Nas veredas das dunas – I


7 Julho (29)As areias e dunas das praias do Rio Grande do Norte e Ceará e um atrativo para os proprietários de carros 4×4 e buggy e tem roteiros para todos os gostos e gastos. Não que isso seja visto com bons olhos pelos órgãos e ONGs ligados ao meio ambiente e também pelos banhistas, que perdem o sossego e a paz com tantos automóveis circulando sem nenhuma regulamentação adequada, muitas vezes em velocidades alucinantes e dirigidos por motoristas fazendo uso de bebidas alcoólicas. Antes que eu leve uma bordoada é preciso dizer que toda exceção tem uma regra.

7 Julho (38)Carro em beira de praia pode até parecer uma aberração nesses tempos de politicamente correto, onde o correto nem sempre está do lado do politicamente falando, mas é isso o que mais se vê nas praias ensolaradas de um Nordeste arretado de bonito. Que o passeio é maravilhoso, ninguém duvide, e de vez em quando embarco no carro de um amigo para aproveitar o que ainda pode ser feito, porém, embarco como um fiel e atento navegador no quesito segurança total no passeio e no que der para ser feito para não agredir tanto a natureza bela e indefesa. Nem sempre dá, mas a gente tenta!

6 Junho (123)Pois bem, hoje morando na paradisíaca praia de Enxu Queimado, litoral norte potiguar, em um pedaço quase virgem de praia – quase virgem é ótimo -, recebo a visita de alguns amigos e quando eles vêm aboletados em possantes 4×4, tentam nos levar pelas trilhas das dunas, que conheço bem, para um passeio até a Praia de Galinhos, uma das joias do turismo do RN. Tentam, tentam, atanazam e as vezes ganham a parada e lá vamos nós. Foi numa dessas que embarcamos no carro do casal Afonso e Fabiola Melo e pegamos o beco, ou melhor, o areal para a praia peninsular, onde teoricamente não deveria existir tráfego de automóveis, porém, como em tudo nesse nosso Brasil tem um senão, Galinhos tem carro sim, e muito senões para macular as teorias e normas.

7 Julho (34)Conheci Galinhos quando tudo era apenas uma brincadeira de aventureiros em meio a um amontado de cabaninhas de pescadores e uma ou duas ideias de pousadas em estado aconchegantemente bruto. Era show! Para chegar até lá o mais fácil era de carro pela BR 406 até o Pratagil, estacionamento público onde deixávamos o carro e embarcávamos num barco a vela para chegar a praia do outro lado do rio. Hoje ainda é assim, mas os barcos são a motor. De buggy pela beira mar, partindo de Caiçara do Norte, era um viajandão em todos os sentidos e existiam poucos carros fazendo o trajeto. Hoje, a beira mar entre Caiçara e Galinhos é uma via expressa e se vê todo tipo de modelo de carro e não apenas os 4×4 e buggys. É uma farra!

7 Julho (91)Será que estou muito crítico nessa prosa? Acho que sim e acho que não, mas é melhor dar bordo e seguir viagem no possante de Afonso.

7 Julho (40)Saímos de Enxu na manhã de um domingo feliz, com maré no começo da vazante, serpenteamos as dunas da Ponta dos Três Irmãos, um ponto notável e onde começa a Carta Náutica 800, desembocamos na Praia do Serafim, para mim umas das mais belas desse litoral, acionamos a tração total para cruzar as praias de São Bento do Norte até darmos de cara com o Farol de Santo Alberto, motivo de teima histórica entre os moradores de São Bento e Caiçara. Acho que o farol pertence ao Santo Bento, mas os pescadores batem o pé e afirmam com todas as letras que é de Caiçara. A peleja é grande! Do farol tomamos as ruas das cidades, isso mesmo, das cidades, pois são tão pegadas que não se definem. – E por que seguir pelas ruas e não pela beira mar? Porque foram construídos alguns espigões na beira mar, para tentar segurar a força da maré, e estes impedem a circulação de veículos. Cruzamos Caiçara por completo e novamente caímos na faixa de areia e dali para frente acessamos a via expressa. Lembra que falei nela?

7 Julho (49)7 Julho (48)7 Julho (50)7 Julho (52)7 Julho (53)7 Julho (62)Mais ou menos 20 quilômetros separam Caiçara do Norte de Galinhos, pela beira mar e depois de algumas teimas a bordo chegamos ao destino, onde paramos para registrar em fotografia a passagem da nossa trupe. Retrato batido, algumas considerações, alguns pormenores e fomos passear de carro pelas ruas de Galinhos. – De carro? Pois é, de carro! Tentei reviver a nossa primeira visita aquele outrora paraíso, mas não encontrei o fio da meada. O farol está lá, lindo como sempre foi, mas a áurea da cidade já não é a mesma. Pedra de calçamento em vez das escaldantes areias, que nos fazia apressar o passo. Visitantes por todos os lugares. Inúmeras casas. Várias pousadas. Muitos bares e restaurantes espalhados na praia da frente. O portinho desfigurado, porém, os Tele Burros continuam trafegando e tem até estacionamento e associação. – Quer saber? – Perdi o encanto daquela primeira vez, quando o silêncio imperava, a paz era sentida em cada passo que dávamos, o aceno e o aperto de mão era caloroso, tudo era magia, tudo era vento, mar, rio e barco a vela.

7 Julho (54)Paramos o carro em frente ao porto, fiz algumas fotos, tomei uma água, entrei novamente no carro e me recolhi em reflexões, enquanto esperava Lucia que tinha ido tentar reencontrar vestígios do passado.

7 Julho (57)O que fizeram com você Galinhos?

Nelson Mattos Filho

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3 Respostas para “Nas veredas das dunas – I

  1. Belas fotos e texto!
    Conheci Galinhos em 2004 a bordo de um 4×4, numa expedição solo de Fortaleza a Natal pelas praias … e voltei a Galinhos em 2007 e já notei muita diferença imagino hoje então.
    Pena que alguns dos encantos pegaram o beco, mas foi muito bom tê-los vivido

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    • diariodoavoante

      É isso, meu amigo Paulo, como disse certa vez um amigo, quando tentei lhe fazer uma reclamação sobre fatos desagradáveis que estavam acontecendo em um clube náutico: – Nelson, os ventos mudam? Eu respondi que sim e ele treplicou: – Pois é, as coisas mudam! Grande abraço, Paulo

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  2. Pingback: Nas veredas das dunas – II | Diário do Avoante

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