Cartas de Enxu 09


10 Outubro (5)

Enxu Queimado/RN, 04 de março de 2017

Sabe meu amigo Maracatu, dia desses o comandante Érico, um lobo do mar arrochado que só vendo, me escreveu em resposta a Carta 06 e lembrou uma frase de um grande amigo dele ao qual reclamava pelo seu silêncio: “O meu silêncio não é importante pois por mais que dure não abalará nossa amizade”. A frase foi proferida em meados dos anos 60 e o autor, pelos contorcionismos que a vida dá, hoje em dia é sogro de uma das minhas lindas sobrinhas. Linda sim, pois lá em casa só tem gente bonita. Num é não Dr. Wilson Cleto? Pois bem meu amigo paraioca, faz tempo que não nos falamos, mas a amizade é a mesma, viu?

Rapaz, você sabe que aquela nossa ida ao circo aqui em Enxu, na companhia de Mara, Orion e Neca, para assistir a incrível mulher que vira cachorro, ainda dá ibope na mesa da cervejada? Pedrinho ainda lembra, depois de sei lá quanto tempo, da sua cara de espanto quando a dançarina Érica surgiu no picadeiro com um cachorrinho embaixo do braço e, sob o rufar dos tambores, fez a plateia silenciosa vir abaixo em gargalhadas. Bons tempos!

Mudando de assunto, pois assunto não falta, tenho acompanhado pelo Facebook suas pedaladas pelas serras cariocas e as vezes me sinto cansado só em olhar o retrato da ladeira que você diz que subiu. Rapaz, o que me encasqueta é que nas imagens você só aparece com uma latinha numa mão e segurando a magrela com a outra. Tu pega carona ou sobe pegando morcego em algum caminhão? Homi, conta essa história direito! Sim, me dê notícias daquelas deliciosas pancetas servidas pelo mestre Breves? Rapaz, aquilo é bom demais! E com cerveja gelada! Vixi!!! Nunca mais esqueci. Aliás, já fez um ano e uns tantinhos e o sabor daquele “Jesus te chama” não me sai da boca. Um dia eu volto, não prometo, mas volto!

Catu, como foi o Carnaval pelas bandas do canal do Bracuhy? Por aqui foi um show arretado de tranquilo e sem nenhum azedume dessa violência toda que varre esse país destituído de dignidade. Rapaz, na segunda-feira de Carnaval, organizamos um bloco, convidamos meio mundo de gente, ensaiamos os passos, aguamos a cabeça com umas “marditas” e na hora do frevo arrochar o nó: Cadê a orquestra? Mas homi, não é que a banda atravessou a partitura e escafedeu-se! Resultado: Já que estávamos esperando mesmo e lá vinha o bloco As Putas de Segunda, olhamos uns para os outros, brindamos e fomos atrás marcando o passo. Pense numa brincadeira boa!

Ei pedaleiro, você está vendo como estou comportado e ainda não lhe chamei por aquele apelido que Lucia te batizou? Se preocupe não que treinei os dedos para não passar nem triscando pelas teclas que juntam as letras do apelido. Onde danado já se viu apelidar um amigo com aquele nome esquisito? Só Lucia mesmo! E você ainda lembra onde se deu o batizado? Se você soubesse que iria ser assim não tinha chamado para comer aquele acarajé no Pelourinho, né não? Também, você pegou pesado com a cearense. Bem feito! Mas quem tem culpa no cartório é a Cláudia Bohn, que deu com a língua nos dentes, e a Mara, que em vez de desmentir, acendeu um cigarro e sorriu. E você bem sabe como Lucia é. Sobrou pra tu, maracatu!

Meu amigo, dia desses li uma postagem da Guta do Fausto – ou será Fausto de Guta? –, em que ela estava toda jururu com o rumo a tomar depois que retornaram da volta ao mundo e lembrei da sua entrevista com o Marçal Ceccon, velejador indo e voltando, onde ele falou dos detalhes entristecidos para desembarcar de vez do Rapunzel e do rumo que a vida tomou no sítio em que ele e a Eneida foram morar. Confesso que li aquela entrevista centenas de vezes, até ouvi os duendes de bordo cochicharem baixinho pelos cantos que eu estava próximo de desembarcar. Fiz até uma crônica sobre a entrevista e qualquer dia lhe mostrarei. Mas o que eu quero dizer é que, o Marçal, para desanuviar o pensamento do Rapunzel, se meteu a reformar um velho jipe e isso o estava ajudando a traçar novos rumos e descobrir novos e felizes horizontes.

Meu amigo Hélio Viana, hoje faz oito meses que deixei o Avoante para trás e juro que todos os dias acordo como se ainda estivesse a bordo e até sonho com a caminha de proa aconchegante e as vezes sufocante demais, mas sigo em frente de cabeça erguida e sempre de olho nos ventos e horizontes, que a cada dia se transformam. Não tenho um jipe a reformar, mas uma cabaninha de praia alegre e bonita que estava precisando de um trato. No quintal plantei umas plantinhas que águo diariamente, o que para mim é o momento de pensar na vida e criar o mote dos meus escritos. Sabe o que eu digo a Guta? Que ela não se avexe!

Catu, dê um beijão na Mara. Hoje por aqui o Céu está nublado, a Lua quarto crescente e o vento é Leste/Sueste

Nelson Mattos Filho

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4 Respostas para “Cartas de Enxu 09

  1. Valeu as lembranças Nelson. Vira e mexe conto o causo da mulher q vira cachorro. Um dia tb volto, só não sei quando. Beijos e… Boi de manga é a mãe!

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  2. Sempre com palavras e pensamentos profundos, não foram para mim desta vez mais emocionei…. qualquer dia vou conhecer sua horta e comer um peixinnnn frito os amigos queridos!! Saudades Powwwww!!!!

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    • diariodoavoante

      Meu caro guardião da Barrinha dos Marcos, venha mesmo e venha pronto para passar uns dias. Vou esquentar a frigideira com dendê. Abraços,

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