Arquivo do mês: julho 2016

Um túnel para o futuro

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Até aonde vai a ousadia humana é difícil de avaliar, porque o sonho e a inteligência do homem são infinitos e quando imaginamos que já vimos de tudo, o dia seguinte nos apresenta novas paisagens. Tempos atrás um candidato a prefeito de Natal/RN ganhou as manchetes e uma penca de votos com a promessa de que faria uma ponte ligando a capital potiguar com Ilha de Fernando de Noronha, uma extensão de 300 milhas náuticas. Pois bem, Miguel Mossoró, o candidato visionário, segundo ele, lançou a promessa como uma crítica a um antigo projeto da prefeitura de fazer uma nova ponte ligando a zona sul com a zona norte, que tempos depois foi concluída e batizada oficialmente de Ponte Newton Navarro, mas no popular é famosa como Ponte de Todos, e que passou a ser o novo cartão postal de Natal. O candidato da ponte perdeu a eleição, porém, cravou seu nome nos arquivos dos casos hilários e políticos da capital dos Reis Magos. O projeto visionário do candidato Mossoró, já falecido, até hoje é tema de discussão nas rodadas de bate papo e na época do anuncio, alguns engenheiros, arquitetos e construtoras se arvoraram em assinar embaixo da proposta, atestando que não somente seria possível, como não teria tantas dificuldades. – Eu é que não duvido de nada! Agora vejo nos noticiários que a Noruega pretende despejar UU$ 25 bilhões – dinheiro para juntar com rodo – no projeto e construção de dois túneis suspensos sob a água para ligar as cidades de Kristiansand, no extremo sul, e Trondheim, extremo norte, uma distância de 800 quilômetros. Pelo projeto, os túneis ficarão a 20 metros de profundidade e serão suspensos por flutuadores colocados na superfície. Esse será o primeiro projeto dessa natureza, mas os noruegueses apostam no sucesso da empreitada que deve ficar pronta em 2035. – Isso vai dar certo? – Quem viver verá! Fonte: site IstoÉ   

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Para quem sonha em morar a bordo

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O mundo da engenharia e arquitetura naval não para de se renovar e a cada dia os barcos vão se transformando em uma excelente extensão do mundo urbano. Não duvido que muito em breve veremos barcos que não sofram os efeitos do mar e naveguem sem um mínimo sequer de balanço. Vai ser o Céu para aqueles que se martirizam com os enjoos. Pedrinho, meu amigo lá da praia de Enxu Queimado, litoral norte do Rio Grande do Norte, um dia disse assim: – Veio, se o mar não tivesse ondas existiria engarrafamento. E não é mesmo! Nas páginas virtuais da Revista Náutica me encantei com o projeto futurista desse barco-casa, que pode vir a calhar com os planos de muitos que sonham em morar a bordo de um barco. O projeto do Cruising Home, que oferece duas versões e vários tamanhos, reza na cartilha da inovação e sustentabilidade e tanto pode servir para uso comercial ou moradia. Gostei! 

Aviso aos navegantes

anima_alturaEh, o mar não está fácil na costa brasileira nos próximos dias! Ondas altas e ventos fortes desaconselham aqueles que pretendem navegar, principalmente em pequenas embarcações. O alerta é valido aos turistas e pescadores que se aventuram a caminhar pelos arrecifes e pedras dos molhes, em busca de uma boa imagem para passar aos amigos, no caso dos turistas, ou de conseguir o melhor local de pesca, que é o caso dos pescadores. Mar de ressaca é um perigo e deve ser respeitado por todos. No último domingo, 24/07, dois amigos, que pescavam sobre um cinturão de arrecifes no litoral sul do Rio Grande do Norte, foram tragados pelas fortes ondas e perderam a vida. Ainda não vi, mas a Marinha do Brasil, através das Capitanias dos Portos, deverá manter o aviso aos navegantes que havia sido divulgado no dia 25/07. Os satélites do Cptec/Inpe preveem ondas de até 4 metros para os próximos dias e ventos acima dos 20 nós. A imagem abaixo mostra a previsão para o litoral de Recife/PE até o dia 31 de julho. 

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O Porto Distante

imageTem histórias que se tornam misteriosas para o sempre e por mais que os registros oficiais e historiadores se arvorem em detalhar explicações, a penumbra nebulosa que as encobre mais se torna intransponível. Já se foi 70 anos do final da segunda grande guerra e o mundo ainda não digeriu nem um terço de suas causas e consequências. aliás, quem em sã consciência consegue entender uma guerra? Talvez os generais! Talvez os sedento de poder! Talvez os amalucados! Talvez os defensores da fé a todo custo! Talvez as ideologias transvestidas de santidades e espantos demagógicos! Ou talvez não muito, mas apenas a vontade de dois bicudos de se beijarem. O ditado ensina que só existe briga quando dois querem. – E quando muitos querem? – Bem, aí a briga é grande, vira barraco e sobra para quem não tem nada a ver com a peleja. A história do navio de guerra brasileiro Cruzador Bahia, que explodiu na costa do nordeste em julho de 1945, quando a briga mundial já estava nos descontos, é mais um caso que não casa com coisa nenhuma, ficou o dito pelo não dito e a história vem sendo contada entre o sim e o não e até em romance, como no livro “O Porto Distante”, escrito pelo Oficial de Marinha (R1) Paulo Afonso Paiva. Confesso que não li o livro, mas gostaria de ler e vou ler, porém, recebi do autor a sinopse para divulgação. O livro está sendo vendido diretamente pelo autor através do email: paivap50@gmail.com

A segunda guerra acabou na Europa no dia 8 de maio de 1945, mas continuou no Oriente. No dia 4 de julho daquele ano, o Cruzador “Bahia”, que estava fundeado próximo aos Rochedos de São Pedro e São Paulo – em apoio aos aviões americanos que vinham da Europa – repentinamente explodiu. Dos 382 tripulantes, somente 36 sobreviveram. O inquérito deu como causa “incidente de tiro”. No dia 10 de julho daquele ano, o submarino alemão U-530 rendeu-se na Argentina e no dia 17 de agosto, o U-977.

Durante a guerra, a Marinha brasileira estava subordinada à IV Frota Americana, com sede no Recife. O caso do “incidente de tiro” nunca foi assimilado no meio naval. No entanto, somente agora, com os documentos da Marinha Argentina tornados públicos foi que se soube a verdade. Dois jornalistas argentinos descobriam por que os americanos encobriram esse crime. Houve uma barganha entre os alemães, o Pentágono e os argentinos. O livro “O Porto Distante” conta essa história de forma romanceada, mas verdadeira.

Pergunte-se a qualquer jovem o que foi o “Titanic” e eles dizem, mas perguntem o que foi o “Bahia” – o nosso Titanic “ – e ninguém sabe. Honra àqueles homens que morreram cumprindo seu dever.

“Pedia a Deus que me salvasse”. Diz velejador resgatado no mar de Santa Catarina

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Foi sim a descarga de um raio – como foi postado AQUI – que atingiu o mastro do veleiro Taipan a causa do seu desaparecimento durante nove dias nos mares do litoral Sul do Brasil, segundo contou o navegador argentino Carlos Marcelo Klain, que comandava o veleiro, em matéria no site DC.CLICRBS, porém, a coisa foi bem mais terrível. O raio destruiu toda a fiação elétrica e com isso o Taipan perdeu o auxílio do motor, mas restavam as velas e por isso o comandante decidiu aproar a costa do Rio Grande do Sul debaixo de muita chuva e contando com a sua experiência de veterano naqueles mares. A partir do dia 16 a chuva e o vento apertaram o nó e Klain se viu diante da fúria dos elementos em um mar de mais de 10 metros de altura. Diante da possibilidade de um desastre iminente, o comandante preparou uma bolsa de abandono e passou a dormir ao lado do bote inflável, mas em nenhum momento passou fome, pois o barco estava bem abastecido, e a todo momento pedia a Deus pela sua vida. Quando a tempestade aliviou, os ventos sul e sudeste empurraram o veleiro para a costa catarinense e perto do litoral foi localizado por um barco de pesca e este avisou ao Salvamar que havia encontrado um veleiro. Carlos Klein, que mora em Angra dos Reis, diz que assim que o barco ficar pronto ele voltará a comandá-lo para concluir a viagem. Parabenizamos o Klein pela sua coragem, valentia e respeito ao mar e desejamos melhores ventos e mares mais tranquilos nas próximas navegadas. Veja a entrevista completa no site DC.CLICRBS.

Uai! Parte 7

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Contar um relato de uma viagem é uma forma de resgatar algumas passagens que se perdem naqueles traçados entremeado do cérebro. É pensando assim que venho escrevendo a história da nossa viagem pelas alterosas. Tenho recebido alguns comentários dizendo que estou me estendendo além da conta, mas digo que precisamos ir em busca da essência de uma viagem, pois assim nos sentimos mais felizes em tê-la realizado. Quem se propõe a ler, o faz com interesses diversos e até pela amizade que nutre com o autor, porque amigo também serve para essas coisas, porém, muitas informações contidas no diário de uma viagem facilitam a vida de um turista que visualize as entrelinhas. – Uai, que papo escalafobético é esse? – Deixe de moído e escreva homem!

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Para pegar o fio da meada, lembro que na página anterior estávamos caminhando para conhecer a Gruta Rei do Mato, um monumento natural, localizado em frente ao trevo do município de Sete Lagoas/MG, na BR 040, e que é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral.

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A história não confirma, mas diz que a gruta recebeu o nome de Rei do Mato, pois ali morou um homem, de nome e procedência ignorados, nos idos anos de 1930. Contam que era um fugitivo da Revolução de 1930 e que diariamente ia até a cidade caminhando por uma trilha na mata. Se existiu de verdade o tal Rei eu não sei, mas que a gruta é de uma beleza estonteante, isso eu sei.

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O monumento tem aproximadamente mil metros de comprimento, mas ao visitante somente é permitido caminhar por 220 metros e na profundidade de 31 metros e com o acompanhamento de um guia do parque. São quatro salões onde podemos observar estalactites, estalagmites, inclusive em formações que os cientistas consideram bebê. A caminhada é feita em uma passarela bem construída e que valoriza os contornos e a visualização do interior iluminado por luzes de LED, que destacam ainda mais as formações. Chama atenção a formação batizada de sorvetão e também a que forma a imagem de um Papa. Segundo o nosso guia, as formações de estalagmites e estalactites bebê encontradas na Gruta Rei do Mato são únicas no Brasil. Continuar lendo

Peixe conservado ao Sol

IMG_20160726_001357Quem anda ou já andou pelas localidades pesqueiras no litoral mundo afora já se deparou com peixes e frutos do mar salgados e secando expostos ao Sol, criando uma cena que encanta pela beleza e rusticidade. A conservação de alimentos é um problema desde que o homem se entendeu de gente e quando se trata dos seres do mar, o problema se torna ainda mais desafiante. Claro, com o advento da refrigeração a conservação dos alimentos deixou de ser problema, mas em muitas culturas a conservação ainda se dá pelos métodos tradicionais e, posso até afirmar, em muitos países já existe o incentivo da volta as origens. A técnica de secagem ao Sol é de uma simplicidade encantadora, porém, demanda tempo, planejamento e conhecimento para decifrar os sinais emitidos pela natureza, coisas que os pescadores e habitantes das vilas pesqueiras do litoral entendem como ninguém. Recentemente estivemos no distrito de São Tiago do Iguape, município de Cachoeira/BA, para Lucia aprender o processo de defumar o camarão, ingrediente que dá o sabor inconfundível ao verdadeiro acarajé da Bahia, visita que relatei no post “De volta a São Tiago do Iguape”. Foi uma visita proveitosa em todos os sentidos, pois revivemos a primeira visita que fizemos a São Tiago, a bordo do Avoante, abraçamos pessoas da nossa mais alta estima e conhecemos, além da defumação do camarão, um pouco do processo baiano de conservar peixes ao Sol, que em nada difere do método utilizado em outras partes do Brasil e do mundo e que tem na China e o Sudeste Asiático os  maiores produtores e consumidores. O processo é simples e se baseia em técnicas rudimentares em que o peixe e tratado, retirando as vísceras, salgado, colocado em um secador feito em cipó, ou sobre uma lona, estendido ao chão, exposto aos sol e ao vento, até perder a umidade. O cheiro e o sabor ficam bem mais acentuados, mas nem por isso o pescado perde em qualidade. Pelo que se observa nos rumos tomados pelos mais afamados chefs de cozinha, já existe uma tendência ao retorno as origens da gastronomia. A boa mesa quando retorna aos seus fundamentos fica saborosamente mais charmosa, espalha no ar um odor apaixonante e nos faz sonhar com épocas mais humanas e tranquilas, em que a mesa da vovó era o território sagrado dos deuses. Por falar nisso: – Retirando o bacalhau da lista, você já saboreou algum prato preparado com peixe secado ao Sol? Fonte de pesquisa: mytaste.com.br