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Instigando o leitor – O resultado

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No mês de abril, na postagem Instigando o leitor, lancei um desafio para ver quem seriam os três maiores comentaristas do blog em 2015 e o Antônio Carpes, um gaúcho/potiguar arretado de bom e que fala que nem o homem da cobra, ganhou disparado. Prometi premiar os três primeiros com os produtos produzidos por Lucia a bordo do nosso Avoante e quem sabe pode ser até uma porção dos deliciosos acarajés que ela faz como ninguém, mas aí eles teriam que embarcar com a gente pelos encantos do mar da velha e boa Bahia de santos e orixás. Vamos ver!

Quem foram?

O seu artigo mais comentado em 2015 foi Resquícios de um grito

Os 5 comentadores mais ativos:

 

O segredo

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Certo dia conversando com amigos sobre os muitos segredos quase “indecifráveis” do mundo náutico, me surpreendi vendo que não conseguia repassar, e nem convencer, quando eu falava que não existia segredos, o que existia era um mundo que eles não queriam enxergar.

Eu já tive todas essas dúvidas que hoje tento responder para as pessoas. Nunca imaginei que tudo fosse tão simples a ponto de procurar os segredos e não encontrá-los.

São tantas teorias repassadas como verdades, que todos se acham obrigados a duvidar do óbvio: Não existem segredos na vida no mar, a não ser aqueles que são guardados nos baús dos famosos e ferozes piratas. Será que eles também existem? Continuar lendo

Para o que vivem as pessoas?

Navegando na internet a gente sempre se depara com verdades e mentiras e, muitas vezes, ficamos parando em frente a tela do computador tentando entender esse mundo em que vivemos. Vemos muitas cenas interessantes, aprendemos muitas lições, nos emocionamos com pessoas, nos apaixonamos, ficamos irados,  assistimos violências e crueldades que há muito pensávamos excluídas do mundo, lemos muitas besteiras e também rimos muito. Assim, vamos adaptando a nossa mente para um mundo cada vez mais sem censura e sem restrições, um mundo que a cada dia têm suas distâncias encurtadas pelo maravilhoso mundo da net. O homem vive eternamente no mundo dos sonhos e a net, criada num sonho de algum maluco, veio para acelerar todos os sonhos possíveis do homem. Através da internet chego até você e mostro detalhes de minha vida que nunca sonhava mostrar e através dela tento passar alguma coisa que possa ajudar alguém, participando dessa grande corrente de reciprocidade que o mundo da internet possibilita. Foi navegando nessa rede que encolhe o mundo a nossa volta, que fui colher o filme contido no link abaixo. Ele faz parte de um post do Blog popa.com.br.  Copiando o editor do popa, digo também que a bela peça publicitária está fora do contexto do Diário do Avoante. Mas, veja o filme e se surpreenda olhando a sua vida de outra forma.

http://www.popa.com.br/_2011/IMAGENS/04/Dream%20Rangers.wmv

Natal. Até quando?

viagem de volta 013 Já estamos de volta a nossa terrinha papa-jerimum, muito próximo de onde o vento faz a curva, lá prás bandas da Ponta do Calcanhar. Nessa velejada de Salvador a Natal os ventos fizeram muitas curvas, a chuva nos deu poucas opções de ter um dia de sol e o mar se comportou como um grande baluarte apaziguador, nem muito manso e nem muito bravo, apenas o suficiente para demonstrar sua grandeza e a gente ficar sabendo quem manda no pedaço. O Rei Netuno é mestre nessas firulas! Saímos de Recife com uma vontade enorme de entrar em Itamaracá/PE e Cabedelo/PB, mas a velejada estava tão boa, que a vontade foi  sendo levada pelo vento leste. Vento de través, mar de Netuno e o Céu com aquele jeitão que iria colaborar dessa vez. Até a Lua cheia compareceu a essa festa de perfeição organizada pela natureza. Beleza! Restava apenas curtir a vida a bordo e se deleitar com tudo aquilo que estava ao nosso redor. Os amigos de Natal que nos acompanhava pelo SPOT logo perceberam nossa intenção  de cravar o rumo direto a cidade dos Reis Magos. Foi criado uma corrente de comunicação e a cada sinal emitido pelo SPOT se somava uma chamada pelo celular: “ …estamos acompanhando…”. Essa é a nova vida das comunicações no mar, a navegada vai sendo acompanhada milha a milha em tempo real e assim o mundo vai ficando cada vez menor. Depois de 35 horas estávamos entrando na famosa Boca da Barra de Natal, eram 2 horas da madrugada e quando olhei para o Céu a festa estava sendo armada: Chuva! Muita chuva! Foi assim em todos os Portos que chegamos e em Natal não haveria de ser diferente. Ao se aproximar do píer do Iate Clube do Natal vislumbramos dois vultos que nos esperavam debaixo daquela chuva da madrugada. Um era o vigia da noite Sr. Luiz, grande companheiro e anjo da guarda das noites que estamos ancorados em Natal,  o outro era o nosso amigo de fé Helio Milito, que mesmo debaixo de muita chuva não deixou para ninguém o prazer de nos dar as boas vindas. Às 3 horas da manhã estávamos sentados no palhoção do clube fazendo um avant-première do café da manhã que Dona Isolda e Sr. Eilson tinham programado para comemorar nossa chegada. O Avoante agora descansa tranquilo embalado pelas águas do Rio Potengi e assim concluímos mais uma etapa dessa nossa vida a bordo. Temos muito a quem agradecer, mas agora vamos apenas recolher as velas e olhar o horizonte do mar a nossa frente. Dormimos embalados no aconchego do Avoante, mas antes não deixamos de agradecer a Deus por nos ter encaminhado a esse maravilhoso mundo do mar. Lá no fundo de nossa alma o mar já começa a emitir os primeiros sinais de chamada. Espere um pouco amigo, a gente volta em breve!

Notícias quentes

viagem de volta 002 Depois de dois dias em Maceió, para recarregar as energias, voltamos ao mar embalados pela vontade de finalmente ter um trecho de bons ventos. A meteorologia ainda previa algumas chuvas isoladas e mar com agitação moderada, mas o vento estava programado, lá em cima, para ser favorável. E foi! Nessa subida da costa nordestina de Salvador até Natal não temos tido a boa vida de que tanto buscamos a bordo. Para começar, a proa do Avoante parece ter um imã para atrair o vento. Basta a proa apontar em uma direção e lá esta o vento todo sorridente. Teve uma hora que resolvi retornar, somente para ver a atitude sarcástica do vento, e para minha surpresa lá estava ele novamente. Pense num cara abusado! Mas, isso aconteceu de Salvador a Maceió. De Maceió a Recife a história iria ser pintada diferente. Deixamos Maceió numa manhã nublada, mas com o Sol se apresentando firme e colorido. Parecia que tudo estava programado para dar certo e às 125 milhas de distância seriam digeridas em grande estilo. Velas em cima, vento leste soprando na medida e o Avoante navegando à quase 6 nós de velocidade. A tardinha uma nuvem de chuva se apresentou e resolvemos recolher a vela Genoa e seguir apenas com a mestra. O Avoante não perdeu velocidade e ainda criou mais coragem, pois a velocidade avançou um pouco mais. A noite, sempre a noite, o vento soprou mais forte e a chuva tomou conta do pedaço. O Céu parecia que ia desabar e o mar ficou meio raivoso com todo mundo. Quando a coisa apertava, a gente aquartelava o barco no vento e esperava acalmar. Assim fomos pedindo calma durante a noite toda e tomando banhos de chuva na madrugada, que ainda bem não estava fria. Quando o dia amanheceu, pudemos observar de onde o grilo cantava. O mar estava virado num traque e o vento soprava de faroeste. Onda de 2,5 metros era fichinha de jogo de diversão e em cada crista, podíamos observar as que vinham a caminho. O piloto automático resolveu pedir um tempo e botou o rabinho entre as pernas. Eu, que até aquele momento estava apenas observando, tive que encarar a fera e me agarrei no timão, para somente largar em Recife.  Resultado: 26 horas de velejada de Maceió a Recife, muita chuva, muito vento, muito mar e ainda super feliz por estar pronto para velejar novamente. Hoje, se a vontade não passar, o Avoante levanta as velas em direção a Cabedelo/PB.

Um olhar invertido

Rio da Dona (1) O que tem para se ver naquele lugar?

Essa é mais uma pergunta que sempre ouço quando digo que estivemos em tal lugar e que as pessoas acham que não tem nada, é isolado e não vale à pena conhecer. Às vezes, ainda tento justificar levando para um lado romântico, saudosista e de interação com a natureza, mas meu interlocutor, mesmo assim, não baixa a guarda: “… pode até ser, mas não vale à pena…”. Nessas horas, eu acho melhor mudar de assunto há ter que dar munição a quem estar armado. O que acho mais interessante é que alguns desses interlocutores são velejadores e, por isso, acostumados a interagir com a natureza.

Não é fácil soltar as amarras que nos une as grandes cidades. O esplendor da vida freneticamente em movimento, os reclames insistentes da última moda, os barzinhos super transados, o filme do momento, o último capitulo da novela, o Big Brother, os compromissos sociais, os amigos, a família, o emprego, o salário, as chantagens emocionais e até o bichinho de estimação. Tudo isso é motivo para corromper o sonho de afogar tudo no mar e partir ao sabor dos ventos e das ondas.

Trocar tudo o que a cidade proporciona por apenas um belo recanto isolado de natureza é muita coisa. Muitos até querem, mas tem que ter pelo menos um mínimo pontinho de sinal do celular, um restaurante duvidoso, mas que sirva um bom petisco, o último lançamento forrozeiro de 2 anos atrás e os gritos da galera. Se não for assim não vale!

Uma vez ouvi um pai dizer que não iria passar o final de semana velejando até Camamu/BA, porque o filho estaria com ele a bordo e por isso precisava de mais agito. O filho era um marmanjo de 23 anos e ainda estava acompanhado da namorada. Navegar com o filho era uma felicidade e ele não poderia perder essa oportunidade. Continuar lendo

Carnaval no paraíso

Caros leitores, voltei do paraíso. Assim posso definir o Rio da Dona, um paraíso baiano e que poucos baianos conhecem. Os velejadores então, esses eu posso garantir que quase ninguém navegou por lá.  Não sei se Adão e Eva estavam tão felizes naquele paraíso cheios de pés de maçãs turbinadas com o sabor dos deuses do amor, mas se eles tivessem sido colocados no Rio da Dona, entupido de Robalos, Carapebas, Taínhas,  Ostras e muita paz, acho que o pecado teria outro sentido. Ainda vou deixar vocês com um pouquinho de curiosidade, pois agora a internet está muito lenta e não consigo postar muitas fotos e nem incrementar essa postagem, mas assim que a coisa melhorar eu vou presentear vocês com um texto e muitas fotos do nosso “Carnaval” no Rio da Dona.

O que você vai fazer no verão?

  Anc. Maria Guarda O verão já bate na porta do tempo para assumir todo seu reinado de cores e alegria. Muitas pessoas já iniciaram a migração de suas vidas para os alpendres ventilados das casas de veraneios, na esperança de passar alguns dias na companhia alegre de amigos, em gostosos bate-papos descontraídos sobre o cotidiano das cidades.

Um verão nunca é igual ao outro. O cenário muda como um palco de teatro ao abrir e fechar das cortinas. Um ano de intenso de trabalho, estudos e variantes, inverte o cenário e transforma os personagens. Essa é à roda da vida e dela ninguém escapa.

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10.000 Acessos!

AVOANTE I Quando me propus a montar esse blog a primeira preocupação que me veio a cabeça foi de não ter tempo ou assunto para atualizar todos os dias. Sempre achei que um blog, ou qualquer outro meio de comunicação, tem que estar sempre atualizado para se mostrar vivo e interessante aos leitores. Nada pior do que ler uma manchete de 3 dias passados ou entrar num blog ou site e ver que aquela página esta a dias sem nenhuma novidade. Hoje vejo que tenho conseguido espantar a preocupação inicial e que tenho correspondido aos leitores. Hoje tenho a felicidade de comemorar 10.000 acessos nos 8 meses que o Diário do Avoante esta no ar. Alguns podem até achar que não é muita coisa, mas para mim e para Lucia esses 10.000 acessos representam a melhor coisa na vida de uma pessoa: Amigos. Hoje só me resta agradecer: Muito Obrigado!

Casal arretado de bom!

Na semana passada a coluna Diário do Avoante, no jornal Tribuna do Norte, foi escrito pelos amigos e velejadores Hélio e Mara do veleiro Maracatu. Os leitores desse blog que não acompanham a coluna na  Tribuna do Norte, podem ler o artigo agora.

Hélio e Mara (3)

ZEN E A ARTE DE MORAR A BORDO

Hélio Viana – velejador

“A vista de um veleiro em alto mar remoça a gente no mínimo uns cento e cinquenta anos” – Mário Quintana, em Nostalgia

Quem já não sonhou em estar num barco ancorado em uma enseada paradisíaca, vendo um pôr-do-sol em um lugar antes desconhecido, com uma companhia agradável e um drinque gelado na mão? Sair por aí num barco a vela é um sonho de muita gente. Muitos sonham, poucos ousam.

Em março completamos 11 anos vivendo a bordo do MaraCatu. Nós estamos fazendo uma coisa que poucos chegam um dia a fazer. Isto é a aventura, se fosse fácil o mar teria engarrafamentos. Quando se chega a uma ilha, depois de dias em uma travessia movida a vento, e se encontra outro cruzeirista, de relance se tem certeza que ela ou ele passou por tudo que você também passou: as mesmas ondas, o mesmo pé-de-vento, o céu coalhado de estrelas, o pôr-da-lua. O mar nivela as pessoas.

O mais difícil é largar tudo e adotar mudanças de atitude quanto ao estilo de vida. Você está pronto para ser diferente? Quando, em uma noite fria de junho de 1999, largamos as amarras e saímos pela boca suja da barra da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, lembro que Mara chorou. O estresse da partida, pais e filho ficando no píer, aqueles temores atávicos de sempre: medo de se perder, medo do escuro e de estar diante do desconhecido. Calma querida, a liberdade inicialmente assusta.

Viver boiando é uma experiência que muda a forma de ver as coisas e a forma de nos ver como indivíduo e como casal. Abre-se mão de muitas coisas (alguns confortos, vários, descobre-se depois, não tão essenciais), mas se ganha em qualidade de vida. Passamos a ser mais dependente da natureza, dos verdadeiros elementos da nossa nova realidade: o vento, as nuvens, as marés, as estações do ano. Aprende-se a valorizar o simples. Às vezes, o mais simples não é o mais fácil. Mudam as prioridades: agora o consumo é guiado por critérios como leveza, utilidade e praticidade. Na última vez que Mara entrou num shopping não achou, para ela, nada que se enquadrasse nesses critérios e saiu de lá com um par de sandálias Havaianas… para mim.

É uma forma de facilitar o dia-a-dia construído dia a dia. A água de beber cai do céu, o vento é nosso motor, a energia elétrica vem do sol e a comida pode estar nadando aqui do lado. O barco de cruzeiro é um exemplo de consumo consciente de recursos naturais, longe do discurso político, motivado pela consciência ecológica e pela busca incessante da auto-suficiência.

O Brasil visto além da plataforma continental tem 8000 km de costa, perto de 24 mil quilômetros de rios, açudes e mares navegáveis. Manguezais exuberantes. Vivendo num país tropical, temos ótimas condições para velejar: os alíseos – ventos constantes que alisam o mar -, clima agradável, ausência de fenômenos meteorológicos extremos. Ah, e o povo da costa… Os caiçaras, os beiradeiros, os locais; todos com cultura e filosofia própria, aquele jeito único de levar a vida, a facilidade de fazer novos amigos.

A vela no Brasil é viável e pode não ser de elite. Planejamento, preparação e perseverança são palavras-chave para cruzeirar com conforto e segurança. Seja como hobby, esporte ou estilo de vida. Aumenta a auto-estima e estimula instintos primitivos já esquecidos pelo homem urbano. Reforça o espírito de equipe, nos torna mais flexível e tolerante com os outros.

Os cruzeiristas se frequentam, se convidam. É como uma confraria. Vivendo em um barco a liberdade não é uma simples sensação, ela simplesmente existe. Em vez de uma casa de praia temos uma casa de várias praias. Afinal num barco, sua varanda sempre dá para o mar.

Um barco de cruzeiro é um mundo completo e centrado e, para o olhar do velejador, é a paisagem que se move” – David e Daniel Hays, no livro Meu Velho e o Mar.