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Uai! Parte 8

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“Como pode o peixe vivo/Viver fora da água fria/Como pode o peixe vivo/Viver fora da água fria…” Talvez essa cantiga de roda seja a música que mais retrata a imagem da cidade de Diamantina/MG, pois Peixe Vivo, uma bela canção popular, foi o tema escolhido pelo seu mais ilustre morador, o presidente Juscelino Kubitschek, para marcar sua passagem pelo mundo e foi entoada por um enorme e emocionado coral popular durante o seu enterro.

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Diamantina tem o rosto e os trejeitos das minas gerais e, sem medo de errar, é uma das cidades que jamais deve ficar fora de um roteiro turístico pelas alterosas, sob pena do turista, ao comentar sobre a viagem com os amigos, ser visto com olhos atravessados de interrogações.

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O município de pouco mais de 47 mil habitantes, segundo dados estatísticos de 2014, e com 185 anos de fundação é dotado de uma beleza arquitetônica e cultural espetaculosa. O início de sua história se deu em 1713, nos áureos tempos do ouro e dos diamantes, e teve na pessoa do bandeirante Jerônimo Gouvêa que se apossou de um pedaço de chão ao descobrir uma grande quantidade de ouro na confluência do Rio Piruruca com o Rio Grande. O povoamento se deu em 1722 e se chamava Arraial do Tejuco e a partir de 1730 pegou a crescer e a florescer sua arquitetura. Já batizada Diamantina, em 1938 a arquitetura fascinante do seu Centro Histórico foi tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional e no final dos anos noventa a cidade recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Prêmio mais do que merecido, porque a cidade é um encanto! Continuar lendo

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Patrimônio da humanidade

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Lucia sempre diz que nunca devemos deixar de fazer aquilo que achamos que seja difícil e muito menos o que está ao alcance da mão, porque um dos piores sentimentos do homem é o arrependimento. No capítulo cinco sobre a viagem que fizemos a Minas Gerais falei que estivemos na Lagoa da Pampulha e não visitamos o seu maior tesouro que é a Igreja de São Francisco de Assis e muito menos o conjunto arquitetônico da Pampulha do qual a igreja é a maior estrela. Foi sim uma falha imperdoável! Essa semana li a notícia – para atiçar mais fogo a minha consciência arrependida – de que a Unesco, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, elegeu o conjunto arquitetônico da Pampulha, projeto do arquiteto Oscar Niemayer, formado pela Igreja de São Francisco de Assis, o Cassino, a Casa de Baile e o Iate Tênis Club, patrimônio cultural da humanidade. Agora o Brasil passa a ter 13 patrimônios culturais e 7 naturais. O Dalai Lama disse que devemos uma vez ao ano ir a algum lugar onde nunca estivemos antes, talvez para nos mostrar o quanto é infinito as belezas do mundo. Pois é, estivemos a poucos passos de estar diante de um futuro patrimônio da humanidade, mas a razão se esvaiu em meio as fogueiras da alma.  

Uai! Parte 5

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Quando idealizei escrever o relato da viagem que fizemos a Minas Gerais no mês de maio de 2016, na companhia do casal Sandra e Venício Gama, não imaginei que enveredaria por caminhos tão ricamente desenhados e margeados por tão belas veredas, becos e ladeiras. O chão de Minas, além de rico, é sagrado e por mais que a gente queira botar um ponto final na história, mais longe se torna o fim.

O compositor mineiro Marcus Viana cantou assim na música Pátria Minas: “… Pátria é o fundo do meu quintal/É broa de milho e o gosto de um bom café/É cheiro em colo de mãe/É roseira branca que a avó semeou do jardim/E se o mundo é grande demais/Sou carro de boi/Sou canção e paz/Sou montanha entre a terra e o céu/Sou Minas Gerais…”. Podem até achar que seja um ufanismo exacerbado, mas o que dizer de uma terra tão bem semeada de poesia, cultura e história e onde as tradições se agigantam em um sotaque encantador?

Em nosso giro pelas veredas da capital mineira faltou tempo para caminhar lento, porém, tínhamos que caminhar. Ao sair do Museu dos Ofícios e deixar para trás a Praça da Estação, nosso destino foi a da Lagoa da Pampulha e sua famosa Igreja que tem a cara e alma do mineiro.

A Pampulha ficou devendo a fama, ou melhor, está encolhida diante da desfaçatez dos homens. A Lagoa é bela por natureza, mas as cercanias têm um jeitão de abandono difícil de imaginar. Em suas quadras vimos belos casarões e inúmeros imóveis comerciais fechadas, ou com placa de vende-se ao aluga-se. Depois de dois giros completos em torno da Lagoa, sem conseguir parar para visitar a igreja de São Francisco de Assis – pois turista é bicho teimoso – decidimos matar a fome no primeiro restaurante que encontramos.

Na mesa do restaurante eu ficava imaginando a foto que tiraria do projeto saído das pranchetas premiadas do arquiteto Oscar Niemeyer, pois sabia que ali estava a obra que ajudou a florescer o brilho de Minas. Porém, os segredos dos homens passam por túneis difíceis de serem destrinchados e nos assuntos da fé, a alma ferve em um caldeirão azeitado de doutrinária desarmonia.

A boa regra de visitação turística, em seu primeiro artigo, diz que temos que ir primeiramente ao marco principal de um lugar e a partir daí traçar as linhas de direção. Como ir a Roma e não tentar ver o Papa? Como ir a França e não visitar a Torre Eiffel? Como ir ao Rio e não ir ao Cristo Redentor? Pois bem, fui a Belo Horizonte e não fui a Igreja da Pampulha, que está grafada em todos os símbolos oficiais da capital. Tomará que São Francisco de Assis me perdoe à desfeita.

Não saí da Pampulha entristecido, saí com a certeza que nossa viagem iria ficar faltando um pedaço, e pode até que não tenha sido mais delicioso, mas com razão, o mais vistoso. Pegamos a estrada em direção ao Mirante das Mangabeiras, outro ponto de visitação imperdível e onde poderíamos apreciar a Serra do Curral e vislumbrar a cidade de um ponto situado a mais de 1.300 metros de altitude.

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O Mirante está localizado no bairro das Mangueiras e ocupa uma fração de uma área de preservação ambiental por trás do Palácio do Governador. Uma guarita dá acesso ao parque e uma pracinha bem cuidada e dois decks levam conforto ao visitante. No Mirante não é permitido vendedores ambulantes e nem existem lanchonetes, portanto, o visitante tem que ir abastecido de pelo menos uma garrafinha de água, porque a subida é um pouquinho íngreme, mas nada que assuste um sedentário.

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Outra coisa que não deve faltar é uma máquina fotográfica ou um celular com bateria suficiente para umas boas imagens e postá-las imediatamente para amigos e familiares, como manda a regra da boa convivência nesses tempos modernosos. No mais, é escorar na balaustrada e curtir a paisagem que é bela. Se for um dia de céu limpo e no momento do pôr do sol, aí é desmantelo.

Na ida e na volta ao Mirante, passamos ao lado da Praça Israel Pinheiro, batizada popularmente como Praça do Papa, porque foi lá que João Paulo II rezou missa e ao olhar a cidade que se estendia lá embaixo, falou assim: “Que belo horizonte”. Na Praça do Papa foi erguido um monumento em homenagem a visita do pontífice e foi plantado um gramado maravilhoso e convidativo. O local serve ainda para realização de eventos artísticos e religiosos.

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Após um dia de visitação na bela horizonte e para fechar o dia com o sabor de Minas na boca, fomos até a Savassi tomar café com pão de queijo. À noite saímos para brindar a vida em um dos muitos restaurantes que fazem da capital mineira uma praça gastronômica da melhor cepa.

Êta trem bão!

Nelson Mattos Filho/Velejador

Uai! Parte 3

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“… Eu nasci no celeiro da arte/No berço mineiro/Sou do campo, da serra/Onde impera o minério de ferro…” Paula Fernandes

Se existe um lugar que não falta o que fazer esse se chama Belo Horizonte, cidade emoldurada pela Serra do Curral e elevada 852 metros acima do nível do mar. A capital mineira, no alto dos seus 119 anos, é um labirinto de cultura e história tão rico como as minas de ouro e diamante que lhe trouxeram riquezas. Não vá a BH, como ela é carinhosamente chamada, pensando apenas nos 14 mil botecos e nos milhares de restaurantes que oferecem cardápios que botam por água abaixo o mais xiita regime alimentar. Vá também, e calçado com um bom par de “conga”, com vontade explícita de bater pernas por museus, igrejas, praças e ruas, pois se não for assim, você vai ficar em divida com sua consciência. Consciência pesada é a peste!

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No terceiro dia de nossa viagem pelas paragens mineira, tiramos para conhecer um pouco da história da capital e sendo assim, desembarcamos em plena Praça da Liberdade, onde as coisas acontecem, e ficamos na indecisão de todo turista quando se vê cercado por tantos monumentos históricos. A Praça em si já é dotada de uma altivez sem igual e a cada ângulo visado os nossos brilham de encantamento. Jardins bem cuidados, pessoas passeando, outros apenas sentados nos bancos em longos e animados bate papo. Os que procuram uma vida mais saudável gastando o solado em suadas corridas e caminhadas. Alguns apenas olhando o mundo em volta e nos ali tentando entrar no clima de uma cidade convidativa, exuberante e com um sotaque arretado de ouvir.

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Como em um jogo de par ou ímpar, escolhemos o nosso primeiro destino nas cercanias da Praça e mergulhamos nos salões do Centro Cultural Banco do Brasil, um imponente prédio inaugurado em 1930 para servir de instalação para a Secretaria de Segurança e Assistência Pública, porém, o órgão foi extinto na data da inauguração. No mesmo ano de 1930 o prédio passou a ser sede do Comando Geral das Forças Revolucionárias. Tempos depois acomodou a Secretaria de Defesa Social e a Procuradoria Geral do Estado. Em 2009 foi iniciada ampla reforma e em 2013 foi inaugurado o Centro Cultural Branco do Brasil que tivemos a alegria de visitar.

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Com amplos corredores e salas com um acervo espetacular, o museu ocupa uma área de 8 mil metros quadrados e diante de tantos e relevantes registros históricos, fica quase impossível apressar o passo. O resultado é que o relógio anda e a gente fica perdido entre o que ver após sair de lá. Ainda mais que eu me ative com a amostra do artista Nuno Ramos, intitulado “O Direito à Preguiça”. Claro que não é o que você está pensando, foi apenas que gostei.

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Novamente de volta aos bancos da Praça, miramos na fachada de um prédio localizado na esquina da Alameda da Educação com a Gonçalves Dias, caminhamos em sua direção e descobrimos ser o Memorial Minas Gerais – Vale, mais um museu incrivelmente encantador e que leva o visitante a conhecer um pouco mais sobre a história e as características do Estado.

20160526_113344O prédio, inaugurado em 1897 para ser a Secretária de Estado da Fazenda, por si só já é uma coisa de ser admirada de boca aberta e a história contada de forma interativa nos 31 espaços do museu nos deixa babando. Descobrimos que foi naquele espaço que foi lançada a pedra fundamental de Belo Horizonte. De sala em sala, de corredor em corredor e de escada em escada vislumbramos as obras de Guimarães Rosa, Carlos Drummond, Milton Nascimento, Sebastião Salgado e outros mineiros famosos.

20160526_11335920160526_113439Passeamos pelo panteão da política mineira, pelo ativismo dos heróis da inconfidência, pelos anais da construção da cidade, pela riqueza do ciclo do ouro, dos diamantes, arregalamos os olhos e rimos com as incríveis lendas urbanas e sentimos a força da fé que protege um povo. Toda a história mineira está apresentada e representada nos salões do Memorial e a vontade era de permanecer horas infinitas escarafunchando tudo nos pormenores, mas o relógio não parava, a fome apertava e ainda tínhamos muito a caminhar e conhecer.

20160526_113554E agora? Vamos prá onde? Lucia bate o pé e diz querer conhecer o Museu de Arte Popular Cemig. Vamos! Não vamos! – E a fome? – É bem ali do outro lado! – Então vamos, mas bem ligeirinho! – E os outros museus e obras do Circuito Liberdade? – Vai ficar para outra vez, pois dá tempo não!

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O folheto anuncia que o Museu de Arte Popular é um mergulho na cultura de raiz e fica na Rua Gonçalves Dias, 1608, parede e meia com a Praça da Liberdade. Caminhamos até lá e demos com o nariz na porta, pois estava fechado. Lucia ficou entristecida e para compensar, decidimos ir ao Mercado Central para pegar o rango e conhecer um pouco de sua fama.

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“… Meu caminho primeiro/Vi brotar dessa fonte/Sou do seio de Minas/Nesse estado, um diamante…”

Nelson Mattos Filho/Velejador

Uai! Parte 2

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“… Velejar, velejei/No mar do Senhor/Lá eu vi a fé e a paixão/Lá eu vi a agonia da barca dos homens…”

Diz à lenda que na Bahia a pressa caminha a passos muito lentos, se assim for, nada será mais produtivo do que viagem de baiano a Minas Gerais. Nas Alterosas quem andar com pressa perde a essência da visita.

Encerrei o texto anterior falando do Instituto Inhotim e da beleza sem igual que existe em seus domínios, porém, falei tão rápido que agora me vi perdido sem saber se estava caminhando para frente ou para trás. Pera lá que eu não sou baiano, mas é bom dizer assim: Prá que essa pressa meu rei?

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O Inhotim é um programa de um dia ou mais e para ser bem aproveitado a pressa tem que ser deixada na portaria. O museu é dividido em rotas, que a administração chama de eixos, e nos eixos, que tem as cores laranja, amarelo e roxo, estão cravadas as galerias, as obras, os jardins e os serviços de apoio ao visitante. Dois restaurantes dão suporte gastronômico da melhor qualidade e com preços convidativos. Na recepção uma diversificada lojinha de souvenir não deixa ninguém esquecer que esteve por lá.

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Na minha singela opinião, a visita deve ser feita a pé e retirando da proximidade estonteante da natureza o máximo de aproveitamento. São tantos recantinhos saudáveis, aconchegantes e envolvidos em um misterioso silencio ensurdecedor, que duvido ter alguém que não se pegue refletindo nos segredos da vida. As galerias nos transportam a um mundo de idéias jamais imagináveis na cabeça de um pobre mortal. São artes saídas da visão de artistas que expõem ao mundo a mistura da beleza com a crueza da vida e da morte, sem se perder no vazio da incógnita. Tudo ali é fantástico!

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Mas se o visitante preferir poupar as pernas e as reflexões, que foi o nosso caso, basta comprar um bilhete para os carrinhos movidos à energia elétrica que dão um empurrão em alguns pedaços do percurso. Fizemos essa escolha para adiantar o passo, porém, ficamos tão fascinados com a paisagem, com as galerias e com as esculturas expostas ao ar livre, que o dia passou e não conseguimos conhecer tudo.

1 maio IMG_0004 (68)1 maio IMG_0004 (73)Inhotim. – E de onde saiu esse nome tão estranho? Uai, é muita história! Existem vários contos para o mesmo tema, mas nada é comprovado. Uns dizem que se originou em um minerador inglês chamado Sir Timothy que teria morado na área onde hoje é o Instituto. Aportuguesaram o Sir que virou Senhor, que amineiraram de Nho e o Timothy apequenou para Tim. Juntaram o Nho com o Tim e deu no que deu.

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Outra vertente caminha no rumo, e existe um registro comprovado nos idos anos 1865, de um lugar chamado nhotim, onde morava um certo João Rodrigues Ribeiro, filho de Joaquim, e que a localidade foi grafada como Nhoquim. Será?

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O nome Joaquim aparece ainda em uma história contada por uma antiga moradora de Brumadinho, mas que tem também o personagem do Sir Timothy e essa mistura de nome descambou em Inhotim.

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E como cada conto gera outro conto e entre uma pitada e outra o mineiro vai acrescentando mais contos, tem quem aposte num outro inglês, que andou chafurdando pela região entre os anos 1868 e 1886, que se chamava James Wells. Conta o conto que ele conversou com um escravo que caminhava pela estrada e o negro só balançava a cabeça e respondia: “N’hor sim”. Eita mundo velho cheio de história!

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Eu me ative nessas explicações ao visitar o site do Instituto, que tem dados colhidos pelo Centro Inhotim de Memória e Pesquisa, criado em 2008 para resgatar histórias e tradições da região. O Inhotim interage com tudo que está em seu entorno. O Instituto é quase completo nos detalhes. Eu disse quase, pois sentimos falta de informações, como nome, na grande maioria das arvores que formam o parque. Questionei sobre isso com alguns funcionários e eles disseram que os estudos já estavam em andamento e muito em breve a flora estará devidamente batizada.

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Falar da grandiosidade e beleza do Instituto Inhotim é fácil, até porque um museu inserido em uma área 140 hectares de terra merece o reconhecimento. O Inhotim recebe visitantes de várias partes do mundo e de diferentes formações acadêmicas. Mais de 2 milhões de visitantes já caminharam em seus eixos e galerias e hoje, olhando para trás, sinto saudade e uma pontada de tristeza em não tê-lo conhecido por completo. Quem sabe um dia!

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O carioca Milton Nascimento, o mais mineiro dos mineiros, na letra da música, Paixão e Fé, que copiei a estrofe que abre esse texto, canta assim: “… Já bate o sino, bate no coração/E o povo põe de lado sua dor/Pelas ruas capistranas de toda cor/Esquece sua paixão/Para viver a do Senhor…”

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O povo mineiro é pura fé, portanto, vamos a ela!

Nelson Mattos Filho/Velejador

Uai! Parte 1

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“… Oh! Minas Gerais/Quem te conhece/Não esquece jamais…”.

Foi durante um almoço com os amigos Venícios e Sandra Gama, em um restaurante de comida mineira localizado em Natal/RN, que surgiu a ideia de conhecer a Terra das Alterosas. Na verdade não sabíamos bem o que visitar, porque quando se fala em Minas logo vem em mente o pão de queijo, o doce de leite, o tutu, os apetitosos torresmos, as igrejas seculares, o fantástico conjunto arquitetônico, as serras, a inconfidência, o fenomenal trabalho de Aleijadinho, Juscelino Kubitschek, as cachoeiras e a cachaça. Queríamos conhecer tudo e mais um pouco, pois queríamos caminhar pelas estradas onde pisaram reis, rainhas e por onde foi transportada a riqueza monumental do ciclo do ouro e do diamante.

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A proposta inicial era alugar um carro em Salvador/BA e se embrenhar pelos caminhos do interior, passar pelas belezas da Chapada Diamantina, até desembocar na capital mineira para decidir o que fazer depois. A viagem seria no começo de maio de 2016, mas os desatinos da vida nos fez rever metas, reavaliar razões e assim, a viagem foi marcada para o finalzinho do mês das mães e não mais de carro a partir da Bahia. Para ganhar tempo, iríamos de avião de Salvador a Belo Horizonte e chegando lá alugaríamos um carro para escarafunchar as Alterosas. Venícios e Sandra sairiam de Natal. E assim foi!

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Não é fácil montar o roteiro turístico pelas paisagens de Minas. Por mais que a gente tente se esmerar no rumo a seguir, sempre ficaremos em débito com a vontade. Na ânsia de conhecer o máximo possível em oito dias de visita, mergulhamos nos sites tipo, “o que fazer em tal lugar”, e avaliamos o que poderia ser feito. As rotas do ouro e do diamante são imperdíveis e é um pecado não fazê-las. Os circuitos da fé, da arquitetura, do barroco, dos museus, das praças, das cachoeiras e da ecologia também. E os restaurantes e barzinho que compõem a vida noturna da capital? Nada que tem a grife Gerais deve ser descartado. Aliás: Pode, mas não deve.

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E foi numa noite fria que desembarcamos em Belo Horizonte para o primeiro contato com uma cidade que nos chamava para um abraço. Mais do que depressa, pois não queríamos perder tempo, deixamos as malas no hotel, tomamos um banho e saímos para as calçadas da Savassi – região nobre, situado no centro sul da cidade e famosa pelo grande número de botecos.

20160527_103424Já que estou falando de um estado que é uma das fontes da história brasileira, acho melhor dar o primeiro mergulho: Nos anos 30 existia uma padaria, na Praça Diogo de Vasconcelos, no bairro dos Funcionários, batizada de Savassi e de propriedade do italiano Amilcare Savassi. Com o decorrer do tempo a praça ficou conhecida como Praça da Savassi e consequentemente toda a região agregou o nome. Na calçada da padaria se reunia diariamente um grupo de rapazes, famosa por suas peripécias noturnas, que ficou conhecido como Turma da Savassi. Pois bem, com tantos motivos o nome pegou e ficou.

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Foi na região boêmia que demos o ponta pé inicial nos segredos do mundo gastronômico mineiro. A porta de entrada foi o boteco Redentor, localizado na Rua Fernandes Tourinho, 500, que tem chope da melhor qualidade, cardápio delicioso e atendimento de primeira linha. Aliás, o atendimento em Minas Gerais me chamou atenção pela excelência.

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No dia seguinte, pegamos a estrada até o município de Brumadinho e de lá rumamos para visitar uma das joias da coroa mineira, mas sinceramente, até então esta não estava recebendo tantas estrelas indicativas no guia que havíamos montado. Fomos assim meio sem muita vontade de ir, mas ao chegar, nos deparamos com um magnífico memorial ao meio ambiente emoldurando um suntuoso, instigante e um dos mais relevantes acervos da arte contemporânea do mundo.

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O Instituto Inhotim, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, foi idealizado pelo empresário mineiro Bernardo de Mello Paz nos anos 80. Mello Paz doou sua propriedade para o projeto ao receber incentivo do escultor pernambucano Tunga, natural de Palmares/PE. O escultor tem um acervo maravilhoso em uma das fascinantes galerias do museu.

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Tudo no Inhotim é fora do comum e raro de ser encontrado em outros lugares mundo afora. Se você não gosta de arte, vá até lá. Se você não gosta de árvores, vá. Se você não gosta de caminhar, vá. Se você não gosta de paz, vá. Se você não gosta de silêncio, vá. Se você não gosta de nada, vá. Pois tenho certeza que você se encontrará no Inhotim.

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O Brumadinho fica a pouco mais de 50 quilômetros de Belo Horizonte, mas não pense em sair da capital muito tarde, porque a visita é um programa de uma manhã e uma tarde e dificilmente você desejará ir embora.

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Fui gostei e muito em breve quero voltar, pois não vi tudo. O Inhotim é apaixonante. Como bem disse a amiga Lourdinha Oliveira, quando soube que lá estive: “… um sonho de consumo”.

Nelson Mattos Filho/Velejador