Na margem esquerda do Potengi tem uma linda praia


Praia da Redinha

“Do cais, você olha a boca-da-barra. Do lado de cá, o pontal escuro, com um farol sinaleiro. Braço de pedra, mar a dentro, ajudando navios e barcos maiores nas aperturas do canal. Do lado de lá, o dorso branco de praias e morros, manchas vermelho-azuis do casario irregular. Uma torre humilde de igreja. Os cocares impacientes do coqueiral. O território livre da Redinha”, escreveu em crônica o poeta e pintor Newton Navarro. Era a década de 1970 e a Redinha começava a mudar.

A Praia da Redinha é sinônimo de reino encantado – encravado nas dunas que circundam a cidade do Natal – das paixões, dos seresteiros, poetas, pintores, boêmios, praieiros, pescadores e amantes de uma vida plena de alegria, tudo temperado com o sabor de deliciosos cajus, cachaça, peixe frito e tapioca. Sob a sombra dos seus alpendres a cidade dos Reis Magos foi sendo forjada nas rimas, prosas, letras e melodias maravilhosas que embalaram sonhos de vida e vida de sonhos. A Redinha de hoje perdeu muito dos seus encantos, mas sobrevive na lembrança de seus velhos moradores e veranistas que enchem os olhos de lágrimas ao lembrar de um tempo que se foi na maciez dos alísios nordestinos. A velha Redinha é poesia bruta embalada por melodias entristecidas carregadas de magia. O poeta e pintor Newton Navarro, o mesmo que cedeu o nome para batizar a modernosa ponte que atravessa o Potengi, era um apaixonado pela velha praia. No veraneio do pé na areia e da simplicidade espantosa da Redinha, aprendi que a vida tinha outros horizontes e a humanidade outro sentido. Da convivência com personagens históricos da velha praia, pessoas do naipe de um Bianor e Terezinha Medeiros, Candinho, Seu Humberto e tantos outros, hoje trago na memoria momentos felizes de uma vida em que a alegria era a ordem geral e unida. Hoje, ao ler a matéria, Redinha e margem esquerda do Potengi, publicada no jornal Tribuna do Norte, bateu saudade e passearam em minha frente cenas de um passado que jamais esquecerei. Tudo isso eu não poderia deixar de dividir com você leitor.“…Praieira dos meus amores/Encanto do meu olhar…”

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5 Respostas para “Na margem esquerda do Potengi tem uma linda praia

  1. Wilson Cleto de Medeiros Filho

    Muito bom, Nelson!
    Lá, onde passei toda a infância e adolescência, mas que terminou esquecida e teve um crescimento totalmente desordenado… Hoje, ao invés da boemia romântica que se pintava em tempos idos, restou-nos o temor das noites conturbadas e que só figuram nas páginas policiais. Uma tristeza para mim, meu pai, para João Bolão, Mumbaca, Deífilo, Gileno, Pe. Thiago, Toinho Liberato, Lila, Ilnete, Trigueiro e tantos outros que curtiam as varandas do Bar da Bica e do Pé do Gavião…

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  2. Eita coração seresteiro, comandante!!!!

    O negócio é afogar na cachaça a sodade matadeira!!!!

    Grande abraço.

    Mucuripe.

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  3. Eita que lugar bonito da moléstia!…..

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