O Lobisomem


IMAGEM_NOTICIA_5

O imaginário popular é rico sim senhor e por mais que sejamos céticos quanto a certos assuntos, os contos e enredos pululam a nossa mente com uma pontinha de incerteza. Onde tem fumaça tem fogo! Num é assim que diz o ditado?

O nosso folclore é maravilhosamente belo, colorido e extremamente cativante. Homens do naipe do extraordinário Luís da Câmara Cascudo, escritor, jornalista e folclorista, discorreram tratados fantásticos sobre o mundo do folclore brasileiro, onde as histórias se misturam deliciosamente entre verdades, fantasias, causos e mentiras, mas que deixam o leitor com um monte de pulgas atrás da orelha. O povão por sua vez deu e dá crédito as crendices e não tem homem no mundo que os faça perder o fio da meada de uma história mirabolante saída da boca de seus antepassados. E quando o assunto descamba para o paranormal, ou coisa feita, aí sim que o negócio fica brabo.

Histórias de lobisomem, mula sem cabeça, caipora, mãe d’água, boitatá, mulher de branco, chupa cabra e vários outros seres das trevas imaginárias, povoam nosso mundo e não adianta ninguém tentar provar o contrario, porque vai escutar apenas a frase: – Pois então espere para ver! Danado é quem fica para esperar.

Me avexei a falar desse tema depois de ler num site baiano que moradores do município de Novo Mundo, no Piemonte do Paraguaçu, tem avistado um lobisomem perambulado pelas ruas durante as madrugadas. Tem até que jure de pés juntos que já se deparou frente a frente com bicho e fez carreira no meio do mundo. Alguns moradores já nem saem à noite e outros fecham a casa assim que o sol descamba sobre os montes. Deus é mais!

Embrenhando pela matéria, vi que o homem fera também deu o ar da sua graça no município de Barrocas e teve morador que esbarrou na criatura e quase não consegue chegar em casa, tamanho foi o medo. Chegou sem fala e teve que tomar um copão de garapa para recuperar a cor. Uma moradora, quando soube do acontecido, deu boas gargalhadas e disparou: “Não existe lobisomem, existe o folclore, as histórias, isso acontece quando tem mulher casada traindo o marido, ou, mulher que se diz moça e o homem cria a história pra amedrontar as pessoas em sair à noite”. Danou-se, agora virou chafurdo!

A história do lobisomem de Novo Mundo e Barrocas me fez lembrar uma presepada que aconteceu em Enxu Queimado, praia no litoral norte do Rio Grande do Norte, e que Pedrinho, meu amigo irmão, conta morrendo de achar graça.

O caso aconteceu quando um rapaz saiu da casa da namorada, por volta de duas horas da madrugada, e ao caminhar por entre as sombras escuras das arvores se viu ameaçado por uma cena macabra. Do outro lado vinha um pescador, que estava se encaminhando para a maré e quando viu o rapaz caminhando sozinho no meio da noite, soltou suas tralhas de pesca, cobriu a cabeça com o casaco e ficou agachado e balançando embaixo de uma enorme mangueira. Foi justamente essa visão que fez o rapaz congelar e quase fez seu intestino esvaziar a massa amarronzada.

O rapaz olhou a cena com os olhos aboticados, avaliou para onde poderia correr, mas nada das pernas obedecerem à vontade do cérebro. Com o coração batendo igualmente bateria de escola de samba, ele viu a criatura se levantar, balançar para um lado, para o outro e num piscar de olhos partir para cima dele com os braços abertos. Sem saber de onde arranjou forças, o rapaz deu um grito, chamando a mãe, e subiu em poste de iluminação num pique só. Lá em cima foi que ele viu o pescador dando boa gargalhada e caminhando despreocupado para a praia. Pense num medo grande!

O lobisomem de Exu Queimado foi uma farsa engraçada e que faz até hoje a gente dar boas risadas, mas na mesma Enxu existem relatos das pegadas do chupa cabra, como também das bolas de fogo que assustam os caçadores no mato e que faz muito cabra arroxado se acovardar diante do medo.

Navegando por aí ouvimos vários relatos como esses nas cidades ribeirinhas e Deus me livre de duvidar das palavras dos nativos, pois são ditos com tanta veracidade que eles nem piscam o olho.

Quer ver uma coisa: Sente durante uma tarde na varanda de Dona Aurora, na Ilha de Campinho, na Baía de Camamu, para ouvir suas histórias e veja se você terá coragem de dar uma roles noturnos pela beira mar. Duvido! Mas em todo caso, acho que a sentença da moradora de Barrocas tem um que de verdade.

Já o Joãozinho das piadas tem medo mesmo é do Mala Mem, porém, um amigo diz que mais terrível é o tal do Sereno, porque esse até os médicos mandam a gente ter cuidado.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Anúncios

3 Respostas para “O Lobisomem

  1. Homi, tu pode achar que é gaiatice minha, mas já fiquei olho a olho com um carniçento desses!! Isso foi quando tinha 17 anos, estava voltando de uma casa de luz vermelha, e eu tinha que andar 7 km no mato pra voltar pra roça do meu Pai. Já era mais de meia noite, e deparei com o tal na beira da estrada. Ele ficou me olhando e eu olhando pra ele, e fui andando de costas sem tirar o olho dele, até que disparei na carreira…pense!!!!!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s