Arquivo do mês: novembro 2015

A Vila do Zungú e o Toucinho à Pururuca

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Rapaz, quem anda na companhia do Hélio Viana não tem como fugir das cervas geladas e muito menos das indicações botequianas que somente ele e Mara sabem decifrar o mapa da mina e nos deixa tentados a conferir. Foi assim que pegamos a estrada no rumo de uma região conhecida como sertão do Bracuhy e ao chegar numa placa indicado Zungú entramos. A Vila do Zungú é um povoado pequeno e sem nenhum predicado turístico, apesar de ter paisagens de tirar o folego. Não sei – apesar de imaginar – o porquê dos homens das governanças acharem que as terras do Zungú poderia acolher um lixão. Dizem que a mácula já virou aterro sanitário, já desvirou, voltou a virou e agora, segundo os moradores, desvirou novamente. Mas deixa pra lá que não é disso que eu quero falar e nem foi por isso que fomos até o Zungú. Fomos até lá em busca de um petisco delicioso e que só em lembrar me enche a boca de água. Toucinho à Pururuca.  

20151110_10292620151110_10313620151110_12303520151110_103059Eita que muitos hão de pensar que nossa estadia no Bracuhy foi apenas com a finalidade etílico-gastronômica e será difícil para mim provar o contrário, porque ganhei uns bons quilos e garanto que venci para sempre a anorexia. O Toucinho à Pururuca dos deuses é servido no Bar do Breves e é ponto de parada obrigatório para quem passeia pelos caminhos cercados pela mata que cobre o Zungú e posso garantir que tem sabor sem igual no mundo. Eu e Lucia fomos no bugie do casal Maracatu com Mara servindo de cicerone e detalhando a região com a precisão de quem conhece de verdade, pois nada passou em branco. O Hélio, tirando onda de pedalista juramentado, queimou as calorias antes e depois e nem sentiu a consciência pesar enquanto degustava o Toucinho. Sabe de uma coisa: Eu também não, e até estou com vontade de retornar ao Zungú e meter a cara no Toucinho do Bar do Breves. E para quem acha, como eu achava, que em Angra dos Reis a vida gira apenas em torno do mar e para o mar, é melhor começar a reavaliar as rotas e roteiros, principalmente os gastronômicos.

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Bowteco – um bar que é a cara da vela de cruzeiro

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Tem certas coisas que é a cara de outra e por mais que a gente tente dissociar uma da outra dificilmente conseguiremos. Proa em inglês é Bow e teco sinceramente juro que não sei a tradução, mas se juntar os dois fica BowTeco e nada mais original um bar com nome de Bowteco em um lugar que é cara da vela de cruzeiro no Brasil. Foi sobre as mesas e diante de boas cervejas geladas desse barzinho gostoso, que surgiu a ideia de um encontro de cruzeiristas anos atrás e daí para criação da ABVC – Associação Brasileira de Velejadores de Cruzeiro – foi apenas questão de subir as velas e seguir o rumo, coisa que todo velejador sabe fazer com louvor. Nas nossas andanças pelos mares do sudeste a bordo do veleiro Compagna, prometemos que assim que desembarcássemos iriamos dar um pulo no Bracuhy para abraçar o casal Hélio e Mara, veleiro MaraCatu, e cumprimos a promessa. Porém, ir ao Bracuhy e não ir ao Bowteco, nem que seja para tirar um retrato, é um pecado que um velejador de cruzeiro jamais deve levar para o Céu e para não ter que chegar lá em cima devendo, fomos ao aconchego do barzinho dos velejadores e ainda tivemos a alegria de sermos recebidos pelo Hugo Nunes, proprietário do recinto. Alguém a de perguntar pela foto da cerveja, mas digo que tomei sim e só não vou postar para não dar água na boca. O Bowteco fica estrategicamente localizado na barra de acesso ao canal do Bracuhy e se você quiser tirar a prova dos nove do que estou falando, vá até lá e comprove.

Na margem esquerda do Potengi tem uma linda praia

Praia da Redinha

“Do cais, você olha a boca-da-barra. Do lado de cá, o pontal escuro, com um farol sinaleiro. Braço de pedra, mar a dentro, ajudando navios e barcos maiores nas aperturas do canal. Do lado de lá, o dorso branco de praias e morros, manchas vermelho-azuis do casario irregular. Uma torre humilde de igreja. Os cocares impacientes do coqueiral. O território livre da Redinha”, escreveu em crônica o poeta e pintor Newton Navarro. Era a década de 1970 e a Redinha começava a mudar.

A Praia da Redinha é sinônimo de reino encantado – encravado nas dunas que circundam a cidade do Natal – das paixões, dos seresteiros, poetas, pintores, boêmios, praieiros, pescadores e amantes de uma vida plena de alegria, tudo temperado com o sabor de deliciosos cajus, cachaça, peixe frito e tapioca. Sob a sombra dos seus alpendres a cidade dos Reis Magos foi sendo forjada nas rimas, prosas, letras e melodias maravilhosas que embalaram sonhos de vida e vida de sonhos. A Redinha de hoje perdeu muito dos seus encantos, mas sobrevive na lembrança de seus velhos moradores e veranistas que enchem os olhos de lágrimas ao lembrar de um tempo que se foi na maciez dos alísios nordestinos. A velha Redinha é poesia bruta embalada por melodias entristecidas carregadas de magia. O poeta e pintor Newton Navarro, o mesmo que cedeu o nome para batizar a modernosa ponte que atravessa o Potengi, era um apaixonado pela velha praia. No veraneio do pé na areia e da simplicidade espantosa da Redinha, aprendi que a vida tinha outros horizontes e a humanidade outro sentido. Da convivência com personagens históricos da velha praia, pessoas do naipe de um Bianor e Terezinha Medeiros, Candinho, Seu Humberto e tantos outros, hoje trago na memoria momentos felizes de uma vida em que a alegria era a ordem geral e unida. Hoje, ao ler a matéria, Redinha e margem esquerda do Potengi, publicada no jornal Tribuna do Norte, bateu saudade e passearam em minha frente cenas de um passado que jamais esquecerei. Tudo isso eu não poderia deixar de dividir com você leitor.“…Praieira dos meus amores/Encanto do meu olhar…”

Lado a lado com o Hasthtag Sal

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Quando anunciei que estava chegando nas águas cariocas o amigo virtual Rodrigo Fidelis atiçou o velejador e apresentador dos mais visualizados vídeos sobre o povo e as coisas do mar, Adriano Plotzki Dutra, para gravar uma entrevista comigo. Claro que fiquei feliz e envaidecido pela indicação, porque sou fã do Adriano e assisto todas as suas entrevistas pelo Hasthtag Sal, mas sabia que dificilmente o encontraria, porque minha estadia em Paraty seria muito rápida, nem imaginava em qual marina ele atracava o veleiro #Sal e não acho que dou pauta para uma entrevista. Em nosso último dia em Paraty, o #Sal atracou ao lado do Compagna, na marina Farol de Paraty, e lá estava o Adriano. A foto não está tão esbelta, mas nem por isso poderia deixar de registrar essa feliz coincidência. 

  

Notícias do mar – IV

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Nesses tempos de facebook, whatsapp e outras mídias sociais os furos de reportagens passaram a fazer parte de um passado distante e quando queremos relatar o nosso dia a dia, aí é que o cheiro de mofo sobe no ar. Mas tem nada não, vou seguir o rumo e dar um ponto final nessa série de Notícias do Mar. O Rio de Janeiro continua lindo!   

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Na última postagem dessa série estávamos com a proa do Compagna apontada para o Clube Naval Charitas, em Niterói, e foi lá que aportamos no finalzinho da tarde do dia 04/11. Os anúncios de ressaca no mar do Rio de Janeiro continuaram sendo divulgados, via VHF, o tempo vestiu uma roupagem cor de chumbo e durante a noite choveu muito bem obrigado, porém, o vento e o mar continuaram incrivelmente tranquilos. – E a ressaca do mar? Sei lá! Assim que o dia amanheceu, reabastecemos o Compagna e tomamos o beco para o mar de Paraty, onde atracamos na Marina do Engenho na manhã do dia 05. A navegada, alias, motorada, porque o vento insistiu em não dar o ar da graça, foi muito gostosa e sobre um mar que desmentiu todas as previsões. Ainda bem!

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A região de Paraty é mesmo dotada de muita beleza e a mistura de aromas do mar e da mata, espalha no ar um perfume de encantamentos e nos faz sonhar acordado.

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Na beleza de Paraty fomos recepcionados pelos amigos Carlão e Gisele, que vieram a bordo nos dar boas vindas e a noite organizaram um churrasco que teve a participação dos velejadores Maurício Rosa, Valmir e Dani. Foi uma noite de alegria, bons papos e degustada ao sabor de uma deliciosa Panceta.

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Bem, a viagem do translado do Compagna entre Salvador e Paraty foi maravilhosa e deixou saudades, mas a vida segue seu rumo e é chegada a hora de retorna ao nosso Avoante que ficou solitário nas águas da Bahia. Ainda terei muito a comentar sobre essa navegada e até escrevi um diário de bordo que em breve farei a publicação, porém, antes retornar resolvemos dar uma esticadinha até a marina Porto Bracuhy, para abraçar o casal Hélio Viana e Mara Blumer, veleiro Maracatu. Essa visita promete!  

 

Coisas da natureza

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Claro que cansa! Podemos presenciar essa cena várias vezes durante as navegadas e em todas ficamos encantados diante dela. Pode ser apenas uma ave, duas, três ou um bando, a cena é simplesmente maravilhosa e nos faz refletir na magia em que foi criada a natureza. O descanso sem preocupação desses ágeis caçadores em meio ao oceano sem fim.  

Notícias do mar – III

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Dá notícias ao vivo diretamente do mar não é um privilégio, nem um luxo, nem lixo, nem um monte de adjetivos e alguns podem até achar que é amostramento. Será? Eu bem que gostaria de falar com quem desejasse a toda hora e minutos quando estou no mar dando uns bordos por aí e até poder atualizar o blog, mas nem sempre a banda toca no ritmo que a gente deseja e nossas operadoras de telefonia ainda não estão tão avançadas assim. Quem sabe um dia! Porém, aqui vai mais uma postagem de notícias enquanto navego na coordenada S 23 00.696 / W 042 25.499, sobre um mar de esposa de almirante, vento de proa e promessa de pauleira para as próximas 24 horas, mas se Deus assim permitir, quando começar a festança estaremos com o Compagna muito bem ancorado no Clube Naval Charitas. As imagens acima foram retiradas do tempo, no comecinho da manhã desse 04/11, no momento em que deixávamos para traz o Focinho do Cabo – ponto notável a navegação localizado em Cabo Frio/RJ, que é frio de verdade e para quem quiser tirar a prova, basta navegar por lá durante a madrugada. E por falar em cabo: O tão temível Cabo de São Tomé estava em paz com a natureza, com um humor maravilhoso e até sorriu diante da nossa passagem. Posso dizer que até agora tudo foi,  e está, muitíssimo bem a bordo e a nossa navegada está uma delícia. Que venha o Rio maravilha!