Arquivo do mês: novembro 2016

Cartas de Enxu 05

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Enxu Queimado, 19 de novembro de 2016

Caro amigo violeiro e velejador Mucuripe, você já viu como esse mundo velho tem andado meio escalafobético? Rapaz, a coisa está cada dia mais enuviada e se o caboco ao acordar não se benzer três vezes e não se apegar com a proteção do Jesus Menino, tá arriscado a dá de cara com umas coisas ruins logo nos primeiros passos de uma manhã. Hoje mesmo, ao atalhar uns sites que gosto de ver, li uma frase, do jornalista potiguar François Silvestre, que me deixou assim pensando no descaminho em que estamos atolados até o gogó: “Matar gente, no Brasil, há muito deixou de ser crime. Pelo menos deixou de ser crime punível...”. Mas sabe de uma coisa? Vou deixar esse fiofó de burro para outra hora, pois nesse Brasil abrasileirado num tem homem com aquilo roxo para botar moral na zona. Rapaz, tu já viu que esse tal de Supremo ultimamente tem dado pitaco até em jogo de porrinha? Pois é! E o pior é que decidem o decido e quando a decisão chega onde era para decidir, as partes escutam por um ouvido e a sentença sai pelo outro e a vida segue como se nada tivesse acontecido.

Ei, e o Trump? Tu já viu um cara mais amarmotado do que aquele americano cabra da peste? O galego deve ter feito algum curso de careta, pois para cada retrato o cabrunco tem um trejeito diferente estampado na cara. E a patroa dele? A gringa parece uma cópia pirata da boneca Barbie com a cara mais esticada do que pandeiro de malandro. E como a turma do fuxico não deixa nada passar em branco, já descobriram e postaram nos zapzaps a foto da gringa peladinha da silva. Eu nem vi, mas nesse concurso de beleza das primeiras damas sou mais a Marcela! E tu? E por falar em Trump, por aqui, embaixo do pé de árvore de Pedrinho, o povo ainda ensaiou uma rodada de apostas, mas na hora de juntar a galinhada para casar as apostas, a coisa deu para trás e foram cuidar de assuntar sobre o mar e os ventos que estão meio endiabrados por essas bandas. Agora vou dizer: Pense numa mulher ruim de voto essa esposa de Bill. Acho se ele tivesse botado a Monica no páreo garanto que hoje estaria festejando a vitória atrás das cortinas. Sabe o que me veio na cabeça? – Será que pelas ruas dos “estaites” tocaram aquela musiquinha que fala que “o povo quer o liso”? Se a candidata de Obama não mandou tocar, perdeu uma boa oportunidade de tutucar os brios do ricaço. Ia ser uma graça universal!

Cearense, tu visse a tal da super Lua? Rapaz, a bicha estava bonita que só a peste, mas, sinceramente, não achei que fosse a maior que minhas bolas dos olhos já viram, porém, São Jorge mandou instalar uns leds especiais que iluminou até os cafundós do judas. Pense num holofote! E para comemorar a Lua, pegamos umas castanhas, botamos umas cervejas no isopor, fomos para a beira da praia, acendemos o fogo e pegue assar castanha, tomar cerveja e conversar arezia até umas horas da noite. Só faltou você para tocar umas toadas na viola.

Meu amigo, o ranchinho está ficando bonito, viu. O serviço já vai se encaminhando para o fim e do mais, falta os ajustes do mal feito, a mão de cal nas paredes e melar as portas com uma tinta da cor do mar. Sim, já ia esquecendo de falar nas plantas. Pois é, as acerolas andaram um tempo entristecidas, mas começaram a tomar ciência novamente e já dá para fazer um suco. As pitangas foi quem perderam o prumo e, segundo os entendidos no assunto, já é tempo da entressafra. Pelo menos ficaram os retratos para comparar com a próxima botada. Os coqueiros continuam bonitos, as seriguelas estão botadeiras que só vendo e agora plantei um pezinho de cajueiro precoce que ainda está na fase do cá te espero. As cabras dos vizinhos é que não me deixam sossegado, vez sim, vez não, tenho que correr para botar as danadas para fora do terreiro. Pense numa fuleragem da molesta e os donos tão nem aí para a cor da chita. Tem uma que está até pegando peso e até já sonhei com uma churrasqueira assando um pernil de cabrito. A gente tem cada sonho pecaminoso, né não? Mas que sonhei, sonhei.

Semana passada foi a festa da santa padroeira, Nossa Senhora dos Navegantes, e eu caminhei todo anjo no acompanhamento da procissão, rezei na missa e ainda tirei um retrato ao lado do Padre, pru mode mostrar pra Ceminha. Ela viu, gostou, sorriu e ainda disse um muito bem. Coração de Mãe é bom demais, e quando vem com um afago na cabeça, coisa melhor não há. E Lucia botou o nome na lista para ser afilhada da Santa, e a Santa aceitou de bom grado. Já hoje é o dia da festa profana, animada por umas bandas de forró aputanhado e umas danças meio esquisitas para cabra macho dançar. Eu é que não vou lá, mas pelo tamanho das caixas de som armada no palanque, hoje ninguém dorme. Mas já que vai ser assim, que assim seja.

Pois é meu amigo Elson Fernandes Mucuripe, a vida por aqui vai indo assim e vamos seguindo em frente como Deus quer. Até mais ver e apareça!

Nelson Mattos Filho

Fases da Lua

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Dia 14 de novembro ela estava, aos nossos olhos, enorme e mais brilhante, ontem, 18/11, estava meio caminho andado no rumo minguante, mas sempre, maravilhosamente e eternamente bela. – Oh! Lua linda, quem te fez tão formosa?

O turismos náutico e seus entraves

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Vi uma postagem no blog do jornalista potiguar Flávio Marinho, sobre a atracação de um navio no Porto de Natal na quinta-feira, 17/11, vindo das águas do Caribe. O navio Seabour Quest, com 400 passageiros e 100 tripulantes, foi festejado pela Companhia Docas do Rio Grande do Norte (CODERN) que avalia um incremento de mais de R$ 300 mil na economia de Natal/RN apenas com os gastos dos passageiros nas dez horas que permaneceu na capital potiguar. O navio atracou às 7 horas da manhã e desatracou às 17 horas com destino a capital do frevo. Pelas estimativas de cálculos, cada passageiro gastou mais de U$ 200 dólares em suas andanças por Natal. Lendo a matéria lembrei de um estudo que tomei conhecimento em 2005 sobre veleiros de cruzeiro que ancoravam em Salvador/BA e Rio de Janeiro/RJ. O estudo tinha como objetivo levantar subsídios para a Lei 4644/04, que regulamenta a permanência de embarcações de turismo no Brasil e que tem como função alavancar o turismo náutico no país. Segundo o estudo de onze anos atrás, a média de gasto de cada veleiro visitante que atracava na Bahia e Rio de Janeiro era de U$ 450,00 dólares por dia, considerando despesas dos  tripulantes e serviços de marina. Como cada estado envolvido na pesquisa recebia em média 100 embarcações por mês, dava uma arrecadação mensal por estado em torno de U$ 1.350.000,00 dólares. Mesmo que se retire todos os exageros embutidos na pesquisa, ainda seria uma boa fonte de recursos. O turismo náutico em veleiros de cruzeiro é uma realidade mundial e o Brasil, dono de um litoral extraordinário, infelizmente ainda não despertou para esse nicho de mercado. – Basta culpar os governos pela cegueira? – Claro que não, porque o problema também está dentro dos clubes náuticos. Tem clube que recebe o visitante apenas como obrigação e de tanto fazer cara feia, o visitante levanta âncora e os dirigentes e associados ainda festejam. Natal, que aplaudiu o Seabour Quest, tem tudo para receber inúmeros veleiros de cruzeiro devido a sua localização geográfica, mas dispõe apenas de um iate clube, dotado de pequena infraestrutura, e hoje perde feio para a vizinha Paraíba, que conta com pelo menos quatro marinas e todas elas praticamente sem vagas disponíveis. Em algum dia do futuro aparecerá um governante ou gestor de clube náutico que olhe para o mar e veja que ali tem uma porta de entrada.

Sobre tempestades

mapservO brasileiro que se vangloriava de morar em um país livre das catástrofes da natureza, ultimamente vem tendo que atualizar suas convicções mais otimistas e até revendo a velha máxima de que o Criador é brazuca de coração, porque os elementos, principalmente vento e mar, tem se mostrado com cara de poucos amigos nesse século XXI. Já não bastasse a seca desgraçada que nos últimos cinco anos assola o sertão nordestino, o mapa do Brasil parece que entrou de vez no circuito das tempestades endiabradas e até já foi lambido de raspão dias atrás pelo rabo de um furacão assustador que entrou pelo norte e saiu matando e destruindo tudo que encontrava pela frente, Caribe acima, até encontrar as terras do Tio Sam do mestre Obama. Essa semana o Sul e Sudeste brasileiro está sendo castigado por uma tempestade tropical batizada de Dani, que se danou tanto que fez soprar ventos a mais de 90 km/h sobre o Rio de Janeiro. Aliás, o Rio começou a semana em clima de tempestade política, com dois ex-governadores, mais santos do que os santos do mundo, olhando para o Cristo Redentor por uma janelinha quadriculada. Pois é, o clima no Brasil está mudando, e mudando tão rápido que está pegando muita gente com as calças na mão e deixando outros macambúzios.      

Dona dos meus olhos é você…

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E Nando Reis canta assim: “…Pois meus olhos vidram ao te ver/São dois fãs, um par/Pus nos olhos vidros para poder/Melhor te enxergar/Luz dos olhos para anoitecer/É só você se afastar/Pinta os lábios para escrever/A sua boca em minha…”

Um crime universal

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Quando será que o mundo vai abrir os olhos e voltar esforços para busca uma solução para a matança de migrantes que todo santo dia acontece nas águas do Mediterrâneo, sem que ninguém ou nenhum país seja ao menos responsabilizado? Todos nós ficamos escandalizados com as intermináveis tragédias denunciadas pelos jornais, mas ninguém, e nem os midiáticos movimentos sociais, movem uma palha ou levantam uma bandeira para acabar com as mortes e os naufrágios. O que vejo é a culpa ser jogada somente sobre as costas dos traficantes, que alugam barcos sem nenhuma condição de navegação, como se governantes e autoridades não tivessem nada com isso. E o que dizer dos habitantes de países dito ricos que vão as ruas contra o acolhimento dos sobreviventes da carnificina? Para mim esse século XXI será marcado como o século da hipocrisia. Hoje, 15/11, mais um barco de borracha, superlotado, naufragou na costa da Líbia, deixando quatro mortos e centenas de desaparecidos. Quem nunca foi ao mar e enxerga o mundo apenas pela telinha de um aparelhinho celular, não imagina o terror que passa um tripulante de uma viagem sem esperança de chegar em algum porto, fugindo de guerras sem sentido, e com o aval da irresponsabilidade dos grandes “lideres” do mundo. Esse crime está sendo cometido por todos nós!       

Do reino dos avoantes

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Rabo-de-palha, alma-de-gato, anu-do-campo, anum-do-campo, pelincho, guirá-acangatara, piló, piriguá, piririta, quiriquiri, quiriru ou simplesmente Anu-branco. Uma das aves mais comuns no Brasil e maravilhosamente linda. – O que ela faz aqui nesse blog? – Nada não, apenas nos presenteando com sua beleza!

A Lua e seus mistérios

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Pois bem, ontem, 14/11, mais uma vez ela fez bonito e foi a rainha da noite para zilhões de cliques ao redor do mundo. Duvido que tenha existido algo ou fato mais retratado nos últimos séculos do que essa espetaculosa super Lua. Onde existiu céu de brigadeiro ela estava lá, posando toda faceira para fotógrafos ávidos em buscar o melhor ângulo e provar suas criatividades. Eu mesmo coloquei minha máquina no bisaco e saí de casa assim que o Sol esfriou e me posicionei sobre uma duna, na praia de Enxu Queimado/RN, para esperar o grande espetáculo no firmamento. Eu é que não ia esperar para 2035, que dizem o fenômeno acontecerá novamente, pois sei lá, esse mundo está tão estranho! Quer saber? – Do meu ponto de observação a super Lua septuagenária não me pareceu maior do que suas irmãs menos famosas, mas no quesito brilho ela foi imbatível, me encantou e não teve como não lembrar de Celly Campello: “Tomo um banho de lua, fico branco como a neve/Se o luar é meu amigo, censurar ninguém se atreve/É tão bom sonhar contigo, oh! Luar tão cândido….”. Hoje saí cortando caminho pelas veredas da grande rede universal para ver os comentários sobre a lua gigante, e o que mais me chamou atenção foi uma matéria no jornal potiguar Tribuna do Norte, com o cientista, professor e velejador José Dias do Nascimento Júnior, em que ele detalha o fenômeno em uma linguagem simples, objetiva e para todo entendedor, e afirma que o homem foi a Lua sim – pois tem gente que não acredita nem recebendo dinheiro. Mas o que me deixou intrigado foi Zé Dias dizer que em algum século do futuro a Lua vai perder força e se espatifará sobre a Terra. Será o fim das paixões? O que será feito dos poetas, seresteiros, das bruxas, dos lobisomens e dos amantes? E as marés? Eeeeeh!!!   

A super Lua

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Hoje é o dia dela, depois de quase setenta anos ela reapareceu diante dos olhos do mundo. Será que na apresentação anterior ela causou todo esse reboliço midiático? Será que naquele tempo alguém se lembrou de bater pelo menos um retrato? Bem, sobre essa Lua mais brilhante do que o normal falarei depois, mas foi assim que a avistei sobre o mar e as dunas da praia de Enxu Queimado/RN.

Recado para o amadorismo

img_2575A equipe chinesa Dongfeng, que terminou em terceiro lugar na última edição da regata de volta ao mundo Volvo Ocean Race, anuncia que estará de volta na edição 2017 – 18 e novamente com o francês Charles Caudrelier no comando do barco. O time chinês espera repetir o sucesso que teve na prova de 2014 – 15 e o patrocinador espera ampliar a atenção recebida, tanto na China, como no mundo. A Dongfeng está entre as cinco maiores montadoras de automóveis chinesas e seus diretores afirmam que a participação na regata ajudou a ampliar seus negócios. Essa é mais uma prova de que o iatismo quando bem administrado é uma poderosa ferramenta de mídia e só não enxerga quem não quer ver. Esse é mais um recado para quem continua apostando no amadorismo de brincar de regatinhas.