Enquanto olho a Lua


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Mãe d’água, rainha das ondas, sereia do mar/Mãe d’água, seu canto é bonito quando tem luar”. Maravilhado com a lua cheia que iluminava o terreiro que cerca a varada ventilada de minha choupaninha de praia, lembrei dessa toada cantada pelo povo da umbanda. Como são belas as poesias vindas do mar! Porém, vem dos gelados ventos que navegam sobre os oceanos a prosa de hoje. Não dos sopradores alísios nordestinos, que sobem a costa brasileira em busca das águas claras caribenhas e que fazem parte dos sonhos de muitos navegantes, mas dos furiosos ventos nórdicos que forjam bravos e valentes nações vikings.

Dizem que a Noruega é um dos melhores países do mundo em qualidade de vida e por lá a educação é gerida com a competência que se faz necessário. Os cálculos referentes a renda per capita fazem que o país seja invejado por várias nações. Dizem até que os noruegueses vivem mais do que outros povos, pois eles têm expectativa de vida de mais de 81 anos. Por outro lado, e como nem tudo são flores, as más línguas cospem fogo e gritam que existem cinco bons, ou maus, motivos para não se olhar com bons olhos para a Noruega. Os motivos, relacionados no site BBC/Brasil, são: O país tem uma das maiores taxas de impostos do mundo; A cerveja é caríssima – isso é um pecado; O índice de mortes por overdose de drogas letais é o mais elevado da Europa; A gasolina é cara – desse mal já sofremos; E os lobos estão em perigo. Pronto, chegou onde eu queria, lobos!

O país nórdico é considerado pela ONU como um dos melhores do mundo em qualidade de vida, primeiro lugar entre 188 nações no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e se mantém no posto desde 2001. O Reino da Noruega, uma monarquia constitucional sob os poderes do Rei Haroldo V, é norteado por um regime social escandinavo e se baseia nos sistemas de saúde universal, ensino superior subsidiado, numa abrangente previdência social e se vangloria de ser um dos países mais pacíficos do mundo. Segundo o Wikipédia, o nome Noruega significa “o caminho para o norte ou caminho do norte”, e por aí vão as informações sobre a nação descendente de povos que datam mais de 11 mil anos antes de Cristo.

A história nórdica é rica e tem detalhes que muitas vezes se confundem com as lendas que fomos acostumados a ler e ouvir ao longa da vida. Deuses, monstros, seres encantados, martelos, flechas que partem do nada, navegantes infalíveis, conquistadores cruéis, embarcações maravilhosas movidas a remos, beberrões homéricos, machões inveterados e mais uma penca de causos até desaguar nos fascinantes e endiabrados vikings. E o bacalhau? O bacalhau norueguês está entre as iguarias mais desejadas do mundo e o país é dotado de forte tradição marítima.

De lá, na história recente, saíram os exploradores Roald Amundsen, que liderou a primeira expedição ao Polo Sul, em dezembro de 1911, Fridtjof Nansen, cientista, explorador polar, aventureiro, político e Nobel da Paz, em 1922, que comandou uma perigosa expedição pelo continente gelado até alcançar a costa ocidental da Groenlândia. Thor Heyerdahl, explorador, zoólogo e geógrafo, idealizador da expedição Kon-tiki, em 1947, que queria provar que as ilhas do Pacífico foram inicialmente povoadas pelos índios da América do Sul. Para isso construiu uma jangada no Peru, feita de pau de balsa, e cruzou o Oceano Pacífico, do Peru até a Polinésia. Heyerdahl escreveu o livro Kon-Tiki e que vale ser lido por todos que tem o mar como paixão.

Pois bem, é dessa terra cheia de nuances progressistas, educada e bem-estar social elevado, que chegam notícias que não cheiram bem diante do mundo em que vivemos hoje. Claro que pelo mundo afora a boa prática ambiental tem sido mais midiática do que prática, porém, ler e ouvir notícias de matanças de animais nos domínios de um país tão bem situado na fita dos índices da ONU é de lascar.

O Reino da Noruega autorizou a matanças de 47 lobos, que estão em avançado processo de extinção, e tem provocado a ira das ligas dos defensores de animais no mundo todo. Dizem que esse número representa 70% da população de lobos do país. Os ambientalistas alertam que apenas 68 lobos vivem nas áreas selvagens na Noruega, mas os pecuaristas, partidários do extermínio, alegam que os animais estão dizimando os rebanhos de ovelhas. A caça é um exporte popular no país escandinavo, que tem mais de 11 mil caçadores cadastrados.

Da varanda do meu ranchinho de praia fico a matutar enquanto a Lua saí bela como sempre e do mar escuto ecos do canto de iemanjá: – Eh, o mundo continua na mesma barbárie de sempre. – Ei, e os vikings não eram da turma dos brutos e bárbaros? – E apois!

Eita mundo velho! – Se a coisa está assim no topo da pirâmide, imagine o furdunço que existe na base?

Nelson Mattos Filho

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