Memórias do mar


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Sophie Bely, que nesse retrato de recordação posa ao lado do amigo Fabio Tossi, era uma navegadora como poucas, mas tão poucas que se juntassem todas a bordo de um veleiro de 20 pés, acho que sobraria espaço e seria um veleiro sem a figura central de um comandante, porque todas, ou melhor, a seletíssima tripulação não necessitaria de comando. Na última quarta-feira, 06/03, Sophie, a mitológica esposa do navegador Oleg Bely, falecido em maio de 2016, caiu e desapareceu no mar, junto com o comandante Arnout, do veleiro polar Paradise, após o barco ser atingido de lado por uma onda, enquanto atravessavam o oceano austral de volta ao continente sul americano. Mas esse acidente quem vai relatar é o João Lara Mesquita, no link que copiei e colei logo abaixo. A história que quero contar é que conheci a Sophie e o Oleg, durante uma passagem tumultuada e quase trágica do veleiro Kotic II, do casal, no Iate Clube do Natal, se não me engano, no final dos anos 90. O Kotic II estava em rumo cravado para os EUA e ao passar ao largo da capital potiguar, Oleg desejou dar um abraço no amigo e também navegador Zeca Martino, e assim fez. Ao adentrar o Rio Potengi, com a tripulação ansiosa para rever os amigos e reconhecer o local de ancoragem, todos se posicionaram no convéns e nem perceberam um princípio de incêndio que acontecia no sistema elétrico de acionamento da bolina retrátil. Enquanto o Kotic II desfilava em frente ao clube, o marinheiro Galego, que Deus o tenha, que estava fazendo manutenção no alto do mastro de um veleiro no píer, notou a fumaça que saia de dentro do Kotic e entre gestos e gritos chamou atenção da tripulação que já não podia fazer muita coisa, a não ser salvar o que pudessem. A tragédia só não se confirmou, porque a marinharia do Clube acionou o Corpo de Bombeiros, que tinha uma base em um terminal da Petrobras, nas proximidades, e quando o caminhão dos Bombeiros chegou, entrou direto em uma das balsas que na época faziam a travessia o Potengi, e numa manobra ágil e arriscada o comandante da balsa conseguiu atracar ao lado do Kotic II e debelar o fogo. Grande parte do interior do veleiro foi consumido pelo fogo e a gata de estimação do casal não resistiu. Foi uma comoção, porém, Oleg e Sophie não se deram por vencidos e já no dia seguinte iniciaram os trabalhos de reconstrução, que durou uns três meses, e receberam total apoio do Iate Clube, onde deixaram bons amigos e boas lembranças.  

Mar Sem Fim: Sophie Bely, a morte trágica de uma navegadora

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