Arquivo da tag: chuva no nordeste

Quer saber do tempo? Pois lá vai!

mapservAs notícias que chegam dos mais longínquos recantos  do interior nordestino, chegam alumiadas pelos relâmpagos, acompanhadas pelo ronco surdo dos trovões e temperadas com o perfume suave da terra molhada. Tem chovido a cântaros por esse Brasil continental e o Nordeste festeja com largos sorrisos e vivas de alegria as águas abençoadas que caem do céu. Na prainha gostosa de Enxu Queimado, portal de entrada para os terreiros do sertão, a safra de milho e feijão já se faz bonita e os tratores não têm descanso de tanta terra a ser cortada. Os açudes do Rio Grande do Norte, que até dia desses pediam arrego diante de uma seca braba, agora respiram aliviados pelas águas, porém, receosos que a chuvarada saia do controle dos santos e a alegria escorra água abaixo.  As imagens dos satélites, que dão preciosos subsídios aos meninos do CPTEC/INPE, anunciam para o final de semana, sol entre nuvens pelo Brasil, com pancadas de chuvas fortes e isoladas um pouco aqui, outro acolá, o que tá de bom tamanho, pois os guarda-roupas já começam a exalar o cheirinho do mofo. – E o mar? – Pois é, e o mar?  Ele está para peixe e com umas ondinhas básicas entre 1 e 2,5 metros de altura, porém, nada que assuste um bom homem do mar.

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De olho na chuva e no mar

mapservA Semana Santa foi de chuva em boa parte do Brasil, principalmente nas terras secas do Nordeste. No meu Rio Grande do Norte choveu a cântaros em todas as regiões e a previsão é de mais chuvas para a semana que inicia. No Sul e Sudeste, a chegada de uma frente fria, além de chuva e ventos fortes, deixará o mar com agitação forte, com ondas acima dos 3 metros. O bom seria que essa chuvarada lavasse a lama e a podridão que invadiu o país, mas nem tudo é como nós, pobres mortais, queremos.  

Um dedinho de prosa

mapservOh, chuva, por que você se faz de tão difícil para os lados do Nordeste? Assim que cessaram os tambores do baticum carnavalesco, as chuvas entoaram o canto de alegria, trouxeram esperanças ao sertanejo e fizeram ecoar o canto do Acauã pelos recantos da terra em brasa, mas amornou. Diz a lenda, hoje esquecida pela modernidade, que quando o Acauã canta em árvore seca, o ano será de seca, se cantar em árvore com folhas, é sinal de ano invernoso. Não sei em qual árvore, seca ou com folhas, o pequeno falcão cantou primeiro, mas acho que ele soltou o gogó um pouquinho ali outro acolá, pois o inverno prometido, por enquanto ainda é promessa a ser paga. Tem chovido, sim senhor, mas não ainda para fazer transbordar barreiros e tirar os açudes de um tal volume morto. Já tem muito milho plantado, como tem também feijão. Tem capim bem crescido e boi lambendo os beiços. Tem festejos, cachaça e tem prosa nos alpendres, mas entre um sim e um não, um talvez e um será, tem olhar voltado por cima dos montes de serra, de onde nascem os torreões. – Cadê a chuva, meu compadre? – Hoje chove não senhor! – E o roçado? – Tá precisando molhar, mas se avexe não que ainda tem muita água para cair! – Escute o Acauã cantando! – Eita bichinho abençoado! O retrato que chegou do satélite do CPTEC/INPE indica que chuva no Nordeste, por enquanto, é um tiquinho em cada canto e tem recanto que nem isso. Entre o Sul e Sudeste, terras que chove que só vendo, o inverno tá se encaminhado e metendo até medo. Entrando pelo miolo do Centro-Oeste, a coisa vai assim sei lá. Lá nas florestas do Norte, começando pelas terras do Piauí, o molhado tá bonito e assim vai sendo. – E pras bandas do mar? – Seu Netuno sinaliza que vai assossegar o facho, mas também faz dias que o homem tá apoquentado! – Vamos ver, vamos ver! E como se diz por aí: “Amanhã é outro dia e dos desejos de Deus só quem sabe é Ele”     

Olhando a chuva que cai lá fora

mapserv (1) Hoje

Hoje, 22/02, o dia foi de chuva nas paragens dessa praia mais bela chamada Enxu Queimado, litoral norte do RN, aliás, tive notícias que choveu maravilhosamente bem em quase todo Rio Grande do Norte, o que é coisa boa de saber e ver. Na certa vai ter milho, feijão e mais uma rama de produtos saindo da terra benzida pelas chuvas de São Pedro. Eita que o São João vai ser festeiro e com muita fogueira acesa pelo interiorzão de Nosso Senhor Jesus Cristo! Vai ser é bom! E não foi somente nas “terras dos potiguares” que a chuva se fez presente, choveu e vai chover um bocado pelo Brasil e as notícias vindas das terras do Sul, é que a “terra da garoa” está debaixo de água. A imagem do satélite GOES-16, no site do CPTEC/INPE, demonstra o que estou dizendo e corrobora com o relatório  da II Reunião de Análise Climática para o Semiárido do Nordeste Brasileiro, encerrada hoje no auditório da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), em Natal, onde diz que o inverno de 2018 será normal ou acima da média dos últimos anos. Segundo o meteorologista da EMPARN, Gilmar Bristot, os efeitos do fenômeno climático La Ninã, que este ano nem está tão poderoso, dão todas as condições para um bom ano de chuvas na região Nordeste. Como faz o bom e valente sertanejo, vamos manter as esperanças! Na noite da quarta-feira, 21/02, olhei para as estrelas e lembrei dos escritos do lendário velejador francês Bernard Moitessier, no livro O Longo Caminho, livro de cabeceira de boa parte dos velejadores de cruzeiro. Moitessier, quando observava que as estrelas estavam muito brilhantes, era sinal de mudança de tempo e muita chuva. Ele dizia que aprendeu essa técnica quando de suas navegadas pelos rios e mares chineses. Li e nunca esqueci essa parte do livro  do francês que se transformou em um mito para a vela de cruzeiro, e sempre me utilizei dela em minhas navegadas. Pois bem, ontem a noite, as estrelas estavam incrivelmente brilhantes.

Cartas de Enxu 14

4 Abril (133)

Enxu Queimado/RN, 02 de maio de 2017

Sabe meu irmão, nesses tempos modernosos é cada vez mais complicado tentar entender alguma coisa e por mais que nos aproximamos da verdade, sempre nos deparamos com a incógnita de novos estudos, releituras, permissividades e daí a confusão é grande na cabeça de um cinquentão metido a jovial.

O ovo da galinha é o melhor dos parâmetros para medir a confusão em que estamos metidos, pois numa hora os ovinhos são os mais temíveis vilões do universo e no minuto seguinte torna-se inocente anjinho protetor da vida. Já cansei de ler notícias difamadoras sobre eles e basta o carro dos ovos da galega chegar na cidade, anunciado no microfone rouco a promoção de uma bandeja com trinta por onze reais, que sou o primeiro a ficar plantado na porta de casa para garantir minha parte dos ovos. Prefiro os vermelhos, mas juro que nunca vi diferença quando adquiro os brancos, mas entre o sim e o não, vou assim.

Rapaz, você viu que até a tapioca entupiu na peneira fina que trata dos alimentos não saudáveis? Pois foi e até um conterrâneo nosso, cabra comedor de tapioca, se encarregou de espalhar a desdita pelo meio do mundo. Meu irmão, onde danado já se viu tapioca com manteiga de garrafa fazer mal a algum cristão? E se for acompanhada com umas gingas fritas no dendê, lá do Mercado da Redinha? Vixi! Pois é homem, esse mundo está ficando cada dia mais sorumbático e cheio de trejeitos amarmotados. E eu que pensei que o mundo daria um salto para a melhoria nesses tempos de comunicações instantânea! Parece até que ficamos mais aburralhados, como bem diz uma amiga dessa beira de praia que estou pastorando.

E por falar em aburralhado, num é que até o dito primeiro mundo tem sofrido e tomado rumos que beira a esquisitice. Logo eles que batiam no peito, davam um pontapé na modéstia e arrotavam que eram países bem resolvidos política, econômica e socialmente. Balela para encher os olhos e ouvidos de um povo que gosta de aplaudir discursos de alquimistas. Aliás, eu nunca entendi bem essa tal escala para medir o mundo em um, dois, três, resto e escória, e agora é que não entendo mesmo, pois botaram tudo em um liquidificador e quem quiser que se exploda. E ainda inventaram um bebezão com os olhinhos puxados, único dono de um país empobrecido, cavalgando em cima de uma bomba bujão e doidinho para acertar o quengo de quem chamar ele de feio. Como disse um transeunte, numa calçada no centro de Natal: “Ele quer frescar… ”.

Pois é meu irmão, o rapaz latino americano se foi e deixou no ar aquele vazio que sempre deixam as coisas boas que acabam. O cearense era bom nas cantigas e vai demorar um bocadão para aparecer outro pelo menos igual. Lembra quando ele cantou assim: “…tudo poderia ter mudado, sim, pelo trabalho que fizemos – tu e eu. Mas o dinheiro é cruel e um vento forte levou os amigos para longe das conversas, dos cafés e dos abrigos, e nossa esperança de jovens não aconteceu, não, não…”. O cabra era bom em nos fazer pensar. Pena é que as verdades e emoção das letras são esquecidas quando a música termina. Mas vamos em frente, né!

E as chuvas invernosas? Por aqui tá bem chovido e o chão úmido, mas sinto falta daquelas chuvaradas de deixar a terra seca ensopada por vários dias, pois basta dois dias de sol para a poeira tomar conta do pedaço. Meu feijão já rendeu boas paneladas e estou adorando colher, debulhar e tomar o caldo bem quentinho acompanhado de uma dose da branquinha. O milho está crescido, mas não estou apostando nele para o São João, porque estou achando ele meio macambúzio. A batata doce fez uma rama mimosa e promete, mas o inhame demora, viu. O canteiro das hortaliças está mais fraco do que caldo de batata, mas também, quem disse que as lagartixas deixam as plantinhas em paz. Pense num bichinho para gostar de folha verde! Deve ser por isso que é magro!

Meu irmão, mudando de pau para cacete, e sabedor que você gosta de um vinhozinho: Fiquei espantado com a danação de coisas que o caboco precisa saber para dar uns golezinhos numa taça de vinho. Diz um professor que primeiro temos que descobrir o nosso próprio gosto. Depois vem uns tais valores subjetivos e também objetivos, vem ainda as experiências sensoriais e se depois de muita luta o cara gostar do vinho, mesmo assim ele não sabe se gosta ou desgosta, pois que vai dizer é outro que entende mais do que ele. Pense numa bebidinha cheia de pra que isso! Mas eu gosto, viu. Só não sei meu gosto é próprio ou impróprio.

Pois é Iranilson Lopes Matos, com um “t”, é assim que tenho visto a vida por aqui. Faz dias que você não aparece e quando vier, venha sem pressa de voltar, pois seus meninos já estão bem crescidos. Pode trazer os netos, que aposto um dindim que vão adorar. Diga a Nêga que mando um cheiro.

Até mais e um beijo.

Nelson Mattos Filho

Previsões, apenas previsões

mapservNesses tempos de estranhezas mundo afora está difícil arriscar um palpite seguro sobre o que a natureza vai aprontar para os próximos dias ou mesmo algumas horas mais a frente, e até os mais modernosos equipamentos meteorológicos estão vendo tocha para decifrar os segredos do tempo. Sem saber o que dizer, nem o que responder, os estudiosos contam um conto aqui e se arvoram em contar outro acolá, mesmo sabendo que não será nem isso e nem aquilo, mas é preciso satisfazer a todo custo o interesse da plateia e o que vemos é um festival de besteirol nas manchetes dos jornais. Na manhã desta segunda-feira, 20/02, ao fazer minha caminhada matinal pelos sites dos principais jornais e nas variantes das mídias sociais, me deparei com um verdadeiro festival de afirmações “verdadeiras” que beira a sandice e teve até quem afirmasse que o Rio Grande do Norte vai virar mar, de tanta água que ainda está para cair até a quarta-feira de cinzas. Seu menino, se nem os antigos sinais emitidos pelas nuvens e pelos bichos estão conseguindo aprumar a mira, imagine nós, humanos sem noção. Bem, a imagem do satélite do Cptec/Inpe aí em cima conta um pouco do enredo do samba para os próximos dias, mas o cacoete dos bichos ainda está meio tímido. O torreame de nuvens está bem parrudo nos quatros lados do céu, os coriscos fazem ecoar o ronco surdo dos trovões e chuvaradas de fazer mear açudes fazem a alegria do povo do sertão, mas por enquanto, inverno para valer, não passa de uma abençoada esperança. Que venha o Carnaval!   

Deixa chover

imagemSe é o inverno que definitivamente mostra a sua cara pelo nordeste eu não sei, mas que vai cair um boa chuva pela região, abrandando a seca e o calor, isso da para ver claramente por essa imagem do satélite. Em Salvador/BA chove e relampeia há quase uma semana. imagem retirada do site: cptec/inpe