostos e como diz o livro: “Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus”. – Entendeu? – Não? – Então vou me socorrer com o Cptec/Inpe para tentar desfazer suas rugas de interrogação.

O termo La Niña (“a menina”, em espanhol) surgiu pois o fenômeno se caracteriza por ser oposto ao El Niño. Pode ser chamado também de episódio frio, ou ainda El Viejo (“o velho”, em espanhol). Algumas pessoas chamam o La Niña de anti-El Niño, porém como El Niño se refere ao menino Jesus, anti-El Niño seria então o Diabo e portanto, esse termo é pouco utilizado. O termo mais utilizado hoje é: La Niña

Anomalia de temperatura da superfície do mar em dezembro de 1988. Plotados somente as anomalias negativas menores que -1ºC. Dados cedidos gentilmente pelo Dr. John Janowiak – CPC/NCEP/NWS/NOAA-EUA.
Para entender sobre La Niña, vamos retornar ao nosso “modelinho” descrito no item sobre El Niño. Imagine a situação normal que ocorre no Pacífico Equatorial, que seria o exemplo da piscina com o ventilador ligado, o que faria com que as águas da piscina fossem empurradas para o lado oposto ao ventilador, onde há então acúmulo de águas. Voltando para o Oceano Pacífico, sabemos que o ventilador faz o papel dos ventos alísios e que o acúmulo de águas se dá no Pacífico Equatorial Ocidental, onde as águas estão mais quentes. Há também aquele mecanismo que citei anteriormente, o qual é chamado de ressurgência, que faz com que as águas das camadas inferiores do Oceano, junto à costa oeste da América do Sul aflorem, trazendo nutrientes e que por isso, é uma das regiões mais piscosas do mundo. Até aqui tudo bem, esse é o mecanismo de circulação que observamos no Pacífico Equatorial em anos normais, ou seja, sem a presença do El Niño ou La Niña.
Pois bem. Agora, ao invés de desligar o ventilador, vamos ligá-lo com potência maior, ou seja, fazer com que ele produza ventos mais intensos. O que vai acontecer?
Vamos tentar imaginar ? Com os ventos mais intensos, maior quantidade de água vai se acumular no lado oposto ao ventilador na piscina. Com isso, o desnível entre um lado e outro da piscina também vai aumentar. Vamos retornar ao Oceano Pacífico. Com os ventos alísios (que seriam os ventos do ventilador) mais intensos, mais águas irão ficar “represadas” no Pacífico Equatorial Oeste e o desnível entre o Pacífico Ocidental e Oriental irá aumentar. Com os ventos mais intensos a ressurgência também irá aumentar no Pacífico Equatorial Oriental, e portanto virão mais nutrientes das profundezas para a superfície do Oceano, ou seja, aumenta a chamada ressurgência no lado Leste do Pacífico Equatorial. Por outro lado, devido a maior intensidade dos ventos alísios as águas mais quentes irão ficar represadas mais a oeste do que o normal e portanto novamente teríamos aquela velha história: águas mais quentes geram evaporação e consequentemente movimentos ascendentes, que por sua vez geram nuvens de chuva e que geram a célula de Walker, que em anos de La Niña fica mais alongada que o normal. A região com grande quantidade de chuvas é do nordeste do Oceano Índico à oeste do Oceano Pacífico passando pela Indonésia, e a região com movimentos descendentes da célula de Walker é no Pacífico Equatorial Central e Oriental. É importante ressaltar que tais movimentos descendentes da célula de Walker no Pacífico Equatorial Oriental ficam mais intensos que o normal o que inibe, e muito, a formação de nuvens de chuva.
Em geral, episódios La Niñas também têm freqüência de 2 a 7 anos, todavia tem ocorrido em menor quantidade que o El Niño durante as últimas décadas. Além do mais, os episódios La Niña têm períodos de aproximadamente 9 a 12 meses, e somente alguns episódios persistem por mais que 2 anos. Outro ponto interessante é que os valores das anomalias de temperatura da superfície do mar (TSM) em anos de La Niña têm desvios menores que em anos de El Niño, ou seja, enquanto observam-se anomalias de até 4, 5ºC acima da média em alguns anos de El Niño, em anos de La Niña as maiores anomalias observadas não chegam a 4ºC abaixo da média.
Episódios recentes do La Niña ocorreram nos anos de 1988/89 (que foi um dos mais intensos), em 1995/96 e em 1998/99. “

Fontes: Cptec/Inpe e Notícias Agrícolas

Parece que vem bronca

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Para quem nunca viu a imagem acima, cortada por gráficos e marcações, nem passa pela cabeça que tudo que está escrito e desenhado na imagem é a leitura do clima sobre nosso continente, mas especificamente sobre o Brasil. Claro que estamos assistindo abismados o clima esquentar e o leite azedar de vez em nossas ruas, mas não é isso que quer dizer o gráfico, e sim, que os deuses que regem a natureza estão azeitando a panela para dar mais uma demonstração da incrível força de seus exércitos. Tomará que os generais da natureza acalmem as tropas e tudo não passe de mais um treinamento, porque se não for isso, assistiremos mais um ciclone soprar suas verdades sobre as pairagens brasileiras. Por enquanto a bronca está sobre o reduto de Netuno. A leitura do quem diz o gráfico está na notinha do CPTEC/INPE e ela diz assim:

 

ANÁLISE SINÓTICA – 06/03/2016 -12Z

Na análise da carta sinótica de superfície das 12Z do dia 06/03, observa-se um sistema frontal com características subtropicais, cujo ciclone (em oclusão) tem valor de 996 hPa, centrado em torno de 40°S/40°W sobre o Oceano Atlântico. Outro sistema frontal se forma ao largo da costa do Uruguai e do RS, associada a uma baixa pressão de 1008 hPa. Ao sul de 48°S sobre o Oceano Atlântico Sul, nota-se a presença de outro sistema transiente. A Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) apresenta valor de 1032 hPa, centrada em torno de 38°S/12°W (fora do domínio desta figura). A Alta Subtropical do Pacífico Sul (ASPS) tem núcleo de 1020 hPa em torno de 39°S/88°W. A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) apresenta banda dupla sobre o Oceanos Pacífico e Atlântico, oscilando entre 01°N/03°N – 02°S/05°S e 0°/03°N- 02°S/04°S, respectivamente.
Atualizado:06/03/2016

Rabos de galo

3 Março (69)

Cirrus em latim significa cachos de cabelo e na meteorologia são nuvens que se formam na troposfera, a 10 mil metros de altura, em temperaturas inferior a zero graus centígrados e são fibrosas, altas, brancas, finas, aparentando finos cabelos brancos. O aparecimento das nuvens cirrus no céu está associado a tempo bom, porém, um estudo publicado no periódico Nature Geoscience no dia 04/01, afirma que as cirrus podem multiplicar os efeitos do El Niño, porque elas são responsáveis pela metade da força do fenômeno climático. Os cientistas dizem que o El Niño do período 2015/2016 será mais poderoso do que o ocorrido entre 1997 e 1998, que, segundo estimativas, causou à morte de mais de 23 mil pessoas no mundo. Vivendo e aprendendo! Fonte: Veja.Abril/Ciência e Wikipédia.

Pense num calor!

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Nesse dia de calor escaldante nas terras do Senhor do Bonfim fico a me perguntar até quanto o corpo humano suporta de calor e frio. Eu, na minha santa ignorância, aposto que não existem parâmetros para essa pergunta indecorosa, mas como não sou bom de aposta, vou pular uma casa. O que vejo é que os homens que se propõem a estudar o tempo estão com ar de doido diante das maluquices dos Niños, El e La, que a cada dia nos deixa de cabelo em pé. O casalzinho endiabrado, usando as prerrogativas das leis que protegem as crianças, estão mandando ver e não estão nem aí para a cor da chita. O calor que corrói a paciência de um desavisado velejador, que um dia resolveu morar a bordo, é de deixar este com ar de incredulidade. Os sites de notícias dão conta que muita milacria ainda vem por aí e os cientistas se arvoram nas trincheiras do sim e do não. O site Terra se saiu com uma pergunta que muitos já fizeram: Quando o El Niño vai terminar? Eu li, reli e me animei a fazer essa postagem. Clique no link grifado e procure suas respostas.