Zero por cento


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Há anos não assistia uma partida de futebol entre dois clubes do Rio Grande do Norte, mas neste abril de 2019, atiçado pelo chamado televisivo da decisão entre ABC e América, e estando na casa de um amigo, porque na minha cabaninha de praia não tem televisor, e depois de tomar umas taças de vinho mais à vontade, decidi me posicionar em frente a telinha para curiar o famoso, segundo os radialistas, “clássico rei” do RN, mas o que assisti me fez lembrar uma história engraçada que teve como protagonista o sobrinho de um grande amigo. Mas antes de prosseguir na prosa, vou adiantar que fazia tempo que não assistia uma pelada tão sem futuro.

Pois bem, o sobrinho do meu amigo, na época com idade em torno de 10 a 12 anos, acompanhava o pai em uma recepção de casamento e depois de mais de hora sentado na mesa, sem ao menos passar um garçom para oferecer um copo de água e muito menos alguns quitutes, apareceu o pai da noiva para cumprimentá-los e perguntou se estavam sendo bem atendidos e se estava faltando alguma coisa. O pai do menino, educadamente, respondeu que estava tudo cem por cento, mas como criança não mente e nem manda recado, o menino fechou a cara e disse: – Tudo cem por cento, nada, até agora não veio nem um refrigerante e nem um salgadinho, está tudo zero por cento!

Depois de ver o jogo ABC e América até os 30 minutos do segundo tempo, porque não deu mais para perder tempo assistindo o arremedo de futebol disputado entre duas equipes extremamente medíocres, desliguei a TV. Em outros tempos fui apaixonado por futebol, torcedor do ABC, dificilmente perdia um jogo no antigo Castelão, depois Machadão, e assisti muitos jogos entre Força e Luz e Atlético, os dois mais fracos, inclusive em uma partida choveu tanto em Natal que no estádio só tinha eu, mais uns 20 fissurados e as equipes de rádio, mas sinceramente, nunca vi um jogo tão sem futuro, tão sem propósito, tão sem objetivo e tecnicamente sofrível, como o primeiro jogo da decisão do campeonato potiguar 2019. O que acho mais engraçado é escutar os locutores endeusando os jogadores, bradando loas entusiasmadas sobre a disputa e ver que os clubes ainda conseguem torcida para torcer e os cabras ainda trocam bofetes. Sei não, viu!

Na próxima quarta-feira, 24/04, acontecerá a “grande final” e pelo que vi ontem, 17/04, qualquer que seja o campeão, o futebol sairá de campo derrotado e a taça será levantada morta de vergonha. Como diria o sobrinho do meu amigo: Futebol zero por cento!

-Ah, quer saber o resultado do jogo? – 0 x 0 porque as equipes não sabiam para que lado atacar.

Nelson Mattos Filho

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