Uai! Parte 14


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Sabará na língua tupi significa pedra reluzente e no mapa de Minas Gerais se configura como um belo e tradicional município, tão próximo de Belo Horizonte que fica até difícil para um visitante saber onde começa um e termina o outro. Com uma população de mais de 126 habitantes, segundo o censo de 2010, a cidade que nasceu de uma antiga vila de bandeirantes, sob a regência do ciclo do ouro e da prata, como quase toda cidade mineira, e seguindo a partitura de uma lenda que envolvia a serra de Sabarabuçu, hoje batizada de serra da Piedade, tem uma história recheada de intrigas, violências e paixões, tão comum nos arraiais de mineração e ainda tão em voga no mundo atual. Aliás, intrigas, violências e paixões é a mola mestra que move os terráqueos desde de que esse asteroide pequeno se declarou dotado de inteligência.

 2 junho IMG_0001 (6)2 junho IMG_0001 (9)2 junho IMG_0001 (29)Pois bem, Sabará praticamente havia ficado de fora de nosso roteiro, mas como o voo de Sandra e Venícios era pela manhã e o nosso à noite, deixamos o casal no aeroporto e voltamos para conhecer um pouco mais da capital mineira. No caminho vimos a placa de Sabará e entramos. Juro que esperei mais da cidade e até que seus monumentos históricos estivessem mais bem preservados, porém, ficamos surpresos com o que vimos. Talvez a proximidade com a capital tenha contribuído para tirar um pouco do brilho do antigo arraial do ouro, mas também pode ter sido um desencantamento de final de viagem depois de ter visitado Ouro Preto, Diamantina, Congonhas, Tiradentes, Mariana, Beriberi e tantas cidadezinhas e museus encantadores. Tudo pode ter sido, mas pretendemos um dia retornar com mais calma a cidade para descobrir seus segredos e revisitar a bela Igreja de Nossa Senhora do Carmo, que passamos o olho ligeiramente por seu interior e deu para perceber a beleza dos traços do mestre Aleijadinho.

2 junho IMG_0001 (14)2 junho IMG_0001 (18)2 junho IMG_0001 (21)2 junho IMG_0001 (24)2 junho IMG_0001 (26)2 junho IMG_0001 (8)2 junho IMG_0001 (33)

Visitamos a Casa da Ópera (Teatro Municipal) que apesar de ter uma arquitetura fantástica e ter tido na plateia os imperadores Dom Perdro I e Dom Pedro II, encontra-se em lastimável estado de depreciação. Caminhamos despreocupadamente pelo centro, passamos em frente à casa de Borba Gato, bandeirante e explorador que chegou a região através do seu sogro Fernão Dias Paes e chegou a ser juiz ordinário da Vila de Sabará. Borba Gato, que recebeu homenagem de uma estátua de bronze no Museu Paulista por seu extraordinário conhecimento como bandeirante, apesar de sua importância na administração da antiga Vila, não se sabe onde está enterrado. Paramos um pouco na praça para observar o movimento da cidade e fomos saindo de fininho meio que decepcionados com o que vimos. De volta a capital mineira, tomamos o rumo do Mercado Central e mais uma vez nos deliciamos com suas cores, seus cheiros e seus costumes.

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Pronto, depois do Mercado foi chegada a hora de colocar um ponto final em nossa viagem e nesse relato. O que vimos de Minas Gerais jamais sairá de nossas lembranças e ficará eternamente com aquele gostinho de quero mais. Dizem que visitar é uma coisa e morar é outra, mas digo que se um dia o destino me reservasse o direito, moraria de bom grado nas terras das alterosas. Claro que escolheria um pequenino e bucólico povoado, que me desse o prazer de tardes modorrentas e noites frias dos ventos das serras. Que ficasse próxima dos velhos e deliciosos alambiques de fundo de quintas e que me reservasse bons bate papos com os tradicionais mineirinhos e seus cigarrinhos de palha. E o doce? E o queijo? E as galinhadas? E os leitões? E o pão de queijo? E os sanduiches de salsicha? E o café? E aquela vidinha mansa de quem não quer nada? E os museus? E as igrejas? E a arquitetura? E os campos? Pois é, tudo isso eu queria diante de minha varadinha no pé de serra.

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Pois foi, Minas me encantou e jamais deixarei de agradecer ao casal Sandra e Venício Gama pelo convite para acompanhá-los essa viagem deslumbrante, inesquecível e de fortalecimento dos laços de amizade. Como é gostoso estar junto de pessoas que amamos e que temos como irmãos. Como é gostoso viver dias de alegrias e que desejamos que se estendam além dos limites das horas. Como é gostoso caminhar por um Brasil tão brasileiro. E por tudo isso é chegada a hora de responder aquela pergunta que tantas vezes nos deparamos enquanto planejávamos esse passeio: O que fazer em Minas Gerais? – Tudo, mais um pouco e só não deixe ir.

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Para finalizar, vou parodiar uma letra do cantor e compositor Dorival Caymmi e tão gostosamente entoada pelo também compositor e cantor Lenine, para dizer assim: – Você já foi a Minas? – Não? – Então vá!

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Oh! Minas Gerais/Oh! Minas Gerais/Quem te conhece/Não esquece jamais…

Nelson Mattos Filho

2 Respostas para “Uai! Parte 14

  1. Maravilha, eu não conheço Sabará nem Diamantina ainda, mas estão na minha intenção. Quanto a morar em Minas eu diria o mesmo.
    Agora não entendi bem a referência a Lenine já que a música Você já foi a Bahia? Então vá, que você parodiou é do velho Caymmi.

    • diariodoavoante

      Sabe Dona Gilka, as coisas são como são e não tem cristão que mude. Como eu poderia cometer uma desfeita dessa com o mestre do cancioneiro baiano e que espalhou pelo mundo os segredos do povo do Bom Senhor do Bonfim e do seu séquito de Orixás? Isso é coisa de um escrevinhador avexado e que, além de tudo, se arvora em meter os pés pelas mãos. Caymmi é grande! A referencia a Lenine, carioca pernambucano ou pernambucano carioca, sei lá, se deu diante de um lampejo escuro das ideias, pois na pisada que eu escrevia o texto, no toca CD, o prosador entoava pedaços da letra de Caymmi e não sei por que danado eu fui misturar Minas com Bahia, mistura rica, porém, de sabores distintos. Por Deus, sua leitura atenta e envolvida pela frondosa varandinha do pé de serra, veio para corrigir o corrigido. Obrigado minha amiga e espero que a velha ilha dos Tupinambás esteja em paz. Abraços, Nelson

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