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Retratos de um país de infinitos encantos

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Quando me propus a criar esse blog prometi, a mim, focar e navegar por temas que passassem ao largo dos traumas e problemas que maltratam o dia a dia do brasileiro, porque sempre vi o nosso Brasil bem maior e mais interessante do que tudo o que se divulga por aí. Muitas vezes sou cobrado e instigado a comentar sobre assuntos medonhos, de origens medonhas e produzidos por personagens monstruosamente medonhos, porém, respondo com um sorriso, sigo em frente, mas posso jurar que é difícil não aceitar o desafio. – Homi, sabe de uma coisa? – Deixe quieto! A imagem que ilustra essa postagem é do leitor Angelo Marcio Vale Silva, Areia Branca/RN, participante da segunda edição do concurso Meu Pôr do Sol no Diário do Avoante, é tem o título “Subindo o Rio ao Poente”. – Eita Brasilzão lindo de morrer! 

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UAI! Parte 11

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Peço que não se apeguem aos comentários desairosos, na página anterior desse relato, sobre o rio do Carmo que banha a cidade de Mariana, porque ele não está solitário no abandono. Todos os rios brasileiros, todos sem exceção, estão jogados a própria sorte e assim vamos seguindo em frente.

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Confesso que sabia pouco, ou quase nada, sobre a cidade de Mariana, até o desgraçado acidente da barragem inserí-la no noticiário mundial. O município com 360 anos de fundação e 59 mil habitantes tem um passado glorioso. Foi primeira vila, primeira capital, sede do primeiro bispado e primeira cidade a ser projetada em Minas Gerais. O nome é uma homenagem de Dom João V a sua esposa, rainha Maria Ana D’Austria. Em 1945 o presidente Getúlio Vagas concedeu a cidade o título de Monumento Nacional, por seu significativo patrimônio histórico, religioso e cultural.

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Chegamos a cidade pela estação do trem e sinceramente não gostei da parte moderna, porém, bastou uma breve caminhada para desembocarmos na parte histórica e sermos tragados pela magia da arquitetura colonial. Há quem diga que a arquitetura das cidades mineiras se repete, mas é aí que mora a beleza, porque é um conjunto de fazer inveja ao mundo e quase tudo em elevado grau de preservação. O centro histórico de Mariana é uma pintura dos deuses das pranchetas, onde se destacam a Casa da Câmara e Cadeia, as igrejas da ordem terceira de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo e um pelourinho, congregando assim os símbolos da justiça, poderes civil e religioso. Caminhar pelo bem cuidado largo ao redor dos monumentos é um momento de reflexão e mais um resgate da história do Brasil colônia.

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Como aconteceu nas outras cidades que visitamos, a nossa passagem por Mariana também foi meteórica e deixamos muito a ser visto, o que é um pecado para quem deseja conhecer Minas Gerais, um estado dotado de um acervo histórico fora do comum. Mas o tempo é o senhor da razão e a rotina de um turista depende de uma complexa engenharia para acomodar sonhos e desejos. Valeu ter caminhado pelas ruas de Mariana e ter visitado um pouco de suas entranhas. O munícipio é muito maior do que a tragédia que se abateu sobre ele e seu povo tem feito um esforço enorme para limpar a lama da irresponsabilidade sem ferir sentimento de amor-próprio. Tomará que o futuro reserve a cidade o retorno aos gloriosos dias que marcaram o passado e que a sanha dos interesses exploratórios dos homens siga por caminhos que foquem na retidão de caráter.

20160529_1152071 maio IMG_0004 (772)1 maio IMG_0004 (778)1 maio IMG_0004 (779)1 maio IMG_0004 (781)1 maio IMG_0004 (785)

No retorno a Ouro Preto, que ficou sendo nossa base na região, tivemos uma das melhores surpresas gastronômicas de toda a viagem. Ao caminhar pelo centro em busca de um restaurante para almoçar, fomos abordados por um guia e este indicou o restaurante Conto de Réis, localizado em uma íngreme ladeira, que só em olhar é capaz de levarmos um escorrego. O restaurante é instalado em uma senzala de um casarão do XVIII e apresenta no cardápio a mais tradicional e farta cozinha mineira. Inesquecível!

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O dia seguinte pegamos a estrada e descemos para o Sul para conhecer a região das manifestações, que envolvem as cidades de Prado, Tiradentes e São João del-Rei. No caminho entramos em Congonhas, cidade famosa por resguardar a escultural obra “Os Doze Profetas”, de Antônio Francisco Lisboa – o Aleijadinho. A obra é exposta no adro da Basílica do Bom Jesus de Matosinhos e se completa com as seis capelas que contam a Via Sacra de Jesus Cristo, formando um conjunto paisagístico de encantar. Outro destaque da cidade é o prédio da Romaria, que abriga museus e centro cultural, e sua história está ligada aos milhares de romeiros que visitam a cidade em uma das mais tradicionais festas religiosas de Minas, que a do Bom Jesus. A visita a Congonhas é imperdível.

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E por falar em Aleijadinho, a história do mais importante artista do barroco mineiro é envolta em um véu de lendas e controvérsia. A vida do artista é contada a partir de uma nota biográfica escrita quarenta anos após a sua morte e a vasta coleção de sua obra, mais de 400 trabalhos, carecem de comprovação documental. O apelido foi devido a uma doença degenerativa que não se sabe a causa. Aleijadinho, o maior e mais reconhecido artista plástico, morreu pobre, doente e abandonado, como a grande maioria dos gênios artísticos, na cidade de Ouro Preto, em 1814. A data de seu nascimento também carece de pesquisa, mas contam que ele nasceu em Vila Rica, em 1730.

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Deixamos Congonhas envolvidos pela beleza da obra dos Doze Profetas, mas não deixei de notar que aos pés dos profetas, sentado na escadaria da igreja, um velho mendigo estendia a mão em busca de migalhas. Seria um reflexo do final da vida do artista ou seria um retrato vivo dos profetas?

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A viagem segue!

Nelson Mattos Filho/Velejador

A jangada, o coqueiral e o mar

20160906_115028Isso é Brasil bem brasileiro. País de sol, mar, dunas e praias bonitas. Praias de um nordeste bem Brasil. Isso é Enxu Queimado, litoral do Rio Grande do Norte.

O Brasil que não enxergamos

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Nem só de mar e vento vive um velejador de cruzeiro, pois uma das boas coisas dessa vida meio errante de nômades dos oceanos e conhecer as maravilhas que existem em terra, e principalmente num país tão escandalosamente belo como é o nosso Brasil. Pode até ser que formamos fileiras para se espantar com os desmandos e a falta de princípios éticos tão comuns entre nós, mas tenho absoluta certeza que vivemos no melhor país do mundo e que, independe das cores vestidas pelo rei do momento. Precisamos sim de uma agenda positiva e que faça realçar o verdadeiro Brasil. Precisamos apagar das nossas telas o massificante rastro de violência desenfreada e que a cada dia tenta valorizar meia dúzia de apresentadores que babam de prazer em meio ao sangue derramando. Precisamos descarrilhar o trem fantasma que corre nos corredores de nossas casas legislativas e que descarrega livremente sua carga maldita nas nossas cidades. Precisamos sim, ver o Brasil que existe dentro do Brasil e não apenas aqueles que saltam aos olhos nas vitrines padronizadas dos shopping centers da vida. Adoro o mar, mas adoro também viajar pelas estradas que cruzam o nosso país. Hoje, sempre que posso, fujo das grandes BRs e me embrenho nas longínquas estradas que mostram o Brasil por dentro. Sigo por elas me sentindo mais brasileiro e feliz por estar conhecendo um Brasil ainda tão desconhecido. É por isso que me encanto sempre que vejo uma construção antiga embelezando as paisagensque margeiam as estradas, principalmente as igrejinhas tão isoladas pela nova fé dos homens. É muito comum passarmos por elas sem ao menos pisar levemente no freio para uma olhadinha de soslaio. Parar nem pensar! A vida não permite mais a contradição de uma parada para olhar a paisagem em volta. Mas, vamos em frente que esse post não era para colocar patriotismo barato na cabeça de seu ninguém, pois cada um sabe o que é o bom da vida. Era mesmo para mostrar essa bela igrejinha que enfeita a paisagem nas margens da BR 101, próximo a cidade pernambucana de Goiana. Ela fica nas terras que um dia pertenceu a Usina Maravilhas e que hoje serve de ringue para lutas do povo do campo. Muitas vezes, durante minha vida, passei pelo local e sempre me encantei com o cenário produzido pela natureza e a engenharia dos homens da fé. Nunca tive a oportunidade de parar, apesar da vontade não ter faltado, e sempre me cobrei por isso e sempre a igrejinha estava lá a me acenar. No mês de Maio de 2013, quando deixei o Avoante em Salvador/BA e peguei a estrada para ir a Natal/RN, não me contive e parei. Como é bonito o nosso Brasil! Deus seja louvado”.      

UM PAÍS ESTRANHO

O esporte a vela é o maior medalhista olímpico do Brasil, com 16 medalhas no total. Velejadores brasileiros participam das maiores competições a vela ao redor do mundo, com excelentes resultados. O brasileiro Torben Grael, maior medalhista brasileiro, no comando do barco Ericsson 4 foi campeão da última regata de volta ao mundo Volvo Ocean Race. O brasileiro Robert Scheidt bicampeão olímpico da classe laser nas olimpíadas de 1996 e 2004 e medalha de prata na olimpíada de Pequim na classe Star ao lado de Bruno Prada. Hoje esses dois verdadeiros campeões participam de mais uma grande regata do circuito mundial, a Louis Vuitton, como tripulantes do veleiro Luna Rossa e parece que ninguém se deu conta. Enquanto isso, uma seleção de futebol meia boca, com apenas um craque reconhecido e mesmo assim contundido, recebe todos os louros da nação.

E AINDA FALAM DO BRASIL

Navegando no site www.popa.com.br ví um post que chama a atenção pela displicência que comandantes de embarcações são tratados no Canadá, um país de primeiro mundo. Com um saldo negativo de mais de duzentas mortes por ano relacionadas apenas as embarcações de recreio, que tem mais de 6 milhões de proprietários, fizeram com que o Governo, somente agora, resolvesse tomar uma atitude. Os 6 milhões de usuários de embarcação de recreio, passarão por um exame com 36 questões com necessidade de acertar 75% da prova. A multa para quem não tiver a carteira de habilitação será de $250 para o piloto e também para o proprietário da embarcação. Serão aplicadas multas para falta de equipamentos de segurança e salvatagem. Hoje em dia qualquer pessoa pode comandar uma embarcação no Canadá e com qualquer idade. Viva o Brasil!

BRASIL RETALIA EUA E MERCADO NÁUTICO É ATINGIDO

Se o mercado náutico de produtos e peças importados já não era barato, com preços temperados com os altíssimos impostos de importação, agora parece que vai ficar ainda pior. Uma decisão da OMC – Organização Mundial do Comércio, autoriza ao Brasil aumentar as tarifas de importação de produtos americanos. O governo brasileiro anunciou uma lista de 102 produtos que deveram sofrer alteração de aliquotas. A mudança deve ocorrer no mês de Abril, mas até lá o governo americano espera chegar a um acordo com o Brasil. Barcos a motor produzidos nos EUA terão aumento de 100%, passando de 20 para 40%. A medida fala apenas em barcos a motor que não seja de popa, mas pelo navegar dessa grande nau chamada Brasil, já podemos prever o tamanho da tempestade que teremos pela frente.