UAI! Parte 12


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A viagem de carro pelos recantos mineiros é esplendorosa, convidativa e simplesmente deliciosa, mas não espere eu falar novamente nas gostosuras oferecidas nas barraquinhas, lanchonetes e restaurantes localizadas a beira das estradas, pois acho que vocês já estão fartos de ler aqui sobre os sanduiches de linguiças, pamonhas, cafés e torresmos. Porém, é preciso fazer um alerta: As estradas que andamos estavam bem conservadas, tão bem conservadas que se tornam perigosas, pois motorista mineiro não é afeito a obedecer a sinalização, principalmente as que dizem respeito a velocidade e ultrapassagem. Quanto a policiamento e fiscalização nas rodovias federais, estas seguem o padrão encontrado em qualquer estrada brasileira: A Polícia Rodoviária Federal só aparece quando vislumbra alguma câmera de TV ou está em andamento alguma operação, fora isso, as estradas são verdadeiros mares de rosas.

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De Congonhas, cidade dos Dose Profetas de Aleijadinho, tiramos direto para a cidade de Tiradentes e ao chegar nos deparamos com uma cidade que dá vontade de ficar por lá durante um bom tempo. Não vou ser intempestivo, mas se tivéssemos começado a viagem por Tiradentes talvez todo esse relato tivesse sido outro, pois a cidade é um encanto. Como bem diz um folheto turístico: “Tiradentes não apenas se conhece, vive-se.…”.

1 maio IMG_0004 (857)1 maio IMG_0004 (881)20160530_13280520160530_13284620160530_14401720160530_144150A “Vila de Reis”, como é carinhosamente chamada, é charmosa e conserva um estilo ímpar, apesar de ter em sua imponente arquitetura muito do que se vê em várias cidades históricas de Minas. Sinceramente não encontro definição para o meu deslumbramento por Tiradentes, mas caminhando entre suas ruas de pedra, algo tocou em minha alma. Se fosse pelo meu desejo ficaríamos uma eternidade naquele pedacinho lindo de Brasil. Esperaria pelos festivais de cinema e gastronomia. Escutaria em silêncio o desenrolar de sua história e faria infindáveis passeios de charretes apenas para observar o cotidiano que se debruça em seus maravilhosos janelões. A cidade é emoldurada pela bela serra de São José e tem na Matriz de Santo Antônio a fortaleza de sua fé, fé que é a força do povo mineiro.

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Talvez toda essa áurea histórica e estilosa sobre Tiradentes tenha traçado seu destino, pois a cidade, e as outras que lhe fazem fronteira, é um celeiro de grandes artistas das artes em madeira e barro. A estrada que liga São João del-Rey a Tiradentes, em toda sua extensão, é um show room a céu aberto onde estão expostos moveis rústicos dificilmente encontrados em outros locais. A região é uma fonte sem fim de criatividade para artesões e em cada trabalho notasse o esmero com que foram criados. Os olhos do visitante, que sai em busca de peças únicas para decoração de ambientes, se enchem de brilho quando chegam ao povoado de Bichinhos. O povoado fica a pouco menos de 10 quilômetros de Tiradentes e parece que é lá que a criatividade cria asas e cores.

20160530_14434420160530_14451620160530_151459Poderíamos ter seguido viagem pela estradinha que liga Tiradentes a Bichinhos e ter ido a Prados, que segundo as informações, outro município onde as artes com madeira, cerâmica, ferro, tecido e palha ganham novos talentos, contudo tínhamos que começar a retornar, pois o final da nossa viagem pelas alterosas estava chegando ao fim. Queríamos conhecer São João del-Rey e ainda teríamos que retornar a Ouro Preto, nossa base na região do ciclo do ouro, é o caminho de retorno era longo para quem havia passado o dia perambulando pelos caminhos por onde pisaram reis e rainhas.

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Sobre São João del-Rey, que em 2007 recebeu o título de “Capital Brasileira da Cultura”, tenho pouco, ou quase nada a falar, porque o tempo havia se adiantado e demos apenas um giro de carro pelo centro. Porém, percebemos que a cidade – que já não é tão pequena – não tem o ar e nem a originalidade que merecia ter, em decorrência de seu passado e de sua relevância no cenário político brasileiro. Não teríamos muito tempo, mas tínhamos obrigação como turista de ir até lá, nem que fosse para contar pontos em alguma rodada de bate papo entre amigos. A cidade do presidente Tancredo Neves tem uma belíssima e suntuosa arquitetura, um rico acervo artístico cultural e merece uma visita mais apurada e sem pressa.

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Na estrada da volta não paramos de falar e nem de sonhar acordado com uma visita futura a Tiradentes. A “Vila dos Reis”, de todas que visitamos, pelo menos para mim, foi a cidade que escolheria para viver, se um dia o destino me levasse a morar em Minas Gerais. Se me perguntarem o que fazer em Tiradentes responderei sem pestanejar: – Tudo e até nada!

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Oito horas da noite estávamos de volta a Ouro Preto para nossa última noite nessa região encantadora. Escolhemos um bom restaurante e lá fomos brindar a vida, a viagem e a amizade. Lá fora, um frio de congelar nossa trupe de nordestinos desavisados, dava um clique de perfeição a noite escura.

Nelson Mattos Filho

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