Arquivo do mês: novembro 2016

Sol de todo dia

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…Fim da tarde a terra cora/E a gente chora/Porque finda a tarde…” Canto do povo de um lugar, Caetano Veloso

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O cafezinho

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E eu aqui deitado em minha rede na varanda crente que sabia fazer um cafezinho básico e para isso apenas esquentava a chaleira, colocava o pó no filtro e aguava com a água fervente, quando não, me socorria numa engenhosa cafeteira tipo italiana que acho o máximo. Pois é, pensei, sempre fiz e hoje vejo que pensei e fiz tudo errado. Ainda bem que não tive uma congestão e, para minha sorte, Lucia adora o café que eu faço, ou pelo menos diz que adora. Agora vejo que entre a água, o café e o bule tem uma intrigada equação matemática que nem sei se algum físico nuclear, ou algum PhD nas ciências exatas, consegue destrinchar o resultado final. – E você, sabe fazer café? – Aposto um quilo do mais caro café do mundo, talvez aquele retirado do cocô do gato, que você passa longe da sabença. E o que dizer do meu avô, que montou uma das maiores torrefações do estado do Rio Grande do Norte, batizado de Café Vencedor? Será que ele entendia mesmo de café ou será que tudo não passou de intuição de empreendedor? Rapaz, fazer café é coisa séria e nem duvido que daqui uns dias estará nas provas do Enem, ou mesmo na grade de matérias das mais afamadas universidades do mundo. Se já não tiver!

E por falar no Café Vencedor, lembrei de uma peleja publicitária entre dois dos seus principais concorrentes, com nomes do santo, São Luiz e São Braz, numa época em que o segundo, forasteiro das bandas da Paraíba, chafurdava o mercado do RN para ganhar espaço nas mesas dos potiguares. Como naquela época a mídia televisiva era tão cara quanto a hora da morte, o moído se dava através das ondas médias (AM) dos rádios, ou pelas bocas de som das velhas Rurais ou Veraneios de propaganda, mais ornamentadas do que burro de cigano, mas que nem de longe se igualavam na milacria azucrinenta dos atuais paredões de som da mala de um Monza caindo os pedaços. Bem, vendo a briga dos concorrentes tomar folego e cada um anunciando um milagre maior, o Café Vencedor estendeu uma faixa na frente do coliseu da batalha celestial com uma frase que deixou os santos meio tontos: “Na briga entre os santos, fique com o Vencedor”. E assim a paz voltou a reinar durante um bom período, porém, São Braz não ficou com essa espinha atravessada na garganta por muito tempo, voltou ao ringue e ganhou a luta de uma sacada só, até que a Santa Clara botou os olhos em cima da praça de guerra e partiu com tudo para o confronto. Mas aí é outra história!

Vixi, acho que dei um bordo muito longo e sai fora do rumo que ia indo. Meia volta, vou ver! Vamos lá de novo. Pois bem, café tem ciência sim senhor. – Quer saber? – Lá vai.

Nesse mundinho internético de tudo saí, de tudo se comenta e de tudo um pouco se transforma em um muito de uma ruma. Pois num é que uns gringos estudiosos fizeram publicar numa tal revista de matemática aplicada, uma pesquisa que trata do tamanho ideal das partículas do pó de café e quanto tempo a água aquecida deve permanecer em contato com o pó para que a bebida seja excelentemente bem servida em uma xícara. Segundo os cientistas, o objetivo do estudo é oferecer um modelo matemático para desenho e ajuste das futuras cafeteiras, do mesmo modo com são feitos os estudos de engenharia que dão melhorias os carros de corrida. – Se espante não que o negócio é sério!

Os cientistas se utilizam das teorias de estudos de sólidos e fluidos para buscarem a melhor forma do líquido (café) se movimentar dentro das cafeteiras e que assim seja possível prevenir para que o sabor não saia nem tão amargo e nem tão aguado. Eita piula! Dou por visto se eu levasse esse assunto para ser discutido sobre uma jangadinha que descansa nas areias da praia de Enxu Queimado, na hora do pôr do sol. No mínimo eu seria xingado de um repertório mais do que original de impropérios linguísticos. E nem duvido que recebesse um punhado de areia na cabeça, o que seria bem feito. Ainda bem que esse assunto vai ficar apenas por aqui mesmo. Onde já se viu o caboco ter que fazer um curso avançado de matemática para poder servir um cafezinho quente durante uma prosa com os amigos? Será que moça que faz o cafezinho de R$ 0,50 centavos, tomado pelo meu amigo Flávio Rezende, durante suas caminhas matutinas, sabe fazer conta? E o meu irmão Iranilson, cabra bom nos números, será que sabe passar café? Agora deu molesta dos cachorros! Juro que não lembro de ter visto essa tal de conta do café nas velhas e boas tabuadas de papel e nem nas que vinham impressas nos lápis grafite. Será que professora Almira, baluarte do colégio Marista, tinha conhecimento desse assunto. Se tinha garanto que nunca fez uso dessa equação durante suas aulas particulares, pois tomei alguns cafés em sua casa e não lembro de ela ter feito uso do borrão para rabiscar alguma raiz quadrada antes de colocar o pó no coador.

Esse mundo está ficando mesmo muito cheio de veredas esquisitas e quem quiser que se meta a besta de se abestalhar por aí. Nem um cafezinho com a nota mais ou mesmo temos o direito de fazer e tomar. – Sabe de uma coisa? – Eu é que não vou me arvorar em fazer conta para tomar café, pois na matemática sempre passei me arrastando, e vai que eu erre a soma. Eita mundo velho sem eira nem beira!

Nelson Mattos Filho

Viva a Bandeira!

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Ela está meio amarrotada pelas recentes trapalhadas dos nossos homens públicos, mas continua reluzente e linda. Hoje é o dia da nossa Bandeira, e como bem disse o amigo Rogerio Rosa: “O Brasil está sendo esquecido de tudo, até dos seus símbolos…”

Cartas de Enxu 05

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Enxu Queimado, 19 de novembro de 2016

Caro amigo violeiro e velejador Mucuripe, você já viu como esse mundo velho tem andado meio escalafobético? Rapaz, a coisa está cada dia mais enuviada e se o caboco ao acordar não se benzer três vezes e não se apegar com a proteção do Jesus Menino, tá arriscado a dá de cara com umas coisas ruins logo nos primeiros passos de uma manhã. Hoje mesmo, ao atalhar uns sites que gosto de ver, li uma frase, do jornalista potiguar François Silvestre, que me deixou assim pensando no descaminho em que estamos atolados até o gogó: “Matar gente, no Brasil, há muito deixou de ser crime. Pelo menos deixou de ser crime punível...”. Mas sabe de uma coisa? Vou deixar esse fiofó de burro para outra hora, pois nesse Brasil abrasileirado num tem homem com aquilo roxo para botar moral na zona. Rapaz, tu já viu que esse tal de Supremo ultimamente tem dado pitaco até em jogo de porrinha? Pois é! E o pior é que decidem o decido e quando a decisão chega onde era para decidir, as partes escutam por um ouvido e a sentença sai pelo outro e a vida segue como se nada tivesse acontecido.

Ei, e o Trump? Tu já viu um cara mais amarmotado do que aquele americano cabra da peste? O galego deve ter feito algum curso de careta, pois para cada retrato o cabrunco tem um trejeito diferente estampado na cara. E a patroa dele? A gringa parece uma cópia pirata da boneca Barbie com a cara mais esticada do que pandeiro de malandro. E como a turma do fuxico não deixa nada passar em branco, já descobriram e postaram nos zapzaps a foto da gringa peladinha da silva. Eu nem vi, mas nesse concurso de beleza das primeiras damas sou mais a Marcela! E tu? E por falar em Trump, por aqui, embaixo do pé de árvore de Pedrinho, o povo ainda ensaiou uma rodada de apostas, mas na hora de juntar a galinhada para casar as apostas, a coisa deu para trás e foram cuidar de assuntar sobre o mar e os ventos que estão meio endiabrados por essas bandas. Agora vou dizer: Pense numa mulher ruim de voto essa esposa de Bill. Acho se ele tivesse botado a Monica no páreo garanto que hoje estaria festejando a vitória atrás das cortinas. Sabe o que me veio na cabeça? – Será que pelas ruas dos “estaites” tocaram aquela musiquinha que fala que “o povo quer o liso”? Se a candidata de Obama não mandou tocar, perdeu uma boa oportunidade de tutucar os brios do ricaço. Ia ser uma graça universal!

Cearense, tu visse a tal da super Lua? Rapaz, a bicha estava bonita que só a peste, mas, sinceramente, não achei que fosse a maior que minhas bolas dos olhos já viram, porém, São Jorge mandou instalar uns leds especiais que iluminou até os cafundós do judas. Pense num holofote! E para comemorar a Lua, pegamos umas castanhas, botamos umas cervejas no isopor, fomos para a beira da praia, acendemos o fogo e pegue assar castanha, tomar cerveja e conversar arezia até umas horas da noite. Só faltou você para tocar umas toadas na viola.

Meu amigo, o ranchinho está ficando bonito, viu. O serviço já vai se encaminhando para o fim e do mais, falta os ajustes do mal feito, a mão de cal nas paredes e melar as portas com uma tinta da cor do mar. Sim, já ia esquecendo de falar nas plantas. Pois é, as acerolas andaram um tempo entristecidas, mas começaram a tomar ciência novamente e já dá para fazer um suco. As pitangas foi quem perderam o prumo e, segundo os entendidos no assunto, já é tempo da entressafra. Pelo menos ficaram os retratos para comparar com a próxima botada. Os coqueiros continuam bonitos, as seriguelas estão botadeiras que só vendo e agora plantei um pezinho de cajueiro precoce que ainda está na fase do cá te espero. As cabras dos vizinhos é que não me deixam sossegado, vez sim, vez não, tenho que correr para botar as danadas para fora do terreiro. Pense numa fuleragem da molesta e os donos tão nem aí para a cor da chita. Tem uma que está até pegando peso e até já sonhei com uma churrasqueira assando um pernil de cabrito. A gente tem cada sonho pecaminoso, né não? Mas que sonhei, sonhei.

Semana passada foi a festa da santa padroeira, Nossa Senhora dos Navegantes, e eu caminhei todo anjo no acompanhamento da procissão, rezei na missa e ainda tirei um retrato ao lado do Padre, pru mode mostrar pra Ceminha. Ela viu, gostou, sorriu e ainda disse um muito bem. Coração de Mãe é bom demais, e quando vem com um afago na cabeça, coisa melhor não há. E Lucia botou o nome na lista para ser afilhada da Santa, e a Santa aceitou de bom grado. Já hoje é o dia da festa profana, animada por umas bandas de forró aputanhado e umas danças meio esquisitas para cabra macho dançar. Eu é que não vou lá, mas pelo tamanho das caixas de som armada no palanque, hoje ninguém dorme. Mas já que vai ser assim, que assim seja.

Pois é meu amigo Elson Fernandes Mucuripe, a vida por aqui vai indo assim e vamos seguindo em frente como Deus quer. Até mais ver e apareça!

Nelson Mattos Filho

Fases da Lua

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Dia 14 de novembro ela estava, aos nossos olhos, enorme e mais brilhante, ontem, 18/11, estava meio caminho andado no rumo minguante, mas sempre, maravilhosamente e eternamente bela. – Oh! Lua linda, quem te fez tão formosa?

O turismos náutico e seus entraves

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Vi uma postagem no blog do jornalista potiguar Flávio Marinho, sobre a atracação de um navio no Porto de Natal na quinta-feira, 17/11, vindo das águas do Caribe. O navio Seabour Quest, com 400 passageiros e 100 tripulantes, foi festejado pela Companhia Docas do Rio Grande do Norte (CODERN) que avalia um incremento de mais de R$ 300 mil na economia de Natal/RN apenas com os gastos dos passageiros nas dez horas que permaneceu na capital potiguar. O navio atracou às 7 horas da manhã e desatracou às 17 horas com destino a capital do frevo. Pelas estimativas de cálculos, cada passageiro gastou mais de U$ 200 dólares em suas andanças por Natal. Lendo a matéria lembrei de um estudo que tomei conhecimento em 2005 sobre veleiros de cruzeiro que ancoravam em Salvador/BA e Rio de Janeiro/RJ. O estudo tinha como objetivo levantar subsídios para a Lei 4644/04, que regulamenta a permanência de embarcações de turismo no Brasil e que tem como função alavancar o turismo náutico no país. Segundo o estudo de onze anos atrás, a média de gasto de cada veleiro visitante que atracava na Bahia e Rio de Janeiro era de U$ 450,00 dólares por dia, considerando despesas dos  tripulantes e serviços de marina. Como cada estado envolvido na pesquisa recebia em média 100 embarcações por mês, dava uma arrecadação mensal por estado em torno de U$ 1.350.000,00 dólares. Mesmo que se retire todos os exageros embutidos na pesquisa, ainda seria uma boa fonte de recursos. O turismo náutico em veleiros de cruzeiro é uma realidade mundial e o Brasil, dono de um litoral extraordinário, infelizmente ainda não despertou para esse nicho de mercado. – Basta culpar os governos pela cegueira? – Claro que não, porque o problema também está dentro dos clubes náuticos. Tem clube que recebe o visitante apenas como obrigação e de tanto fazer cara feia, o visitante levanta âncora e os dirigentes e associados ainda festejam. Natal, que aplaudiu o Seabour Quest, tem tudo para receber inúmeros veleiros de cruzeiro devido a sua localização geográfica, mas dispõe apenas de um iate clube, dotado de pequena infraestrutura, e hoje perde feio para a vizinha Paraíba, que conta com pelo menos quatro marinas e todas elas praticamente sem vagas disponíveis. Em algum dia do futuro aparecerá um governante ou gestor de clube náutico que olhe para o mar e veja que ali tem uma porta de entrada.

Sobre tempestades

mapservO brasileiro que se vangloriava de morar em um país livre das catástrofes da natureza, ultimamente vem tendo que atualizar suas convicções mais otimistas e até revendo a velha máxima de que o Criador é brazuca de coração, porque os elementos, principalmente vento e mar, tem se mostrado com cara de poucos amigos nesse século XXI. Já não bastasse a seca desgraçada que nos últimos cinco anos assola o sertão nordestino, o mapa do Brasil parece que entrou de vez no circuito das tempestades endiabradas e até já foi lambido de raspão dias atrás pelo rabo de um furacão assustador que entrou pelo norte e saiu matando e destruindo tudo que encontrava pela frente, Caribe acima, até encontrar as terras do Tio Sam do mestre Obama. Essa semana o Sul e Sudeste brasileiro está sendo castigado por uma tempestade tropical batizada de Dani, que se danou tanto que fez soprar ventos a mais de 90 km/h sobre o Rio de Janeiro. Aliás, o Rio começou a semana em clima de tempestade política, com dois ex-governadores, mais santos do que os santos do mundo, olhando para o Cristo Redentor por uma janelinha quadriculada. Pois é, o clima no Brasil está mudando, e mudando tão rápido que está pegando muita gente com as calças na mão e deixando outros macambúzios.