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DO MAR PARA O FRIO DA PARAÍBA

Essa o paraibano Hélio do MARACATU vai ficar saudoso, mas a verdade é que sua bela Paraíba tem recantos e encantos que mesmo aqueles que são chegados a certas exigências ficam maravilhados. Um desses belos recantos é a cidade de Bananeiras, situada numa região denominada Anel do Brejo e encravada num dos mais belos cartões postais do Brasil, a Serra da Borborema. Os amigos do sul e sudeste, ou mesmo aqueles acostumados as baixas marcas dos termômetros, que me desculpem, mas que na Paraíba faz frio, isso faz! Não é aquele friozinho congelante de zero grau, aquele que adormece a ponta do nariz, nem aquele que faz a gente andar feito astronauta cheinho de casaco, ou mesmo aquele que congela o brilho do olho, mas é aquele friozinho aconchegante de dois dígitos de mercúrio, as vezes chegando a mais de 20 graus, onde o nordestino, quente que só fogo de juremal, tira o agasalho do baú e fica naquele amassar de braços e esfregar de mãos que da gosto de ver. Nós do AVOANTE, fizemos pareia com Hélio Milito e Zoraide, donos de uma verdadeira flotilha, mas que eu vou dar o sobrenome de casal 2×1, seu mais recente catamarã de 30 pés. Se juntou a nós, o casal Mário e Cipriana Pinheiro, amigos do peito e apaixonados por Bananeiras. Abandonamos por uns dias o calor da brisa marinha de Natal e nos embrenhamos nas estradas que cortam sertões, serrados, vales e serras entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba. Fomos aproveitar os prazeres de uma aconchegante pousada numa estação de trem abandonada, sentir na pele que o nordeste brasileiro é mágico. Ver uma cidade especialmente acidentada, entupida de história, dona de um casario muito belo e que esta sendo novamente descoberta por brasileiros e estrangeiros que se encantam com o clima, a paisagem e a beleza fácil de suas entranhas. Durante a  fria noite,  não deixamos faltar o bom tinto estrangeirado metido a besta, nem as rodadas de queijos e frios, nem muito menos a bananeirense cachaça Rainha,  de sabor inigualável, com seus 52 graus de calor. Oh bicha Boa! A noite foi soprada por um ventinho gostoso e frio, mas na mesa ao lado um violão, um tantan, um afoxé, um ovinho e um pandeiro, esquentava com o tom da boa música a cidade que adormecia. O dia amanheceu com aquela preguiça natural das cidades serranas e fomos convidados pelo Murilo, dono da Pousada da Estação, para almoçar uma perua no restaurante de dona IRES, assim mesmo, Ires. A perua não tinha, mas a galinha, o arroz de rebôco, a buchada e a carne de sol que saíram das panelas de dona Ires estavam dos deuses. Bananeiras é assim, tudo de bom! Se você duvida, vá lá e prove que eu estou errado, mas não se esqueça de trazer para mim, de lembrança, uma garrafa de Rainha.

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