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O veleiro

2 Fevereiro (46)

O texto que segue foi enviado pela secretaria do clube baiano Angra dos Veleiros, que recebeu do Sr. Everton Fróes, navegador e apresentador do programa dominical A Bordo. Talvez você já tenha lido por aí ou em alguma esquina desse grande oceano virtual, mas pela sutileza e beleza vale uma releitura. Desde já, parabenizo o autor.

O QUE É UM VELEIRO?

Álvaro Snibwiesky

Dentre as criações humanas, um veleiro é a que mais se assemelha a um ser vivo. Responde as forças da natureza quase como um animal.

É um cruzamento de peixe com ave, seu casco corta a água com delicadeza e força, suas velas são asas potentes que o impulsionam sem bater.

O veleiro sempre oferece nobremente o melhor de si, é um ser instintivo e natural a quem é impossível enganar com ordens erradas que pretendam impor-lhe manobras contra a natureza que o rodeia.

Não existem veleiros exatamente iguais, eles possuem alma e personalidade próprias. A personalidade é uma característica que se percebe facilmente. Basta observá-lo, ouvi-lo e senti-lo.  Cada veleiro tem seu próprio caráter que se acentua com o passar dos anos. À medida que o barco amadurece com o uso, a sua personalidade se define.

Todo veleiro tem cheiro próprio e o som que produzem é sua voz.

Sua alma é sua voz e têm origem no doce ranger de painéis, móveis e anteparas, na vibração de seus estaimentos, no borbulhar suave do leme cortando o mar debaixo do seu casco.

Nutre-se do intelecto, do sangue, do suor e das lágrimas de quem o desenhou o construiu, pintou, forjou suas ferragens, costurou suas velas. É a obra de sonhos altivos e merece ser tratado como um filho bem-aventurado.

Tem na alma, a esperança, a ansiedade, temores e recordações de todos aqueles que, levados pelo vento, com a mão no timão, caçam escotas e adriças.

Fundamentalmente, invoca a alegria dos bons momentos compartilhados entre homens e mulheres que amam os seus veleiros e os desfrutam passando a bordo os mais intensos momentos de suas vidas.

Os veleiros são objetos criados com arte, tempo e esforço que carregam em seu bojo um valor espiritual agregado, o “mana”, descrito em verso e prosa pelos nativos da Polinésia, reconhecidamente, os maiores navegadores a vela que o mundo já conheceu.

O “mana”, esse algo mais, é a melhor maneira que encontramos para definir este “não sei o que” tão grande, tão importante, sensação de presença viva que um veleiro sempre nos transmite.

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Programa A Bordo

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No próximo domingo, 19/07, seremos entrevistados ao vivo no programa A Bordo, pela equipe comandada por Everton Fróes e pelos contra-comandantes Marcelo Fróes e Julival Góes, para falar dos dez anos em que moramos a bordo do Avoante e que teve o apaixonante mar da Bahia como porto mais usual. A Bordo vai ao ar às 10 horas, transmitido pela rádio baiana Metrópole, é e um gostoso bate papo dominical sobre o mundo náutico e o ouvinte pode participar com perguntas, notícias e informando acontecimentos. O programa pode ser acompanhado pelo site metro1.com.br

Imagem de uma bela noite

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Dizem que uma imagem vale por mil palavras. A foto não está boa, mas tem sido assim as nossas noites a bordo do Avoante enquanto navegamos por essa Bahia do Senhor do Bonfim. Não é para fazer inveja, mas bem que a intenção seria justa.