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Verão e chuva, tudo a ver!

mapservO verão dava toda pinta que seria quente de cabo a rabo, mas quem teve a curiosidade de tentar decifrar os sinais escritos nas nuvens e ouvir os sussurros do vento, ficou com uma pulguinha atrás da orelha, ainda mais quando por trás dos montes ecoaram roncos do guerreiro Thor. Adoro sentar num cantinho do cockpit do Avoante e utilizar as criativas ferramentas que somente o ócio é capaz de oferecer a um vagabundo do mar. A natureza não mente, porém, suas verdades são acobertadas por uma bela e maravilhosa cortina transparente que enche nossos olhos de brilho e encanto. Nesses tempos de Niños e Niñas – personagens encrenqueiros e de humores extravagantes – até um bom sertanejo ou mesmo um valente senhor do mar, conhecido como jangadeiro, vira e mexe se veem atrapalhados pelas estripulias mirabolantes dos “meninos”. Os homens das ciências e seus brinquedinhos espaciais carregados de lentes, tentam, tentam e vez por outra jogam a toalha diante do imprevisível. Juro que sou mais o sertanejo e o jangadeiro! Certa vez cheguei na praia de Enxu Queimado, litoral norte do RN, lugar que conservo bons e velhos amigos, e me atrevi a mostrar a Pedrinho, meu irmão de fé e lealdade, uma folha de papel com dados da previsão do tempo para os dias seguintes e que dizia ser de muita chuva e vento. Sem pestanejar ele olhou para mim e disparou: – Quem inventou essa mentira condenada homem? E deu uma sonora gargalhada. Pois é, a minha folha de papel foi jogada no lixo e saímos para tomar cerveja gelada com lagosta no bafo na mercearia de Dona Tita. Pedrinho, Seu Nenê Correia, Seu Nilo, Manoel, Seu Manu e tantos outros habitantes da praia e Enxu Queimado foram meus professores das coisas da natureza e até hoje não consegui sair das aulas de recuperação, porque tem coisas que não se aprende quando insistimos em misturar prática com teoria. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa e naqueles dias não choveu e o vento foi fraquinho. Pois é, a estação que começou fervendo pelas bandas do nordeste, resfriou com as famosas chuvas de verão que estão dando o ar da graça e já tem gente tirando o casaco de frio do fundo do guarda roupas. Conheço as chuvas de verão desde que me entendo de gente e me espanto quando vejo os noticiários tratando o assunto como se fosse o fim dos tempos, do mundo ou castigo do céu. As chuvas estão aí e devem permanecer por boa parte do verão 2016, para desespero dos veranistas e turistas. Ainda não sei o que meus “professores” dizem sobre elas, mas sei que estão festejando adoidado. Já os homens do CPTEC/INPE preferem falar assim:

Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) ainda atua em parte do país
Nesta terça-feira (19/01), o destaque é ainda a atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que deixará o dia com muitas nuvens e pancadas de chuva fortes e localizadas no sudeste do PA, no sul de TO, no sudoeste da BA, no centro-norte e leste de GO, em MG, no RJ e no ES. Em algumas localidades, poderão ocorrer volumes significativos de chuva. Na Região Nordeste do país, a influência de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN) posicionado sobre o Oceano Atlântico adjacente contribui também para a ocorrência de pancadas de chuva em boa parte do interior da região.
Obs: Texto referente ao dia 18/01/2016-17h02

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