Uai! Parte 1


1 maio IMG_0004 (255)

“… Oh! Minas Gerais/Quem te conhece/Não esquece jamais…”.

Foi durante um almoço com os amigos Venícios e Sandra Gama, em um restaurante de comida mineira localizado em Natal/RN, que surgiu a ideia de conhecer a Terra das Alterosas. Na verdade não sabíamos bem o que visitar, porque quando se fala em Minas logo vem em mente o pão de queijo, o doce de leite, o tutu, os apetitosos torresmos, as igrejas seculares, o fantástico conjunto arquitetônico, as serras, a inconfidência, o fenomenal trabalho de Aleijadinho, Juscelino Kubitschek, as cachoeiras e a cachaça. Queríamos conhecer tudo e mais um pouco, pois queríamos caminhar pelas estradas onde pisaram reis, rainhas e por onde foi transportada a riqueza monumental do ciclo do ouro e do diamante.

1 maio IMG_0004 (800)

A proposta inicial era alugar um carro em Salvador/BA e se embrenhar pelos caminhos do interior, passar pelas belezas da Chapada Diamantina, até desembocar na capital mineira para decidir o que fazer depois. A viagem seria no começo de maio de 2016, mas os desatinos da vida nos fez rever metas, reavaliar razões e assim, a viagem foi marcada para o finalzinho do mês das mães e não mais de carro a partir da Bahia. Para ganhar tempo, iríamos de avião de Salvador a Belo Horizonte e chegando lá alugaríamos um carro para escarafunchar as Alterosas. Venícios e Sandra sairiam de Natal. E assim foi!

1 maio IMG_0004 (196)

Não é fácil montar o roteiro turístico pelas paisagens de Minas. Por mais que a gente tente se esmerar no rumo a seguir, sempre ficaremos em débito com a vontade. Na ânsia de conhecer o máximo possível em oito dias de visita, mergulhamos nos sites tipo, “o que fazer em tal lugar”, e avaliamos o que poderia ser feito. As rotas do ouro e do diamante são imperdíveis e é um pecado não fazê-las. Os circuitos da fé, da arquitetura, do barroco, dos museus, das praças, das cachoeiras e da ecologia também. E os restaurantes e barzinho que compõem a vida noturna da capital? Nada que tem a grife Gerais deve ser descartado. Aliás: Pode, mas não deve.

VIAGEM A MINAS 2016 MAQ VENÍCIO (2)

E foi numa noite fria que desembarcamos em Belo Horizonte para o primeiro contato com uma cidade que nos chamava para um abraço. Mais do que depressa, pois não queríamos perder tempo, deixamos as malas no hotel, tomamos um banho e saímos para as calçadas da Savassi – região nobre, situado no centro sul da cidade e famosa pelo grande número de botecos.

20160527_103424Já que estou falando de um estado que é uma das fontes da história brasileira, acho melhor dar o primeiro mergulho: Nos anos 30 existia uma padaria, na Praça Diogo de Vasconcelos, no bairro dos Funcionários, batizada de Savassi e de propriedade do italiano Amilcare Savassi. Com o decorrer do tempo a praça ficou conhecida como Praça da Savassi e consequentemente toda a região agregou o nome. Na calçada da padaria se reunia diariamente um grupo de rapazes, famosa por suas peripécias noturnas, que ficou conhecido como Turma da Savassi. Pois bem, com tantos motivos o nome pegou e ficou.

VIAGEM A MINAS 2016 MAQ VENÍCIO (1)

Foi na região boêmia que demos o ponta pé inicial nos segredos do mundo gastronômico mineiro. A porta de entrada foi o boteco Redentor, localizado na Rua Fernandes Tourinho, 500, que tem chope da melhor qualidade, cardápio delicioso e atendimento de primeira linha. Aliás, o atendimento em Minas Gerais me chamou atenção pela excelência.

1 maio IMG_0004 (1)

No dia seguinte, pegamos a estrada até o município de Brumadinho e de lá rumamos para visitar uma das joias da coroa mineira, mas sinceramente, até então esta não estava recebendo tantas estrelas indicativas no guia que havíamos montado. Fomos assim meio sem muita vontade de ir, mas ao chegar, nos deparamos com um magnífico memorial ao meio ambiente emoldurando um suntuoso, instigante e um dos mais relevantes acervos da arte contemporânea do mundo.

1 maio IMG_0004 (4)1 maio IMG_0004 (6)

O Instituto Inhotim, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, foi idealizado pelo empresário mineiro Bernardo de Mello Paz nos anos 80. Mello Paz doou sua propriedade para o projeto ao receber incentivo do escultor pernambucano Tunga, natural de Palmares/PE. O escultor tem um acervo maravilhoso em uma das fascinantes galerias do museu.

1 maio IMG_0004 (16)1 maio IMG_0004 (21)

Tudo no Inhotim é fora do comum e raro de ser encontrado em outros lugares mundo afora. Se você não gosta de arte, vá até lá. Se você não gosta de árvores, vá. Se você não gosta de caminhar, vá. Se você não gosta de paz, vá. Se você não gosta de silêncio, vá. Se você não gosta de nada, vá. Pois tenho certeza que você se encontrará no Inhotim.

1 maio IMG_0004 (26)1 maio IMG_0004 (8)

O Brumadinho fica a pouco mais de 50 quilômetros de Belo Horizonte, mas não pense em sair da capital muito tarde, porque a visita é um programa de uma manhã e uma tarde e dificilmente você desejará ir embora.

1 maio IMG_0004 (33)

Fui gostei e muito em breve quero voltar, pois não vi tudo. O Inhotim é apaixonante. Como bem disse a amiga Lourdinha Oliveira, quando soube que lá estive: “… um sonho de consumo”.

Nelson Mattos Filho/Velejador

3 Respostas para “Uai! Parte 1

  1. Muito bem escrito Nelson. O problema agora é deixar Minas. Este lugar é apaixonante. Qto mais conhecer, mais difícil será sair. Você ainda não viu nada. Pobre do mar que não passa por ai!

  2. Aí sim, deu vontade de conhecer, ótimo texto!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s