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Praia do Serafim

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Praia do Serafim, um paraíso potiguar localizado no litoral de São Bento do Norte/RN,  onde a presença do homem é quase uma raridade, a não ser, pela existência de alguns poucos ranchos de pescadores e a circulação diária de bugres e carros 4 x 4 carregados de turistas, que passam tão rápido que duvido que prestem atenção na beleza nativa ali exposta. Para a navegação o Serafim também passa despercebido, apesar de ficar entre o Farol de Santo Alberto e a Ponta dos Três Irmãos, que dá início a carta náutica até Cabedelo/PB,  porém, o navegador com um olhar apurado não deixará de perceber que a bela e paradisíaca baía oferece um excelente fundeadouro. São imagens dessa prainha maravilhosa que ilustram a postagem A praia.     

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Aviso aos Navegantes – Registro

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No mês de junho de 2015, através da postagem Aviso aos Navegantes e um alerta a DHN, acusei um erro de impressão, na longitude 38º, entre os paralelos 39′ e 40’, na Carta Náutica 1110, carta mestre da Baía de Todos os Santos. Hoje recebi um email do Centro de Hidrografia da Marinha, assinado pelo Capitão-Tenente Heldio Loures Perrotta, Gerente de Relacionamento com o Cliente, em que diz que a falha foi corrigida em Dezembro de 2015. Fico feliz e agradecido por minha observações terem contribuído com a Marinha do Brasil e consequentemente para a segurança da navegação.   

Prezado Sr. Nelson,
A título de atualização do tópico “Aviso aos navegantes e um alerta a DHN”  no blog “Diário do Avoante”, participamos que a falha apontada na carta 1110  foi corrigida no ano passado, por meio do Aviso aos Navegantes E 101/2015 – Folheto 12, pág. 41.
O Folheto 12/2015, no qual está inserido o Aviso, pode ser encontrado no link: 
http://www.mar.mil.br/dhn/chm/box-aviso-navegantes/avgantes/folheto/folheto122015.pdf
Desde já agradecemos pela contribuição e aproveitamos para divulgar o nosso canal de contato com o cliente cartografia@chm.mar.mil.br para futuras consultas, sugestões e críticas, uma vez que nossos processos são exaustivamente testados em busca de falhas e seu tratamento é
realizado a fim de trazer ao navegante o melhor produto cartográfico em prol da segurança da navegação a cada dia.
Respeitosamente ,
HELDIO LOURES PERROTTA
Capitão – Tenente
Captain – Lieutenant
CENTRO DE HIDROGRAFIA DA MARINHA
NAVY HYDROGRAPHIC CENTER
Gerente de Relacionamento com o Cliente
Customer Relationship Manager
“Qualidade na Produção, Segurança na Navegação”
Visite a página da Marinha na Internet –
www.mar.mil.br – onde poderão ser conhecidas as atividades desenvolvidas pela Marinha do Brasil.

O que eu uso

Enseada de Garapuá BaEnseada de Garapuá CCD GoldEnseada Garapuá BlueChart Carta oficialQuando me perguntam qual o melhor programa de carta náutica digital que conheço, não pisco nem o olho para responder: CCD Gold. Claro que muitos hão de discordar, porque cada um tem suas preferencias, razões e justificativas, mas para mim não existe nada mais perfeito para a navegação amadora, principalmente no litoral entre a Argentina e a cidade do Natal/RN. O Clube de Cartas Digitais – CCD Gold, fundado pelo argentino Rodolfo Larrondo, tem o propósito de corrigir a lacuna existente entre as cartas náuticas oficiais, que priorizam basicamente a navegação comercial, coletando informações – extremamente precisas – levantadas por inúmeros navegantes amadores. Para se aventurar em pequenas enseadas, barras, canais e rios o navegante amador, ao utilizar as cartas oficiais, navega praticamente as cegas devido aos detalhes do desenho da costa estarem mal representados. Veja nas imagens acima a enseada de Garapuá, litoral sul da Bahia: A primeira imagem é do Google Earth; A segunda é da Carta CCD Gold e a terceira é o mostrado em outro programa que utiliza a carta oficial.

Itacaré GoogleearthItacaré CCD GoldItacaré Carta oficial

Nessas imagens de Itacaré/BA, temos mais um flagrante do que acontece quando não estamos utilizando um programa de qualidade. A última imagem é de um GPS que utiliza a carta digital oficial. Claro que os novos modelos já trazem cartas bem atualizadas e quem navega em baías, rios e portos de interesse da navegação comercial não sente o problema com maior ênfase, mas basta se aproximar das margens para que se acender uma luz amarela na cuca. As informações da CCD Gold são atualizadas a cada ano, ou quando surgirem, que é uma raridade, possíveis erros. O Clube não tem fins lucrativos, mas os interessados em adquirir a carta paga uma taxa para cobrir custos de elaboração e atualização permanente. Na Bahia o representante oficial é o velejador Michael Gruchalski, (71) 99879797. Saiba mais acessando matéria, de 2008, no blog Popa.com.br e o link: CCDGPS.

Aviso aos navegantes e um alerta a DHN

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A Carta Náutica é a representação real do trecho de mar em que navegamos ou que pretendemos navegar. Nela está contida toda informação pertinente a navegação e são confeccionadas em escalas convenientes com a precisão que o navegador necessita. Com o advento do GPS e suas cartas digitais, a carta náutica de papel deixou de ser uma ferramenta de uso por uma grande parcela dos comandantes e muitos nem sabem como utilizá-las, porém, vale salientar que ela é item de segurança obrigatório a bordo. No Brasil as cartas náuticas são produzidas pela Diretória de Hidrografia e Navegação da Marinha do Brasil – DHN, que sempre primou pela precisão nas informações e muito raramente nos deparamos com surpresas desagradáveis que comprometam a segurança da navegação. Mas tem um detalhe, as cartas náuticas de papel são produzidas especificamente para a navegação comercial e militar, por isso o navegante amador se recente de informações detalhadas em rotas que passam ao largo da navegação comercial e por isso mesmo o sucesso das cartas digitais, em especial a CCD Gold que para mim é a mais perfeita. Mas nem por isso deixo de traçar minhas rotas nas cartas de papel e estudar com afinco minhas velejadas. Notem que grifei: “muito raramente”.

Carta Náutica 1110 (4)A imagem que abre essa postagem é da Carta 1110, a carta mestre da Baía de Todos os Santos, e que recentemente fui tomado pela surpresa ao me ver perdido em um mar de interrogações ao marcar um waypoint na longitude 38º, entre os paralelos 39′ e 40’, devido um erro de impressão na medida de distância existente no exemplar que atualmente está sendo comercializado.

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Na carta adquirida recentemente por aluno do nosso Curso de Vela de Cruzeiro, onde ensinamos os fundamentos de uma carta e a traçar rotas para um melhor planejamento de viagens oceânicas, a medida de distância na longitude 38º, entre os paralelos 39′ e 40’ está acrescida de meia milha náutica no gráfico. As linhas das longitudes estão corretos, mas a impressão fora do padrão induz o navegante a um erro, que se não for percebido a tempo, pode provocar acidentes com sérias consequências. Na imagem acima assinalei o problema com um círculo na Carta adquirida recentemente e com atualizações que indicam 2012. A Carta assinalada com um retângulo é mais antiga e não existe o erro. Portanto fica o alerta aos navegantes e a indicação para que o erro seja o mais breve possível corrigido. 

Primeira carta náutica com declinação magnética é portuguesa

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Faltou assunto? Então vai um:  

O modelo de carta náutica com linhas isogônicas, ou de igual declinação magnética, criada pelo inglês Edmund Halley, em 1702, é tida como a primeira publicação do gênero no mundo. Recentemente um modelo de carta criado em 1585 pelo cartógrafo português  Luís Teixeira, portanto 120 anos antes de Halley, passou a ser investigado por Henrique Leitão, físico e historiador de ciências, e Joaquim Alves Gaspar, especialista em cartografia da Faculdade de Ciências de Lisboa. Os cientistas confirmam que a carta de Luís Teixeira representa fielmente o magnetismo terrestre na época em que foi produzida. O mais interessante é que a carta do português não estava escondida e nem fazia parte de algum acervo particular, ela faz parte do Museu de Marinha e em 1960 foi reproduzida no Portugaliae Monumenta Cartographica, de Armando Cortesão. Veja mais no site: DN Ciência 

A Tempestade – Parte 5

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A peleja é grande, mas a história do velejador baiano Michael Gruchalski, que começou boa, vai se tornando a cada capítulo melhor. Nos capítulos anteriores; 01, 02, 03 e 04, a força das ideias e necessidade de dar seguimento ao barco fizeram a arte da improvisação aflorar a milhas e milhas da costa. Agora chegou a vez de enfrentar a natureza, com seus amuos e indecifráveis segredos.

A TEMPESTADE SE APROXIMA PARTE 1

Nesse momento, vi no horizonte, pelo leste, um ponto de luz. Provavelmente um barco de pesca. Não tinha certeza. Achei que, se fosse um navio, mesmo àquela distancia, já deveríamos estar vendo uma das duas luzes de navegação, a encarnada ou a verde. O motor do nosso veleiro zurrava macio há pelo menos vinte minutos e o rosto do nosso homem-leme irradiava satisfação. O conjunto homem-engenhoca guiava nosso barco mansamente sobre as vagas largas e calmas rumo à costa, a sudoeste, a uma velocidade segura e constante de cinco nós. Passados uns quinze minutos, reconhecemos as luzes difusas do castelo de popa do navio que passava ao largo. No centro dessas luzes, vi a luz encarnada de navegação indicando que passaria pelo nosso través por bombordo. Decidimos chamar pelo rádio, apenas para matar a curiosidade de saber quem era e para onde ia. Dependendo da receptividade, talvez ele pudesse dar alguma informação sobre aquela área negra que crescia lentamente escondendo uma a uma as estrelas pelo céu do Noroeste.

De informar sobre nossa trágica situação, à deriva durante dezessete horas, combinamos; nem uma palavra. De pedir ajuda, de esclarecer nossas dúvidas ou qualquer outra coisa que pudesse transmitir insegurança, expor o moral da tripulação: nada! Claro e evidente. Nosso problema estava resolvido. Naquele ritmo e velocidade estaríamos na barra de Aracaju em uma a duas horas, antes do amanhecer do dia seguinte e ainda teríamos que esperar o dia clarear para pedir ajuda a algum barco de pesca entrando ou saindo do rio para indicar-nos o caminho barra adentro. Também havia transito intenso dos barcos a serviço da Petrobrás que circulavam naquela área à nossa frente, cheia de plataformas.

Não tínhamos a carta náutica de detalhes de aproximação do canal do rio Aracaju. Além das imperfeições, a carta de papel só indicava as profundidades a partir da linha batimétrica dos oito metros. A barra podia ser muito perigosa pela existência de alto-fundos, pedras e bancos de areia móveis inexistentes nas cartas. Outro agravante: a correnteza. Não seria boa nem subindo, nem descendo. A melhor hora de investir a barra seria com a maré totalmente alta, morta. Bem morta e calma, sem correnteza alguma, se possível. Que bom seria se tivéssemos uma tábua de marés… É. Também não tínhamos ideia sobre a hora certa de investir a barra por falta daquela tábua da Marinha que todo barco deveria ter. Nós sabíamos apenas que se tratava de uma barra mais assustadora que a barra de São Cristóvão onde desagua o rio Vaza Barris, vinte milhas ao sul. Mais estreita, mais rasa e mais assustadora também por causa da existência, ao norte, dos arrecifes sempre espumantes da ilha da Barra dos Coqueiros. E, nós chegaríamos a ela, a Aracaju, vindos exatamente do norte, navegando muito próximos, paralelamente à costa e, avaliando a altura da maré pela marca molhada nas pedras… Era, sem dúvida, uma perspectiva de arrepiar. Continuar lendo

A Carta Náutica

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Para quem não sabe, ou não sabe que ainda existe, isso é uma Carta Náutica, o melhor e mais completo guia com informações sobre a área de mar que pretendemos navegar. Hoje muitos viram o rosto para as Cartas de papel e se alvoroçam em busca dos modelos de GPS saídos do forno. Mas as Cartas Náuticas estão ai, vivas, atuais, confiáveis, seguras e incrivelmente precisas. As Cartas brasileiras são editadas pela Diretoria de Hidrografia e Navegação do Ministério da Marinha (DHN) e ainda fazem parte dos itens obrigatórias dentro de uma embarcação. Todo navegador tem obrigação de cuidar bem de suas Cartas Náuticas e para isso existe até um ditado antigo que diz assim

Todo aquele que for capaz de colocar uma xícara de café sobre uma Carta Náutica, deixando sobre ela um indesejável círculo marrom é, certamente, uma pessoa que jamais poderá ser encarregado de qualquer assunto importante”.