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LARGAIÃO SOPRADOR EM NATAL

Natal amanheceu com muito vento e com pancadas de chuva isoladas. Como diz os pescadores da praia de Enxú-Queimado/RN: “O vento é um largaião soprador”. Pois é! O vento desde a madrugada de hoje se soltou prá valer. A noite, acordei com a impressão que o Avoante estava velejando. O Rio Potengi até o momento esta encarneirado com esse largaião que não parou um só minuto de soprar. Segundo os sites meteorológicos o vento esta soprando a 20 nós de velocidade, mas parece bem mais. É o tempo mudando e mostrando sua força.

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NOTÍCIAS DO CCN

O CCN – CRUZEIRO COSTA NORDESTE, uma iniciativa de um grupo de velejadores do Rio Grande do Norte, já navega de vento em popa e com 4 barcos já pré-inscritos: Dianteiro, 2×1, Avoante e Musa. O Cruzeiro larga de Natal dia 01 de Janeiro de 2011 no rumo de Salvador/BA, com paradas na Paraíba, Pernambuco e Alagoas. O site do CCN já esta em construção e em breve vai ao ar. Se depender do retorno dos contatos mantidos até o momento, o evento vai ser sucesso. Veja o comentário e fotos do lançamento neste blog.

VIDA A BORDO 44

29/04/2007 

VIDA A BORDO 

Baia de Camamú/BA, terça-feira 21 horas. Nuvens escuras no noroeste ameaçavam nossa tranqüilidade. Na Bahia, chuvas e ventos de noroeste são ameaças à navegação. Nessa noite estávamos em terra, no sítio Sabiá. O Avoante balançava suave na ancoragem, juntamente com mais dois veleiros. Pensávamos retornar a bordo antes da chegada da chuva, mas os afazeres em terra impediam, até aquele momento.        

Ficamos ali, conversando e concluindo alguns trabalhos no restaurante do sitio. Junto com a gente, alguns trabalhadores de uma pequena construção nos fundos do sítio Sabiá. Apesar das conversas e do trabalho, não tirávamos o olhar do horizonte, nem o sentido da direção do vento. As nuvens no noroeste aumentavam de tamanho, mas, talvez não chegassem até onde estávamos, torcíamos para que o vento leste levasse as nuvens.  

De repente mudou tudo, lá vem o noroeste muito forte e trazendo muita chuva. O mar na Baia de Camamú, que geralmente é muito tranqüilo, cresceu. Os barcos mudaram de direção em relação à correnteza e a coisa ficou preta. O Avoante, que estava em uma poita, base de cimento no fundo do mar, estava muito bem amarrado, mas ficamos de sobreaviso para qualquer eventualidade.

Monitorávamos os três barcos, conferindo as marcações de ancoragem. Numa lufada de vento mais forte o barco que estava na frente do Avoante, mudou de posição, ficando atravessado, dando sinais de ter arrastado a âncora e a poita. A partir desse momento acendeu uma luz vermelha em nossa cabeça. Se ele escapasse, iria de cheio em cima do Avoante, se não batesse, sairia a deriva pelo meio do canal. Pela proximidade dos dois barcos, o Avoante era o destino mais certo.

Apesar da chuva, do vento e do frio, tínhamos que fazer alguma coisa. O difícil era achar quem topasse a empreitada. No barco rebelde, não havia ninguém, seu proprietário tinha viajado é deixado o barco aos nossos cuidados. Que situação!

 Consegui dois voluntários, com os rapazes da construção, e embarcamos no inflável. Outro problema! Não tínhamos motor, somente remos. Remar contra o vento, chuva e frio, só mesmo com muita necessidade. Fomos em frente!

Após muito esforço, chegamos ao veleiro Numa Boa, nome muito sugestivo para aquela ocasião. O cabo da poita estava preso por baixo do leme e o da âncora não conseguíamos puxar. Abrimos o paiol e encontramos uma segunda âncora, com 60 metros de cabo. Nosso objetivo seria jogá-la perpendicular ao vento e contra a correnteza. Isso daria a tranqüilidade por aquela noite, já que o proprietário chegaria pela manhã, mas fazer isso num inflável sem motor e remando, com três pessoas a bordo, “numa boa” era que agente não estava.

Muitas remadas e varias tentativas, concluímos a operação de salvamento do Numa Boa e livramos o Avoante de uma enrascada. Retornamos ao sítio Sabiá e fomos recebidos por uma sopa quentinha que Lucia havia preparado para os heróis do pedaço.

Pela manhã, fomos verificar a situação com mais calma e voltamos o Numa Boa para a posição desejada, mas sem antes verificarmos que a poita tinha virado na noite anterior e saído 8 metros de sua posição. O vento a noite foi tão forte que derrubou algumas arvores. O noroeste é realmente um vento complicado na Bahia.

Deixar o barco sozinho na ancoragem é uma situação que me deixa grilado. Sozinho no sentido de viajar ou me ausentar por longo período. Se não tiver um amigo que esteja com seu barco próximo, prefiro não sair. Estou em terra, mas o pensamento no barco. O barco é minha casa e nele estão depositados os meus sonhos. Adoro velo balançar tranqüilo na ancoragem, descansando da selvageria do mar que ele enfrenta com muita coragem e segurança.

Antes de deixá-lo sozinho, examino todos os cabos, checo as entradas de água, confiro o quadro de eletricidade e olho o tempo. Tudo tem que ser muito bem conferido. Não é paranóia, são cuidados que temos que ter com um bem que necessita de atenções especiais e que nunca estar parado. O mínimo descuido, poderá resultar no naufrágio da embarcação.

Apesar de todo meu cuidado e atenção, já fui surpreendido em outra ocasião, justamente na Baia de Camamú, lugar de águas mansas e paisagem deslumbrante. Lugar escolhido por mim como o paraíso. Mas, a natureza é assim mesmo, tem seus encantos e seus mistérios, temos que estar atentos e preparados.

 Nelson Mattos Filho

Velejador

VIDA A BORDO 43

23/04/2007 

VIDA A BORDO

                                   Sexta-feira, o dia prometia ser muito bonito. Pela manhã fizemos uma pequena reunião de comandantes, no píer, e resolvemos organizar um final de tarde no terraço da marina. Eram 15 barcos de varias nacionalidades, cada um levaria prato e bebida preferida. Às 18 horas foram chegando os participantes da brincadeira. Ingleses, espanhóis, franceses, italianos, canadenses, venezuelanos, argentinos, sul africanos, portugueses e brasileiros. Um congraçamento de culturas e países de fazer inveja a ONU.

                                   Ninguém precisava saber a língua do outro, estavam todos no mesmo mundo, portanto bastavam algumas palavras, alguns sinais e uns goles de bebidas que a comunicação fluía. O relacionamento entre velejadores em cruzeiro é muito cordial. A troca de informação e a ajuda mútua criam raízes que se espalham pelos mares.

                                   O cruzeirista necessita dessa integração, desse choque entre culturas, desse convívio social. Estamos longe da família e dos amigos, esses encontros funcionam para aliviar as tensões de navegadas difíceis e da convivência em um espaço compacto de um veleiro.

                                   Um veleiro oceânico tem um espaço médio de 20 metros quadrados, espaço de movimentação e uso da tripulação, os espaços de paióis e porão acrescentam-se mais uns poucos metros quadrados. Diante de espaço tão reduzido, podemos deduzir o quão torna difícil é a convivência nesse cubículo, durante vários dias a bordo.

                                   Conviver num espaço mínimo sempre em movimento, onde nada deve estar fora do lugar, desde objetos pessoais a ferramentas de manutenção, se não houver organização, boa vontade, cooperação e bom humor, o relacionamento fica comprometido. As tensões e o stress têm de ser resolvidos com muita paciência, conversa e entendimento.

                                   Sempre surgem dificuldades de relacionamento entre tripulantes. Muitas delas causadas pela maneira como são montadas as tripulações.  Não podemos colocar no mesmo barco pessoas que não se afinam em terra. No mar tem de haver muita parceria e afinidade, se houver algum ranço entre membros da tripulação, o mais sensato é o desembarque dos contrários ou de um deles. Se for marido e mulher ai é que o bicho pega. No mar não tem como fazer o desembarque sem retornar ao porto ou se resolve às diferenças com uma boa conversa ou a coisa se transforma em maremoto. O melhor seria que não tivessem embarcado.

                                   Outro ponto que tem de ser muito bem observado são as sociedades. Os sócios precisam estar cientes de suas obrigações e direitos sobre a embarcação. Estamos falando de uma sociedade em um bem de lazer em que os gostos de uns não estão de acordo com os desejos de outros. Sempre acontecem problemas de manutenção e a manutenção é de todos. Algum sócio usa mais do que outro e surgem comentários. Convidam-se amigos que são desafetos do sócio, criando-se uma tempestade. Alguns desentendimentos depois a sociedade começa a fazer água e afunda.

                                   Morando a bordo e levando a vida em marinas e ancoradouros, presenciamos varias situações em que o rompimento de tripulantes causa traumas terríveis. Sonhos evaporados, projetos acabados, contratos mal resolvidos, casamentos desfeitos. Se em terra o relacionamento não anda bem, no mar ele não navega de jeito nenhum.

                                   No Avoante, já tive alguns problemas de relacionamentos entre tripulantes, mas com muita conversa e bom humor conseguimos contornar. Foram coisas que começaram com pequenas brincadeiras, mas que no mar se tornaram grandes problemas. O comandante precisa estar atento a toda conversa a bordo, aparando arestas não deixando que assuntos indesejados tomem parte da viagem. Felizmente entre mim e Lucia nunca tivemos problemas. Eu sempre concordo com ela!

                                   A autoridade e as decisões do comandante não devem ser contestadas, mas o tripulante não pode ser desrespeitado nem agredido verbalmente, nem pelo capitão nem por outro tripulante. Se existiu algum erro ele tem de ser corrigido de imediato. Gritando e ofendendo é a pior maneira de se corrigir.

                                   Um barco bem afinado é um barco bem tripulado, a escolha dos companheiros de bordo faz a harmonia e a delicia da viagem.                                                                     

Nelson Mattos Filho

Velejador

ISSO É RIO GRANDE DO NORTE

     Lua cheia na Praia de Carnaubinha/RN.

AMERICA’S CUP-AS ÁGUAS AINDA VÃO ROLAR

Acabo de saber que muitas águas, agora com cor e cheiro podre, ainda vão passar entre os cacos dos barcos Alinghi e BMW Oracle. Essa 33ª America’s Cup ainda vai entrar para a história como a menos esportiva. Agora o chefe dos árbitros, o neozelandês Harold Bennet, acusa a equipe Suíça da Alinghi de querer sabotar a prova. Ele denunciou que dois representantes da equipe Suíça, que estavam no barco da comissão de regatas durante a segunda prova, abandonaram seus postos nas bandeiras de largada e ainda tentaram influenciar a comissão de regata a cancelar a largada alegando muito vento e mar mexido. Somente não houve maiores consequências, porque um representante da BMW Oracle e o piloto do barco da comissão foram convocados para dar a largada e cuidar das bandeiras da CR. A denuncia é muito grave e querer uma rigosa e severa investigação, com punição aos culpados. O esporte a vela não merece esse tipo de atitude. Com a palavra a ISAF! 

AMERICA’S CUP-DEU BMW ORACLE

Aconteceu Domingo, mas como é Carnaval e eu estava mais para lá do que para cá, somente agora pude dar essa notícia.

 Na hora do pega para ver, a 33ª America’s Cup foi mais fácil do esperava o bilionário Larry Ellison, o fundador do sindicato que comanda o barco BMW Oracle. Na segunda prova da regata os americanos do BMW Oracle conseguiram superar o barco Suíço da Alinghi com uma vantagem de mais de 5 minutos. O trimarã americano mostrou que todos os estudos sobre ele estavam certos e assim os EUA conseguem levar o troféu para casa depois de 18 anos. O presidente do sindicato Russell Coutts é outro que deve entrar para a história da America’s Cup, que com esse troféu passa a ter quatro vitórias na prova, uma delas com o agora derrotado Alinghi. Agora vamos esperar a 34ª edição que promete mudanças no seu formato.