Uai! Parte 6


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Um dos locais mais indicados quando anunciamos que estávamos planejando uma viagem a Minas Gerais foi o Mercado Central de Belo Horizonte. De cara gostamos da indicação, pois a visitação a mercados públicos e feiras livres é um dos nossos programas favoritos. É no ambiente descolado desses comércios encantadores que as cidades se mostram mais verdadeiras e desobrigadas dos trejeitos modernosos. Hoje se você me perguntar o que fazer em Belo Horizonte, repondo sem pestanejar: – Muitas coisas, mas comece pelo Mercado!

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Depois de muito perambular pelas belas e arborizadas avenidas da capital mineira, num entra e sai de museus que quase não acaba mais e cada um mais encantador do que o outro, desaguamos nos corredores freneticamente movimentados do Mercado Central e nos deparamos com um verdadeiro festival de cores, odores e sabores que até imaginávamos encontrar, pois a visita nos foi muito bem recomendada pelo velejador/aviador Vitor, veleiro Storm, mas o que vimos nos deixou surpresos.

20160527_08595720160527_09022120160527_09484520160527_091512Encontra-se de tudo no Mercado Central de Belo Horizonte, a começar pelos queijos e doces que fazem da culinária mineira um marco da gastronomia brasileira, porém, é nos bares, cafés e restaurantes, que espalham aromas enfeitiçados no ar, que uma pecadora gulodice invade a nossa alma com as bênçãos de Oxóssi, orixá da caça e da fartura, Senhor da floresta, dos animais e dos alimentos.

20160527_09581520160527_09590920160527_09360220160527_101001Depois de muito serpentear pelos boxes e corredores, foi chegada à hora de cair de boca na culinária do Mercado. Para começo de conversa fui até uma cafeteria e pedi uma xícara de café e um pão de queijo. O café foi apenas o motivo para estar junto dos frequentadores e me deliciar com bate papo, cotidiano e informal, no mais tradicional sotaque mineiro, porém, o que eu não sabia era que tomaria o mais saboroso café de minha vida. E olhe que nasci praticamente dentro de uma torrefação de café, o Café Vencedor, em Natal/RN, fundado por meu avô materno.

20160527_10435220160527_10470720160527_11171820160527_104658Com o sabor daquele café delicioso na boca, fomos em busca do Bar da Lora, um dos mais afamados boxes do pedaço e que serve Fígado com Jiló como prato principal. Poderíamos ter ido a outros restaurantes, mas o da Lora, para mim, representava todo o encanto daquele Mercado, porque servia uma iguaria não muito sugestiva e, segundo o mestre Luiz Gonzaga, nada amarga mais do que jiló. O fígado com jiló do Bar da Lora já foi motivo de vários programas televisivos e não é raro encontrar visitantes posando para fotos em frente ao estabelecimento. O espaço é pequeno e nem oferece tanto conforto aos frequentadores e apenas três mesas e um balcão acomodam a freguesia, mas a cerveja é estupidamente gelada e o prato chefe é inigualável e nem de longe faz lembrar a letra do Rei do Baião. O jiló da Lora num amarga não! – E o sanduiche de linguiça? – Vixi!!

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Bem, se fossemos dar asas à vontade ficaríamos o dia inteiro batendo perna pelos corredores do Mercado Central, mas tínhamos muito a conhecer em Minas Gerais e nesse dia havíamos deixado o hotel de mala e cuia para pegar a estrada em direção ao interior e nosso destino era a cidade de Diamantina, distante 298 quilômetros de Belo Horizonte. Lucia é adepta dos bons e velhos mapas rodoviários e por isso tratou logo de adquirir um exemplar. Eu prefiro seguir estrada afora e acompanhar as placas indicativas, mas de vez em quando me vejo seguindo em estradas erradas, porém, já descobri lugares maravilhosos nesses acidentes de percurso. Com o advento do GPS automotivo as coisas ficaram bem mais fáceis e estrategicamente lógicas, entretanto, perde-se um pouco do encanto de uma viagem, pois os duendes que habitam os circuitos internos dos equipamentos eletrônicos são terrivelmente arteiros e incrivelmente eficientes no quesito trajeto a percorrer e hora de chegada, fazendo com que deixemos de lado as belezas que nos cercam e passemos a fazer parte de uma competição contra nós mesmos.

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Claro que o mapa de Lucia foi deixado de lado e o GPS assumiu o controle sem dó nem piedade, mas ela não deixou de consultá-lo em nenhum instante da viagem e ainda indicava lugares que havíamos deixado passar despercebido. Muitos lugares eram indicações de amigos que outrora haviam feito a mesma viagem e disseram que não podíamos deixar de conhecer. Mas tínhamos que manter o rumo indicado pela telinha do GPS sob pena de perder “preciosos” segundos e assim seguíamos adiante.

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Mas no caminho tinha uma gruta e não teve GPS que aplacasse o desejo de Venício em visitá-la. Passávamos pelo município de Sete Lagoas, um pequeno gigante da indústria siderúrgica primária, com uma população que beira os 215 mil habitantes e uma história forjada no ciclo do ouro.

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Não conhecemos a cidade, mas não deixamos de seguir as setas indicativas da Gruta Rei do Mato e chegando lá tivemos mais uma das gratas surpresas da viagem.

Nelson Mattos Filho/Velejador

6 Respostas para “Uai! Parte 6

  1. vixe são quantas parte um montão é?

  2. passei pelo mercado é de dar AGUA NA BOCA. . . .

  3. Estive há poucos meses atrás neste Mercado, que é sensacional! Não quer dar uma esticada até Muriaé, amigo Nelson?

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