O bode


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Muitas vezes passamos por situações que por mais que estejamos vivenciando, deixa na gente uma ponta de incredulidade.

A situação que vou contar aqui é bizarra, se não hilária, mas é uma pérola do mau atendimento que paira sobre os muitos ramos empresariais e de serviços mundo afora. Não digo e nem aceito que seja apenas em determinadas regiões desse nosso Brasil mais lindo, até porque, escuto ecos de reclamações vindos de todos os recantos. Atender bem e deixar um cliente satisfeito e feliz é um dom de pouquíssimas pessoas.

Sim, mas o que dizer daqueles comércios que prezam pelo mau atendimento e mantém uma clientela cativa e vibrante? Digo apenas que comércio tem segredos que a vã filosofia jamais imagina.

Dia desses estava enfurnado no Avoante quebrando a cabeça em um serviço de manutenção extremamente trabalhoso. Mais trabalhoso do que extremamente. Depois de três dias entre chaves, parafusos e manchas de graxa, resolvemos esfriar a cabeça e limpar as idéias com umas cervejinhas geladas, porque ninguém é de ferro. Foi aí que Lucia perguntou a Bicão, amigo e profissional em mecânica que nos ajudava, onde ficava o barzinho no bairro de Paripe que servia bode na brasa e que a turma do Aratu Iate Clube tanto falava. Bicão, frequentador do lugar, passou todas as coordenadas e no começo da noite fomos ao bode e levamos junto o amigo Paulo, comandante do veleiro Luar de Prata que mora a bordo e estava no clube.

Era quinta-feira e nem pensamos que seria um dia que teria muito movimento no barzinho, mas também não íamos atrás de movimento e sim de bater um papo e desopilar a cabeça.

Chegamos ao local indicado e logo na calçada um senhor, que vimos ser o proprietário, veio até nós e indicou uma mesa. Perguntei se ali era o bode na brasa e ele respondeu que não. Falei que um amigo havia indicado o lugar, mas ele disse que não era ali e perguntou aos garçons que estavam por perto onde era o barzinho do bode. Os garçons foram unânimes em responder que não sabia, porém, um deles se lembrou que em outro local, distante dali, havia um restaurante que servia bode. Olhamos desanimados um para o outro e decidimos ir embora.

20160512_203420Lucia pediu para que eu ligasse para Bicão e perguntasse direitinho onde era o barzinho. Ele passou novamente as coordenadas e constatamos que estávamos no lugar indicado. Voltamos ao bar, sentamos e pedimos uma cerveja e o cardápio. Para nossa surpresa estava escrito que existiam dois pratos de bode na brasa no cardápio. Demos uma boa risada e esperamos o garçom voltar com a cerveja, que por sinal estava estupidamente gelada, e Lucia pediu o bode em petisco.

Após dez minutos, o garçom retornou dizendo que o tinha o bode, mas estava faltando naquele dia. Pedimos mais uma cerveja e um petisco de churrasco misto. Discorremos teorias conspiratórias contra o dono do bar e tentamos adivinhar os motivos que levam um proprietário de um comércio a não conhecer os seus serviços e muito menos se valer da criatividade para pegar o cliente. Avaliamos a palavra crise, tão em voga no atual momento em que vivemos, e entre questionamentos e certezas fomos acrescentando garrafas vazias de cerveja sobre a mesa e notamos que a cada minuto aumentava o número de frequentadores e quando começou a música ao vivo a casa já estava lotada.

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A mesa ao lado e outras tantas se encheram de mulheres e notamos claramente que ali era um divertido e conhecido ponto de encontro para se adentrar a noite. Com um repertório da melhor qualidade o tocador foi alegrando a galera e logo apareceram os pedidos e os candidatos a cantor foram se apresentando para dar uma canja. Até Lucia, com a “timidez” que lhe é peculiar, encarou o microfone e soltou a voz na noite de Paripe. Foi aplaudida!

As horas passavam, a música rolava, as cervejas eram esvaziadas, mas não esquecíamos o bode que não era bode. Em certo momento Lucia foi até o balcão e perguntou ao proprietário o porquê de ele não dizer que ali era o bode que procurávamos, pois constava o prato no cardápio. Ele respondeu assim: – Eu pensei que vocês procuravam o restaurante do bode e não o que servia bode na brasa. Se vocês tivessem dito eu diria que era aqui. Entenderam? – Nem eu!

Bem, agora vamos ao segredo de um comércio: O bode não era o bode, mas a cerveja é sempre mofada. A comida não é lá essas coisas, mas a música é boa, envolvente e a freguesia animada e florida de mulheres solteiras e felizes.

Claro que ninguém ali vai atrás de comer bode na brasa, mas nós fomos. Quer saber: Foi uma noitada arretada de boa, recomendo o barzinho e em breve vamos repetir a dose.

O endereço?Fica na rua principal de Paripe, Salvador/BA, logo depois da praça.

Nelson Mattos Filho/Velejador

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