Arquivo da tag: bairro da ribeira

Carne de Fumeiro é a cara da Bahia

20160115_105453

Para quem viaja a Bahia achando que vai comer apenas moqueca, acarajé, abará, caruru e tudo temperado com o fogo ardido do mais puro molho lambão, é bom tratar de ir apurando o paladar para saborear um produto da mais pura culinária baiana e que passou despercebida das letras e versos dos grandes autores das terras do Senhor do Bonfim. Vai uma carne de fumeiro hoje freguês? A carne de fumeiro tem sua grife mais famosa na cidade de Maragojipe, uma das joias preciosas do Recôncavo, e por isso dificilmente você compra alguma em Salvador que o vendedor não garanta que ela venha de lá. A carne de fumeiro que é talvez o produto mais original da culinária baiana e é produzida com carne de porco. A defumação é uma técnica ancestral e totalmente artesanal, onde a carne é cortada em mantas e exposta a fumaça do pau de pombo para desidratar e ter a superfície selada, para evitar que estrague. Alguns antigos moradores da região não usam a palavra defumar e sim moquear, que é uma expressão indígena para a técnica de desidratar carnes e peixes. O sabor da carne de fumeiro é único e delicioso, e ai daquele que for a Bahia e não provar da iguaria.

20160108_09240120160115_10561620160115_10572620160115_10563820160115_105604No calçadão do bairro da Ribeira todas as sextas-feitas acontece uma feirinha que já virou tradição do bairro. Lá podemos encontrar produtos de excelente qualidade oriundos das cidades do Recôncavo Baiano, como as deliciosas, carnes, farinhas de mandioca, beijus, farinhas de tapioca, biscoitos, dendês, pimentas, frutas – como a jaca, que fez a alegria dos colonizadores –, verduras e tudo vendido com uma simpatia que só vendo. Aliás, simpatia é o nome de um dos mais famosos feirantes do pedaço e que já está por lá há mais de trinta anos. O passeio a feirinha da Ribeira é completo, pois além das compras, você vislumbra uma das mais fascinantes paisagens de Salvador e para quem é do mar, ainda tem o prazer de apreciar belas embarcações que refletem a história das navegações na Bahia. Vá lá e comprove!

Anúncios

A Península de Itapagipe

8 Agosto (216)

A Península de Itapagipe, onde está localizado o bairro da Ribeira, em 2009 foi considerado, em votação feita na internet, um dos sete lugares mágicos de Salvador e é dotado de uma beleza ímpar de se ver. É na Península que está a Igreja do Senhor do Bonfim, o hospital, as obras sociais e o memorial de Irmã Dulce, O Monte Serrat – um dos mais belos recantos da capital baiana, a Ponta de Humaitá – um dos cartões postais da Bahia, a Praia da Boa Viagem e uma das orlas mais animadas da cidade e que tem na segunda-feira seu dia de maior alegria. É na Ribeira que baianos e turistas se deliciam na famosa Sorveteria da Ribeira, nas inúmeras pizzarias que servem pizzas com massa de batata, nos tradicionais botecos, nos pasteis e num calçadão que é um verdadeiro convite ao ócio.

01 Janeiro (66)01 Janeiro (69)10 Outubro (186)12 Dezembro (101)8 Agosto (217)7 Julho (91)

Os bairros da Península de Itapagipe ainda conservam um ar interiorano e ainda podemos ver moradores com cadeiras nas calçadas em animados bate papos com vizinhos e amigos, numa cidade que beira fácil os três milhões de habitantes. A Ribeira é um encanto e um grande livro a céu aberto, onde podemos ver o melhor de uma cidade multifacetada. 

A Ribeira

20160118_17501920160108_091530

O bairro da Ribeira, em Salvador/BA, é um recantinho gostoso em que a água salgada pulsa nas veias de seus moradores e inebria a alma dos felizes visitantes que caminham encantados por largos calçadões a beira mar, vislumbrando e sonhando com o desfile de belas embarcações que oferecem um espetáculo a parte. O pôr do sol da Ribeira é uma pintura da natureza que enche os olhos dos mais céticos dos mortais e me considero suspeito de falar, porque sou um observador abobalhado desse momento ímpar dos fins de tardes. Para o navegante, a Ribeira é um mundo encravado no solo do Senhor do Bonfim, devido a sua localização privilegiada, oferecendo o conforto de seis marinas e dotado de águas tranquilas, mas devido a astúcia dos incautos administradores públicos desse reino benevolente chamado Brasil, com elevados níveis de poluição. Porém, nem por isso deixo de admirar e gosto de ancorar o Avoante por lá e receber o abraço amigo e carinhoso dos que fazem o clube náutico Angra dos Veleiros.

Uma noitada alto astral

IMG_0032

No final de semana passado tivemos um encontro com o casal arretado de bom, Paula e Fernando, veleiro Andante, que estão de passagem pela Bahia no rumo da Refeno 2015. Como o casal adotou um filhote batizado de Chopinho e infelizmente, apesar das boas regras e leis que protegem os bichos nos dias atuais, não é todo barzinho ou restaurante que acolhem de bom grado os animais, levamos o casal e o filhote para conhecer e apreciar os bons momentos da varanda espetacular do clube náutico baiano Angra dos Veleiros, no bairro da Ribeira, porque lá eles são bem vindos. A varanda do Angra é uma alegria e possui uma das mais belas vistas da capital soteropolitana. As cervejas, estupidamente geladas, servidas pelo João, melhor barman do pedaço, é um maravilha a parte. Mas o encontro com o casal Andante foi recheado de boas risadas e em clima de alto astral, pois é assim que eles levam a vida e conseguem contagiar a todos. A noitada teve cenas hilárias como foi a nossa esticada até uma das boas pizzarias da Ribeira que servem pizza de massa de batata. Propaganda bem feita, fomos a elas: Lucia já sabendo da restrição a entrada de animais numa das pizzaria, tratou logo de se dirigir ao proprietário na esperança de receber o sinal verde para o acesso do Chopinho. Eu e o Fernando adiantamos o passo e buscamos as mesas que estavam sobre a calçada e em frente a outra pizzaria, que depois descobrimos pertencer ao mesmo dono. Nesse pequeno trajeto começou a lambança, pois tratei logo de pisar na maionese e daí em diante aconteceu uma divertida sequência chapliana. O saquinho de maionese estava no chão e, sem perceber, meti o pesão bem em cima e o que estava lá dentro saiu como um jato e se espalhou pelos meus pés e pernas. Com aquela velha cara de paisagem, tratei de sorrir e tentar limpar a melequeira, que quanto mais mexia mais a gosma se espalhava. Lucia e Paula, que haviam conseguido a liberação intimidatória para a entrada do Chopinho na outra pizzaria, acenaram nos chamando, porém, como já estávamos muito bem estabelecidos, apesar da maionese, resolvemos ficar por ali mesmo apesar dos protestos de Lucia. Pedimos a primeira cerveja e descobrimos que seria em latão, mais um protesto, porém, resolvemos aceitar. O garçom trouxe os copos e recebeu mais um protesto, pois esses eram de plástico. Volta tudo e logo apareceu os copos de vidro, mas a cerveja estava meia boca, dessas que para ficar gelada precisaria de boas longas horas no freezer. Mais um protesto, mais uma ameaça de ir a outra pizzaria e entre o sim e o não resolvemos dar novos créditos ao garçom e pedimos a pizza: Metade Baiana e outra metade de Rúcula com Tomate Seco. Bom! O Céu que até aí estava limpo, resolveu ficar enuviado e uns pingos despencaram sobre nós. – Vai chover, acho melhor a gente entrar. – Será?Acho melhor a gente se adiantar, porque lá dentro tem poucas mesas. Entramos! Como só havia uma mesa próximo a geladeira das cervejas, foi a ela mesmo que recorremos. Ao sentar senti o piso molhado e no segundo seguinte Lucia protestou novamente: Eita bixiga, está cheio de água aqui! E estava mesmo, pois era água que escorria da geladeira. Novos protestos e dessa vez o proprietário, que estava passando, teve que ouvir algumas verdades, mas como sorriamos bastante, o protesto não teve o resultado esperado. Mais uma cerveja, novamente meia boca, e assim ficamos papeando e esperando a pizza sair do forno. Chegou! – Quem vai na Rúcula? – Quem vai na Baiana? Distribuídas as partes demos início a degustação. Ao colocar o primeiro pedaço da Baiana na boca, senti que a danada estava abaianada de verdade. Pense numa pimenta da gota serena! Fernando que também estava na Baiana, arregalou os olhos, puxou o copo de cerveja e deu um longo gole. – Tá forte mesmo! Do outro lado da mesa chegou outro tipo de reclamação: – Essa Rúcula só tem arreia! Danou-se! Eu ainda tentei apaziguar  e disse: – É bom para amola os dentes! Não colou! Lá vem novamente o garçom, já esperando a bronca, e levou as folhas de rúculas para serem substituídas por outra bem lavadas. E a pimenta? Bem, essa não teve jeito, mas ainda bem que tinha cerveja meia boca, se não a coisa estava feia. Como a cada pedaço que colocávamos na boca os olhos ficavam marejados, Lucia resolver provar da Baiana e a sequência foi assim: Pegou o pedaço, dizendo que éramos manhosos, colocou na boca e na mesma hora arregalou os olhos, tentou falar e não conseguiu. Quando falou a voz falhou e num passe de mágica correu até o proprietário para registrar um novo protesto, mas como a voz estava rouca e quase inaudível, novamente o protesto falhou e ao olhar em nossa direção o proprietário só viu alegria e boas gargalhadas. E sobrou alguma coisa? Coisa nenhuma! Pagamos a conta e entre boas gargalhadas fomos embora felizes da vida. Nem tudo são flores, mas com boa vontade e alegria podemos construir e regar um jardim!       

Prefeitura de Salvador derruba marina no bairro da Ribeira

7 Julho (104)

A derrubada das instalações de uma Marina no bairro da Ribeira em Salvador/BA, ordenado pela Prefeitura de Salvador, é motivo de preocupação. Segundo o secretário de Urbanismo e Transporte, José Carlos Aleluia, a prefeitura não precisa de decisão judicial para derrubar um imóvel em situação irregular e inclusive já anunciou que vai estender a decisão para outras construções no local. Veja a matéria completa no G1 Bahia. No segundo dia da ação de derrubada, o proprietário apresentou uma liminar concedida pela justiça suspendendo a demolição do píer e dando prazo de 10 dias para apresentar a documentação. Na declaração pública emitida pelo Sr Arivaldo, proprietário, em que o que diz ter todas as licenças de construção, ele encerra assim:

A agressão aos direitos de um cidadão numa sociedade esclarecida é um ataque a toda a sociedade.
Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram
e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar…
Martin Niemöller – 1933 – Símbolo da resistência aos nazistas.

Uma pintura

IMG_0101

Foi assim o Pôr do Sol que assisti hoje, 15/07, do píer do Angra dos Veleiros, na Península de Itapagipe em Salvador/BA. Magia que não existe tradução. Demonstração do esplendor da natureza. Pintura com as cores de uma aquarela inacessível ao homem. Sempre me rendi a esses momentos.