Uai! Parte 7


1 maio IMG_0004 (264)

Contar um relato de uma viagem é uma forma de resgatar algumas passagens que se perdem naqueles traçados entremeado do cérebro. É pensando assim que venho escrevendo a história da nossa viagem pelas alterosas. Tenho recebido alguns comentários dizendo que estou me estendendo além da conta, mas digo que precisamos ir em busca da essência de uma viagem, pois assim nos sentimos mais felizes em tê-la realizado. Quem se propõe a ler, o faz com interesses diversos e até pela amizade que nutre com o autor, porque amigo também serve para essas coisas, porém, muitas informações contidas no diário de uma viagem facilitam a vida de um turista que visualize as entrelinhas. – Uai, que papo escalafobético é esse? – Deixe de moído e escreva homem!

1 maio IMG_0004 (272)

Para pegar o fio da meada, lembro que na página anterior estávamos caminhando para conhecer a Gruta Rei do Mato, um monumento natural, localizado em frente ao trevo do município de Sete Lagoas/MG, na BR 040, e que é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral.

1 maio IMG_0004 (280)

A história não confirma, mas diz que a gruta recebeu o nome de Rei do Mato, pois ali morou um homem, de nome e procedência ignorados, nos idos anos de 1930. Contam que era um fugitivo da Revolução de 1930 e que diariamente ia até a cidade caminhando por uma trilha na mata. Se existiu de verdade o tal Rei eu não sei, mas que a gruta é de uma beleza estonteante, isso eu sei.

1 maio IMG_0004 (300)1 maio IMG_0004 (308)

O monumento tem aproximadamente mil metros de comprimento, mas ao visitante somente é permitido caminhar por 220 metros e na profundidade de 31 metros e com o acompanhamento de um guia do parque. São quatro salões onde podemos observar estalactites, estalagmites, inclusive em formações que os cientistas consideram bebê. A caminhada é feita em uma passarela bem construída e que valoriza os contornos e a visualização do interior iluminado por luzes de LED, que destacam ainda mais as formações. Chama atenção a formação batizada de sorvetão e também a que forma a imagem de um Papa. Segundo o nosso guia, as formações de estalagmites e estalactites bebê encontradas na Gruta Rei do Mato são únicas no Brasil.

1 maio IMG_0004 (294)1 maio IMG_0004 (305)1 maio IMG_0004 (283)

A preservação e o aproveitamento turístico da Gruta receberam atenção de diversos órgãos ligados ao meio ambiente, que investiram em um projeto que visasse não somente o acesso de visitantes, mas que valorizasse a urbanização e treinamento das pessoas envolvidas em sua conservação.

1 maio IMG_0004 (352)

Visitamos também a Grutinha, que fica ao lado da gruta maior, que conta com um vasto acervo de pinturas rupestres, ferramentas indígenas e até com o esqueleto de um parente dos dinossauros batizado de Macrauquênia, herbívoro que habitou os campos entre a Bahia e São Paulo. O esqueleto do Macrauquênia que está exposto na Grutinha foi cedido pelos órgãos de estudos científicos da Bahia.

1 maio IMG_0004 (337)

A visita a Gruta Rei do Mato é curta, acho que passamos pouco mais de uma hora, mas o valor histórico é imensurável. Vale a visita! Os guias do parque são pessoas extremamente conhecedoras e envolvidas com a preservação. O que nos acompanhou se chama Nelson e faz parte da Brigada de Resgate e Bombeiro. – Só em ser meu xará já vi que estaríamos em boas mãos!

1 maio IMG_0004 (260)

De volta à estrada, aceleramos em direção a Diamantina e passei a lembrar das palavras dos amigos que já fizeram essa mesma viagem e o eco dizia assim: “Não deixe de parar nas barracas na beira da estrada para provar o pão com linguiça”. De tanto ouvir aquele eco minha barriga respondeu positivamente e me arvorei em procurar as tais barracas. Aliás, procurar não, pois elas estão intrinsecamente ligadas às paisagens das estradas mineiras. O que a gente precisava mesmo era desafogar um pouco mais a barriga, ainda carregada com os quitutes do Mercado Central de Belo Horizonte, apesar da caminhada pela Gruta Rei do Mato. Fui dirigindo tentando tirar o olho das barracas que nos acenava, até que não teve mais jeito e paramos em uma lanchonete que anunciava uma pamonha da melhor qualidade. E era mesmo! Peeeense numa pamonha boa! Quer saber o pecado? Esqueci o nome da lanchonete e não sei onde anotei, porém, algum duende sussurra em meu ouvido que tinha alguma coisa com verde no meio. Vá lá que seja!

1 maio IMG_0004 (358)

Bem chegamos a Diamantina no finalzinho da tarde e comecinho da noite. A temperatura da cidade estava pronta para castigar o coro de nordestino acostumado com os esquentes do Sol, mas não baixamos a guarda e nem demos o braço a torcer. Depois de dar entrada no hotel, tomamos um banho, para tirar a murrinha da viagem, que mesmo quente era frio, e saímos para desbravar a noite da cidade dos seresteiros e caminhar pelas pedras onde pisaram os pés do presidente Juscelino Kubitschek, seu mais ilustre e saudoso morador.

E a viagem segue!

Nelson Mattos Filho/Velejador

2 Respostas para “Uai! Parte 7

  1. João Vianey de Farias

    O interior das Minas Gerais é fantástico. Uma permanente aula de história ao ar livre! Parabéns pelos escritos e imagens divulgadas, caro Nelson.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s