Cegueira e alucinações


Agosto (79)

Rapaz, esse mundo velho de guerras e manias está ficando a cada dia mais sorumbático, assombrado e incrivelmente sem sentido para o senso comum e bom relacionamento dos povos. Todos os dias somos bombardeados por notícias que nem os mais bárbaros dos antigos habitantes desse planeta, que já merece mudar o ângulo do seu giro, imaginaram cometer. A coisa está descambando para a zona total e escrachada onde nem nada e nem ninguém terá voz e nem pulso para ousar dar uma palavrinha sequer de controle. Nesses tempos modernosos em que ainda se grita por aí que é proibido proibir, um jargão mais brega do que a breguice geral, pois ninguém está proibindo nada em canto nenhum do mundo, entramos de vez pelo avesso e nem as leis são mais as leis, pois deixam margens para tantas interpretações que não sei nem para que danado ainda se prende um meliante. Tudo pode, tudo é legal e cadeia virou apenas uma alegre colônia de férias onde a bandidagem manda, desmanda e vez por outra degolam os que se acham mais mais. O verbo degolar entra aqui no sentido amplo, irrestrito e salve geral. Mas não pense que esse texto é para falar da esculhambação em que se meteu o mundo, apenas olhei para a telinha branca, em forma de folha de papel, e as palavras aí de cima foram saindo sem nem eu perceber e quando parei para ler, estava assim. – Sabe de uma coisa? Deixa assim mesmo! É não é que hoje vi uma reportagem e de cara lembrei dos livros, Ensaio sobre a Cegueira e O Alienista, dos excepcionais José Saramago e Machado de Assis. Foi assim: A reportagem fala de um caso acontecido recentemente no Estado de Oregon/EUA, em que uma mulher foi levada pela polícia a um hospital sob suspeita de está sofrendo alucinações. Tudo aconteceu depois que ela fez duas ligações para a polícia em que dizia que oito pessoas estavam tentando arrancar o capô do seu carro e os policiais não comprovaram nada do relatado pela senhora. Ao chegar no hospital ela foi examinada e liberada como saudável. No dia seguinte foi a vez dos policiais, um funcionário do hospital e de uma senhora de 78 anos serem levados ao hospital sofrendo do mesmo mal. Segundo as informações oficiais, todos tiveram apenas contato físico com a primeira paciente. Uma equipe de cientistas examinam o caso e a sala em que os pacientes foram atendidos está isolada para averiguações. Um caso desses nas mãos do Dr. Simão Bacamarte, personagem de Machado de Assis, era a senha para a entrada na Casa Verde. Por essas e outras que José Saramago escreveu assim em um trecho do seu livro: “Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que veem, Cegos que, vendo, não veem”. Fonte da notícia: Veja.com

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