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É assim!

03 - março (441)

“Navegar é uma atividade que não convém aos impostores. Em muitas profissões, podemos iludir os outros e blefar com toda a impunidade. Em um barco, sabe-se ou não. Azar daqueles que querem se enganar. O oceano não tem piedade.” Eric Tabarly, em Memórias do Mar

Copiado do Facebook do velejador Ricardo Amatucci

Uma foto por dia

03 - março (413)

A esperar

Tradições Navais

03 - março (3)

CONHECEDO NAVIOS E BARCOS

Um navio é uma nave. Conduzir uma nave é navegar, ou seja, palavra vem do latim “navigare”, “navis” (nave) + “agere” (dirigir ou conduzir).

Estar a bordo é estar por dentro da borda de um navio. Abordar é chegar à borda para entrar. O termo é mais usado no sentido de entrar a bordo pela força: abordagem. Mas, em realidade, é o ato de chegar a bordo de um navio, para nele entrar.

Pela borda tem significado oposto. Jogar, lançar pela borda.

Significado natural de barco é o de um navio pequeno (ou um navio é um barco grande…). Mas a expressão poética de um barco tem maior grandeza: “o Comandante e seu velho barco” ou “nosso barco, nossa alma”. Barco vem do latim “barca”. Quem está a bordo, está dentro de um barco ou navio. Está embarcado. Entrar a bordo de um barco, é embarcar. E dele sair é desembarcar. Uma construção que permita o embarque de pessoas ou cargas para transporte por mar, é uma embarcação.

Um navio de guerra é uma belonave. Vem, a palavra, do latim “navis” (nave, navio) e “belium” (guerra).

Um navio de comércio é um navio mercante. A palavra é derivada do latim “mercans” (comerciante), do verbo “mercari” (comerciar).

Aportar é chegar a um porto. Aterrar é aproximar-se de terra. Amarar é afastar-se de terra para o mar. Fazer-se ao mar é seguir para o mar, em viagem. Importar é fazer entrar pelo porto; exportar é fazer sair pelo porto. Aplica-se geralmente à mercadoria.

Encostar um navio a um cais é atracar; tê-lo seguro a uma boia é amarrar, tomar a boia; prender o navio ao fundo é fundear; e fazê-lo com uma âncora é ancorar (embora este não seja um termo de uso comum na Marinha, em razão de, tradicionalmente, se chamar a âncora de ferro – o navio fundeia com o ferro!). Recolher o peso ou a amarra do fundo é suspender; desencostar do cais onde esteve atracado é desatracar; e largar a boia onde esteve é desamarrar ou largar.

Arribar é entrar em um porto que não seja de escala, ou voltar ao ponto de partida; é , também, desviar o rumo na direção para onde sopra o vento. A palavra vem do latim “ad” (para) e “ripa” (margem, costa). Fonte: Marinha do Brasil

Um barco, uma paixão

Roberta Izabella 1

O texto hoje é da velejadora Roberta Izabella, almiranta do veleiro Argos, e reflete o poder da magia que existe a bordo de um veleiro. Obrigado Izabella por compartilhar esse fascínio com nossos leitores.

É ASSIM!

Eu realmente preciso parar de ler Freud… Quase um mês em terra e muitos quilos a mais. Quilos de comida boa e cabeça cheia de vento. Tenho 36 anos, dos quais, 35 e alguns meses muito bem vividos em terra firme. Brinquei, estudei, acumulei, planejei, viajei o mundo, voei alto… Ter um barco é incrível e torturante ao mesmo tempo. Vivi dez meses no mar e tudo foi mais intenso e real do que todo o resto da minha vida. Naveguei, velejei um pouco, descobri que o vento nunca está na direção e intensidade certa, passei fome – não de comida -, mas de vontade. Tinha tantos roxos na perna que se fizesse exame de corpo e delito prenderiam meu barco pela Lei Maria da Penha. Conseguia bater a cabeça sempre no mesmo lugar, escorreguei, caí, passei frio – porque a âncora só solta à noite e na chuva –, carreguei tantos galões de água doce que dava pra encher o Cantareira. Remei contra a corrente, bebi água do mar, tomei banhos de diesel, aprendi a odiar as bombas de porão, descobri que guinchos servem para quebrar na hora de recolher a âncora no perrengue, o rizo da vela nunca dá certo e sempre sobra um pedaço. Aprendi a sair com roupas saídas de uma garrafa e ir ao shopping sem ligar pra nada. Descobri que por mais que se compre parafusos e braçadeiras, nunca se tem o tamanho que se quer. Sangrei as mãos com os cabos das velas, aprendi que vazamentos são como o ar que respiramos e estão sempre lá, haja o que houver. Por mais que se tente arrumar o barco nunca se acha o que se quer na hora que quer, em suma, tudo quebra o tempo todo, é isso! Você passa dias arrumando, limpando, procurando, chorando, rezando e às vezes relaxa e se diverte. Daí estava pensando na famosa frase Navegar é Preciso, Viver não é Preciso. Pois é, não é que é isso mesmo!!! Devo ter sérios problemas, porque preciso dele, vivo por ele, sinto necessidade dele, ele é meu e eu sou dele, ainda morro por ele, não sou ninguém sem ele… Meu barco é um pedacinho de mim e acho que o melhor.

Roberta Isabella/Velejadora

Veleiro Argos