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O comunista

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Passando a vista nas postagens das mídias sociais – coisa mais viciante do que biscoito de goma – me divirto com a batalha entrincheirada dos soldados comandados por “espertos” generais de areia. Nessa luta sem ganhador, onde esquerda e direita mudam de lado numa fração de segundos, ou a depender da conveniência do comandante espertalhão, amizades verdadeiras se esvaem como se daqueles velhos abraços, ou daqueles velhos e bons sorrisos, não restassem mais nem uma fagulha sequer de lembrança. Dizem que é assim entre os grandes povos politizados e que assim será o Brasil do futuro. Quanta besteiragem e quanta ideologia barata sendo arrotada, sem nem ao menos sentir o gosto da comida!

Chamar de idiota velhos amigos, irmãos de sangue, pais, colegas, companheiros de velhas e boas jornadas já virou banalidade e ninguém mais se incomoda. A ordem unida agora é partir para a agressão física e aí daquele que não aceitar as agressões. Perdemos o sorriso fácil de brasileiro. Perdemos a ternura tão comum em nossos campos. Perdemos a paz de um mundo mágico chamado Brasil. Perdemos a alegria de rever velhos amigos. Deixamos de lado o abraço sincero e enveredamos pelo abraço de urso. Estamos perdendo a dignidade – ou será que ela ainda existe? – e tudo sob olhares atentos e encarniçados dos “generais” sem quarteis, que lançam bombas e assistem da poltrona, sorridentes e brindando, o incêndio das trincheiras. E por falar em dignidade: Recentemente li o comentário de um professor universitário, desses que preferem as salas dos sindicatos do que as salas de aula, onde ele dizia que estava perdendo a dignidade, pois até de ônibus lotado já estava andando e ele como professor não merecia isso. – Ok!

Ao fechar a telinha que me coloca diariamente em contato com a guerra sem padrão, sem ética e sem nada de bom, lembro de meu amigo comunista e fico a divagar e ouço o eco de suas palavras. Meu amigo comunista, pois é assim que o chamo, não é um comunistazinho qualquer, ele é um comunista de mão cheia que nem de longe se arvora em vadiar pelas veredas dos facebooks da vida, porque, segundo ele, isso é coisa de imperialistas, associados com capitalistas selvagens, para enganar trouxas e ali não se aproveita nada. Nem as palavras ditas, que por sinal ninguém as lê, e se lê, não absorve. – E o que será que dirá do WhatsApp? – Um dia eu pergunto!

Livros de romance? Nunca jamais. Livros apenas aqueles que tratam de sua ideologia, mas recebe com um largo sorriso e um feliz muito obrigado os livros de romance e aventura que lhe presenteiam. E sem nenhum sinal de crítica ao presenteador. Para ele os amigos são sagrados, mais sagrados do que suas crenças. Viajar de avião? A não ser nos Tupolevs, como ele não viaja de avião, está bom do jeito que está. E uma cachacinha? – O que? Cachaça? – Cachaça é coisa de usineiro, eu gosto é de uma boa Vodca. Vinho? – Vou nem dizer o que ele acha. Eita piula! Carro? Bem, como ele acha que o verdadeiro socialismo passa longe da perda da dignidade, ele vai de ônibus mesmo. Carro é para a elite. O proletariado anda de ônibus.

Meu amigo comunista é uma figura que vê a vida de um modo simples, vive simples, adora ser assim e quem sou eu, que gosto de viver a vida simples e boa para discordar de seus princípios. Se você acha, pela breve descrição que fiz, que ele é um cara chato, desfaça seus pensamentos, porque ele é um bom companheiro que fará de tudo para você se sentir bem, pois é assim que deve ser entre pessoas que pensam diferente, sonham diferente, tem aspirações diferentes, rezam em cartilhas diferentes, são de raças diferentes, gostam de músicas diferentes, tem opções sexuais diferentes, tem cheiro diferente, nascem diferente, vivem diferente e assim vai indo diante de toda diferença. A vida é diferente e não serão as batalhas que a tornará igual. Se tudo na vida seguissem o mesmo padrão, que vida teríamos? O seu pensamento, a sua ideologia, o seu deus, a sua regra, o seu sonho, o seu modo de amar, o seu jeito de andar, de se vestir, de se pentear é o seu jeito. Podemos sim expressar para o mundo nossa ideologia, falar do nosso deus, divulgar nossas regras, mostrar o nosso amor, mas nunca podemos perder a ternura, o carinho, o bem querer do próximo.

Por que devo seguir na sua linha, se você destrata a minha? Por que devo seguir sua religião, se você discorda da minha? Por que tenho que comer da sua comida, se você detesta a minha? Por que devo amar seu filho, se você odeia o meu? Amigos e familiares não se cobram desses detalhes, porque amigos e família são bens de infinita riqueza.

É meu amigo comunista, que bom ser seu amigo, que bom viver nossas diferenças, que nem são tão diferentes assim, mas eu gosto mesmo é de uma cachacinha.

Sim, já ia esquecendo: Venha me visitar, viu, pois preciso de uns conselhos ao pôr do sol e dar boas risadas sobre as ideias dos socialistas das mídias sociais, que correm léguas atrás de uma tal de Black Friday.

Nelson Mattos Filho

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Diário de Julho, nas palavras de uma alma boa

03 - março (417)

– Meu caro amigo e jornalista Flávio Rezende, domingo é um dia de alegria e não de choro, mas nesse domingo, 24/07, você me fez chorar e por isso estou alegre. Alegre por receber a surpresa dessa homenagem. Alegre pela sua amizade e das amizades verdadeiras que cultivamos nas ruas de um Tirol tão amado e que produzem adocicados frutos até os dias de hoje. Obrigado e receba um grande beijo nesse seu coração do Bem.

Diário de Julho

BERIS, um amigo avoante & aventureiro

Caminhar, observar e escrever é quase uma rotina. Vício? Pode ser se indicar algo positivo, repetição prazerosa.
E hoje o olhar foi a esquerda do caminho. A visão fixou no mar e a mente se enfronhou nas velas do passado embalada por doces recordações.
Vendo as ondas que chegam a beira mar, resultantes de correntes marinhas, ventos, topografias e temperaturas, avoei ao passado no Tirol onde jogava biloca com Tutu, Lucrécio, Beris, Mingo, Mário e Hermane, entre outros, pelas ruas Conselheiro Brito Guerra, Teotônio de Carvalho, Ipanguaçu e Ângelo Varela, além de puxar latas de leite cheias de areia, curtir 31 Alerta e colecionar embalagens de cigarro com destaque para Hilton, sempre brilhante e rara.
Beris é o apelido de Nelson Mattos Filho e ele é o homenageado por ter protagonismo em várias áreas.
De todos os amigos foi Beris o primeiro a nos mostrar o universo dos negócios. Enquanto tínhamos pais bancários, juízes e profissionais liberais, seu Nelson era empresário. Tinha padaria. Aquilo era muito interessante e Beris desde cedo navegou naquele mister.
Seu pai também tocava trompete e reunia amigos em sua casa com escadaria acentuada para baixo, onde saxofones e demais instrumentos nos brindavam com melodias diferentes.
Sua mãe, uma dama nata, irmãos e irmãs maravilhosas com esses diferenciais, emolduravam os Mattos com esta aura de peculiares atividades.
O tempo passou, a morte precoce do pai tornou Beris um emergente padeiro e supermercadista e eis que surge a bomba: ele largou tudo, comprou uma embarcação e vive agora para cima e para baixo navegando, cozinhando, escrevendo para jornais, blog, publicando livros e mais feliz que pinto em beira de cerca nos brinda com suas pérolas cotidianas.
Depois de avoar por estas ondas do passado voltei a observar o mar.
Faz bilhões de anos que as ondas vem e vão, incansáveis, assim como nossas almas imortais, indo e vindo, aprendendo, empreendendo, ensinando, errando, acertando, ao sabor de ventos, topografias, correntes, influências, permanentemente pensando de onde vem e para onde vão…
Um homem que amassou o pão, nasceu entre trompetes e trombones, vive singrando os mares, certamente deve ter respostas mais alísias destes bravos ventos que nos aliviam o calor dos tempos que atravessamos.
Admiro você Beris. Seja sempre feliz.

Ps – ” Indagado sobre que tipo de mensagem ele pretende passar com Diário do Avoante, Mattos é enfático: “Que nunca devemos deixar para trás nossos sonhos para não cairmos no vazio da lembrança que nunca houve. Hoje eu vivo um sonho que muitos já sonharam, mas que não tiveram coragem de realizar”.

g1.globo.com/…/ex-empresario-larga-empregos-para-viver-em-b…

Sobre seu pai:
https://diariodoavoante.wordpress.com/tag/dia-dos-pais/

Flávio Rezende, em Ponta Negra aos 24 dias do mês sete no ano de 2016. 10h10

Ps: O jornalista, escritor, ativista das causas humanitárias Flavio Rezende é a verdadeira essência do que podemos chamar de uma alma boa. Idealizador e fundador da Casa do Bem Dr. Fernando de Rezende, uma organização não governamental, localizada no bairro de Mãe Luiza, em Natal/RN, que tem como objetivo, não somente ocupar jovens em situações de risco com atividades culturais, esportivas, educacionais e sociais, mas desenvolver inúmeros projetos que ajudem idosos e comunidades carentes. Com o lema “Fazer o bem sem olhar a quem” a Casa do Bem virou sinônimo de boas ideais sociais e é reconhecida como entidade de utilidade pública a nível estadual e municipal.

Vivendo o mar e os amigos a cada dia

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Esse Diário é assim mesmo, de vez em quando dá uns bordos mais longos e navega pelo cotidiano das cidades. Mas a escolha de morar a bordo de veleiro não leva ninguém a viver isolado do mundo urbano e quando se tem muitos amigos, ai é que não se consegue mesmo levar uma vida de ermitão dos oceanos. Por isso mesmo tento aproar o blog para os mais diversos assuntos e assim vou bordejando quando noto que a rotina tenta tomar gosto. São tantas coisas para falar que as vezes elas se perdem nos arquivos secretos de minha alma e quando dou por mim, tenho que sair procurando em meio a um embrulhado de assuntos novos e antigos. Acordei nessa quarta-feira, 15/07, pensando numa deliciosa panela de Cassoulet que saboreamos na casa dos amigos do veleiro baiano Ondine, Gomes e Lia. Pois é, aquele Cassoulet estava dos deuses e acompanhado de cerveja gelada a coisa subiu mais um degrau no pódio. O prato é de origem francesa e é feito de várias maneiras, porém, o mais tradicional é com feijão, carne de pato, carne de porco, linguiça e salsichas. Na receita de Lia, o pato foi substituído por galinha e, como eu nunca comi o Cassoulet francês, achei uma delícia o abrasileirado. Mas não era somente isso que eu queria falar, pois queria mesmo era puxar assunto para dizer o seguinte:   

Capa do livro Vivendo o Mar a Cada Dia Em 2011, Lia lançou a primeira edição do livro Vivendo o Mar a Cada Dia – de Salvador a Ilha Bela na esteira do Ondine, em que conta a navegada que fizeram em flotilha com o veleiro Tô Indo, do casal Gerson e Lili. Uma leitura gostosa e imperdível sobre um dos mais belos trechos do litoral brasileiro e parafraseando o amigo Hélio Viana, blog MaraCatu – de onde pesquei a imagem do livro – : Duvido que você não leia de um folego só! Mas vou logo avisando que a receita do Cassoulet não está no livro.  

Ao tempo, aos amigos e a vida

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Pois é, um dia a gente acorda, olha para um lado, para o outro e se dá conta que o tempo passou muito mais rápido do que gostaríamos que fosse.

Hoje fui ao supermercado para providenciar os ingredientes de uma moqueca de peixe e outra de camarão com banana, pois é, camarão com banana, uma das dez melhores maravilhas gastronômicas do cardápio de Lucia, e me peguei numa incrível viagem de regressão.

Lá avistei vários amigos dos tempos de infância, adolescência e dos anos dourados e caiu a ficha de que a idade realmente começou a pesar nas nossas costas. Não quero nem falar dos cabelos brancos, pois há muito eles definiram o meu visual e nem penso em colocar uma camada de tinta sobre eles, pois não mais me reconheceria diante do espelho e nem Ceminha, minha Mãe, deixaria que entrasse em sua casa.

Procurei caminhar pela loja o mais invisível possível, mas essa é uma condição que por mais que a gente queira não consegue. Na verdade nunca achei que em outros tempos fosse visível, mas o decorrer da vida tem provado que minhas certezas não merecem tanto crédito assim. Os amigos são para sempre e por mais que a gente navegue em rotas invertidas, no futuro, em alguma esquina de continente, os caminhos se cruzam. É assim o show da vida!

Antigamente eram as esquinas, as turmas, o colégio e os esportes que fundiam grandes amizades. Hoje as amizades são zipadas nas mídias sociais que povoam o mundo de bruxarias da internet, mas é tudo tão volátil que num piscar de olhos, com se fosse uma grande bolsa de valores, os amigos se vão e a gente, se não acompanhar o passo, vai ficando para trás. Mas amigo é amigo e quem quiser que prove o contrário.

Naquele supermercado me dei conta que agora faço parte do passado, pois muitas das minhas certezas estão lá. Alguns amigos das antigas me cumprimentaram, outros me olharam de relance, outros mais fizeram cara de esquecidos e até posso jurar que esqueceram mesmo. Porem, saí da loja feliz e consciente que a vida é uma via de mão única, sem retorno e que as amizades vão sendo renovadas e conquistadas diariamente, porque, por mais que queiramos, não conseguimos frear o bonde das amizades, que a cada dia cabe mais um.

Em momentos assim é que vemos que velhos amigos continuam amigos, porém, os novos são tão amigos quantos eles e todos merecem a sinceridade do nosso abraço, a alegria do nosso sorriso, o afago do nosso carinho, as horas intermináveis de nossa atenção e a confiança que depositamos neles de olhos fechados.

Hoje comemoro 53 anos de vida e foi um presente maravilhoso ter entrado naquele supermercado e ter me deparado com tantos rostos que fazia anos que não avistava. Foi sim uma sensacional viagem através dos tempos relembrando momentos e vasculhando os mais recônditos e empoeirados arquivos da mente. Em questão de minutos assisti o filme da minha vida, ou uma boa parte dele, ser exibido entre os corredores e gôndolas daquele frio supermercado e adorei estar ali.

Lógico que não recebi nenhum parabéns, pois amigos das antigas não se lembram de datas assim, mas saí agradecido e carregando no coração um grande e valioso presente de aniversário.

Chegando em casa, abri o computador e lá estavam centenas de mensagens de felicitações, a grande maioria de amigos virtuais e que raramente terei o prazer de aperta-lhes a mão, mas todos amigos e todos ciosos de demonstrar atenção e carinho, porque é assim que são feitas as amizades nesses tempos modernosos. Clicando aqui e ali descobri que tenho quase dois mil amigos, um sem número de agregados e mais uma vez fiquei feliz.

E as moquecas? Elas foram preparadas para festejar a data com a família que merece ser festejada sempre e eu até pretendia parar as comemorações por ai, mas tinha os amigos e como Lucia não deixa passar em branco, a coisa foi em frente.

Bem, Lucia falou que a noite iria preparar um risoto para receber alguns poucos amigos que haviam ligado querendo saber se teria alguma comemoração do meu aniversário. Poucos? Pois é, a gente tem mania de achar que não temos importância nenhuma para as pessoas e o mais gostoso é quando comprovamos que estamos errados.

Esse texto meio atrapalhado é para agradecer a todos os amigos que ao longo desses 53 anos se fazem presente em minha vida e nesse dia do meu aniversário vieram me abraçar, telefonaram, enviaram mensagens e também aqueles que por algum motivo esqueceram.

Pois num é que até o Google lembrou!

Muito obrigado pela amizade de vocês.

Nelson Mattos Filho

04/02/2015

Uma visita especial

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Nada melhor do que receber a visita dos amigos que moram distante. Essa semana tivemos a alegria de receber a bordo a amiga Marta Machado, que veio passar dois dias com a gente na Ilha de Itaparica. Passeamos muito, catamos chumbinho na Coroa do Limo, colocamos os assuntos em dia e ficamos saudosos por ter sido uma visita tão rápida. Marta é uma grande amiga que faz parte da história do Avoante.

Dividindo 100 mil alegrias com os amigos!

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No caminhar da vida o maior de todos os segredos é o de fazer e manter os amigos junto da gente. Muitas vezes nos afastamos durante anos a fio, mas um dia, numa das esquinas da vida, lá estão eles com um largo sorriso de alegria e com uma lembrança na ponta da língua. Não importa se o nosso rosto já escancara as marcas do caminhar ou se o nosso corpo já não tem aquela mesma virilidade de uma juventude que nem faz tanto tempo assim. Tudo é motivo para um abraço, um aperto de mão, uma saudade, um apelido que nunca se esquece, um segredo que continua segredo, uma história tão velha quanto presente, um olhar de relance, um amor e um monte de coisas boas que somente um amigo é capaz de trazer a tona. Sem amigos o homem não tem história!

Quando começamos o blog Diário do Avoante foi carregando a responsabilidade de manter os amigos ao nosso lado e conquistar tantos quantos fossem preciso, pois infinito é o reino da amizade. Havia o medo da falta de assunto e o de navegar em mares tempestuosos que provocassem o desembarque de velhos amigos e impedissem o embarque dos novos. Havia até o medo da mesmice, num universo tão grande e ao mesmo tempo tão pequeno como é o universo náutico. Mas, para nossa alegria nada disso aconteceu e sempre, com gratidão, festejamos todas as conquistas dessa navegada que já dura dois anos e dois meses. Hoje reconhecemos que a responsabilidade aumentou, pois o Diário do Avoante já não é nosso, ele é parte da vida de cada um dos leitores que um dia resolveram dar uma espiadinha e se identificaram com o nosso sonho de vida, tornando-se mais um amigo mesmo sem nunca termos nos encontrado. Somos tão cientes que ele já não nos pertence que hoje estamos festejando com vocês a marca de 100.000 mil acessos. Cem mil é um número tão grande quanto espetacular e que nunca poderíamos imaginar, mesmo diante da grande plantação de amigos que amamos e que fazemos questão de regar todos os dias. Alegria é alegria e sempre é gostoso dividir com os amigos, por isso, dividimos com vocês esse momento e esperamos a cada dia dividir muito mais. Por tudo isso, só nos resta agradecer e continuar acolhendo a bordo do nosso Avoante todos vocês e a todos que um dia vierem fazer parte da tripulação. Muito obrigado!!