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Navegando pela Baía de Tinharé – I

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Tem lugares que encantam pela beleza da paisagem e outros pelo carinho, atenção e distinção com que somos recebidos pelos moradores. Tem também aqueles que nos fascinam pela culinária de sabores marcantes, e únicos, e que jamais esquecemos. Mas tem alguns que cativam a gente por nada, ou melhor, apenas pela simplicidade e tranquilidade que transmitem. Desde que passamos a morar no Avoante sempre buscamos lugares que combinem todos esses fatores, mas a simplicidade e a tranquilidade é o que mais nos agrada.

Já navegamos algumas boas vezes tendo como destino a região de Morro de São Paulo/BA e jogando âncora em frente à Gamboa do Morro, um fundeadouro gostoso, porém, bastante movimentado com barcos e lanchas rápidas que levam e trazem turistas e moradores. É na Gamboa que ancoram a maioria dos veleiros que procuram a região, porque em frente ao Morro de São Paulo – um dos principais destinos turísticos da Bahia – a ancoragem não oferece condições favoráveis. A proximidade com a boca da barra do rio Una e a navegação frenética das embarcações de passageiros deixa no ar um clima de apreensão. Além de que, nem sempre os pilotos das lanchas respeitam os limites de velocidade permitida próximo aos fundeadouros. Mas tudo bem, se nem as autoridades marítimas conseguem resolver o problema, não serei eu a consertar o mundo e nem botar juízo na cabeça de quem não quer ter.

Nas nossas navegadas até o Morro – como a região é carinhosamente chamada pelo povo do mar – sempre vinha o planejamento de adentrar um pouco mais a baía de Tinharé, mas não sei por que carga d’água, nunca dava certo. Destinos como Curral, Galeão, Cairu – o município que administra tudo isso – e Canavieirinhas, eram deixados de lado com a promessa de uma próxima vez.

A Baía de Tinharé é rica em história e dotada de infinita beleza, que apesar da movimentação turística, ainda preserva muita natureza intocada entre matas e igarapés. A história dos lugares que visitamos sempre me chamou atenção e gosto de jogar conversa fora com os nativos. Nessas horas que surgem as lendas, os causos, os segredos, os mistérios que varam épocas, as infalíveis fofocas, as regras para uma boa conduta e as informações importantes. É sentado sob a sombra de uma árvore que apreciamos a vida dos lugarejos ribeirinhos navegar despreocupada entre as idas e vindas da maré.

A história conta que o primeiro cara pálida a conhecer o lugar foi o português Martim Afonso de Souza, durante a expedição colonizadora, mas como nem tudo que se conta daqueles tempos é tão certo como parece ser, é bem melhor a gente fazer cara de paisagem, tomar uma e acreditar. A turma da discórdia fala que franceses, espanhóis, chineses, piratas e afins já perambulavam por ai, mas o português era um povo arrochado e botou todo mundo para correr. O pedaço é meu e ninguém tasca!

O mundão de água de Tinharé e pontilhado por 23 ilhas e a maior de todas é a Ilha de Tinharé. O Martim deve ter achado mesmo que estava chegando ao paraíso, pois as praias que cercam a Ilha até hoje encantam o mundo. Imagine aí nos idos anos 1500, quando somente existia mata, mar e um monte de índias peladas! Era o Céu!

Mas se o portuga achou que os gringos haviam ido embora para sempre, se enganou redondamente, pois os caras voltaram e voltaram com força total. Basta dar um passeio por entre os becos e vielas de Morro de São Paulo para ver que os caras tomaram conta de quase tudo. Mas tudo bem, o mundo é um espaço aberto e livre para quem sonha e deseja se aventurar em outras paragens. Não foi isso que nos ensinou os descobridores? Acho melhor deixar o fidalgo Martim em paz e retornar ao tema principal desse texto. Assim será!

Dessa vez fui ao Morro para ministrar um curso de vela de cruzeiro para dois alunos, Paulo Lourenço e Thiago, que desejam comprar um veleiro para sair por ai. Como o curso é de quatro dias, planejamos ancorar cada dia em um lugar diferente e assim fizemos, para deleite dos alunos.

Foi aí que chegamos até o distrito de Galeão e jogamos o ferro para termos uma das boas surpresas da viagem. O lugar é gostosíssimo e a ancoragem maravilhosa, apesar do movimento das lanchas que fazem o passeio de volta a Ilha perturbar um pouco durante o finalzinho da tarde. A navegada da Gamboa até o Galeão é tranquila, mas é preciso ter atenção nas boias que marcam as redes e manzuás, e o canal tem profundidades que variam entre 3 e 20 metros. Não é aconselhável navegar durante a noite.

Seguimos a rota indicada no guia do Hélio Magalhães – Bahia, de Ilhéus a Morro de São Paulo – lançado há quase dez anos. O guia está precisando de uma edição com informações atualizadas dos locais, porém, as rotas são incrivelmente seguras.

Galeão nos encantou sim e ainda tenho muito o que falar!

Nelson Mattos Filho/Velejador

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Um cruzeirinho básico

Esse casal do Reino Unido planejou pegar o veleiro para uma navegada de alguns dias entre a Irlanda e Espanha, mas gostou tanto do passeio que foi estendendo a viagem mais um pouquinho, mais um pouquinho e quando se deu conta já havia passado 16 anos que perambulava por ai. Clive e Jane dizem que durante todo esse tempo nunca tiveram uma briguinha sequer a bordo e viveram momentos de plena felicidade e muita adrenalina. Veja mais detalhes dessa incrível aventura acessando o site Popa.com.br.  

A vela de cruzeiro no mundo

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A partir de hoje, 05/04, disponibilizo aos leitores o link para acessar o Noonsite.com, site global de velejadores de cruzeiro. E lá foi contado em primeira mão o assalto ocorrido com o veleiro TAO na Ilha de Itaparica na madrugada de 01/04. Alias, na página do Noonsite a Bahia está com uma péssima classificação no quesito segurança. Para acessar o site basta clicar no nome Noonsite que aparece no Blogroll, que fica no lado direito inferior da nossa página. 

A vela de cruzeiro – II

Lavagem da Coroa  de Itaparica (13)

O artigo da semana passada sobre a vela de cruzeiro foi motivo de vários emails e comentários no blog Diário do Avoante (diariodoavoante.wordpress.com). Muitos se identificando com as maravilhas de uma viagem em um veleiro de oceano e outros vendo no texto mais um motivo para buscar a realização do grande sonho de vida, o de morar a bordo de um barco ou mesmo mudar o rumo de suas vidas.

Reconheço as dificuldades de mudanças radicais em nossas vidas, pois as raízes que plantamos em terra são fortes e não morrem facilmente. Mas, muitas vezes elas nos consomem a ponto de não deixar que enxerguemos um centímetro além. Quando uma mudança é muito lenta corre o risco de nunca se realizar. O nosso subconsciente vive de lamentações e de produzir comparações terríveis para apagar nossos desejos. Uma mudança de vida é um prato cheio para ele trabalhar em tempo integral.

Não estou querendo que você embarque numa canoa furada, largando tudo que conseguiu na vida para o alto, mergulhando de cabeça em um sonho louco recheado de aventuras. Mas o corpo cobra ações imediatas para a realização de um sonho e a vida segue em frente, até que um dia você olha para trás e ver que seus sonhos ficaram pelo caminho e não podem mais serem resgatados.

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