UAI! Parte 10


1 maio IMG_0004 (624)

Não tem como passar indiferente pelas cidades históricas de Minas Gerais e quando botamos os pés em Ouro Preto não tem como deixar de se envolver pela aura que emana pelos poros de suas pedras. Tudo ali é de um fascínio sem igual e o povo vive como personagens do grande palco que a cidade, que já foi capital, representa. O difícil é deixar ser possuído pela pressa quando se visita Ouro Preto, pois em cada esquina o encanto se multiplica, em cada ladeira a paisagem nos leva a querer mais e nas calçadas os cheiros e os sabores que invadem as ruas é uma tentação para espíritos glutões. Aliais, não é preciso ser glutão para se esbaldar na cozinha mineira. – Quero ver quem controla a dieta diante de um fogão à lenha, carregado de panelas com tutus, torresmos, galinhadas, carne de porco, doces, queijos e uma saudação no típico sotaque mineiro! Se for visitar Minas Gerais, deixe a dieta em casa e bote o pé na estrada sem medo de ser feliz.

1 maio IMG_0004 (636)

Nesse relato, que já chegou à Parte 10, acho que já falei de quase tudo da gastronomia, dos museus, da arquitetura e das igrejas das terras das alterosas, mas sempre falta aquele detalhezinho que fica martelando o juízo e fico tentado a escrever. Muitos que estão acompanhando, e até já recebi comentários sobre isso, devem achar que estou me estirando demais nesse “UAI!”, mas peço um pouquinho de paciência e digo que um dia eu termino. Como diz um sábio amigo: “- Tudo tem seu tempo.”

1 maio IMG_0004 (824)

Olhe, vou dizer uma coisa: – No dia em que o Arcebispo mineiro acordar pelo avesso e decidir mandar soar todos os sinos das igrejas do estado, o mundo todo ouvirá o badalar. Pense numa terra para ter igreja! E cada uma mais linda e formosa do que outra. Pensei essa blasfêmia enquanto caminhava numa manhã pelas ruas de Ouro Preto e em menos de um quarteirão passamos por umas cinco igrejas até entrarmos na Igreja do Pilar, onde tivemos uma magistral aula sacra diante dos detalhes ali esculpidos.

1 maio IMG_0004 (803)1 maio IMG_0004 (610)1 maio IMG_0004 (616) 

Poderia ter ficado horas e horas escutando o guia contar os segredos do cristianismo expostos na Igreja do Pilar, pois adoro saber das coisas que achava que sabia e adoro o clima de paz e tranquilidade que existem dentro das paredes de uma igreja. Não é a suntuosidade que me encanta, mas sim a sutiliza das verdades desnudas e que passam despercebidas da grande maioria dos fieis. Precisávamos seguir em frente em nosso passeio e o trem não espera. Pedi licença ao Senhor do Pilar e fomos ligeiro para a Estação para embarcar no Trem da Vale que nos levaria até a cidade de Mariana.

1 maio IMG_0004 (640)1 maio IMG_0004 (644)1 maio IMG_0004 (678)1 maio IMG_0004 (681)1 maio IMG_0004 (691)

Infelizmente a Velha Maria Fumaça não estava em atividade na época da nossa visita, porém, o trem que embarcamos oferece uma viagem, não tão poética, mas com muito conforto e alegria. Embarcamos em um vagão com ar-condicionado e bancos espaçosos, mas com o precinho um pouco salgado. Poderíamos ter embarcado nos vagões mais simples e mais baratos, porém, como já disse em outras passagens, a cabeça de um viajante é esquisita e cheia de manias. Compramos a passagem somente de ida, pois à volta decidimos pegar um ônibus que faz a linha regular entre os dois municípios. Ideia acertada e que nos deu uma excelente interação com o povo do lugar. Foi no ônibus que escutei todo o relato de um funcionário da mineradora Samarco, a que causou uma das mais terríveis destruições ambientais do Brasil nos últimos tempos, e pelas palavras do jovem funcionário, que estava trabalhando no dia do acidente, a coisa foi uma catástrofe sim, mas, segundo ele, muito do que se diz na imprensa, e nos anais dos relatórios ambientais, não condiz com a verdade e ele pede a Deus e aos homens que a empresa não feche as portas, porque, isso sim, seria o fim de Mariana. Segundo ele, a mineradora tem assumido todas as responsabilidades sobre o acidente e cumprido todos os compromissos para manter a dignidade dos funcionários e dos moradores atingidos. Como diz o ditado: “Toda história tem dois lados, ou vários.”

1 maio IMG_0004 (694)1 maio IMG_0004 (701)1 maio IMG_0004 (703)1 maio IMG_0004 (713)1 maio IMG_0004 (714)1 maio IMG_0004 (719)1 maio IMG_0004 (721)

– E sobre Mariana? – Calma que vou falar, mas primeiro me deixe falar na viagem do trem. O trem é um programa patrocinado pela empresa Vale do Rio Doce e faz uma viagem inesquecível por entre vales, penhascos assustadores, desfiladeiros, cachoeiras e muito verde. A viagem dura em média 30 minutos em um ritmo lento e valorizando a paisagem para o clique dos fotógrafos e gritos de espanto dos passageiros. Na chegada a Mariana o turista pode visitar uma antiga locomotiva e subir em sua cabine de comando para posar para fotos. O que mais me chamou atenção durante a viagem foi justamente a chegada, porque o rio do Carmo, que banha uma cidade que sofreu um desastre ambiental monstruoso, está totalmente poluído e sendo bombardeado por toneladas de lixo e intermináveis tubulações de esgoto. Claro que alguém haverá de dizer que um erro não justifica outro, o que é muito justo, porém, se é para abrir os olhos, vamos abrir por inteiro e não por frestas.

1 maio IMG_0004 (727)1 maio IMG_0004 (740)1 maio IMG_0004 (743)1 maio IMG_0004 (744)1 maio IMG_0004 (745)

– Sim, e sobre a cidade? – Bem, agora só na próxima página.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s