Arquivo da tag: acidente no mar

Acidente com transatlântico na Noruega

2019-03-23t145202z-492929822-rc17b7ad5bf0-rtrmadp-3-norway-shipnavio-a-deriva-na-noruega  O navio de cruzeiro Viking Sky, com 1.300 passageiros a bordo, ficou a deriva na costa oeste da Noruega em um lugar de difícil navegação e onde nem os valentes vikings gostavam de se aventurar. A região de More og Romsdal, onde já ocorreram vários naufrágios, é coalhada de recifes, frequentemente castigada por intempéries climáticas e o governo norueguês estuda a construção de um túnel para barcos, por entre as montanhas, para evitar a navegação em alto mar, porém, o projeto parou por falta de financiadores. O transatlântico teve pane mecânica, ontem, 23/03, e ficou sem os quatro motores que lhe davam seguimento. No momento a guarda-costeira retira os passageiros, com ajuda de helicópteros, enquanto o navio está sendo rebocado para o porto de  Molde. Fonte: G1      

Anúncios

Memórias do mar

SB-640x424

Sophie Bely, que nesse retrato de recordação posa ao lado do amigo Fabio Tossi, era uma navegadora como poucas, mas tão poucas que se juntassem todas a bordo de um veleiro de 20 pés, acho que sobraria espaço e seria um veleiro sem a figura central de um comandante, porque todas, ou melhor, a seletíssima tripulação não necessitaria de comando. Na última quarta-feira, 06/03, Sophie, a mitológica esposa do navegador Oleg Bely, falecido em maio de 2016, caiu e desapareceu no mar, junto com o comandante Arnout, do veleiro polar Paradise, após o barco ser atingido de lado por uma onda, enquanto atravessavam o oceano austral de volta ao continente sul americano. Mas esse acidente quem vai relatar é o João Lara Mesquita, no link que copiei e colei logo abaixo. A história que quero contar é que conheci a Sophie e o Oleg, durante uma passagem tumultuada e quase trágica do veleiro Kotic II, do casal, no Iate Clube do Natal, se não me engano, no final dos anos 90. O Kotic II estava em rumo cravado para os EUA e ao passar ao largo da capital potiguar, Oleg desejou dar um abraço no amigo e também navegador Zeca Martino, e assim fez. Ao adentrar o Rio Potengi, com a tripulação ansiosa para rever os amigos e reconhecer o local de ancoragem, todos se posicionaram no convéns e nem perceberam um princípio de incêndio que acontecia no sistema elétrico de acionamento da bolina retrátil. Enquanto o Kotic II desfilava em frente ao clube, o marinheiro Galego, que Deus o tenha, que estava fazendo manutenção no alto do mastro de um veleiro no píer, notou a fumaça que saia de dentro do Kotic e entre gestos e gritos chamou atenção da tripulação que já não podia fazer muita coisa, a não ser salvar o que pudessem. A tragédia só não se confirmou, porque a marinharia do Clube acionou o Corpo de Bombeiros, que tinha uma base em um terminal da Petrobras, nas proximidades, e quando o caminhão dos Bombeiros chegou, entrou direto em uma das balsas que na época faziam a travessia o Potengi, e numa manobra ágil e arriscada o comandante da balsa conseguiu atracar ao lado do Kotic II e debelar o fogo. Grande parte do interior do veleiro foi consumido pelo fogo e a gata de estimação do casal não resistiu. Foi uma comoção, porém, Oleg e Sophie não se deram por vencidos e já no dia seguinte iniciaram os trabalhos de reconstrução, que durou uns três meses, e receberam total apoio do Iate Clube, onde deixaram bons amigos e boas lembranças.  

Mar Sem Fim: Sophie Bely, a morte trágica de uma navegadora

Acidente marca a VOR no mar da China

vestas-11th-hour-racing-compete-in-the-around-the-island-raceUm acidente no mar da China tirou a alegria da chegada da  quarta etapa da regata Volvo Ocean Race, em Hong Kong, na noite de sexta-feira, 18/01. O veleiro da equipe Vestas chocou-se com um barco de pesca, a 30 milhas da linha de chegada, causando a morte de um dos tripulantes do pesqueiro.

trafego-hong-kongA imagem ao lado mostra o movimento de embarcações no dia fatídico. Não é fácil cruzar a mais de 20 nós de velocidade, perpendicularmente, um pedaço de mar com um tráfego monstruoso de embarcações, que em sua maioria trabalha de forma artesanal e sem dar muito cabimento para regras de navegação. Quem já teve a oportunidade de navegar em áreas de pesca sabe que a coisa não é de brincadeira. Quem já participou da Refeno deve lembrar muito bem da bronca. Li alguns comentários nas redes sociais e me espantei com os julgamentos, muitos deles baseados nas teorias das regras de navegação e feitos por pessoas com pouca, ou nenhuma, afinidade com o cotidiano de uma embarcação, porém, o que mais me assustou foi ler comentários desairosos de navegantes experientes, como se no mar nada fosse além das certezas, das regras e dos feitiços malabarescos dos brinquedinhos modernosos. A VOR é uma prova que leva o homem e as embarcações ao limite do extremo e infelizmente em competições desse porte acontecem acidentes e muitos com vítimas fatais. Que venham as prevenções para as próximas etapas, mas o risco é uma constante.

E agora navegador?

18010027_1233738503414593_8732224621543937981_nEssa imagem periclitante que circula nas redes sociais, que muitos apostam ser verdadeira e outros afirmam que não passa de uma grosseira montagem, e para mim é mais um slide que bem poderia ser exibido em uma sala de aula de navegação. Diz a regra que barcos em rumo cruzado, o que é avistado por bombordo, lado esquerdo, deve dar preferência, ou seja, manobrar para passar por trás do outro, diminuir a marchar, puxar o “freio de mão”, ou simplesmente dar meia volta.  Na imagem mostrada, o navio teria que manobrar e o veleiro seguiria o rumo. Rapaz, discutir essa cena e a regra, sentado numa confortável poltrona e diante de uma telinha brilhante é bom demais. O difícil é estar no mar terrivelmente encrespado, mostrado na imagem, e com um brutamonte navegando em rumo batido e em velocidade de cruzeiro se aproximando. A regra do bom senso do navegante é bem clara para esses casos: Avistou um navio, não tire os olhos dele e manobre sem pestanejar, mesmo que você se ache o rei da cocada preta e todas as teorias, e dizeres das leis, estejam a seu favor.      

Colisão no mar de Alagoas

IMG_0243

Uma notícia vinda lá das Alagoas, terra dos irmãos Buenos Ayres, da tripulação amiga do Anakena e da turma boa da Federação Alagoana de Vela e Motor, dá conta de uma colisão em alto-mar que deixou dois pescadores à deriva. Os pescadores foram resgatados na manhã da última Sexta-Feira, 28/03, depois de cinco horas, por outro barco de pesca, em avançado estado de esgotamento físico. Contaram que realizavam pesca noturna quando a embarcação em que estavam foi abalroada por um veleiro que seguiu viagem no escuridão da noite sem lhes prestar socorro. A Capitania dos Portos de Alagoas abriu inquérito para averiguar o caso. Veja a matéria no site da TNH 1 UOL.

Barcos colidem em alto-mar e pescadores ficam mais de 5 horas à deriva

  

Um texto e uma luz no fim do túnel

Murilo NovaesO jornalista e velejador Murillo Novaes publicou um texto em seu blog Coluna do Murillo – Notícias da Vela, no dia 09/12, que merecia destaque em todos os jornais, televisões, revistas, congressos, palestras e nas alegres reuniões entre amigos em que se discute os problemas do mundo. Raramente, dificilmente, nunca antes na vida desse país, li um texto tão sincero, humilde, ético e comovente de uma pessoa se desculpando e assumindo corajosamente um erro cometido. O mais lógico, habitual e usual é o ser humano tirar o seu da reta e empurrar uma parcela da culpa para outro alguém. Pelo menos é assim que ensina os mais valiosos manuais da boa honra e que todos os dias assistimos embasbacados nos noticiários. “Eu não sabia e nem sei de nada!”. Muitos navegadores senhores da razão podem até achar que Murillo errou feio e que eles mesmo jamais cometeriam um erro tão banal. Outros tantos devem estar condenando veementemente o jornalista/velejador e outros mais, apenas lerão o texto achando que tudo não passou de uma incrivel aventura com final feliz e ponto final. Li e reli o texto na madrugada desta Terça-Feira e não contive a alegria em saber que ainda existem pessoas que sabem o valor que existe na palavra ética e que ela é a fonte inesgotável para o mundo ressurgir das cinzas em que está se metendo. Parabéns Murillo Novaes, desejo que seu relato sirva de exemplo para todos nós e que nos indique o norte a ser seguido a partir de 2014.  

#ihdeumerda. Das grandes. Comigo. E quase morri (e matei meu filho e um amigo)

Bom dia amigos e amigas, hoje escrevo porque sinto que tenho o dever de compartilhar com todos o que aconteceu comigo, com meu grande amigo Fábio Collichio e com meu filho Pedro na noite de sábado. Mais precisamente por volta da 12:06 de domingo.

Fábio, meu melhor amigo em Cabo Frio, companheiro de inúmeras velejadas de Micro 19 e o feliz proprietário de um novo (para ele, claro) Velamar 32, o “Fratelli”, me chamou para trazer o barco de Cabo Frio para o Rio neste sábado para subi-lo no Clube Naval Charitas e fazer a pintura de fundo do veleiro, que ele estava terminando de reformar. Convoquei meu filho Pedro, de 13 anos, para fazer sua primeira travessia no oceano e por volta de 7:30 da manhã partimos do píer internacional de Cabo Frio.

Fábio havia me dito que soubera de um aviso de mar grosso no Rio, que, por rádio, tentamos confirmar com a atalaia de Cabo Frio, mas a moça nos disse que havia expirado, pois era de 24 horas. Eu, como navegador que sou, havia estudado a previsão e sabia que os ventos seriam de, no máximo, 14 nós, de E-NE, e haveria um swell grande residual da grande tempestade que tinha passado 48 horas antes pela costa do Rio. Mas nada muito preocupante já que tudo iria nos empurrar para o destino final. Zarpamos.

Continuar lendo