Uai! Parte 2


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“… Velejar, velejei/No mar do Senhor/Lá eu vi a fé e a paixão/Lá eu vi a agonia da barca dos homens…”

Diz à lenda que na Bahia a pressa caminha a passos muito lentos, se assim for, nada será mais produtivo do que viagem de baiano a Minas Gerais. Nas Alterosas quem andar com pressa perde a essência da visita.

Encerrei o texto anterior falando do Instituto Inhotim e da beleza sem igual que existe em seus domínios, porém, falei tão rápido que agora me vi perdido sem saber se estava caminhando para frente ou para trás. Pera lá que eu não sou baiano, mas é bom dizer assim: Prá que essa pressa meu rei?

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O Inhotim é um programa de um dia ou mais e para ser bem aproveitado a pressa tem que ser deixada na portaria. O museu é dividido em rotas, que a administração chama de eixos, e nos eixos, que tem as cores laranja, amarelo e roxo, estão cravadas as galerias, as obras, os jardins e os serviços de apoio ao visitante. Dois restaurantes dão suporte gastronômico da melhor qualidade e com preços convidativos. Na recepção uma diversificada lojinha de souvenir não deixa ninguém esquecer que esteve por lá.

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Na minha singela opinião, a visita deve ser feita a pé e retirando da proximidade estonteante da natureza o máximo de aproveitamento. São tantos recantinhos saudáveis, aconchegantes e envolvidos em um misterioso silencio ensurdecedor, que duvido ter alguém que não se pegue refletindo nos segredos da vida. As galerias nos transportam a um mundo de idéias jamais imagináveis na cabeça de um pobre mortal. São artes saídas da visão de artistas que expõem ao mundo a mistura da beleza com a crueza da vida e da morte, sem se perder no vazio da incógnita. Tudo ali é fantástico!

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Mas se o visitante preferir poupar as pernas e as reflexões, que foi o nosso caso, basta comprar um bilhete para os carrinhos movidos à energia elétrica que dão um empurrão em alguns pedaços do percurso. Fizemos essa escolha para adiantar o passo, porém, ficamos tão fascinados com a paisagem, com as galerias e com as esculturas expostas ao ar livre, que o dia passou e não conseguimos conhecer tudo.

1 maio IMG_0004 (68)1 maio IMG_0004 (73)Inhotim. – E de onde saiu esse nome tão estranho? Uai, é muita história! Existem vários contos para o mesmo tema, mas nada é comprovado. Uns dizem que se originou em um minerador inglês chamado Sir Timothy que teria morado na área onde hoje é o Instituto. Aportuguesaram o Sir que virou Senhor, que amineiraram de Nho e o Timothy apequenou para Tim. Juntaram o Nho com o Tim e deu no que deu.

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Outra vertente caminha no rumo, e existe um registro comprovado nos idos anos 1865, de um lugar chamado nhotim, onde morava um certo João Rodrigues Ribeiro, filho de Joaquim, e que a localidade foi grafada como Nhoquim. Será?

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O nome Joaquim aparece ainda em uma história contada por uma antiga moradora de Brumadinho, mas que tem também o personagem do Sir Timothy e essa mistura de nome descambou em Inhotim.

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E como cada conto gera outro conto e entre uma pitada e outra o mineiro vai acrescentando mais contos, tem quem aposte num outro inglês, que andou chafurdando pela região entre os anos 1868 e 1886, que se chamava James Wells. Conta o conto que ele conversou com um escravo que caminhava pela estrada e o negro só balançava a cabeça e respondia: “N’hor sim”. Eita mundo velho cheio de história!

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Eu me ative nessas explicações ao visitar o site do Instituto, que tem dados colhidos pelo Centro Inhotim de Memória e Pesquisa, criado em 2008 para resgatar histórias e tradições da região. O Inhotim interage com tudo que está em seu entorno. O Instituto é quase completo nos detalhes. Eu disse quase, pois sentimos falta de informações, como nome, na grande maioria das arvores que formam o parque. Questionei sobre isso com alguns funcionários e eles disseram que os estudos já estavam em andamento e muito em breve a flora estará devidamente batizada.

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Falar da grandiosidade e beleza do Instituto Inhotim é fácil, até porque um museu inserido em uma área 140 hectares de terra merece o reconhecimento. O Inhotim recebe visitantes de várias partes do mundo e de diferentes formações acadêmicas. Mais de 2 milhões de visitantes já caminharam em seus eixos e galerias e hoje, olhando para trás, sinto saudade e uma pontada de tristeza em não tê-lo conhecido por completo. Quem sabe um dia!

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O carioca Milton Nascimento, o mais mineiro dos mineiros, na letra da música, Paixão e Fé, que copiei a estrofe que abre esse texto, canta assim: “… Já bate o sino, bate no coração/E o povo põe de lado sua dor/Pelas ruas capistranas de toda cor/Esquece sua paixão/Para viver a do Senhor…”

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O povo mineiro é pura fé, portanto, vamos a ela!

Nelson Mattos Filho/Velejador

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