Cartas de Enxu 07


11 Novembro (179)

Enxu Queimado/RN, 08 de fevereiro de 2017

Caro amigo Chaguinhas, como vão as coisas e as mangabas das terras sergipanas? Por aqui a vidinha vai sendo levada do jeito que precisa ser, mas digo que ainda não perdi a mania de olhar o vento todas as manhãs. Dia desses fui falar para um amigo que eu via o vento e ele ficou me olhando meio atravessado. No mínimo, em pensamento, ficou me chamando de mentiroso e para não ter que dar explicações, sem explicar nada, abri outra cerveja e o assunto morreu. Mas lembro bem que naquele dia Éolo mandava ver com um sueste soprador. Aliás, vento por aqui é o que não falta e tem até uma ruma de moinhos de vento produzindo energia dia e noite, noite e dia, feito cantiga de grilo. Meu amigo, agora me diga: – Será que algum dia perco essa mania de velejador de olhar o vento? – Estou achando que não, pois isso me faz mais próximo do mundo encantado que é o mar e seus elementos maravilhosos.

Dando um bordo nessa prosa: – Você tem visto como tem caminhado errante esse nosso Brasil? O trem descarrilhou de vez e acho que não vai dar nem para juntar os cacos, pois a coisa está feia e fedendo. Você viu o que estão fazendo nas ruas daquele porto gostoso de Vitória? Aquilo para mim é guerra e o pior que os homens da lei e da ordem tão nem aí para a cor da chita. Agora me diga mesmo: – Será que ainda existe a tal da vergonha na cara? Pois acho que num existe. Antigamente nossos pais ensinavam vergonha em casa e com ajuda de um cinturão bem zeloso e a gente aprendia sem errar uma letrinha sequer. Mas isso era naquele tempo, né não? Hoje dizem até que era ensinamento errado, mas digo que a gente aprendia e aprendia bonito. Eu mesmo levei umas boas lapadas, pois Ceminha tinha pena não.

Chaguinhas, noite dessas, deitado na rede espalhada na varanda, fiquei matutando enquanto assistia o voo cegos dos morcegos e me veio a gaiatice de pensar em chamar os portugueses e suas Naus sem direção, para cobrir novamente essa antiga pindorama, pois há muito deixamos de ser uma terra livre de males. – Será que eles aceitam? Se não souber a resposta, pergunte ao Bolt que ele deve saber.

Ei, é como vai o velho, valente e bom Intuição? E aquele povo arretado do Aratu? Tenho saudades daqueles fins de tarde entremeados de gostosos bate papos sobre as grandes navegações e travessias homéricas das águas do Senhor do Bonfim. Saudades do Maurício, Ney, Paulão, Wilson, Antoneto, Nadier, Neném, Antônio Aleluia, Gerson, Gomes, Cláudio, Haroldo, Julival, Wilder, Pinauna, as meninas da secretaria, Dr. Cabral, da marinharia show de bola, do grande Bicão e seu fusca bala. E os pasteis? Vixi! Dizem que é complicado nomear os amigos, porque sempre faltam alguns e faltam mesmos, pois fizemos uma legião enorme no Aratu Iate Clube.

Sim, me diga aí como vai a pracinha king size que você construiu na popa do Intuição. O Odilon aprovou? E o Rivelino já mandou cobrar pelo acréscimo do comprimento? E o fogão está funcionando mesmo ou a comida vai com a assinatura de Cristiane? Conte tudo e não me esconda nada, mas sobre o fogão não precisa falar, porque acho que já sei a resposta. Aliás, o Moonlight vez em quando liga para contar as últimas. O bicho é falador!

Meu amigo, quando você dará o ar de sua graça em minha cabaninha de praia? Traga Dona Bia que sei que ela vai adorar, pois aqui é uma varada legal para se jogar conversa fora e ver a praia por entre um belo coqueiral. E por falar em coqueiral, esse de Enxu é lindo demais. Para mim ele é o DNA dessa vilazinha de pescadores e se tivesse oportunidade diria ao prefeito para desapropriar tudo e fazer do espaço uma grande praça sombreada, com um vasto calçadão serpenteando as árvores e bancos para a população relaxar e pensar na vida. Meu amigo, venha pelo menos conhecer o coqueiral e comer um peixe frito no dendê que Lucia importou de Camamu. Olhe, garanto presenteá-lo com uma Coca Cola estupidamente gelada e umas Saltenhas dos deuses que Lucia está produzindo maravilhosamente bem.

Hoje a Lua está crescente e falta um tiquinho de nada para surgir no horizonte do mar esplendorosamente cheia. De minha rede na varanda fico extasiado com o brilho e o poder encantador do nosso satélite natural. O que pensavam os povos lá de trás diante de tanta lindeza? Agora fiquei a pensar em quantas Luas eu já tive a alegria de ver. Dizem que os índios contavam os dias pelas fases da Lua. Eita povo sabido!

Meu caro e bom amigo, capitão de longo curso Sérgio Chagas, vou contar as Luas para ver você e Bia embaixo de nossa choupanazinha. Venha meu amigo e não fique inventado desculpas, pois conheço todas. Essa semana está tendo uma correção de Bonito, venha ver a beleza das jangadas chegando do mar com os cestos cheios. O povo do mar é só alegria quando a produção é boa!

Até mais!

Nelson Mattos Filho

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8 Respostas para “Cartas de Enxu 07

  1. Parabens Nelson pelo belo trabalho que fazes. Bons Ventos e um forte abraço. Acompanho o teu Blog há muitos anos.
    Gunnar Hansen – Veleiro Tagus – Porto Alegre – Florianópolis.

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  2. Meu amigo
    é muito gratificante ter noticias suas.
    Pode ter certeza que vc e Lucia estão fazendo uma falta danada no Aratu.
    O intuição ta uma beleza to pensando em subir o primeiro andar na varanda. Odilon adorou tanto que depois da negativa do Monlight de doar uma mesa para a nossa varanda ele já enviou uma de SP para o Intuição.
    Vc agora só quer ir para Salvador para ficar no conforto do Cat do Flavio Alcides e não quer mas andar em barco pequenininho que nem o Intuição.
    Quando puder velejar conosco é só avisar que iremos a Salvador juntos. O Intuição está a sua disposição .
    Continuamos por Aqui em Aracaju sempre a sua disposição. Bolt manda um forte abraço e mandou dizer que ta doidinho para vc chegar para ele poder te dar uma boa lambida kakakakakaakakaka.
    Bia tem trabalhado muito mas assim que der iremos fazer uma visita e constatar se o papo de lagosta no café é verdade mesmo.
    Abração
    Chaguinhas Veleiro Intuição

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    • diariodoavoante

      Eita amigão velho de guerra, que bom receber sua resposta. Deve ser por isso que hoje por aqui chove muito. Grande abraço,

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  3. hehehehehehehehehehehe

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  4. Zilma Martins A de Medeiros

    Boa tarde, como dar vontade de passar o dia lendo e viajando pelas palavras que voce descreve com tanto amor a NATURAZA. Nelson e Lucia, tenho certeza que unidos levando essa vida que voces levam , ja vive uma felicidade que contagia, esse tal modo de vida.

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