Arquivo da tag: cachoeira

Sobre velejadores e índios – II

IMG_0244

– Aqui tem índio não. Onde já se viu índio com cabelo crespo!” Foi com essa frase de Lucia que encerrei o moído no texto que aprumou o rumo para que esse tivesse seguimento. Mas afinal, será que todo índio tem cabelo liso? A verdade é que os “papa mé” da Cachoeira dos Índios, tinham cara de índio não. Aliás: vida de índio nesse Brasil de meu Deus ficou difícil desde que por aqui aportaram uns marinheiros de fala esquisita e que navegavam numas canoas enormes mais perdidos do que cego em tiroteio. Deixa queto!

Outra verdade é que as reentrâncias desse nosso Brasil, tão jovem que ainda nem aprendeu a andar direito, é entupido de lugarzinhos arretados que só vendo. São recantinhos com enorme potencial turístico, mas que ficam enterrados sob os escombros indecentes de políticas que se dizem públicas. Quanto desperdício!

E já que embrenhei pelos campos férteis onde se misturam reclamações, pitacos e afins, vou corrigir algumas informações e desinformações da primeira parte dessa historinha barata. A primeira é que a Cachoeira dos Índios fica a 104 quilômetros da capital baiana e não 100 como escrevi. Aí você pergunta: E precisa corrigir por causa de quatro quilômetros a mais? – Claro que sim, pois vai que o cara resolve ir a pé!

A segunda é que na Linha Verde, uma estrada ainda arretada de boa e onde se lê nas placas que é proibido o tráfego de caminhões pesados, já podemos cruzar com verdadeiros mastodontes do asfalto. Não sei por que danado os homens que se metem a fazer leis, normas e regras em nosso país, assinam embaixo de um papel e não garantem as calças que vestem. A estrada Linha Verde, que foi projetada para o tráfego de veículos leve, muito em breve estará em estado calamitoso e tudo sob os olhares permissivos daqueles que se dizem autoridades.

A terceira é que acho bom você se adiantar em conhecer as bonitezas que ainda existem ao longo dessa estrada, porque a besta fera do progresso já se instalou de mala e cuia na região.

A Cachoeira dos Índios é um lugar que se fizesse parte da paisagem de países onde o certo é o certo e o errado é o errado, estaria ornamentando roteiros para visitantes abobalhados diante de tanta beleza. Os pretensos indígenas que lá estão, fazem parte do contexto desastrado onde nada precisa ser tão perfeito assim, mas a presença deles é a melhor ferramenta de acusação para se desmontar o teatro das “boas intenções” politiqueiras em que cada ator se diz o mais santo de todos. Vixi! Onde estou me metendo?

Só vai à Cachoeira quem tem espírito de aventura, mas isso a gente só descobre quando se vê diante de uma trilha interditada e recebe a informação do proprietário das terras de que o caminho é difícil e que ele acha que nosso carro não chega. – Tem nada não, vamos até onde der! O serviço da estrada foi concluído, o proprietário entrou em uma caminhonete tracionada e eu acelerei valentemente o Uno para acompanhar a tirada por entre a mata. Você deve estar pensando que esse foi um programa de índio e eu já me apresso em responder que foi sim, e de cocar e tudo.

Ao chegar numa clareira em meio a floresta, o homem parou e pediu que deixássemos o carro. Segundo disse, o nosso carro não teria condições de seguir adiante. E não tinha mesmo! Abandonamos o Uno em meio ao nada e pulamos na caçamba da caminhonete, porque não nos cabia na cabine que estava cheia de ferramentas. Se enroscando e tirando fino por entre as arvores, numa trilha morro abaixo que ninguém consegue enxergar, a caminhonete seguiu por uns dois quilômetros e eu imaginado como faríamos para voltar. Será que esse senhor acerta sair?

Paramos em outra clareira e o “índio chefe” informou que teríamos que continuar a pé e ele voltaria para a porteira. Lucia perguntou: – E a gente volta como até o carro? Ele respondeu rindo: – A pé! Lucia treplicou: – De jeito nenhum, o senhor pode tratar de nos esperar. Ele fez cara de muxoxo e concordou. Indicou o caminho e seguiu sendo o guia da nossa aventura. Atravessamos uma ponte de madeira, diante de uma paisagem de encantar, e depois de uns 200 metros estávamos diante da Cachoeira dos Índios, uma pequena cachoeira de águas cristalinas e frias. Uma barraquinha de madeira desocupada, que segundo o proprietário só funcionam aos domingos, quando funcionam, completa a cena.

Ficamos encantados e maravilhados com tanta beleza incrustada na mata. A água fria espalhava no ar uma áurea de frescor e paz. Deu vontade de mergulhar naquelas águas, mas infelizmente esquecemos no carro a roupa de banho e voltar toda aquela trilha a pé não era incentivo para ninguém. Sentamos em uma das mesas a beira do riacho e o proprietário falou das dificuldades de tocar aquelas terras, mas confessou que não pretendia fazer daquele lugar um terminal turístico, porque não tinha ajuda de ninguém e os frequentadores que se aventuravam a ir até lá nos finais de semana, não tinham o mínimo zelo com o meio ambiente. Confessou que não queria nem divulgação.

Depois de um bom tempo conversando embaixo das arvores, sentindo a frieza do ar umedecido e escutando o marulhar da água escorrendo nas pedras, tomamos a trilha de volta até a caminhonete. O proprietário nos deixou na clareira onde havíamos deixado o carro e antes de pegar a estrada, ficamos uns segundos escutando o sussurro do silêncio da mata.

Tem lugares que nos enche de paz e faz nossa bateria recarregar apenas com o respirar. Lugares em que a magia é parte viva da paisagem e que nos leva a um estado de pura reflexão. Lugares sem segredos, mas que escondem olhares ocultos a nos espreitar por entre as folhas. Lugar de seres invisíveis, mas que nos faz sentir o calor de suas presenças. Lugares em que buscamos respostas, mas que nos deixa cada vez mais carregados de perguntas.

A Cachoeira dos Índios é um lugar assim, mas em breve será apenas uma boa e vaga lembrança em meio ao caos do mundo urbano que avança a passos largos. Assim como tantos outros.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Anúncios

Sobre velejadores e índios

20151021_11592320151021_120208

Claro que ninguém imagina que morador de veleiro viva apenas nos circuitos ligados pelos oceanos, porque se assim fosse a vida a bordo não teria sentido. Já escutei velejador abri a boca para dizer que não tem para que conhecer as paisagens e cidades do interior, porque tudo é a mesma coisa e ele já soltou as amarras da vida urbana e não pretende retornar tão cedo. Ele encerrou o assunto dizendo que o negócio dele é o mar e ponto final. Pois não!

Tem velejador que chega ao destino, se aboleta dentro do barco e nem nada para o resto do mundo e ainda tem a petulância de dizer que conheceu tudo e sinceramente não viu graça. Não poderia ter visto! Tem alguns que aprumam o barco no rumo do Caribe e passam a toque de caixa pela costa brasileira afirmando que aqui não tem nada de bom.

Certa vez conheci um em Itaparica que dizia conhecer a Bahia de cabo a rabo. Perguntei se ele havia passado em Camamu e ele disse que sim. Perguntei se havia conhecido a Ilha de Campinho, as ilhas de Goio e Sapinho, se havia navegado até Marau. Ele disse que tinha ido somente até Campinho e que já estava de bom tamanho, pois tudo aquilo é uma coisa só. Danou-se!

Sem querer ser chato, perguntei o que ele havia conhecido na Baía de Todos os Santos. O cara olhou para mim e respondeu com um ar de quem é o rei da cocada preta: – Nelson, eu tenho dezenas de anos no mar e tenho experiência para dar e vender. Não preciso sair de Itaparica para saber o que é bom, porque se eu quiser conhecer basta acessar o Google. Além de que, essa Baía de Todos os Santos é pequena para a bagagem que eu tenho. Cabra bom!

Gostamos de bater perna pelos locais que jogamos âncora, conhecer pessoas, interagir com os nativos e principalmente conhecer a feira livre, mesmo que está seja apenas uma pequena banca. Se tiver uma padaria então! Esse é um costume que trouxemos das nossas andanças pelas BRs que cortam o nordeste. Entravámos em uma estradinha qualquer apenas para ver até onde ela iria. Tivemos um monte de surpresas, boas e ruins, mas tudo valeu a pena.

Na Baía de Todos os Santos podemos dizer que conhecermos bastante coisa, mas tem muito ainda a ser conhecido. Cada lugarzinho é único e nada se parece com o outro. Fico intrigado quando escuto alguns velejadores baianos denegrindo alguns fundeadouros, dizendo que tal lugar não merece ser visitado, que é sujo, que a água é barrenta, que venta muito, que o barco balança, que não tem o que fazer, que a água é fria, que venta pouco e mais uma série interminável de desculpas esfarrapadas. E tem até quem se vira para a gente para dizer que falamos bem dos lugares porque não somos baianos e não conhecemos bem. Alguns chegam a empinar o nariz na tentativa de nos desmentir. Deus é mais!

Rapaz, comecei o texto falando de uma coisa e agora já estou enchafurdando em outra. Acho melhor tomar o rumo de volta antes que caia sobre mim um temporal vindo das bandas do noroeste. Eu queria mesmo era falar de um bordo que demos quando pegamos a estrada, montados em nosso Unozinho de apoio, e fomos parar num lugar pitoresco batizado de Cachoeira dos Índios, localizado na estrada da Linha Verde, que liga Sergipe a Bahia, a 100 quilômetros de Salvador.

A placa indicativa sempre chamou minha atenção e várias vezes quis entrar para conhecer, mas foi a partir de um bate papo com o marinheiro Serrinha, no Angra dos Veleiros, que a vontade aflorou de vez. Serrinha disse que conhecia a Cachoeira, que vez por outra ia até lá com os familiares e que o banho era muito gostoso. Perguntei se havia índio mesmo e ele respondeu que tinha um que ficava cobrando a entrada dos visitantes. Vou lá! E fui.

Chegando a porteira demos de cara com três figuras com a cara que haviam tomado à última dose fazia poucos segundos. Um deles se apressou em mostrar a placa que indicava o valor de R$ 3,00 o ingresso por pessoa. Pagamos, procuramos saber quem dos três era índio e foi uma risadagem geral. O mais velho disse que de índio não entendia nada, mas de cachaça ele era bom. Tiramos algumas fotos com os “índios papa mé”, pegamos algumas, ou quase nenhuma, informações e aceleramos o carro pela estradinha de terra. Antes de seguir, um deles disse que mais na frente encontraríamos o “índio prefeito” e que esse nos diria tudo. Beleza!

Não seguimos nem 200 metros e tivemos que parar, porque a estradinha de terra estava sendo restaurada e veio um senhor perguntado se iriamos conhecer a Cachoeira, informou que era o proprietário e que esperasse um pouco que ele levaria a gente até lá. Olhei para Lucia e disse: – Pense numa tribo arretada! E Lucia disparou: – Aqui tem índio não. Onde já se viu índio com cabelo crespo!

Uma pausa para respirar.

Nelson Mattos Filho/Velejador

São Tiago do Iguape, um lugar imperdível

IMG_0072

Vamos lá: No dia 03 de Julho, na postagem “E nem choveu”, prometi contar qual foi o nosso destino depois que deixamos Salinas da Margarida e adentramos as águas históricas do velho Rio Paraguaçu. A imagem do Avoante ancorado em frente a uma igreja emoldurada por uma paisagem encantadora atiçou a curiosidade de muita gente. Confesso que desde que vi essa imagem em fotografias e roteiros náuticos da Bahia, fiquei tentado a navegar até lá, porém, por algum motivo alheio a razão, sempre deixei passar em branco a oportunidade, mas nunca abandonei a vontade. Dia desses o amigo e velejador baiano Haroldo Quadros me pediu para escrever um pouco sobre a Baía do Iguape e pronto, a vontade aflorou de vez.

IMG_0041 

São Tiago do Iguape, povoado pertencente ao município de Cachoeira e situado as margens da Baía do Iguape. Um lugar lindo e uma ancoragem mais do que perfeita para os amantes da vela de cruzeiro. Chegar até lá navegando é muito fácil e o canal, apesar de mais estreito do que grande parte do Rio Paraguaçu, oferece boa profundidade. Alguns waypoints precisam ser seguidos a risca, mas nada que ofereça maiores dificuldades e todas as coordenadas podem ser conseguidas em apenas um bate papo entre velejadores. Escrevi cinco textos sobre essa velejada que lavou a minha alma, mas por enquanto não posso publicá-los, porque foram escritos para a coluna dominical Diário do Avoante, que assino há mais de oito anos no jornal potiguar Tribuna do Norte, e a primeira parte sairá no próximo Domingo, 12/07. Na medida em que os textos forem sendo publicados prometo postá-los aqui.

IMG_0049IMG_0060 

Porém, não vou deixá-los com o doce na mão sem poder degustá-lo. Enquanto domingo não vem, contarei algumas passagens da nossa estadia e mostrarei algumas imagens desse povoado que nos deixou encantados e com planos de retornar muito em breve.

IMG_0033IMG_0039 

São Tiago do Iguape foi fundada em 1555 com a construção da primeira igrejinha construída pelos jesuítas. Os 460 anos de sua história contam um passado de prosperidade e declínio, como muitas cidades erguidas naquela época. A igrejinha virou Matriz, os jesuítas foram expulsos do Brasil, a economia vacilou e mudou de rumo, e a importante cidade do passado perdeu o prumo e o que era doce se acabou.

IMG_0020IMG_0053

O pequeno povoado, que se estende por trás da Matriz, vive da pesca artesanal, do dinheiro das aposentadorias e de pequenos comércios, como o de Dona Calú e Seu Jarinho. O casal nos foi indicado por velejadores baianos que outrora navegaram até Iguape. Calú e Jarinho são duas simpatias e fáceis da gente de apegar. Foi dito também que o lugar era rico em camarão e no dia seguinte a nossa chegada, recebemos a visita do Seu Lito, proprietário da canoa Carolina, outra simpatia e sempre pronto a ajudar o navegante, que nos ofereceu o crustáceo pego na hora. Fizemos a festa! Um fato engraçado foi que ele achou que éramos gringos, pois, segundo ele, há muito tempo não chega veleiro brasileiro em Iguape, somente estrangeiros. – Gringo, camarão!

IMG_0062IMG_0063 

Passamos três dias com o Avoante ancorado em frente a Iguape e o desejo era de ficar mais um bom pedaço, mas tínhamos que seguir viagem. O desembarque não é dos melhores, mas isso a gente releva com a maior boa vontade. Com maré baixa e como o fundo é de lama, o desembarque é muito desconfortável, porém, para não sujar os pezinhos, basta esperar a bordo, lendo um bom livro ou escarafunchando alguma manutenção de rotina, até que a maré cheia traga o conforto de um desembarque em grande estilo. Vou falar mais sobre o lugar, peço apenas que você tenha um pouquinho de paciência.

IMG_0014 

São Tiago do Iguape, um destino imperdível e um fundeadouro abençoado.

São Felix, a Ponte e o charuto

IMG_0041

Em nossa excursão rodoviária pelas cidades do Recôncavo Baiano, assim como aconteceu com Cachoeira, passamos na maior pressa do mundo também por São Felix, que dividem meio a meio um pedacinho do Rio Paraguaçu. Alias, um belo pedaço. Mas não tínhamos como deixar de ir até São Felix, pois atravessar a ponte que liga as duas cidades é a tentação de qualquer turista.

IMG_0043 

Batizada de Ponte Imperial Dom Pedro II, ela e de uma beleza e conservação ímpar, nesse nosso Brasil tão escandalosamente propenso ao abandono das coisas públicas. Atravessar seus 365 metros de extensão e escutar o barulho do piso metálico é uma emoção, ainda mais sabendo que aquele amontoado de ferro inglês resiste ao tempo desde 1885.

IMG_0092

Sobre a sua história existem várias versões e acho que acredito em todas. Porém, uma que me chegou aos ouvidos dias depois de ter ido até lá e ter cruzado a ponte nos dois sentidos, já que tinha mesmo que voltar, me intrigou e fiquei simpático a ela. Se é verdade eu não sei, mas se for boato eu também vou colaborar dando andamento a ele. Dizem que a Ponte foi um presente de Dom Pedro II ao povo de Cachoeira e São Felix, por essas duas cidades terem enviado o maior número de combatentes a Guerra do Paraguai, o maior conflito armado internacional da América do Sul. O Rei para agradecer a bravura dos valentes baianos não mediu esforços em ligar as duas cidades definitivamente.

IMG_0084

Mas São Felix é linda que só vendo e nós passamos batido nessa primeira visita. Não conhecemos quase nadica de nada, mas saímos de lá super satisfeitos e pronto para discutir quase tudo sobre charutos. Quase tudo!

IMG_0047

Charutos? Pois é, botamos o olho em cima dessa fachada belíssima, vimos que estava aberta e fomos entrando como quem não quer nada, pensando que lá dentro funcionasse apenas um museu.

IMG_0048

Logo na entrada deparamos com essa cena, que tomamos até um susto, porém, numa segunda olhada vimos que se tratava de uma obra de arte premiada. Passa cada coisa na cabeça de um artista que nem Deus dúvida! Uns passos mais adiante, ainda abestalhados com a grandeza do espaço, vimos uma escada e subimos. Pronto, lá estava o coração daquele belo prédio.

IMG_0049IMG_0050IMG_0052IMG_0053IMG_0054IMG_0056

Estávamos caminhando entre baianas e mesas de produção da fabrica de charutos Dannemann, uma das melhores do mundo, conhecendo seus segredos, curiosidades, números e apreciando seus aromas. “Fumar charuto é para quem tem tempo”. O nosso tempo já estava esgotado, pois pretendíamos pegar a estrada de volta ainda com o Sol iluminando o mundo. Mas curiosidade é um bichinho danado de bom, e quando Fabiola, nossa cicerone por naquele mundinho de folhas de tabaco, disse que podíamos experimentar os charutos e até fazer uso dos conhecimentos de um sommelier para tal, os olhos de Lucia brilharam de alegria e ela nem pestanejou para exclamar: Eu quero!

IMG_0067IMG_0072IMG_0075IMG_0078IMG_0079IMG_0082

A partir daí esquecemos a promessa de voltar ainda com o Sol caminhando no Céu e fomos escutar e seguir os excelentes ensinamentos de Luiz Cezar Araújo, sommelier de charutos da Dannemann, degustando um delicioso Panatela, charuto leve, que se fuma rápido e que cai muito bem para dois pretensos iniciantes na arte. “Charuto não se fuma, se degusta”. Aprendemos como acender, a não tragar, a distinguir as várias fases do charuto, o  porque de se manter a cinza longa, porque ele apaga insistentemente e até a não levantar e sair rápido. Aprendemos também que charuto não combina com toda bebida. Com vinho nem pensar! Passamos quase duas horas nesse aprendizado gostoso, aromático e muito interessante.

IMG_0066 

Mas antes de ir embora, ainda participamos do projeto Adote uma Árvore, uma iniciativa para reflorestar a região da Mata Fina, uma das áreas mais ameaçadas de extinção em todo Brasil. Para participar do projeto, apresentado por Daiane e Fabiola, bastou apenas preenchermos um cupom com nossos dados e depositar em uma urna. A Dannemann se compromete a plantar uma arvore e enviar ao nosso endereço um certificado informando a espécie plantada, em nosso nome, e informações do desenvolvimento da mesma.

IMG_0083

Como vocês viram, de São Felix não conhecemos nada, mas em compensação saímos quase mestres no produto final da folha do tabaco. E sabe de uma coisa: Estou quase achando que charuto cubano só tem fama.  

   

Em nosso giro pelo Recôncavo Baiano chegamos em Cachoeira

IMG_0033

O nosso giro pelos caminhos do Recôncavo Baiano era para ser em várias partes e aproveitando tudo o que as cidades tivessem para mostrar. Mas, como em tudo na vida, fomos tentados a absorver a síndrome do jaquísmo e seguimos em frente nos iludindo e tentando economizar tempo, porém, ficando em dívidas com nossos conhecimentos. Foi assim que depois de conhecer um pouco sobre a histórica Santo Amaro da Purificação, resolvemos seguir por mais 38 quilômetros e chegar até a heroica cidade de Cachoeira, que teve importante papel na história das lutas pela independência do Brasil.

IMG_0035IMG_0040 

Na sede de atalhar passamos por cima da história de Cachoeira, mas sem antes fazer alguns registros fotográficos do lugar que, segundo os anúncios oficiais, é o município baiano que mais preserva o patrimônio histórico e cultural. E tudo indica ser uma verdade.

IMG_0039IMG_0093 IMG_0097

Da velha Ponte de Ferro Dom Pedro II, inaugurada em 07 de Julho de 1865 e que até hoje está em uso, ligando Cachoeira a vizinha São Felix, passeado na história por belos e preservados casarões, e chegando diante da imponente Igreja de Nossa Senhora do Monte, nota-se claramente que Cachoeira tenta preservar sua identidade.

IMG_0101

IMG_0100

IMG_0098

Cachoeira, situada as margens do Rio Paraguaçu e com seu título nobre de Cidade Monumento Nacional, merece uma nova visita e sem a pressa que não precisávamos ter tido. Sua rica história que passeia serelepe entre todas as religiões, mas que tem nas religiões afro e no catolicismo sua maior força, eleva ainda mais sua importância. A história ainda conta que seu povoamento é atribuído ao português Diogo Alvares Correia, mais conhecido como Caramuru, mas os índios tapuios, os mesmos que habitavam Santo Amaro, marcaram presença nos idos anos 1000. Assim como em Santo Amaro, os tapuios foram expulsos pelos tupinambás, que parece ter sido os terrores da região. Cachoeira é isso: Cidade Heroica, Monumento Nacional e histórica. Caminhar em suas ruas é reviver um pouco do Brasil que já se foi.