Arquivo do mês: janeiro 2016

Se liga Capitão!

Operação verão 2016

No lançamento da Operação Verão 2016, a Marinha do Brasil anunciou que nos últimos três verões, 70% dos acidentes registrados com as embarcações de esporte e recreio envolveram lanchas e motos aquáticas. Os números da DPC – Diretoria de Portos e Costas – mostram ainda que a negligência, a imperícia e a imprudência dos condutores são as causas determinantes mais comuns dos acidentes, levando a colisões ou naufrágios, recordistas entre a natureza das ocorrências. Veja algumas dicas da autoridade marítima:

1 – Faça a manutenção correta da sua embarcação;
2 – Tenha a bordo o material de salvatagem prescrito pela Marinha do Brasil;
3 – Respeite a lotação da embarcação e tenha a bordo coletes salva-vidas para todos os tripulantes e passageiros;
4 – Mantenha os extintores de incêndio em bom estado de conservação e dentro da validade;
5 – Ao sair, informe o seu plano de navegação ao seu iate clube, marina ou condomínio. Leve sempre algum equipamento de comunicação, por exemplo um celular;
6 – Conduza sua embarcação com prudência e em velocidade compatível para evitar acidentes;
7 – Se consumir bebida alcoólica, passe o timão para alguém habilitado na categoria adequada e que não tenha consumido álcool;
8 – Mantenha a distância de 200 metros das praias e dos banhistas;
9 – Respeite a vida, seja solidário, preste socorro;
10 – Não polua mares, rios e lagoas; 
e eu incluo mais duas

11 – Respeite o limite de 3 nós de velocidade próximo a fundeadouros;

12 – Moto aquática não tem permissão para navegar durante a noite.

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Um dia de aventuras

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No mês de abril de 2013 aticei os leitores com a postagem Conte sua história, em que abria espaço para que cada um contasse como chegou ao mar ou relatasse experiências vividas no reino de Netuno. Foi aí que começou a série A Tempestade, que infelizmente o autor nos deixou a ver navios em meio ao mar de Aracaju, não colocando um ponto final na peleja. Na crônica O Noroeste, em que conto meu atribulado encontro com esse vento descarado que sacode o mar da Bahia, o leitor Cicero Carlos Farias – que posa para a posteridade ao lado da esposa na imagem acima – comentou meu quiproquó e disse que tinha uma boa história para contar sobre um arranca rabo que teve no mar de Pernambuco a bordo de uma jangada e não titubeou em enviar o relato, que li num fôlego só – as vezes quase faltando. Parabéns Cicero e obrigado por dividir sua aventura com nossos leitores.

Um Dia de Aventuras no Mar

Cicero Carlos Farias

Após algum tempo vivendo no litoral, me apaixonei pelo mar e pelo prazer que ele pode nos proporcionar. Já sendo um bom nadador, haja vista que nasci e fui criado em regiões ribeirinhas, procurei me aperfeiçoar também no mar e até mesmo enveredei na arte do mergulho de apneia, o que sempre admirei por achar que o respeito à natureza: corais e animais marinhos. Muito embora o meu mergulho seja sempre por esporte, algumas vezes caçava um único peixe para levar para a minha esposa Simone, mesmo porque toda semana eu tinha um dia para ir ao mar para fazer o mesmo. Escolhendo a hora de acordo com a maré de minha preferência, a maré de quadratura, maré resultante do desalinhamento entre os astros: Sol, Lua e Terra, também chamada de maré morta ou baixa mar, podendo assim aproveitar o mar numa maior calmaria. Após alguns anos sem uma jangada e acostumado a nadar, evidentemente equipado com nadadeira, faca, mascara, respirador, além da arma de caça submarina, da praia até a barreira de arrecifes, resolvi fazer uma pequena e boa jangada, e assim a fiz e pus um motor de rabeta, batizei-a com o nome de bicuda e levei-a ao mar e lá, consegui um local para deixá-la ancorada na praia.

Um belo dia de domingo de um mês de agosto, um dos piores meses para a navegação em virtude dos ventos e das grandes ondas que deixam o mar bravio, como o chamam os pescadores. Nesta época do ano, muitos pescadores recolhem as suas jangadas, preferindo nem mesmo ir ao mar, devido aos riscos de naufrágio. Nesse citado dia chegam a minha casa os colegas: Junior Grandão e Junior Pequeno, pedindo para dar uma volta comigo na minha Jangada Bicuda, então resolvemos ir ao mar, eu peguei minhas tralhas (assim como é chamada todos os equipamentos para mergulho e pesca) e partimos naquela manhã para as minhas áreas de mergulho, a Grande Barreira de Corais, que faz parte da restinga do sul de Pernambuco.

Chegando ao destino, ancorei a jangada e fui mergulhar e observar as belas paisagens submarinas, corais e peixes coloridos dominavam o ambiente. Lembro-me que estávamos em Maré de Sigila, assim chamada, quando os astros: sol, Terra e Lua estão alinhados, resultando em preamar ou maré viva, onde a amplitude de maré, ou a diferença entre o nível mais baixo e o mais alto pode chegar a até mais de 2,40 metros, isto sem contar com as grandes ondas que alcançam facilmente mais 2,5 metros de altura. Ainda com a maré baixa, depois de algum tempo resolvemos ir até a “prainha”, assim como é chamada uma croa de areia que aparece na maré baixa, naquela região a mais ou menos um quilômetro da crosta, circundada por belas piscinas naturais que encantam os turistas que visitam em alta temporada. Naquele dia não tinha ninguém, além de um ou outro pescador. Resolvemos então jogar um pouco de frescobol, já que o Junior Grandão era um exímio esportista com a raquete. A maré estava no limite do refluxo, ou seja, zerada, o que nos permitiria ficar bem à vontade por um bom tempo até começar o movimento de fluxo, ou subida da maré, porém o Junior Pequeno sugeriu que poderíamos partir para a localidade de Várzea do Una, um distrito que foi formado a partir de uma Colônia de Pescadores, logo retruquei por saber que a maré já começara a subir, mas fiquei sendo minoria e segui com eles. Continuar lendo

Festa no mar

Quer uma boa desculpa para colocar o barco na água nesse final de semana? Pois taí! Nesse sábado, 16 de janeiro, acontecerá a Lavagem da Coroa do Limo, em frente a marina de Itaparica, uma das mais tradicionais festas do verão na Bahia, ao som do Estakanágua, com participação do Chiclete com Banana. Você vai perder? Perca não!!!

Bate papo com Izabel Pimentel

Hoje, dia da Lavagem do Bonfim, uma das mais tradicionais festas de Salvador/BA, acordei cedo para participar de um bate papo virtual com a velejadora Izabel Pimentel e o jornalista Adilson Pacheco, editor do site Regata News, sobre a importância da comunicação no mundo náutico. Izabel que é uma valente do mar criou o programa, apresentado no YouTube, com o objetivo de discutir a náutica e dar novos rumos para a vela brasileira. Esse foi o décimo quarto programa e fiquei muito feliz em participar. Infelizmente o sinal da internet não ajudou e o som ficou meio sofrido, porém, peço a você um pouquinho de paciência e convido para assistir o bate papo.

Um furacão no Atlântico Norte

furacão alex

Um raro furacão deu as caras no Atlântico Norte na tarde dessa quinta-feira, 14 de janeiro e foi batizado pelos estudiosos dos efeitos climáticos de Alex. O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos emitiu boletim classificando o Alex como um furacão com centro mínimo de pressão de 981 hPa e ventos estimados em 140 km/h. A fera climática no fim da tarde estava a 790 km ao sul da ilha Faial, nos Açores. Segundo os cientistas do tempo, o Alex deve ter vida curta, porque está seguindo para o norte, onde as águas são frias e isso enfraquece o monstro. Tomara! Fonte: site Terra

História de tubarão

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Essa história eu pesquei do site Popa.com.br, que já pescou do site da revista Veja, e ocorreu em dezembro de 2015. É um caso fatal ocorrido no mar do Caribe e de grande infortúnio para um tripulante venezuelano. O barco em que estava o venezuelano naufragou na costa de Aruba, matando duas pessoas que ficaram presas em seu interior, e a guarda costeira foi acionada para resgatar os cinco tripulantes sobreviventes. Enquanto o helicóptero sobrevoava o local e um socorrista descia em uma corda para resgatar um dos sobreviventes que estava agarrado a uma boia, um tubarão tigre surgiu de repente e atacou. O náufrago ainda chegou a ser resgatado, mas não sobreviveu aos ferimentos.  “Foi uma inacreditável história de azar”, resumiu Roderick Gouverneur, porta-voz da equipe de salvamento. O acidente aconteceu um dia depois que um turista paranaense foi atacado por um tubarão na Ilha de Fernando de Noronha/PE enquanto fazia mergulho snorkel na praia de Sueste e perdeu a mão e parte do antebraço direito.  O tubarão-tigre, também conhecido por cação Jaguara ou tintureiro, é um predador agressivo dos mares tropical e sub-tropical e muito comum no nordeste brasileiro, chegando a medir 6 metros de comprimento. Ele está em terceiro lugar nos casos fatais de ataques de tubarão ao ser humano. Certa vez, na praia de Enxú Queimado – litoral norte do Rio Grande do Norte – um pescador pulou na água e se agarrou com uma fera dessas depois de atirar com a espingarda de mergulho e o bicho tentar fugir com o arpão novinho em folha. A briga foi feia e o pescador saiu ganhando, todo arranhado, mas saiu. O tubarão foi para as cucuias e o pescador, que se chama Zé Mago, até hoje conta a história. Fontes: popa.com.br; revista veja, wikipédia.

O Noroeste

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Quem navega pelas bandas da Bahia, entre um bordo e outro, já deve ter escutado falar do vento noroeste que deixa o mar dos Orixás com forte sabor de pimenta ardida e que atinge facilmente velocidades de mais 40 nós. Os navegadores baianos falam do noroeste a boca pequena para não acordar a fera adormecida, mas sempre que se escuta trovoada pelos lados do quadrante norte, o que mais se vê é gente se apegando com todos os Santos em busca da proteção divina. Deus é mais!

Eu navego pelas águas do Senhor do Bonfim há um bom tempo e já presenciei a força desse vento na Baía de Camamu e em Salvador, mas nunca havia me enganchado com ele enquanto navegando e até achava que a fama de durão do bicho fosse mais assombro do que verdade, porque sempre apostei que quem navega entre o Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba – mar de gente grande -, estava vacinado contra um bocado de trapizomba. Pois num é que eu estava bem enganadinho da silva!

Uma coisa é você está com o veleiro ancorado – bem ancorado – e ver com olhos arregalados a chegada da fera e escutar incrédulo o bicho zoar nos estais. Nessas horas a gente não sabe se fica dentro da cabine, se fica fora, se pula na água, se vai ao banheiro ou se faz tudo ao mesmo tempo. São cerca de meia hora de reza braba e promessas que nem de longe lembramos depois quais foram mesmo, porque a cabeça e coração vão a mil. E quando a âncora da o primeiro sinal que vai garrar? Aí lascou tudo e ai daquele tripulante que se atrever a perguntar o que está havendo. Primeiro que a resposta não sai e segundo que é arriscado ele servir de depósito de impropérios saídos da boca de um comandante amalucado e sem controle da situação. É bronca, mas depois que a festança acaba e certificamos que continuamos ancorados, a primeira coisa que se faz é soltar um longo suspiro e correr para pegar uma cerveja bem gelada, que é para espalhar o sangue. O passo seguinte é colocar as ideias em ordem e escolher a melhor forma de contar para os amigos o que se assucedeu. Continuar lendo