UAI! Parte 13


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Sabe de uma coisa, relatar uma viagem é um processo engenhoso e cheio de nuances, onde o mais leve escorregão nos leva a esquecer detalhes que, por mais que achemos indiferentes, podem ser o elo que faz o leitor se encantar ou não com o roteiro. Lucia diz que todo lugar tem seu encanto e se não estamos com o olhar pronto para vê-lo, ou a alma livre para senti-lo, o que era encanto vira um sofrível desencanto. Sempre apostei que ela tem razão, porque só vemos a beleza quando a mente está aberta para o belo, mesmo que estivermos mirando o feio. De uma coisa eu sei: Dificilmente um visitante sairá desiludido dos caminhos das Minas Gerais e nem adianta querer encurtar o relato que não conseguirá. Por isso estou levando você a entrar no décimo terceiro capítulo da viagem que fizemos as terras das alterosas, em maio de 2016, e para clarear as ideias de quem acompanha esse relato desde o início, relembro que no capítulo anterior estávamos jantando em um aconchegante e delicioso restaurante na cidade de Ouro Preto, em uma noite fria que só vendo. Era a nossa última noite na região do ouro e das manifestações e a penúltima nas terras mineiras.

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Na manhã seguinte voltamos a cidade de Mariana para conhecer a Mina da Passagem, uma antiga mina desativada que hoje sobrevive como ponto turístico para aqueles que querem explorar as entranhas da Terra e sentir um pouco do clima sufocante em que trabalham os mineiros. Bem que o local poderia estar mais bem preservado e melhor estruturado para receber o turista, mas a visita é imperdível. Depois de embarcar em um trole, carrinho sobre trilhos típico das minas, fomos encaminhados as profundezas onde estavam as galerias prontas para a visitação. Não é um programa para quem tem fobia, porém, a visão que temos lá embaixo é fantástica e nos faz refletir diante da grandeza da natureza exposta.

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O passeio pelas galerias dura pouco mais de vinte minutos e as informações do guia nos faz sonhar acordado diante das paredes de cor dourada que fazem muita gente pensar que é ouro, mas na verdade é pirita, mais conhecido como ouro de tolo. A mina está desativada desde dos anos 50 e por isso muitas de suas galerias estão inundadas e só são acessíveis por experientes equipes de mergulhadores de cavernas. Em uma das galerias existe um lago de águas cristalinas onde é permitido ao visitante mergulhar por alguns minutos e devido a profundidade da mina, não existe nenhuma forma de vida em seu interior.

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Com tantas informações repassadas pelo guia não poderiam faltar as tragédias ali acontecidas, como a acorrida em 14 de dezembro de 1936 que resultou na morte por afogamento de dezesseis trabalhadores, e as histórias de fantasmas. Conta-se que vez por outra a alma penada de um certo capitão Jack, um mineiro inglês que morreu durante uma explosão para extração do ouro, cavalga sobre um cavalo pelas galerias cobrando seu quinhão na partilha do minério. Outra curiosidade, e que remete a fé dos mineiros, é a imagem em uma das cavernas, de Santa Bárbara, padroeira dos mineiros, e que no candomblé é Iansã, orixá muito vaidoso. Diante de tantos mistérios e visões, foi chegada a hora de retornar a superfície pelo mesmo carrinho que nos trouxe. Lá em cima podemos ver a técnica da lavagem do material escavado até chegar nos resquícios de ouro, um processo que nem sempre tem sucesso. Na demonstração do guia, depois lavar o cascalho em uma bateia, ele apontou alguns fragmentos brilhosos dizendo que era ouro. Pelo sim e pelo não, valeu o esforço do nosso guia. Pronto, tínhamos completado a nossa visita aquela região encantadora e era chegada a hora de retornar a Belo Horizonte e assim pegamos a estrada abismados com tantas belezas visitadas. Com a imagem daquele labirinto subterrâneo e a riqueza ainda intocada no seio daquela velha mina, fiz o caminho de volta pensando em uma frase que li em um antigo livro de ditados, que se memoria não me falha dizia assim: “Quando nos encantamos com o brilho dos diamantes, deixamos de perceber o melhor dos tesouros que é a essência da vida”.

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Quando nos apaixonamos com uma viagem fica difícil esquecê-la, e por mais que o tempo passe, mas a saudade e a vontade de voltar aperta dentro do peito. Sempre fica a sensação que poderíamos ter visto mais, ter andado mais, ter escarafunchado a exaustão, ter pego mais informações e ter tirado mais retratos, ou procurado ângulos mais perfeitos. Ainda mais quando se visitou um estado como Minas Gerais.

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Nosso roteiro inicial incluía a cidade de Sabará, tão próxima a Belo Horizonte que chega a ser confundida com um bairro, mas fomos pulando algumas etapas e a visita foi ficando para outra oportunidade, até que chegou a hora.

Nelson Mattos Filho

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