Arquivo da categoria: livro que li

Assim seja!

20181006_134317~2Para estes dias de polarização exacerbada, crenças cegas e desvairadas, palavrório desmedido transformando em escombros relações familiares e jogando pelo esgoto laços de amizades que se acreditavam indestrutíveis, fui na estante para tirar a poeira e me deliciar com a conversa civilizada, reflexiva, respeitosa e rica em ensinamentos entre dois pensadores, um ateu convicto e um padre católico. Leandro Karnal e Fábio de Melo, em Crer ou não Crer, nos mostra a dimensão de um mundo sem o ranço covarde e repugnante das indiferenças.  

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O Porto Distante

imageTem histórias que se tornam misteriosas para o sempre e por mais que os registros oficiais e historiadores se arvorem em detalhar explicações, a penumbra nebulosa que as encobre mais se torna intransponível. Já se foi 70 anos do final da segunda grande guerra e o mundo ainda não digeriu nem um terço de suas causas e consequências. aliás, quem em sã consciência consegue entender uma guerra? Talvez os generais! Talvez os sedento de poder! Talvez os amalucados! Talvez os defensores da fé a todo custo! Talvez as ideologias transvestidas de santidades e espantos demagógicos! Ou talvez não muito, mas apenas a vontade de dois bicudos de se beijarem. O ditado ensina que só existe briga quando dois querem. – E quando muitos querem? – Bem, aí a briga é grande, vira barraco e sobra para quem não tem nada a ver com a peleja. A história do navio de guerra brasileiro Cruzador Bahia, que explodiu na costa do nordeste em julho de 1945, quando a briga mundial já estava nos descontos, é mais um caso que não casa com coisa nenhuma, ficou o dito pelo não dito e a história vem sendo contada entre o sim e o não e até em romance, como no livro “O Porto Distante”, escrito pelo Oficial de Marinha (R1) Paulo Afonso Paiva. Confesso que não li o livro, mas gostaria de ler e vou ler, porém, recebi do autor a sinopse para divulgação. O livro está sendo vendido diretamente pelo autor através do email: paivap50@gmail.com

A segunda guerra acabou na Europa no dia 8 de maio de 1945, mas continuou no Oriente. No dia 4 de julho daquele ano, o Cruzador “Bahia”, que estava fundeado próximo aos Rochedos de São Pedro e São Paulo – em apoio aos aviões americanos que vinham da Europa – repentinamente explodiu. Dos 382 tripulantes, somente 36 sobreviveram. O inquérito deu como causa “incidente de tiro”. No dia 10 de julho daquele ano, o submarino alemão U-530 rendeu-se na Argentina e no dia 17 de agosto, o U-977.

Durante a guerra, a Marinha brasileira estava subordinada à IV Frota Americana, com sede no Recife. O caso do “incidente de tiro” nunca foi assimilado no meio naval. No entanto, somente agora, com os documentos da Marinha Argentina tornados públicos foi que se soube a verdade. Dois jornalistas argentinos descobriam por que os americanos encobriram esse crime. Houve uma barganha entre os alemães, o Pentágono e os argentinos. O livro “O Porto Distante” conta essa história de forma romanceada, mas verdadeira.

Pergunte-se a qualquer jovem o que foi o “Titanic” e eles dizem, mas perguntem o que foi o “Bahia” – o nosso Titanic “ – e ninguém sabe. Honra àqueles homens que morreram cumprindo seu dever.

Um livro ímpar

20160712_200444“A vida não é a que cada um viveu, mas a que recorda e como a recorda para contá-la.” Com essa frase de Gabriel Garcia Márquez a jornalista Karla Larissa abre a ultima passagem do livro Dois no Mundo, que escreveu para contar a história da viagem que fez com o marido, Fred Santos, por cinco continentes em 2013. Gosto de falar dos livros que li, porque vejo nessa atitude uma forma de ajudar pessoas a visualizarem o mundo além dos olhos. Os livros tem a magia de transformar vidas, realizar sonhos e desbravar horizontes, e por mais que sejamos céticos com as palavras ali escritas, não podemos deixar de perceber que a nossa mente se abre para confrontar verdades e mentiras que há muito travam nossos pensamentos. Recebi o livro Dois no Mundo das mãos de minha Mãe, dizendo ela que me via naquelas páginas, pois o que o casal viveu durante um ano de viagens pelo mundo, deixando tudo para trás para descobrir o sentido da vida, segundo minha Ceminha, tinha um pouco do que vivemos a bordo do Avoante. Dois no Mundo é livro que conta além do horizonte de uma viagem de um casal, ele é reflexivo e nos faz caminhar no maravilhoso universos dos sonhos realizados. A escritora buscou na frase “ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar”, de Carlos Drummond de Andrade, o combustível para dar vida a um sonho que ela conclui assim: “E foram os estranhos ímpares que conhecemos pelo nosso caminho…que deram sentido às nossas viagens…Foi com a convivência com esses personagens da vida real que aprendi, cresci e moldei em mim uma nova estranha. Estranha até mesmo para meu antigo eu”. Dois no Mundo, Fortunella Casa Editrice, é um livro ímpar!

Apologia ao povo do mar

20160629_232427A Bahia não seria Bahia se não tivesse existido Jorge Amado e Dorival Caymmi, dois monstros sagrados que elevaram a terra do Senhor do Bonfim ao patamar de um mundo sem igual, um mundo em que história, causos e costumes passeiam de mãos dadas entre lendas e verdades ficando difícil saber onde começa um e termina o outro. Amado fez, faz e fará gerações se encantarem com as páginas de livros que criam vida sem que se precise nenhum esforço do leitor. Caymmi segue na mesma toada do escritor, só que em músicas e letras que nem precisam ser cantadas para gerar emoção e prazer aos ouvidos alheios. As canções de Dorival Caymmi é um bálsamo para a alma de um navegante, até mesmo quando ele canta em câmera lenta “…É doce morrer no mar…”. “É doce morrer no mar” enfronha, acoberta, emociona, apimenta e dá vida ao romance entre Lívia e Guma, personagens de uma das mais maravilhosas obras sobre tinos e desatinos dos grandes mestres saveiristas. O cais do mercado, o chão de barro, o barraco, a lama, a cachaça, as mulheres, as damas, as vendedoras do corpo, as saciadoras da alegria, a tristeza, a algazarra, a música, os ventos, as tempestades, o medo, a traição, os sonhos, os vivedores do cais, os espertalhões, o choro, a certeza, Iemanjá, Janaína, a desgraça, a glória, o frio, a incerteza e novamente o medo, o medo da morte, o medo que a tudo corrói e a tudo transforma. O medo do mar. Não existe navegante que não tema o mar, que não tema Iemanjá, que não tema os ventos, as tempestades, as ondas, a ira da deusa de cabelos longos e de beleza sem igual. O medo de Guma diante da traição e da fraqueza dos seus desejos. O amor de Lívia para o seu homem. Lívia, uma mulher com a força de Iemanjá. O mar de Iemanjá como cenário sagrado e reino das verdades e segredos dos navegantes. O mar dos saveiros e seus mestres. O mar, palco de romances, aventuras, sorte, gozo, riqueza, vitórias e infortúnios. O mar da Bahia, de todos os Santos e magia. Mar Morto, um tratado brilhante, de um escritor brilhante, sobre um mundo desconhecido e guardião de segredos. Obrigado Jorge Amado por ter escrito Mar Morto!     

Um resgate histórico dos velhos e fascinantes Saveiros da Bahia

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Dia desses eu estava lavando o Avoante no píer de serviço do Aratu Iate Clube, quando chegou o amigo Sérgio “Pinauna” Netto perguntando: – Nelson você aceita um livro? – Claro que sim! – Espere ai que vou buscar. Ao retornar, com o livro na mão, ele falou: – Se não quiser ler, ou se já leu, pode deixar na biblioteca do clube ou doe a quem quiser. O livro em questão era o da imagem acima, Embarcações do Recôncavo – Um estudo de origens, do antropólogo luso-brasileiro Pedro Agostinho, esgotado desde de 1973 e que em 2011 foi reeditado pela Oiti/OAS Empreendimentos. A obra é uma joia rara e um resgate da cultura náutica da Bahia, em que tinha o Saveiro como grande baluarte. Recheado de fotos belíssimas, inseridas em um escrito histórico de encher os olhos, o livro me deixou maravilhado. Como bem disse a Senhora Carmine De Sierve, no texto de apresentação: …uma obra de referência, um tesouro desejado por aqueles que se interessam pela história e etnografia naval e pelo patrimônio cultural da Bahia e do Brasil” Caro amigo Sérgio Pinauna, só tenho a agradecer o presente e dizer que ele está sendo muito bem aproveitado em minhas fontes de pesquisa.

Um livro.

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“ – Esse livro é fantástico!” Estávamos conversando com dois amigos na sala da biblioteca do Aratu Iate Clube – todo clube e toda marina deveria ter uma biblioteca, livre e desburocratizada como a do Aratu – quando um deles levantou pegou um livro e o indicou com a frase que inicia essa postagem. Na hora pensei nos dois que me aguardavam a bordo do Avoante, e que eu teimava em não terminar a leitura, e declinei da indicação. No dia seguinte lá estava eu diante daquela biblioteca ouvindo o eco das palavras do meu amigo: “Esse livro é fan… ”. Peguei! Queda de Gigantes, um romance histórico maravilhosamente fantástico em que o autor, Ken Follett, nos faz caminhar pelos salões dos palácios da Grã-Bretanha, mergulhar nas profundezas escuras das minas de carvão do País de Gales, rastejar entre as trincheiras e campos de batalha da Primeira Guerra Mundial e observar cenas dos bastidores da Revolução Russa. Um período de rápidas transformações e que mudou a face do nosso planeta. O livro é o primeiro volume da trilogia “O Século” e agora vou sair em busca do segundo “O Inverno do Mundo”. Obrigado Mário Hilsenrath pela indicação.

Conversa com um gigante do Rock

4 abril (213)No último dia 13 de Julho foi comemorado o dia do Rock, ritmo alucinante que deu acentuado contratempo ao mundo, influenciando estilos de vida, moda, atitudes e linguagem. Nada voltou a ser o que era antes depois do Rock and Roll. A discoteca do Avoante tem muita coisa boa dessa batida forte, eletrizada por guitarras endiabradas e adoro velejar escutando o velho e bom Led Zeppelin, viajando nos solos maravilhosos do guitarrista Jimmy Page. Mas também tem alguns livros sobre o assunto, como o Luz e Sombra, um livro imperdível para aqueles, que como eu, adoram Rock. Se você também gosta, não deixe de ler.