Uai! Parte 5


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Quando idealizei escrever o relato da viagem que fizemos a Minas Gerais no mês de maio de 2016, na companhia do casal Sandra e Venício Gama, não imaginei que enveredaria por caminhos tão ricamente desenhados e margeados por tão belas veredas, becos e ladeiras. O chão de Minas, além de rico, é sagrado e por mais que a gente queira botar um ponto final na história, mais longe se torna o fim.

O compositor mineiro Marcus Viana cantou assim na música Pátria Minas: “… Pátria é o fundo do meu quintal/É broa de milho e o gosto de um bom café/É cheiro em colo de mãe/É roseira branca que a avó semeou do jardim/E se o mundo é grande demais/Sou carro de boi/Sou canção e paz/Sou montanha entre a terra e o céu/Sou Minas Gerais…”. Podem até achar que seja um ufanismo exacerbado, mas o que dizer de uma terra tão bem semeada de poesia, cultura e história e onde as tradições se agigantam em um sotaque encantador?

Em nosso giro pelas veredas da capital mineira faltou tempo para caminhar lento, porém, tínhamos que caminhar. Ao sair do Museu dos Ofícios e deixar para trás a Praça da Estação, nosso destino foi a da Lagoa da Pampulha e sua famosa Igreja que tem a cara e alma do mineiro.

A Pampulha ficou devendo a fama, ou melhor, está encolhida diante da desfaçatez dos homens. A Lagoa é bela por natureza, mas as cercanias têm um jeitão de abandono difícil de imaginar. Em suas quadras vimos belos casarões e inúmeros imóveis comerciais fechadas, ou com placa de vende-se ao aluga-se. Depois de dois giros completos em torno da Lagoa, sem conseguir parar para visitar a igreja de São Francisco de Assis – pois turista é bicho teimoso – decidimos matar a fome no primeiro restaurante que encontramos.

Na mesa do restaurante eu ficava imaginando a foto que tiraria do projeto saído das pranchetas premiadas do arquiteto Oscar Niemeyer, pois sabia que ali estava a obra que ajudou a florescer o brilho de Minas. Porém, os segredos dos homens passam por túneis difíceis de serem destrinchados e nos assuntos da fé, a alma ferve em um caldeirão azeitado de doutrinária desarmonia.

A boa regra de visitação turística, em seu primeiro artigo, diz que temos que ir primeiramente ao marco principal de um lugar e a partir daí traçar as linhas de direção. Como ir a Roma e não tentar ver o Papa? Como ir a França e não visitar a Torre Eiffel? Como ir ao Rio e não ir ao Cristo Redentor? Pois bem, fui a Belo Horizonte e não fui a Igreja da Pampulha, que está grafada em todos os símbolos oficiais da capital. Tomará que São Francisco de Assis me perdoe à desfeita.

Não saí da Pampulha entristecido, saí com a certeza que nossa viagem iria ficar faltando um pedaço, e pode até que não tenha sido mais delicioso, mas com razão, o mais vistoso. Pegamos a estrada em direção ao Mirante das Mangabeiras, outro ponto de visitação imperdível e onde poderíamos apreciar a Serra do Curral e vislumbrar a cidade de um ponto situado a mais de 1.300 metros de altitude.

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O Mirante está localizado no bairro das Mangueiras e ocupa uma fração de uma área de preservação ambiental por trás do Palácio do Governador. Uma guarita dá acesso ao parque e uma pracinha bem cuidada e dois decks levam conforto ao visitante. No Mirante não é permitido vendedores ambulantes e nem existem lanchonetes, portanto, o visitante tem que ir abastecido de pelo menos uma garrafinha de água, porque a subida é um pouquinho íngreme, mas nada que assuste um sedentário.

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Outra coisa que não deve faltar é uma máquina fotográfica ou um celular com bateria suficiente para umas boas imagens e postá-las imediatamente para amigos e familiares, como manda a regra da boa convivência nesses tempos modernosos. No mais, é escorar na balaustrada e curtir a paisagem que é bela. Se for um dia de céu limpo e no momento do pôr do sol, aí é desmantelo.

Na ida e na volta ao Mirante, passamos ao lado da Praça Israel Pinheiro, batizada popularmente como Praça do Papa, porque foi lá que João Paulo II rezou missa e ao olhar a cidade que se estendia lá embaixo, falou assim: “Que belo horizonte”. Na Praça do Papa foi erguido um monumento em homenagem a visita do pontífice e foi plantado um gramado maravilhoso e convidativo. O local serve ainda para realização de eventos artísticos e religiosos.

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Após um dia de visitação na bela horizonte e para fechar o dia com o sabor de Minas na boca, fomos até a Savassi tomar café com pão de queijo. À noite saímos para brindar a vida em um dos muitos restaurantes que fazem da capital mineira uma praça gastronômica da melhor cepa.

Êta trem bão!

Nelson Mattos Filho/Velejador

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